Arquivo da categoria 'Música Digital'

O Aqui e Agora da Reprodutibilidade

A evolução tecnológica trouxe-nos a capacidade de reprodução. Passámos da litografia à fotografia e da fotografia ao vídeo. Tentámos sempre conseguir captar fielmente o aqui e agora de uma qualquer altura para que o possamos reproduzir mais tarde… Para relembrar ou conhecer algo do passado. Mas a verdade é que não estamos propriamente a ver aquilo que realmente aconteceu. Falta-nos sempre o contexto, o aqui, o agora… Há uma quantidade de coisas que temos de ter em conta e que, mesmo assim, é complicado imaginarmos que estamos naquele momento.

A questão do audio é ainda mais evidente: muitas composições antigas foram criadas para serem apresentadas num contexto próprio e actualmente podemos ouvir reproduções em qualquer lado. Perde-se a aura. A ideia de estar, por exemplo, numa catedral a ouvir uma composição preparada especialmente para aquele dia e aquela hora não pode ser comparada ao ouvir essa mesma composição num iPod ou mp3 enquanto vamos a caminhar na rua. O aqui e agora da composição original desapareceu e criou-se um aqui e agora novo… Mas apesar disso, a reprodutibilidade é necessária! Sem esta capacidade de reprodução grandes obras musicais se tinham perdido ao longo dos séculos…

Já na pintura a questão já é mais complicada. Se por um lado ao reproduzirmos uma imagem estamos a colocá-la ao alcance de todos por outro estamos a afastar as pessoas da obra original. Muitas obras de pintura foram “banalizadas” e é possível encontrar em qualquer casa um quadro “igual” a uma grande obra. Dois grandes exemplos são a “Última Ceia” e o “Menino da Lágrima”. A maior parte da população que tem uma reprodução de uma destas obras em casa desconhece onde e quando foi pintada e, por vezes, quem a pintou. Sabem apenas que é uma obra de arte e que podemos adquiri-la facilmente.

Este tema levanta-me uma questão: se ao reproduzirmos e ao retirarmos a obra do lugar inicial estamos a retirar a aura, serão os museus a melhor solução para a preservação das obras? Não estou a colocar em causa que nos museus as obras estão seguras e são cuidadas para evitar qualquer dano… A minha questão prende-se com a ideia de ir a uma sala ver várias obras sem relação entre elas e o meio. Não faltará qualquer coisa?

Filipa Traqueia

Aura perdida

Podemos dizer que a aura é tudo aquilo que nos envolve, a nós e a tudo o resto que conhecemos e interagimos. A aura não é mais nem menos do que a nossa essência. Sendo assim a aura de todos as obras de arte, sejam quadros, manuscritos, poemas, livros, etc, toda essa aura acaba por ser perdida, por vezes no espaço, por vezes no tempo.

Acho muitíssimo bem que toda a gente possa ter acesso a todo o tipo de obras de arte já existentes, sejam do séc.XIX ou do séc.XXI, é de louvar a facilidade que toda a gente tem no que toca a alargar o seu conhecimento e a matar a sua curiosidade, desde sites de museus, de exposições, de concertos, de eventos de música, pintura, escultura, arquitectura até catálogos e livros onnline, mesmo não tendo oportunidades financeiras ou outras para o fazer, toda a gente pode ver a “Mona Lisa” de Da Vinci ou o quadro “Guernica”  de Plabo Picasso.

Toda esta informação, todo este conhecimento a que podemos ter acesso através de um click, é quase “falso”, na medida em que se tratam de cópias. Estas reproduções de obras originais nunca têm a aura que a verdadeira obra de arte tem na totalidade. Podemos ler um livro de Fernando Pessoa mas não podemos cheirar as folhas a novo, podemos ver uma escultura de Ron Mueck mas não podemos ver como quem vê quando a está a olhar de frente, não conseguimos sentir, na maior parte das vezes, aquilo que o autor da obra sentiu e quis transmitir quando a executou,  por exemplo o realismo de umas das esculturas de Mueck ou toda a genialidade das obras de Pessoa.

Com isto, podemos concluir é claro, que a reprodutibilidade técnica altera a natureza e a função social da obra de arte. Tendo toda a gente acesso a todo o tipo de obras de arte, toda a gente pode criar também as suas próprias obras de arte ou até reproduções de obras de arte já existentes, porque afinal, tudo é considerado arte, se é de qualidade ou não, se tem valor ou não, isso é com cada um, isso é com cada autor e com a aura que inserem na sua obra de arte. Sendo assim, a arte expande-se pelo mundo mas também perde imenso valor – já não é vista com os mesmos olhos, tornou-se comercial, deixou de ser natural, de ser própria e, essencialmente, deixou de ser genuína.

Soraia Lima

McLuhan y Radiohead

El aislamiento absoluto de los individuos dentro de una sociedad altamente evolucionada tecnológicamente es imposible. O sea, que en la medida en que el adelanto científico disminuye, la posibilidad de privacidad total de los individuos disminuye por la creación de una Aldea Global. Es decir, la idea de que indudablemente todos están interconectados por la tecnología y que las distancias son cada día más una metáfora en lugar de una realidad física.

Las teorías de Marshall MacLuhan tiene que ser estudiadas en un pequeño contexto espacio-temporal, sin prejuicios y teniendo siempre presente a la época en la que fueron pensadas. Uno de los ejemplos modernos para comprender la idea del medio ser lo mensaje dice que el iPod sustituyó a la música como mensaje. Ejemplo, que encuentro absurdo. Es totalmente irrisoria la idea de que ya no importa lo que se escucha, sino cómo se escucha.  En la gran mayoría de casos el medio actúa como un anexo del mensaje, una forma de complementar el simplemente facilitar el acceso a la información que se desea transmitir. Sin embargo, existen un par de ocasiones puntuales en las que el medio demostró ser más relevante del mensaje. Por ejemplo, con el disco “In Rainbows“ de Radiohead, que fue en una primera instancia distribuido exclusivamente por internet y con el precio oscilando entre los cero dólares hasta el infinito, pues confiaban en el criterio de los consumidores para determinar cuánto valía la obra que iban a descargar. Durante un par de meses, toda la discusión en torno al disco estuvo protagonizada no por su calidad musical, sino por la manera en la que fue distribuido.

