Para Lev Manovich, existem os cinco princípios dos novos média: a representação numérica, modularidade, automação, variabilidade e transmutação. A primeira, explica que os objectos digitais são unidades divisíveis às quais foi atribuído um valor numérico. Os objectos são manipulados por algarismos, a linguagem dos computadores (001110); a segunda, é que esses objectos têm a mesma propriedade estrutural em diferentes escalas ou níveis; a terceira, são susceptíveis de ser processados automaticamente; a quarta, explica que a representação numérica e a modularidade estrutural permitem gerar números potencialmente infinitos de versões de um objecto digital, quer por manipulação automática quer por manipulação humana; em quinto, a transmutação, a transformação dos códigos da cultura e dos média por efeito dos códigos computacionais.
Todos estes estudos sobre novos media, novas tecnologias, novas maneiras de compreender e aproveitar este meio e as possibilidades que nos trás, leva-nos a caminhos nunca antes explorados. É hoje possível criar mundos e códigos computacionais que nos são totalmente estranhos e impossíveis, mas no entanto parecem extremamente reais.
A manipulação cada vez mais avançada da tecnologia, os painéis verdes, os programas que permitem modificar ou criar imagens, trazem-nos um novo mundo de filmes e animações impensáveis à algumas décadas atrás. Vejamos o exemplo do célebre filme de um dos mais conhecidos cineastas americanos, Tim Burton, Alice no Pais das Maravilhas.
Este filme incorpora a história da menina que seguia um coelho de colete e relógio de bolso, por um buraco para um mundo completamente novo, onde gatos sorriam e desapareciam, e todo o género de plantas e animais coexistiam sem ela se ter dado conta, ate aquele momento. A história, até aqui descrita em livros ou animações infantis, aparece-nos agora no filme de Tim Burton, onde ele adapta a história que todos nós conhecemos, e leva-nos até uma Alice mais crescida, que retorna ao Pais das Maravilhas sem se lembrar da sua viagem do passado.
Neste filme podemos então assistir à criação de paisagem, personagens, mundos e objectos tudo por meio de tecnologia, onde é o computador que nos da ilusão de que a imagem é real, e não criada por meio de manipulação de objectos e linguagens digitais. Estes avanços tornam-se cada vez mais notáveis, e os resultados cada vez mais espantosos, quase parecendo que o mundo de fantasia que nos e mostrado no ecrã realmente existe, e as suas personagens são realmente reais.
Andreia Sofia Sousa Martins