
A célebre banda desenhada do artista brasileiro Maurício de Sousa, inspirada na Alegoria da Caverna, intitulada “As sombras da Vida” , há um aspecto muito interessante que marca sobretudo o último quadrinho; a substituição dos homens da caverna por espectadores da televisão.
A Alegoria da Caverna foi escrita por Platão em República, no livro VII, em que ele descreve um grupo de homens que vivem acorrentados no fundo de uma caverna tendo a visão apenas para uma parede em que são projectadas sombras, as quais eles consideram como a única realidade.
Essa metáfora, deste modo, refere-se ao modo de acesso as informações (conhecimento) pelo homem. O que acontece com os prisioneiros na caverna assemelha-se ao comportamento actual, basta substituir, assim como sugeriu Maurício de Sousa, as sombras por qualquer meio mediático destinado às massas.
Diante de nossas casas, todos os dias, a televisão desempenha um importante papel na projecção de algumas “sombras” do real que tomamos como «única realidade». Assim, a televisão exerce uma forte influência na vida quotidiana, formulando costumes, hábitos e valores que não são nossas e nem assemelham-se a vida comum, mas são adoptadas como modelos. A nossa própria maneira de pensar vai sendo modificada pelos média.
Contudo, assim como na alegoria de Platão, se um dos telespectadores deixa-se a televisão, e voltasse para realidade, qual seria sua reacção diante das novas informações? Não seria mais cómodo viver como as personagens fictícias, em um mundo fantasioso, do que encarar a realidade?
Não podemos interpretar a televisão apenas deste aspecto, pois é notável que ela manteve um papel fundamental ao longo da história na disseminação de cultura, notícias e conhecimento à um grande público, mas no entanto, suas informações podem ser frágeis e perigosas, ainda quando passam a fazer parte de uma estrutura comercial.
Devemos acima de tudo ter um espírito crítico em relação aos novos média e questionar a veracidade de suas informações, lembrando que mesmo em cavernas contemporâneas, não estamos acorrentados.
Manoel Paixão Lordelo S. Jr.