Addicted

Hoje quero principalmente que seja cada um a reflectir sobre este tema e, caso se sinta confortável, a partilhar a sua opinião na caixa de comentários. E a reflexão recai sobre a adição que os meios de comunicação geram.

No fundo, em toda a cadeira de Introdução aos Novos Média, é quase sempre disso que estamos a falar. A humanidade tem vindo a criar meios, que até ao momento da sua criação não eram fundamentais, mas que depois, se tornam imprescindíveis na evolução e nas formas de convivências sociais posteriores. E tudo começa a girar à volta dele. Isto é, antes da roda não eram necessárias estradas. Mas depois da roda começaram a haver estradas. Houve a necessidade de criar caminhos convencionais e funcionais para que a roda, a nova invenção, pudesse passar e subsistir. Da mesma forma que, antes de haver televisão, podíamos viver sem ela. Mas depois de esta existir, a adição que esta nos causou com as suas novas capacidades, levou a que toda a nossa rotina e até a organização das nossas casas fossem alteradas em função das mesmas. Assim aconteceu com os telefones móveis, com a proliferação dos computadores de secretária e posteriormente com os portáteis. E mais recentemente com o acesso à internet em quase toda a parte do mundo. Isto é, estamos a assentar a estrutura da nossa sociedade em formas e convenções sociais geradas por uma criação nossa. Estamos a moldar a sociedade à medida das funcionalidades dos meios e dispositivos que vão surgindo de tempo a tempo. Será que isso é positivo ou negativo? Será que nem uma coisa nem outra, ou seja, nem branco nem preto mas sim cinza?

Eu acho que é cinza realmente. Pois, se por um lado há uma panóplia de funcionalidades inerentes a qualquer meio, como diz Marshall McLuhan, por outro lado, ao assentar a sociedade na fiabilidade desses meios estamos a construir um castelo de cartas que facilmente pode ruir. Pois o que nos acontecerá se deixar de haver internet? O que acontecerá se as ondas de rádio forem desligadas? O que acontece às nações se os satélites em orbita falharem?

Acho que poucas pessoas estão cientes de que a sociedade não pode continuar a colocar a sua funcionalidade somente nas capacidades fascinantes de cada meio ou dispositivo interprete. Por outras palavras, há que haver consciência de que muito do fascínio que nutrimos pela internet, televisão, rádio, etc., advém, sobre tudo, do grande nível de adição que estes provocam em cada um de nós.

João Miguel C. Pereirinha



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