Otro ejemplo de la vida real ocurriría cuando un autor revelándose en contra del perverso mundo editorial decide hacer y publicar su novela por la internet con la contribución de los lectores. Estoy hablando de “The Mongoliad, una novela 2.0 de Neal Stephenson. Dicha novela atrapó la atención de la prensa especializada ya que es el primer -o por lo menos más famoso- intento de hacer una novela interactiva por la internet y con una historia amoldada por los usuarios, como se fuera la Wikipedia de la literatura moderna. Este es un caso muy obvio de cuando el medio es más importante que al mensaje. Nadie habla de la trama, de los personajes, ni del contenido de la obra (el mensaje); hablan de la manera en como está a ser hecha y publicada, hablan de su medio.

Entendiendo a la internet como la realización del término Aldea Global, ¿qué decir entonces de las personas que simplemente no tiene acceso a la internet?. Por ejemplo, de acuerdo cifras facilitadas por Microsoft, 70 millones de mexicanos no tienen acceso a internet. Sólo cerca de 30 millones de personas tienen internet en México. La basta mayoría de las personas se quedan excluidas de esa comunidad, que ni es una Aldea y que no es Global, como acabamos de demostrar. Es cómo pretender que el Miss Universo sea de hecho universal; De cualquier forma, no hay participantes extraterrestres. De la misma manera en que el hecho de existir personas fuera de la aldea, excluye la posibilidad de que sea global.

Por último, un video que realmente no tiene nada que ver con este artículo pero que de cierta manera compensa por la tardanza con la que fue publicado:

- Mauricio Andrés Gomes Porras.

Software: Condicionante das Práticas Artísticas

De que forma o software, isto é, a camada computacional da tecnologia digital condiciona as práticas sociais, culturais e artísticas?

A tecnologia digital presente nos computadores e noutras formas de média hoje em dia é considerada uma das maiores invenções de sempre. Deu oportunidades imensas a diversas pessoas de comunicar melhor, de saber notícias de diferentes pontos do mundo e até de trabalhar de forma mais eficiente e funcional. Não há dúvida que todos estes aspectos são positivos e tornaram a vida de muitas pessoas muito mais fácil. No entanto, esse software que está constantemente a ser reinventado também é uma forte fonte de desigualdade e de aumento de assimetrias sociais porque nem todas as pessoas têm acesso a essas tecnologias nem sabem trabalhar da forma mais correcta com elas e desta forma, não se inserem em certos meios mais “privilegiados”.

Artística e culturalmente, na minha opinião, o crescente upgrade de formas de utilizar diversos programas de criação artística automática ou quase automática como programas de edição digital e criação de música ou video , têm vindo a ter muita popularidade. Pessoalmente acho que esses meios despersonalizam o processo de criação, porque as pessoas deixam de necessitar de um instrumento musical ou material plástico para utilizar um instrumento não físico que descaracteriza e de certa forma desumaniza a obra criada, é muito importante em todo esse processo que se manuseie, e explore a ferramenta utilizada de forma a que o produto final seja o mais puro possível. No entanto, não estou a criticar por completo este software criador pois existem muitos pontos a favor da utilização destas ferramentas no mundo artístico, facilita a criação de cartazes publicitários com muito mais mestria e minúcia, sendo quase perfeito o resultado(conceitos como simetria e profundidade são melhorados e fáceis de atingir), trabalhos escolares de diversos campos ou até arte, mas não descarto completamente a noção de que é uma forma impessoal de criar e de fazer algo novo. Desta maneira, existem duas formas diferentes mas não completamente divergentes de abordar este assunto, uma mais natural e de renúncia à desumanização do produto artístico e outra mais virada para o progresso e para a uniformização desse mesmo produto através da tecnologia.

António Martins

Memórias de Registro e manipulação temporal

Tema de escrita: o que significou registrar a voz humana pela primeira vez? O que acontece quando se grava o som?

A história da vida humana foi acumulada ao longo de centenas de anos através de memórias de registro que nos permitiram ascender e a conhecer uma realidade existente em um tempo em que não estivemos presentes. Os diferentes tipos de registros encontrados pelo homem como forma de perpetuar um momento seja pela via oral, registros escritos, pinturas ou mais tarde, com o advento das Novas Medias (a fotografia como captação da imagem no presente, o cinema como captação e reprodução do movimento pela manipulação da imagem sequenciada, ou as técnicas de gravação e reprodução sonora como uma extensão do falar e ouvir),permitiram o registro aprimorado do tempo e sua manipulação.

Desde a invenção do Fonoautografo em 1857 pelo francês Leon Scott, o registro sonoro torna-se possível. Mas é somente em 1887, com Tomas Édison que é criado (ou desenvolvido) o Fonógrafo, que diferentemente da invenção de Scott ,que apenas registrava e guardava em um espaço físico o som captado no ambiente, permitia também a reprodução desse mesmo som.

O registro sonoro passa então a proporcionar a manipulação do tempo e do espaço no que diz respeito ao som. Ouvir um som pela primeira vez não foi apenas a audição de um registro sonoro, mas a oportunidade de exploração e manipulação das propriedades do som, seja ele musical, textual ou de qualquer espécie.

O impacto que esse registro\reprodução causou em seus primeiros ouvintes, foi provavelmente semelhante a passagem descrita nas “Palavras degeladas”, onde o escritor francês François Rabelais conta, no Quarto Livro, nos capítulos LV e LVI, as aventuras de Pantagruel ( um herói de inspiração medieval, filho de um gigante, o Gargântua, que parte em diferentes aventuras acompanhado de seu amigo Panurge).Pantagruel e seus amigos estão em um barco em meio a uma atmosfera gélida quando ele desperta a atenção de todos para a PRESENÇA de sons:

“Camaradas, não ouvis nada? Me semelha que ouço algumas

gentes falantes no ar, e não vejo, todavia, ninguém ali.”

