A tripla lógica na genealogia dos médias , segundo Jay David Bolter e Richard Grusin, são formados pela remediação, imediação e hipermediação que consiste na relação dialética dos médias com os meios anteriores, ora dialogando entre si, ora não.
A remediação, segundo Bolter e Grusin, é a característica fundamental dos médias, pois este conceito consiste no conteúdo de um meio representado no outro meio, ou seja, é a lógica através do qual novos médias derivam e transformam coexistindo com outros, como a relação entre: A literatura com a música, a pintura com a fotografia, a escultura com a arquitetura, os vídeos jogos com o cinema, a imprensa com a internet, entre inúmeros possibilidades. De acordo com Bolter e Grusin há quatro tipos de remediação: A incorporação de meios anteriores que apagam suas diferenças como o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis publicado na Internet, onde o individuo tem a possibilidade de visualizar o livro no ecrã simulando a interação do autor com a obra, porém o leitor não tem o próprio meio, ou seja, o livro; A incorporação dos meios anteriores acentuando as diferenças como a digitalização de imagens da televisão ou do cinema; A absorção inteiramente de um meio anterior como vídeos jogos que se configuram em uma linguagem fílmica e por fim a incorporação de outros formas oriundas do seu próprio meio que fica explícito quando se utilizam blogs, redes sociais, softwares com o seu meio inicial, à Internet.
No video acima apresenta características do segundo ponto que Bolter e Grusin propõe sobre os médias que é a Imediação, ou seja, utiliza o meio enquanto janela para além de si e oculta a sua materialidade específica. Além de operar com as imagens e a arquitetura do edifício, também busca a humanização na perspectiva tridimensional, onde o público possa ter a sensação de ter o contato das imagens aproximando-se do real, consequentemente uma ação direta com o meio, possibilitando que este meio digital não só capte, mas também uma recriação do meio e sugerindo a ocultação da virtualidade, principalmente no meio que proteja essas imagens.
Na hipermediação o meio opera segundo a lógica da opacidade, isto é, quando o meio se torna visível se opondo a imediação, uma vez que ela se oculta. As várias representações de gráficos, textos, videos, ícones, barras de ferramentas entre outros dispositivos que os médias proporcionam, sendo que eles produzem uma representação heterôgenea é uma forma para ocorrência da hipermediacia. Até mesmo a interação do utilizador no próprio meio e dispositivos que acentuam a interatividade , como os jogos em rede, são formas hipermediáticas.
Os conceitos de Bolter e Grusin se concretizam de forma cíclica, em que a remediação é o ponto de partida para que compreenda e aconteça a imediação e a hipermediação. Estes conceitos não só dialogam com os seguimentos artísticos, mas a qualquer prática que utilize os médias, possibilitando em alguns momentos a iteração entre si como é o filme de James Cameron, O Exterminador do Futuro. Este filme possui a remediação no âmbito de que a partir do filme também produziu-se videos jogos contendo a mesma narrativa e a imediação na perspectiva de que a imagem fílmica é oculta, porém não ocorre a hipermediação porque não o meio se expõe nem se materializa.
A teoria dos novos médias de Bolter e Grusin demonstra o reflexo das interações dos medias atuais com os seus antecedentes, e que a remediação é o elemento fundamental para a mediação digital e que em decorrência dela, a imediação e a hipermediação vão ser os conceitos que consolida a transição do meio com o outro e suas consequências.
Bruno Fernandes Oliveira