Reflexão sobre algumas ideias de Walter Benjamin

Em “A Obra de Arte na Era da sua reprodutibilidade técnica/mecânica”, Walter Benjamin reflecte sobre as obras de arte reproduzidas manualmente e técnicamente, comparando e estabelecendo as diferenças entre elas. Concluiu que as obras de arte sujeitas à reprodutibilidade mecânica ou a qualquer imitação seriam afectadas quanto à sua originalidade ou autenticidade a que ele chamou “aura”. Afirmou que através da reprodutibilidade mecânica o objecto se podia afastar do domínio da tradição ritual.  Afirmava que as obras originais produzidas manualmente durante a História, sempre transportaram consigo um significado ritualístico, de culto. Para este pensador crítico Alemão, artes como o cinema ou a fotografia, onde a reprodutibilidade mecânica é evidente, iriam trazer a decadência dessa tal “aura”. Também constatou que a reprodução mecânica era mais independente do que a reprodução manual em relação ao original, e que a sua função, não era a falsificação, mas sim a distribuição em massa da obra.

Não nos podemos esquecer que a “aura” a que se refere Walter Benjamin sempre esteve dependente dos juízos de valor atribuídos à obra dentro do seu contexto histórico. O significado de uma obra de arte pode mudar consoante o contexto em que se encontra. Por exêmplo lembro-me agora do caso da Fonte (1917) de Marcell Duchamp. Esta obra só ganha sentido dentro do contexto em que foi inventada. Não creio que alguém estivesse interessada em estudar as características estéticas de um urinol, ou poderei estar enganado!!!!!!!!!!!! No entanto, penso que este é mais um exêmplo de arte conceptual.

Walter Benjamin no seu ensaio afirma também que a diferença entre ver uma obra de arte ao vivo ou reproduzida, nota-se pela sua “aura”, pela autenticidade e singularidade que segundo ele só se encontra na obra original. Sobre esta afirmação, considero ser verdade como também tenho algumas dúvidas, pois penso que há imitações que ao serem tão perfeitas, podem suscitar no espectador os mesmos efeitos que uma obra original. Falo mesmo de quadros ou esculturas que por vezes podem enganar. Mas aqui, creio que já tem que ver com a intervenção do historiador de arte, que analisa a obra minuciosamente quanto à sua existência, tempo e espaço.

As teorias de Walter Benjamin podem bastante bem aplicar-se à era reproduçãqo digital, fazendo dele como que um profeta sobre as concepções ligadas às artes, mas à excepção de um pormenor. Com a excessiva reproduçãode obras de arte sobre imagens digitais, estas vão cada vez mais banalizando-se, deixando em nós um maior desejo por estar em contacto com a peça original.

Pedro Jorge Chau

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