Nessa passagem da obra , tanto Pantagruel como seus amigos, tem um contato direto com os sons da batalha ocorrida naquele mesmo local no começo do inverno, onde se congelaram todos os sons da guerra, os ruídos e fragores do combate que com o término dos tempos frios degelavam-se e tornavam-se audíveis.

 “O que formidavelmente nos espantou, e não sem razão, a ninguém vendo

e, no entanto, ouvindo vozes e sons muito diversos de homens, de

fêmeas, de infantes, de cavalos”

Com o registro sonoro de certa maneira, pode-se garantir a presença do corpo produtor do som, a medida que reproduz-se a frequência sonora tal como fora produzida (ou de forma próxima), principalmente hoje em dia em que as tecnologias de captação( ou como na historia de Rabelais, o congelamento dos sons), e reprodução (o processo de degelo)foram bastante aprimoradas.

É bem provável que seja esse o sentimento despertado naqueles que presenciaram o primeiro registro sonoro :“Espanto”.Isso por terem a oportunidade de entrar em contato com sons de diversas naturezas em tempos e lugres distintos ao qual foram produzidos, e sem necessariamente terem um contato direto a fonte produtora que se faz presente por sua reprodução.

Amanda Gomes

Tradução das citações por Antônio Lázaro de Almeida Prado (http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=1473

A voz, a fotografia e as primeiras imagens em movimento

Nos dias de hoje, a nossa sociedade apesar de pobre, é uma sociedade de luxos. Seria impossível, antigamente, pensar em ver algo em movimento, ver a captação real de um momento ou até ouvir um simples ruido que não saísse de uma boca. Hoje em dia, em casa ou fora dela, vemos por todo o lado sequências de imagens, ouvimos vozes na rádio, na televisão, no computador, nos carros, nas lojas, em todo o lado conseguimos estar em contacto com estes novos media.

Podemos começar por falar da primeira fotografia que foi registada em 1838. Trata-se de uma fotografia urbana que apanha duas ruas de prédios e uma rua entre elas, esta fotografia deu-nos o primeiro registo de lugar, o primeiro retracto do ser humano, onde podemos observar cada pormenor, coisa que seria impensável se simplesmente lá passasse-mos no meio, pois há sempre mais do que aquilo que vemos para descobrir, existem muitos mais ângulos e ainda muitas mais perspectivas.

A voz, que tem o seu primeiro registo em 1877, tem a capacidade de registar todos os elementos expressivos de qualquer individuo. É mais presente que, por exemplo, uma fotografia, essa trata-se de uma forma mais plena de captar a presença.

Já as primeiras filmagens foram realizadas em 1888, no jardim de uma casa onde os actores aparecem a rir e a andar de um lado para o outro, intitulada de Roundhay Garden Secene é uma curta-metragem britânica considerada o primeiro filme da história ainda sobrevivente. Essas filmagens vieram revolucionar toda a geração que via só e simplesmente aquilo que era naturalmente visível, palpável e real.

As imagens em movimento são cinema, o cinema são imagens em movimento, dão-nos uma expansão visual fantástica para além de servirem de registo, de poderem voltar a ser vistas, de poderem ser inventadas e impossíveis (porque a imaginação cresce com o cinema). As imagens acima de tudo serviam como registo do passado – memórias.

A voz, a fotografia e as imagens em movimento são, sem dúvida, uma extensão dos sentidos, alargam-nos a capacidade de ver e ouvir, conseguimos ver (através de fotografias) e ouvir (através de filmes, gravações etc.) o que não conseguimos captar naturalmente, no momento, cara a cara. Com o registo da primeira voz, da primeira fotografia e da primeira imagem em movimento, todo o mundo começou a poder preocupar-se com os chamados pormenores, e isso acaba por completar o conhecimento do real.

Mais tarde, tudo isso deixou de servir tanto de testemunho de um acontecimento, de um momento e passou a servir mais de entretenimento. Daí veio tudo aquilo que conhecemos hoje, que nos entretém como grande parte dos programas televisivos, a propaganda, a publicidade, os programas de rádio, a música, os teatros, o cinema, etc.

Tudo isto é um fenómeno que veio alargar toda a percepção visual e auditiva daquilo que nos rodeia.

Soraia Lima

Internet, ferramenta de aprendizagem

Como participam os médias digitais nos meus processos formais de aprendizagem? Como uso a internet e o computador? Que programas e plataformas uso?

Desde há algum tempo, tem-se vindo a observar uma mudança radical nas diferentes formas de aprendizagem. Antigamente, o conhecimento que tínhamos sobre coisas que achamos fundamentais hoje em dia como saber notícias ou ter aulas “particulares” com pessoas que estão do outro lado do mundo era reduzido ou até mesmo nulo. Eu utilizo muito jornais electrónicos que me permitem aceder à informação que é fidedigna (em princípio), blogs, videoaulas e a plataforma do youtube que me enriquecem tanto cultural como socialmente na medida em que demonstram o que de importante se passa à minha volta. Essa noção antes não era possível, as pessoas tinham de se contentar com as notícias tardias e alteradas ou até mesmo nem sabiam o que se passava.  Assim, graças à maior invenção social, política e cultural do século XX, a Internet, podemos fazer todas as coisas que antes eram impossíveis ou impensáveis à distância de um clique. Esta invenção veio potenciar as formas de conhecimento tradicionais e elevou-as a um nível de tremendo destaque (tanto que estas tiveram de se adaptar aos avanços tecnológicos constantes) provocando um sucesso que hoje presenciamos no mundo inteiro.

Pessoalmente, considero que o aparecimento da Internet foi e continua a ser muito benéfico para a aprendizagem de diversos temas, consoante os interesses e os gostos de cada um. Neste curso que frequento a utilização da Internet como meio de aprendizagem é quase diário, desde a pesquisa de informações úteis para compreender as aulas até a visualização de vídeos da plataforma youtube pedidos pelos professores. Também frequento o Conservatório de Música de Coimbra, onde no Curso Livre de Jazz, me é muitas vezes pedido para ouvir este ou aquele intérprete para me ajudar a abordar melhor o instrumento e visualizar aulas na internet que obviamente são uma ajuda paralela que eu aproveito para melhorar o meu desempenho.

