Na quarta-feira estava a dar um relance pela página principal do meu facebook, quando de repente vi um post de uma notícia, feito por uma amiga minha, que mostrava o seguinte: “Rapaz vende rim para comprar Ipad 2 e Laptop” Fiquei chocado com a notícia, e hoje, ao pensar no tema que podia incluir no blog, lembrei-me desse acontecimento e ponderei sobre ele. Ponderei sobre até que ponto é que a necessidade de estar ligado ás novas e melhores tecnologias cria uma dependência e uma urgência tão grande em nós que nos forçaria a sacrificar algo tão pessoal ou, neste caso, da nossa existência biológica.
Claro que o indivíduo, tendo só 17 anos, não tinha maturidade o suficiente para se aperceber do erro que estava a cometer, mas o facto de ter feito a transacção através da Internet e ocultando-a da sua família, faz-nos questionar sobre o impacto que todos estes avanços tecnológicos (e, consequentemente, sociais) têm não só na mentalidade geral das pessoas, como também na dos mais vulneráveis, como as crianças e adolescentes. Como é que passou pela cabeça do rapaz fazer aquilo? Porque é que sentiria tanta pressão para comprar tais produtos topo-de-gama? Será a pressão social do seus colegas? De facto, a vontade que os jovens têm em tomar posse da ‘novidade’ revela os efeitos que os mencionados avanços digitais têm nos mesmos. Dou o exemplo dos telemóveis touch e smartphones que substituíram o aparelhos com teclas que antes levavam nos seus bolsos. As coisas mais importantes/frequentes que faziam com os produtos anteriores são exactamente as mesmas que fazem com os novos, o que muda agora é a sede da qualidade, dos extras e do novo hardware que estes oferecem, que, hoje-em-dia, parecem ser factores sinónimos de “popularidade”, algo que, obviamente, rege nos mundos sociais dos mais novos. Os mais velhos também os compram, mas é mais por necessidade prática e pessoal, não tanto por pressão social. Ainda assim muitos detestam ficar ímpar com a evolução tecnológica e mediática.
-André Ribeiro