Criámos a máquina. Demos-lhe lógica. Conferimos-lhe utilidade. Atribuímos-lhe funções. Codificámos. Fizemos dela motivo de orgulho pela inovação, pelo desenvolvimento tecnológico continuado. Culpar a máquina de nos usar? Não, de todo.
O problema que os indivíduos levantam nasceu dos telhados de vidro do Homem e há que ser consciente dessa realidade. A máquina é fruto nosso: facilitismo e inteligência.
Referindo-me, portanto, ao computador como novo meio que remedeia uma panóplia de meios anteriores, refiro-me a algo não inóspito mas que coexiste com o mundo humano, o mundo sensitivo, estabelecendo assim a tecnologia como extensão dos sentidos. A evolução pegou no humano e atribuiu-lhe genialidade tecnológica.
Em The Machine is us/ing us, Michael Wesch dá-nos uma visão de complementaridade entre a materialidade e o pensamento. A maneira como o computador nos permite a inscrição múltipla, a interacção diferente e mais lata, a multiplicidade de aplicações e a possibilidade de edição, entre outros, força-nos a chegar a uma conclusão evidente: o computador é um complemento e não um fardo. Não dá para lhe atribuir um carácter meramente técnico tendo em conta a inter-relação do computador com a informação e a população, ou seja, está presente um carácter social indiscutível.
Como fiz alusão anteriormente, telhados de vidro são todos os actos corruptos que o indivíduo, na sua generalidade, comete e que, ao saber do que o ser humano é capaz, cria receios e preconceitos em relação ao computador, à internet. Mas, não é justo que uma invenção mais que extraordinária pague pelo uso que cada um de nós lhe faz.
Da nossa geração quantos continuariam empregados, quantos conseguiriam sucesso em trabalhos, quantos teriam acesso à informação que têm, quantos se comunicariam à distância, quantos mercados se desenvolveriam de maneira tão exponencial se não fosse a máquina? Ela não nos usa. Nós somos a máquina e ela é aquilo que fazemos dela.
Filipa Lima