No entanto, a Internet também tem “o outro lado da moeda”, muitas vezes as pessoas pensam que devido a estar disponível online, a informação é fidedigna e portanto devem considerá-la relevante, essa interpretação está errada. Com o crescente interesse e o melhor acesso à Internet pela população mundial, a quantidade de informação errada ou incompleta é astronómica, por isso é que é necessário ter muito cuidado no seu manuseamento e se a utilizamos ou não como auxílio para a nossa aprendizagem. É necessário julgarmos a informação e não aceitar tudo como verdadeiro.

António Martins

Articulação das novas médias com as práticas de Ensino contemporâneas

Tema de escrita: Como participam os médias digitais nos meus processos formais de aprendizagem? Como uso a internet e o computador? Que programas e plataformas uso?

 

Para falar de processos de educação e ensino nos dias atuais, é preciso antes de mais nada, considerar todo o processo que envolve a articulação fornecida pelos meios convencionais e pelas instituições especializadas,com as incontáveis fontes informacionais eletrônicas que estão disponíveis a maior parte dos indivíduos.

Com a convergência das médias no que chamamos hoje de internet,e a ligação de indivíduos e informações em um espaço eletrônico compartilhado, o ascender a fontes de conhecimento torna-se mais facilitado, não no sentido pejorativo, mas sim como um novo modelo de aprendizagem com potencialidade especificas.

Sou estudante de música, e reconheço essa facilidade promovida pelo advento das novas médias. Nessa área, é comum levantarmos a questão do aprendizado formal e não formal de música, e como ambos se mesclam. Temos hoje uma infinidade de informações disponíveis em diferentes sítios, e o papel da escola e do ensino sistematizado das práticas musicais torna-se uma questão bastante delicada. Os indivíduos vêem não apenas na figura do professor ou/e na instituição própria de ensino musical a possibilidade aprendizado, mas tem (como fonte ou apoio) diferentes meios, como softwares educativos e vídeo aulas (o que se aplica as mais diferentes áreas, não apenas á musica).

Para meu trabalho, a internet funciona como uma ferramenta de auxilio à medida que me fornece informações adicionais àquela em que tomo conhecimento em uma instituição de ensino especializada. É portanto, uma extensão da sala de aula e das práticas pedagógicas que nela se desenvolve.Há também a questão da utilização de certos programas, tal como o  Sibelius ou  o Guitar Pro, que facilitam a leitura e composição musical, sendo uma ferramenta adicional no processo de estudo e aprendizado.

Creio que há uma grande dificuldade nas práticas de ensino contemporâneas para articular as potencialidades desses novos meios coma as já existentes e que vigoram a muito tempo.A tecnologia por si só não é garantia de qualidade de ensino e aprendizado, mas a forma com que ela é usada e como pode interagir com as práticas de ensino é que a torna significativa.Pensar em sua articulação demanda uma reconfiguração pedagógica em uma época em que a descentralização do conhecimento e da informação é um fato presente.

Amanda Gomes

Os novos média e a difusão da música

A primeira grande revolução na área de divulgação musical ocorreu no princípio do século XX, mais concretamente ao longo da década de vinte, quando as estações de rádio “invadiram” os EUA, a Europa e, embora mais lentamente, todo o planeta. Nos EUA, o número de emissoras passou de 4 em 1921 para 382 no final de 1922 e a chegada do rádio comercial não demorou, com as emissoras a reivindicarem o direito de sobreviver com seus próprios recursos.

As transmissões em directo de música clássica ou tradicional e mais tarde, a reprodução de gravações cada vez mais sofisticadas de géneros musicais variados, transformaram rapidamente os hábitos quer de produção e divulgação, quer de consumo, da música.

Surgiu a chamada indústria fonográfica que durante décadas movimentou milhões e foi responsável pela massificação de fenómenos musicais como o rock e o pop, pela uniformização dos padrões de consumo em todo o planeta; a rádio, muito mais do que a TV, foi o grande veículo comercial desta revolução musical, trabalhando sempre em estreita e amistosa relação com as editoras e produtoras discográficas, que por um lado alimentava mas das quais, por outro lado, dependia. 

Quando o rock’n roll era rei, os teenagers achavam “cool” ficar especados no exterior das lojas discográficas locais para ouvir os novos ”hits” editados. Mais importante, os teens eram o maior grupo de consumidores e a indústria contava com eles, esperando que se constituíssem como um grupo fiel de compradores vitalícios.

As inovações tecnológicas, o digital e a Internet, goraram progressivamente as expectativas, comprometendo os modelos financeiros das grandes empresas uma vez que, em poucos anos, viram alterar radicalmente hábitos e formas de consumo musical. A publicação e audição (piratas ou não) de todo o tipo de géneros musicais, introduziu o “download” e as listas de reprodução. As novas possibilidades técnicas no campo da edição musical, criaram um novo universo paralelo de produção, de acesso e divulgação fácil e acessível a todos, através das redes sociais como o Myspace ou o Twitter ou sites como o YouTube. 

Neste novo contexto, as relações instituídas e operantes ao longo de décadas, entre autores, interpretes, produtores, promotores e público consumidor, estão irreversivelmente corrompidas e ainda em processo de re-ajustamento; levantam questões de natureza diversa, que vão desde as mais básicas questões de mercado e finanças até às mais complexas problemáticas socioculturais e ético-legais.

Se por um lado a divulgação musical “pirata” permite um acesso ilimitado, sem fronteiras ou restrições de qualquer natureza pode, por outro lado, ameaçar a viabilidade das empresas que, durante décadas, investiram e competiram entre si de acordo com modelos de mercado mais sofisticados, pautados por vezes pela qualidade das produções e excelência das escolhas. Escapando a todos os “filtros”, este novo modelo permite a proliferação de “ilhas” e subgrupos de preferências, nalguns casos criados de forma quase aleatória e frequentemente alienados de um contexto sociocultural capaz de conferir e aferir critérios de apreciação dos próprios fenómenos musicais.

