Arquivo de Março 31st, 2011

Genealogia dos Novos Média (Remediação, Hipermediacia e Imediacia)

É necessário antes de mais reconhecer que os média estão em constante evolução, eles não estagnam, compreendemos nesta lógica que alguns se aperfeiçoem, que alguns se integrem, se transformem ou simplesmente coexistam noutros… Outra ideia  que é necessário compreender  é a presença do meio em si próprio, quando ele é latente bem óbvio ou quando ele se encontra bem disfarçado quase não se dando por ele!  É aqui que nos deparamos com os conceitos de remediação, hipermediacia, imediacia que nos são pela primeira vez apresentados por Jay David Bolter e Richard Grusin . A remediação consiste praticamente em reformar as formas de média anteriores como são os casos a seguir apresentados:

Fonografia para concerto

Pintura para fotografia

Teatro para cinema

 Romance para cinema

Imprensa para hipertexto electrónico

Telefone para teleconferência.

Mcluhan afirma que o conteúdo de cada meio é sempre outro meio. Ex: o conteúdo da escrita é a fala  / o conteúdo da imprensa é a escrita! Bolter e Grusin chamam remediação a essa mesma característica. O conteúdo do meio é representado noutro meio. Segundo Bolter e Grusin esta característica seria a principal dos novos média digitais. Como todos os média digitais  funcionam numa relação dialéctica com os meios anteriores. Existem quatro tipos de remediação a saber:

a) Incorpora meios anteriores, procurando apagar a diferença, ex: digitalizando um livro preservando a sua estrutura e aparência originais.

b) Incorpora meios anteriores acentuando a diferença, ex: digitalizando imagens de cinema ou televisor e utilizando-as numa obra inteiramente digital. 

c) Absorve  inteiramente  um meio anterior e minimiza as diferenças entre ambos, ex: um jogo de computador que permite os jogadores serem personagens de uma narrativa fílmica.

d) Incorpora outras formas oriundas do seu próprio meio,  ex: um livro que incorpora elementos de outro livro.

A remediação tem em  vista o melhoramento dos média que o precedem!

Existe ainda nesta genealogia dois tópicos importantes: a imediacia e a hipermediacia.

Hipermediacia – a mediação opera segundo a lógica da opacidade, isto é, o meio mostra-se e torna a sua presença visível – o meio enquanto superfície que expõe a sua materialidade própria. Os diferentes actos de representação são tornados visíveis multiplicando os sinais de mediação: o espaço visual de representação é visto como espaço mediado.  Factores que favorecem a hipermediacia:

a) A multiplicidade de perspectivas.

b) Presença das marcas do pincel na superfície da tela, combinação de materiais, emancipação das cores e das formas relativamente ao código realista.

c) Presença do utilizador no próprio meio e dispositivos que centram interactividade.

d) Representações múltiplas dentro de janelas abertas no ecrã (texto, gráficos) e os vários elementos das aplicações (ícones, menus, barras de ferramentas) produzem um espaço heterogéneo.

 Falta ainda falar da imediacia. A imediacia actua segundo a lógica da transparência, isto é, tenta esconder-se tornar-se invisível. O meio para além de si próprio que oculta a sua materialidade especifica por ex: o sistema de 3D . Tudo isto é com o intuito que o utilizador não se depare com o média mas logo com o conteúdo do mesmo.

Procedimentos que favorecem a imediacia:

a) Perspectiva linear.

b) Apagamento das marcas do pincel na superfície da tela, homogeneidade das superfícies, utilização mimética da cor e da luz.

c) Automatização da técnica da perspectiva linear (através do cinema, fotografia e televisão).

d) Invisibilidade das aplicações informáticas que são executadas aparentemente sem intervenção Humana.

PEDRO POLÓNIO

A brecha entre gerações causada pelos NM

Com a explosão dos novos média, a geração claramente mais atraída e mais confortável com a evolução tecnológica da comunicação é a mais jovem. Para as pessoas que nasceram nos anos 80 ou 90, os novos média participam nas suas vidas, e estes os olham com complacência, e muitas vezes dependem deles como fonte de entretenimento e partilha de informação. Mas para a antiga geração, acredito que seja diferente. Como é que quem está habituado a comprar um jornal e a ter a informação imprensa em algo material vai-se habituar à ideia de ver as notícias num computador? Como é que se vão habituar a fazer “scroll down” em vez de virar a página?

 

O facto é que a nova geração conduz os novos média para níveis mais altos e fáceis de aceder, no que toca a partilha e conforto do seu uso. Isso traz consigo uma certa questão de valores. O que antes era sentar-se à volta do rádio ou da TV e esperar pela programa favorito, ou pelas notícias (categorizadas por outrem) agora é escolher qualquer altura do dia para ver qualquer programa ou para ler qualquer notícia que pretendemos saber. E também aquilo que vemos ou partilhamos constitui diferenças de percepções entre as gerações. O significado de privacidade, hoje-em-dia, é ditado pelos jovens, e o que para eles é aceitável de ser público, para os mais velhos não o é. A partilha de fotos de família ou de “noitadas” com os amigos é algo até encorajado pela nova geração. Esta liberdade que os jovens vêm não se traduz de maneira tão simples para os mais velhos. Os  de gerações prévias estão habituados a ser mais cuidadosos, porque são mais velhos e temem pela sua saúde, segurança e privacidade.Eles preferem algo ao qual estão habituados, como o jornal em papel (com notícias seleccionadas por profissionais, em quem confiam), do que aventurar-se na Internet e pesquisar a informação por eles próprios.

Há outras questões que evidenciam a brecha entre gerações causada pelos novos média, mas deixo aqui um vídeo para resumir o meu argumento:

 

André Ribeiro

O impacto da máquina de escrever

Antes de redigir este post, pesquisei no google: Impact of the first typewritter.Infelizmente só encontrei referências e textos sobre a máquina enquanto objecto. Isto é, não encontrei nenhum texto que falasse especificamente das reacções sociais causadas pela primeira máquina de escrever. Tentei falar com o meu avô para saber se ele sabia de alguma coisa, mas a máquina de escrever foi inventada em 1860, portanto, para a sua época, o impacto já estava mais difuso..

No entanto encontrei o seguinte website: answers.yahoo.com. Aparentemente é um sítio onde um utilizador pode submeter qualquer pergunta e os outros utilizadores, se a virem, podem tentar respondê-la. Por sorte, um indivíduo tinha uma pergunta semelhante à minha: http://answers.yahoo.com/question/index?qid=20080805003537AAcumIh

A resposta do outro utilizador, apesar de bastante informal, tinha uma base lógica e satisfatória. Segundo JVHawai’i, a máquina de escrever impressionou pela sua utilidade, especialmente para as empresas onde as ordens e instruções circulavam em textos escritos à mão e não era incomum que acontecessem desastres que originassem de uma palavra mal escrita. Por exemplo, um indivíduo que se enganasse a escrever um certo número de itens a produzir, podia induzir imensos trabalhadores em erro. E, juntamente com o fonógrafo e os outros aspectos da Revolução industrial, estas máquinas revolucionaram o negócio empresarial, o que proporcionou aos EUA , e a vários países da Europa, uma ascensão a potências mundiais.

Reflectindo sobre este argumento, entendo que o impacto da máquina de escrever foi mais profundo em termos económicos, empresariais e políticos. Mas, na vertente literária, também deve ter sido prezada por introduzir uma nova maneira de escrever. Em vez dos escritores estarem dependentes de uma letra legível, ou de uma editora mais perfeita, a máquina de escrever vem uniformizar todos os tipos de letra feitos por cada mão humana.

 

André Ribeiro


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