Qual a dimensão política das tecnologias de informação e de comunicação?
A internet tem cada vez mais um papel fundamental nas nossas vidas. Já todos sabemos que a usamos para “tudo e mais alguma coisa”, como contactar pessoas (des)conhecidas, ouvir música… Actualmente, deparamo-nos com o facto de que não nos ficamos por aqui, também usamos a internet para ter acesso a informação que acontece do outro lado do mundo, em tempo real (!).
A verdade é que a internet é o meio de comunicação e de acesso à informação mais rápido e mais simples, já que podemos ter acesso a ela em dispositivos móveis e apenas com meia-dúzia de cliques, o que leva à substituição quase total de todos os outros veículos da informação, como os jornais, o telefone, a televisão, as revistas, a rádio, etc…
Com esta plataforma, temos a possibilidade de saber o que se passa à nossa volta, lendo uma notícia, mas também podemos ver vídeos e/ou imagens.
Assim, com toda esta facilidade e comodidade, chegamos à conclusão de que, para além de chegarmos à informação, também podemos ser nós a fazê-la chegar aos outros. Como? Tornando-nos nós os emissores da informação, das notícias.
Convertemo-nos, assim, no “cidadão-repórter”, levando ao mundo inteiro fotografias ou vídeos, que depois são amplificados pelo tradicional meio de comunicação: a televisão. Porque muitas vezes, os verdadeiros repórteres não conseguem estar no local, na hora, mas nós estamos.
E se muitas vezes as nossas reportagens não são transmitidas na televisão, nós podemos fazê-las transmitir, com um simples clique na internet. Temos os blogs e as redes sociais, por exemplo, onde aglutinamos imagem e texto, e no caso de um vídeo, basta usar o portal YouTube. Todas estas ferramentas permitem chegar a muita gente muito rapidamente. Nada mais simples!
Portanto, há mais do que uma razão para sermos nós os repórteres: a internet tem a capacidade de não ser controlada pelo poder político. Ela pode ser usada como denúncia de todo o tipo de atropelos que surgem, sem haver censura. A título de exemplo, vejamos o que se passa actualmente na Síria, em que as primeiras imagens obtidas dos confrontos foram fornecidas pelos civis, e não por jornalistas, como no vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=EJCbKEBMMnI
Todo este desenvolvimento tecnológico produz o domínio da imagem sobre a palavra.
Beatriz Barroca.