Maria Pires

Vídeo aulas de música


Com o desenvolvimento dos meios de comunicação a música tornou-se mais acessível para toda gente, antes tínhamos de ir a uma loja especializada a fim de obter um disco desejado, hoje com o desenvolvimento tecnológico podemos ter a música que almejamos em questão de minutos, na música em relação ao aprendizado da técnica de um instrumento musical não foi diferente, antigamente para se poder tocar uma música, era necessário ter um conhecimento teórico sobre música ou ter uma audição apurada, para quem não sabia ler partitura  conseguir executar a música que desejava-se. Anteriormente precisávamos de ter aulas com um professor de música afim de acompanhar nosso desenvolvimento e transmitir todo conhecimento necessário para termos a habilidade necessária para tocarmos, nos dias de hoje  se tem as vídeos aulas pela internet na qual podemos tocar as músicas que desejamos rapidamente, nessas vídeo aulas como por exemplo a de guitarra que consiste de um professor que nos ensina passo a passo a tocar uma música com o auxilio de uma tablatura para ajudar na assimilação da vídeo aula afim de poder tocar mais rápido e com mais facilidade as músicas tocadas na vídeo aula. Necessariamente a vídeo aula ajuda as pessoas que querem aprender a tocar as músicas que gostam, mas apesar que, nestas vídeo aulas diferentemente de ser ter uma aula com um professor pessoalmente não se poderá ter todo o conhecimento teórico, será apenas uma forma mais rápida de se aprender uma música mas não se terá como desenvolver sua musicalidade de uma forma mais expansiva. Um site muito conhecido no Brasil é o www.cifraclub.com.br  que além de se  ter a cifra das músicas, partituras e etc de vários cantores oferece aos seus usuários gratuitamente as vídeo aulas. No vídeo apresentado abaixo temos um da execução de uma vídeo aula de forma bastante simplificada do compositor e cantor brasileiro Caetano Veloso.

Maurício Teixeira

Songs for Japan

Os álbuns de música digitais estão cada vez mais na moda nos dias de hoje. Vários artistas já se renderam à venda de álbuns através do Itunes, uma aplicação musical desenvolvida pela Apple. Deste vez, surgiu um projecto, não para benefício dos próprios artistas, mas para ajudar as vítimas que sobreviveram aos sismos e aos tsunamis que abalaram Japão em Março deste ano. A Universal Music convidou vários artistas para se juntarem e participarem num álbum digital, com 38 faixas, que foi posto à venda no Itunes pelo preço de $9,99 dólares (aproximadamente 6,93 euros). A colectânea foi feita um pouco à pressa, pelo que não é um álbum de canções inéditas, mas sim um álbum com um dos melhores êxitos de cada artista que se juntou a esta causa. O álbum conta com músicas de artistas como U2, Red Hot Chili Peppers, Foo Fighters, Madonna, R.E.M., Elton John, entre muitos outros. O valor das vendas mundiais revertem a favor da organização da Cruz Vermelha japonesa, cujos fundos irão servir para ajudar na recuperação das áreas mais atingidas pela catástrofe.

O lançamento digital do álbum ocorreu a 25 de Março através da Itunes Store, mas a sua venda física também já está disponível desde Abril deste ano.

Andreia Loureiro

In Bflat

Quantas vezes não lhe aconteceu abrir uma data de separadores com vários blogs, e, sem perceber de onde, começam a tocar duas ou três músicas em autoplay que fazem uma barulheira tal que dá por si irritada/o a fechar o browser porque está desesperadamente à procura das fontes das músicas, sem sucesso?!

In Bflat’ (‘Em Si Bemol’) surgiu dessa mesma ‘algazarra’: o autor do site estava a criar uma página com vários vídeos embutidos e reparou que o youtube não pára um vídeo quando começa outro ao mesmo tempo. E lembrou-se de explorar tais possibilidades musicais: gravou alguns vídeos instrumentais e criou o site. O resto dos vídeos foram enviados por users, obedecendo a certas regras, como por exemplo tocar em si bemol, em silêncio, deve ser um vídeo curto (1/2 minutos) e o volume deve combinar com o dos restantes vídeos. Estes são posteriormente escolhidos pelo autor, que se segue pelo seu instinto.

O autor do site encoraja ainda as pessoas que o descobrem a criarem as suas próprias versões do mesmo: Buddha Machine toca os vídeos continuamente.

Há ainda o site ‘irmão’ do In Bflat, o marker/music, criado também por Darren Solomon em conjunto com os estudantes e a Northern State University. Entre 18 e 22 de Outubro de 2010, o grupo de estudantes filmou 70 videos na área de Aberdeen, South Dakota, 12 dos quais foram escolhidos para fazer parte de um mapa personalizado no Google. O projecto foi inspirado no In Bb e tem como objectivo explorar o conceito apenas numa comunidade local, em vez de na tão movimentada internet.

É assim vista uma nova forma de fazer música. Shakespeare dizia que o mundo é uma ostra, para Darren, o mundo é uma orquestra.

Daniela Boino

InstrumenTube

As pessoas que sempre sonharam tocar um instrumento mas que não possuem nenhum, não se preocupem. Cada vez é mais fácil tocar qualquer tipo de instrumento através dos meios digitais.

O Youtube lançou um canal interactivo, o InstrumenTube, que permite ao cibernauta tocar alguns instrumentos e criar canções ao seu gosto. Instrumentos como o piano, o órgão, o baixo, a guitarra, o contrabaixo, o xilofone, a até mesmo um chocalho podem agora ser tocados através de uma série de vídeos simples, onde o instrumento é tocado de modo a que cada nota encaixe na linha de tempo (timeline) vermelha do vídeo. Cada tecla onde carregamos não é, nada mais, nada menos do que um link, e cada um desses links leva a uma parte (tempo) do vídeo inteiro já pré-programado, onde são tocadas as várias notas.

