O conceito de remdiação pressupôe sempre uma análise acerca da relação entre o novo media e o velho media. Num extremo, o novo media apenas apresenta o velho, como serão os casos em que páginas de internet nos dão acesso a cópias de livros, álbuns de fotografias ou quadros: pretende-se a transparência do meio novo, para realçar o antigo.
Por outro lado, a remediação pode significar a absorção de um meio por outro, sendo exemplo, a propriação do cinema pelos jogos de computador ou vice versa.
Com o aparececimento do meio digital, rapidamente surgiram na música novos sons, dando estes origens a novos estilos. Ao mesmo tempo, o hábito do remixing, do sampling, tornados cada vez mais simples pelo avançar da tecnologia, faziam explodir a remediação na música.
Quando pela primeira vez vi o vídeo que apresento, conhecia na altura pouco do chamado BeatBoxing. Este estilo de música sustenta-se exclusivamente no uso da voz. Esta forma de percussão é considerada por alguns como tendo raízes bastante longínquas (nos trovadores, 1200-1300) mas a sua expressão como a conhecemos hoje teve origem comum com o hip-hop e o rap dos anos 90. Escolhi este vídeo por me parecer interessante não só a apropriação desde estilo dos sons produzidos na sua maioria electronicamente mas também do processo de mistura e samplagem e do formato de televisão bastante conhecido de todos nós: o programa de culinária.
Será esta, de facto, uma forma de remediação?
Este segundo vídeo, foi elaborado de forma a apresentar um evento, o PechaKucha Night Coimbra, em forma de cartaz. Tendo participado na sua elaboração, torna-se interessante pensar de novo nesta produção à luz de alguns dos conceitos que discutimos. O clip acenta na ideia de um cartaz, sendo que se pretendia a informação sobre participantes clara, sendo usado o grafismo e ilustração típicas de produto em papel. A parte vídeo tinha como objectivo complementar a descrição do trabalho que cada participante iria trazer à mostra. O áudio foi criado em partes, de forma a ser editado em conjunto com a imagem, sendo que só o estilo minimalista e os sons a usar foram criados antes da edição.
Tudo foi feito, à excepção da imagem capturada com uma câmara (também ela digital), através de computadores: software de edição de imagem (Premiere), software para desenho digital (apesar de desenhada à mão, a ilustração foi feita num computador), uso de software para sintetizar os sons (Reason) e para os editar (Adobe Audition). Mas não só a produção foi digital: tirando os essenciais encontros para discutir ideias (possibilitados pela proximidade mas também hoje possíveis através da internet), a troca de e-mails, ficheiros, problemas, questões, respostas, tudo foi tratado através da rede, não fosse a rede o seu destino final.
Rui Carvalho