Apesar de os instrumentos estarem restritos a apenas algumas notas e, por vezes, os vídeos demorarem a carregar, estes vídeos são uma boa maneira de passar o tempo, descobrindo os sons que cada instrumento pode fazer. Podemos, ainda, mixar os instrumentos, tocando-os todos ao mesmo tempo, o que se pode tornar numa boa forma de criar uma banda online!

O canal InstrumenTube informa que em breve estarão disponíveis novos instrumentos. Porque não experimentar?

Andreia Loureiro

Stereomood, apetece-me algo…

Imagine o cenário: um dia solarengo, à beira da piscina, enquanto se entretém com o IPhone apetece-lhe ouvir música, mas não sabe o quê. Uma música divertida, leve, que combine com o dia e que a/o ponha bem disposta/o. Um dia de chuva e frio, em que só apetece estar enfiada/o na cama e a beber chocolate quente e ouvir música melancólica, mas não sabe o quê. Outro dia qualquer em que se decide finalmente a fazer as arrumações em casa e quer música enérgica, que a ajude a limpar e a dançar, mas não conhece bandas assim. Ou ainda para enquanto se lê um livro…

Stereomood não é apenas mais um sítio na Web para ouvir música. Não é, de facto, apenas mais um site. É uma mais-valia para o mundo inteiro. É a revolução das rádios na internet. Quer dizer, aposto que quem quer que esteja a ler este texto gosta de música. Gosta sem dúvida de ouvir música. E que normalmente as escolhas musicais (ou dos postos da rádio) dependem do estado de espírito. Que mais pedir, a não ser um site onde se pode ouvir música que encaixa no estado de espírito?

PrintScreen do Stereomood

A ideia surgiu em 2008 em Milão, quando Giovanni, uma das criadoras, se fartou de ouvir um amigo sempre a ouvir a mesma música e lhe apresentou blogs com músicas novas. Lembraram-se então de organizar a biblioteca de músicas por estados de espírito. O site apoia e respeita os artistas, enquanto encoraja os users a comprarem música fornecendo os links para as compras online, não permitindo downloads gratuitos.

O Stereomood é super fácil de usar: nem sequer é preciso registar. Basta escolher um estado de espírito, sentimento ou uma actividade e somos presenteados com uma variada playlist com músicas que combinam com o que escolhemos.

Daniela Boino

Quem não tem cão… caça com gato

IPhone. Um aparelho aparentemente tão frágil (com apenas 115×61×11.6 mm de tamanho e 135 g de peso), mas que tem revolucionado as novas tecnologias e até mesmo o mundo. O iPhone é um smartphone que foi desenvolvido pela Apple, e tem várias funções, desde iPod, câmara fotográfica, acesso à internet, mensagens de texto, e muitas outras aplicações. Algumas dessas aplicações têm vindo a revelar-se uma mais-valia para o campo da música: as aplicações musicais. O que começou por ser apenas uma aplicação para entretenimento pessoal, começa agora a mostrar-se um possível instrumento de trabalho.

Há cerca de um ano, uma banda de Nova Iorque,  Atomic Tom, foi assaltada, e roubaram-lhes todos os seus instrumentos. Por sorte, eles sabiam como improvisar, e, mesmo sem instrumentos, tocaram ao vivo no Metro de Nova Iorque. Simplesmente, decidiram converter os seus próprios iPhones em instrumentos musicais – guitarra, baixo, piano e bateria virtuais. Durante cerca de cinco minutos a banda deu música aos passageiros do tão concorrido metro, com um dos seus temas originais, “Take Me Out”. O sucesso foi tanto que o vídeo amador que fizeram dessa mesma actuação teve cerca de um milhão e meio de visualizações no YouTube, em apenas três dias. Já o videoclip oficial da música não despertou tanto interesse por parte das pessoas, chegando apenas a cerca de metade das visualizações.

Isto tudo mostra que, de facto, o iPhone é um meio tecnológico que nos veio abrir novos horizontes, não só no sentido da música, mas em muitos outros aspectos também. O mais impressionante ainda é que a evolução da tecnologia está a tomar proporções assustadoras. Hoje em dia é possível fazer (quase) tudo com um simples aparelho! Será que algum dia chegaremos a um ponto em que já não haverá mais nada para inventar?

Andreia Loureiro

O futuro da música e do cinema

Com a fácil acessibilidade às diversas coisas que temos hoje em dia nem nos apercebemos da sorte que temos em relação aos nossos antepassados. Principalmente no campo da música e do cinema, é-nos muito mais rápido ter acesso a um álbum ou a um filme.

De facto, antigamente, para se adquirir um vinil não havia a facilidade que há nos dias de hoje. Mais complicado era ainda para quem não vivia nas grandes cidades. Era necessário encomendar o que queriam ou até deslocarem-se para o adquirirem.

Nos tempos que correm, este cenário já não é real. Um indivíduo ouve uma música, a música agrada-lhe, pesquisa sobre ela e sobre o seu autor na internet, consegue aceder a todas as outras músicas desse autor sem sair de casa, pode gravá-las no seu computador, passá-las para um CD, um leitor de música… Tudo isto sem qualquer custo e em poucos minutos.

Também no cinema isto se percebe. Enquanto que antigamente era a grande tela do cinema o ecrã preferido da maioria, hoje é possível assistir nos nossos computadores a filmes que ainda estão em cinema, que ainda não são vendidos ao público senão neste sítio.

Como tal, esta problemática, sendo vista de forma negativa, deve fazer-nos pensar no rumo que os novos média estão a tomar, pelo menos nestes dois sentidos.

Mónica Coelho

iPhone 4 – mais do mesmo…

Hoje, dia 8 de Junho, aconteceu a WWDC 2010, o evento anual para apresentar ao público os produtos da Apple. Este ano Steve Jobs apresentou o novíssimo iPhone 4. Este aparelho é uma evolução importante, que corrige as falhas mais flagrantes do seu antecessor e que coloca o telemóvel da Apple em pé de igualdade com as principais marcas rivais (Droid, Nexus One).

Assim, Jobs apresentou as novidades deste novo iPhone. O ecrã tem 3.5 polegadas e quatro vezes mais resolução (960×640 pixels). A câmera é de 5 megapixels, tem flash e grava vídeos em alta resolução (720 pixels). Há também uma câmera frontal para fazer videoconferência, só que o seu uso é extremamente limitado, já que só funciona entre aparelhos iPhone 4 e com ligação Wi-Fi. O aparelho é 24% mais fino. Vem com o sistema operacional iPhone OS (iOS) 4.0, que é capaz de executar mais de um programa ao mesmo tempo (multitarefa). O  chip agora é um A4 (cuja velocidade a Apple não revela, mas deve estar à volta de 1 GHz – bem mais que o iPhone 3GS e seus 600 MHz). Além do Google e do Yahoo, o navegador agora também permite escolher o motor de busca Bing, da Microsoft. O seu design quadrado traz o falado alumínio e vidro preto e as suas bordas servem de antena para GPS, Bluetooth, Wifi, 3G e GSM. Existe também uma versão na cor branca. É 24% mais fino que o iPhone 3GS mas tem 3 gramas a mais. Há o famoso segundo microfone que possibilita a eliminação de ruídos externos, dando maior clareza ao som nas ligações. A bateria foi melhorada (até 10 horas de navegação em Wi-Fi) e o preço continua acessível (nos EUA o de 16GB é 200$ e o de 32GB é 300$; nos outros países estão vinculados a contrato com a operadora). Será colocado à venda no dia 24 de Junho só para os EUA, França, Alemanha, Japão e Inglaterra. Em Portugal só estará disponível em Setembro.

Apesar de tudo isto, o iPhone 4 não tem nada de surpreendente, revolucionário ou mágico. Faltou a famosa frase “but there is one more thing”, que Jobs sempre utiliza para introduzir outra novidade. Desta vez não apareceram novas tecnologias futuristas, nada disso… Foi, pela primeira vez, “mais do mesmo”, apesar do slogan utilizado ser “This changes everything. Again.”.

Apresentação de Steve Jobs:

Vídeo de apresentação do iPhone 4:

Mónica Coelho

Beatles remasterizados

No dia 9 de Setembro de 2009, quase 40 anos depois da dissolução da mais famosa banda que este planeta conheceu, surgiu a reedição da obra integral dos Beatles. A data 09.09.09 não é uma simples coincidência. Number nine é um fascínio de John Lennon devido a uma série de casualidades ligadas a este número. Nasceu a 9 de Outubro, tal como o seu filho Sean; Brian Epstein (manager da banda) viu os Beatles pela primeira vez em Liverpool num dia 9; o contrato com a EMI foi assinado num dia 9; na escola primária jogava futebol com a camisola número 9; conheceu Yoko Ono num dia 9… Enfim, é interminável a quantidade de significados que este número tinha para ele. Não é, por esta razão, de estranhar que uma das maiores operações em nome desta banda fique para sempre associada a este número.

Esta reedição, publicada mundialmente pela Apple Corps Ltd. e pela EMI Music é uma remasterização digital em CD do catálogo original dos Beatles. Cada CD tem uma embalagem com o arranjo gráfico igual ao das edições inglesas dos anos 60 e são ainda acompanhados por booklets a que ao material original foram acrescentadas fotografias raríssimas e textos sobre o processo de gravação de cada um dos discos. Além dos álbuns originais, foram, também nesta data, publicados dois Box Sets de CD’s não editados anteriormente.

Os 525 minutos de música (230 canções) foram remasterizados, ao longo de quatro anos por uma equipa especial de seis engenheiros de som dos Estúdios de Abey Road de Londres, coordenados por Allan Rouse. Estes utilizaram, ao mesmo tempo, a mais moderna tecnologia de som existente e o equipamento analógico da época, no qual as gravações originais foram feitas, conseguindo assim manter cuidadosamente a autenticidade e a integridade das gravações analógicas originais. Este minucioso processo resultou na mais alta fidelidade de sempre no som destas gravações.

De facto, os anos 60 foram uma época em que ocorreram grandes avanços tecnológicos, como por exemplo nas gravações de som. Apesar disto, no período em que os Beatles gravaram em estúdio, entre 1962 e 1969, o formato mais acarinhado e o mais usado era o mono. A estereofonia não tinha tanto relevo e o tipo de gravação monofónico tinha tal importância que os próprios Beatles, quando começaram a interessar-se pela produção física da sua obra musical, apenas assistiam às sessões de masterização em mono. Como tal, o trabalho destes seis engenheiros de som não foi adulterar a obra dos Beatles, mas sim limpá-la de certas impurezas através da mais moderna tecnologia de som, sem que a criação primária tenha sido minimamente tocada. Afirmaram desde o início que estes trabalhos “não são remixes, são apenas remasters”.

O que fizemos foi tornar as coisas mais modernas, usando a mais moderna tecnologia. Por exemplo, as vozes não estavam suficientemente altas para os parâmetros de hoje. Por isso tentámos tornar as vozes mais claras sem exagerar.

Paul Hicks

Estas novas versões stereo permitiram descobrir certos sons, certos ruídos nas faixas que antes não eram conhecidos. Sem o avanço da tecnologia neste sentido nada disto seria possível, pelo que é de aplaudir um trabalho deste tipo.

Mónica Coelho

Sam Tsui – O cópia músicas

Sam Tsui é uma celebridade da internet americana cuja fama começou a crescer após fazer covers e cantar músicas de artistas pop como Michael Jackson, Lady Gaga e Beyonce e postar os vídeos no youtube.

Tudo começou quando, ainda na faculdade, começou a gravar músicas  com o seu amigo Kurt. Um dia, quando uma amiga em comum não apareceu para gravar um dueto com Sam, Kurt lembrou-se de gravar apenas a voz de Sam, de forma a utiliza-la como vozes de fundo e como voz principal.

No mês de Maio deste ano, o canal do youtube destes dois jovens contava já com mais de 40 mil visitas num total de 40 videos postados. Ainda no inicio do ano, em Fevereiro, Sam e Kurt lançaram o seu primeiro álbum, intitulado Sam Tsui-The Covers. O álbum só se encontra, no entanto, via Itunes.

Eu tomei conhecimento destes “quase” músicos, quando os vi a serem entrevistados na Oprah Winfrey Show.

Fica aqui um dos seus vídeos para verem do que falo:

Introduzi este exemplo para poder falar na tripla lógica na genealogia dos média, a imediação, a hipermediação e a remediação. No entanto para este exemplo penso que só se aplica a lógica da hipermediação.

É óbvio que, ao mostrar vários Sam’s num vídeo, se perde o sentido de que o meio é uma janela que oculta a sua materialidade, pois vemos claramente qual Sam faz que som. É também claro que, como só existe um Sam, são necessárias várias gravações de um som individual para no fim se juntarem todos os Sam’s. O meio torna-se então exposto e a sua presença é visível.

Para terminar e para demonstrar a minha opinião, não consigo perceber qual o fascínio por estes “músicos”, ao escolherem fazer cópias de músicas de outros artistas só revelam a sua própria falta de originalidade e, ao escolherem este tipo de performing, torna-se claro que nunca poderão actuar ao vivo.

João Monteiro

Análise do videoclipe “Fell In Love With A Girl”

Numa definição muito curta, um videoclipe é uma mistura de imagens, sons e textos com a finalidade de promover comercialmente uma música, quer pela televisão quer pela Internet.

A animação do videoclipe obedece a dois processos: um analógico e um digital. Respectivamente ao analógico, este consiste na construção manual com os blocos de Lego em certas partes do videoclipe. Estas construções são regidas por uma técnica de animação chamada “stop-motion”, em que o objecto é fotografado fotograma por fotograma, mudando a posição do objecto no intervalo de cada fotograma. De seguida, quando ao ser projectado normalmente em 25 frames por segundo, é criado a ilusão de movimento. A tecnologia digital baseia-se no “efeito de pixelização”. Para se ter uma ideia mais clara, procedeu-se a uma digitalização de imagens filmadas dos elementos da banda “White Stripes”  a tocar, nadar, andar, etç. Depois, essas imagens foram mapeadas numa grelha de pixéis para dar a aparência de construções de Lego. Isto proporciona a dictomia existente entre imediacia e hipermediacia. Há uma relação de imediacia porque essas imagens ao serem “pixelizadas” pretendem tornar um meio único e transparente, ou seja, a percepção de que o espectador está unicamente a ver construções de Lego. A hipermediacia é notória, porque o meio expõe a sua materialidade, respectiavemnte os pixéis.

As imagens não são uma simples animação, uma vez que elas têm a preocupação de revelar ao espectador as figuras humanas que pretendem retratar, nomeadamente Jack White e Meg White. Qualquer espectador que tenha informações adquiridas e uma relação visual com a banda anteriormente, reconhece-os devido à forma como o movimento animado dado às peças representam fielmente a actuação dos músicos na realidade. O reconhecimento também é possível através da disposição dos elementos, um na guitarra (Jack White) e outro na bateria (Meg White).

Além da exploração na capacidade que o pixel tem em gerar formas visualmente identificáveis, as cores também sofrem de uma exploração na sua potencialidade, gerando diferentes associações interpretativas. As cores frequentemente utilizadas são as primárias (vermelho, amarelo e o azul), juntamente com o branco e o preto. As duas últimas têm um papel importante na identificação real das personagens do videoclipe. O branco representa o rosto e a pele branca, e o preto representa os cabelos compridos e escuros, ambos característicos da constituição física real dos artistas.

No que diz respeito à narratividade, o videoclipe incia com um miúdo (a única referência ao meio real) a fazer uma construção com peças de Lego, as quais passado instantes ganham autonomia e tornam-se animadas. Esta sequência inicial é bastante veloz, funcionando como uma introdução à velocidade frenética que é constante em todo o videoclipe. Nesta sequência nota-se a remediação da televisão através da contagem crescente dos números 1, 2, 3. Este efeito televisivo era utilizado essencialmente em programas de televisão antigos e tinha a finalidade de  fazer a contagem para dar o início da emissão do programa. Neste caso, os números servem para introduzir o espectáculo visual e musical da banda White Stripes e marcar a passagem do mundo real para o mundo ficcional. Falando de remediação, também é importante salientar que o videoclipe transparece um aspecto gráfico “retro” muito parecido com os primeiros videojogos existentes (Atari)  e que de uma certa maneira todo o videoclipe confere a sensação ao espectador que recua no tempo e recorda-se dos seus momentos de lazer e vivências infantis/adolescentes marcantes.

O mecanismo utilizado para proporcionar a velocidade estonteante em todo o videoclipe é a montagem paralela. Também é empregado o processo de colagem de imagens do quotidiano dos grandes centros urbanos, tais como de um autocarro, de vias públicas com automóveis ou de sinais de trânsito, assemelhando-se assim o ritmo frenético da vida urbana como o ritmo alucinante da própria canção.

Abordando a letra, constata-se que a canção tem como temática um amor frustado e não correspondido mas que não é tratado de forma habitual. Enquanto que nas canções de amor “pop” existe alguém que sofre pela pessoa amada e enaltece-a, mostrando sentimentos profundos, nesta canção acontece o oposto em estilo de paródia. Os sentimentos carecem dessa profundidade, como é o exemplo do verso “Fell in love once and almost completely”. A paródia à repetição abundante utilizada nas músicas pop também é notória, principalmente através do verso “And I said once but it bears repeating”.

No geral, este videoclipe é recheado de uma grande criatividade artística própria de Michel Gondry (realizador do videoclipe), conhecido por realizar famosos videoclipes de Bjork (“Army of Me”; “Human Behavior”); Chemical Brothers (“Star Guitar”, “Let Forever Be”) e de anúncios televisivos (“Drugstore” – anúncio da Levi’s, “Smarienberg – anúncio da Smirnoff). Contudo toda a sua criatividade atingiu o esplendor na cinematografia, nomeadamente em filmes como “Human Nature” ; “O Despertar da Mente” e “A Ciência dos Sonhos”.

Ricardo Pereira

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