Arquivo da categoria 'Sujeito Digital'

Para falar a “verdade” abreviando

Pensar nos métodos de comunicação, seja ela proveniente de um meio sonoro ou escrito, como um método estanque, imutável, é não olhar o mundo à sua volta.

Como seres observadores e aprendizes que somos, já nos deparámos muitas vezes com reflexões do género, “como é que se dizia?”, “antigamente escrevia-se”, “ah, agora passa-se a escrever”, “está-se bem ou tá-se bem?”. E estas reflexões surgem nos mais simples pormenores do dia-a-dia, quer seja numa conversa de café com um/a amigo/a, a redigir um trabalho, a enviar uma mensagem por telemóvel ou a comentar uma afirmação numa página digital de alguém que se encontra a quilómetros de distancia.

A questão é que a linguagem é um ser bastante activo quanto nós seres humanos. Ela salta-nos da goela, num zás, trás, pás!, com ou sem cuidado com a sua fluidez e cortesia, às vezes nos apercebermos, lá está ela a dar ao léro-léro com a senhora que vem sentada no banco ao lado no autocarro.

A verdade é que existe um códex imenso de palavras, pronuncias, expressões, enfim, uma série de códigos que utilizamos incessantemente para estabelecer a comunicação.

Mas nos tantos anos em que convivemos em sociedade, aprendemos também que estes códigos não só se aplicam a quem, ou como dizer, mas também existem aqueles que se aplicam a um determinado meio, isto é, acabam por ser palavras-chave que descodificam um objecto ou uma ideia, um certo comportamento, um acto ou um sentimento – servem de termos concretos.

Se a tecnologia preparou ou não, toda uma linguagem especifica para os seus utilizadores, isso eu não sei dizer. Mas sei que para o meio, foi se desenvolvendo um meio de comunicação linguística que agrada a gregos e a troianos.

Segundo David Crystal, a combinação da fala e da escrita designa-se por Netspeak, e a sua função é tornar mais fácil e rápida a comunicação entre indivíduos que estejam, separadamente, a estabelecer um diálogo entre si via dispositivos digitais.

Não se trata apenas de uma simples abreviação, falamos também por aglutinações de letras que querem significar ou simbolizar algo, como por exemplo a tão conhecida LOL, de sua origem inglesa, significa Laugh Out Loud, dizendo à pessoa do outro lado que por sinal achou bastante graça ao que acabou de dizer; por outro lado temos os widgets que nos facilitam a vida, por não termos que escrever o que estamos a sentir: :) (feliz) ou :( (triste)?

Esta nova forma de expressão gera muitas controvérsias por parte das pessoas, que afirmam que este é um mau caminho para o esquecimento do idioma, da verdadeira linguagem.

Pessoalmente, acho que devemos sempre manter as palavras em causa, elas foram feitas e estilizadas para nos transcreverem o que sentimos e o que pensamos, mas se por mero acaso estas utilizações nos facilitam o diálogo. Seja porque o outro entenderá melhor, ou porque assim me dá jeito, então porquê não fazer um bom uso de emoticons e smiles, de LOL e de CUL8R! (See you later!) nestes dispositivos, sem esquecer que existirá sempre uma carta para abrir.

Atenciosamente,

 

Inês Arromba

Identidade Digital

Todos sabemos, que se tornou indispensável ao nosso quotidiano o digital e tecnológico, sendo o “bicho racional” cada vez mais dependente dos contemporâneos dispositivos digitais.

Com o computador, e nomeadamente os dispositivos digitais portáteis, é cada vez mais comum, a ligação constante e permanente às redes sociais. Com o sucedido, cada individuo passa a ter duas identidades, a identidade integra e a digital. Este processo funciona como uma extensão do nível psíquico do sujeito, este reencarna enquanto corpo mediado digitalmente.

Sendo assim, estes meios funcionam como um objecto de projecção pessoal, afectiva e relacional. Pois uma página numa rede social, corresponde em parte, ao gosto pessoal do individuo, e não só, através desta é possível comunicar, fomentar novas amizades, que nos podem ou não transmitir sensação/impressão de “afecto”.

Como tal, a presença do sujejtio modifica, este acabar por poder estar em “vários sítios” e fazer determinadas tarefas ao mesmo tempo.

Consequentemente, esta nova forma de “estar” não tem só benefícios, pode se tornar prejudicial, levando ao isolamento físico, em prole da socialização directa, devido à condição de conectividade em linha permanente. E ver a vida como uma “oficina de identidades”, como se fosse um jogo de auto-representações, criando identidades falsas.

Francisca Luís Pereira

“Cyborgização”

http://visao.sapo.pt/a-historia-do-primeiro-cyborg-de-carne-e-osso=f666615

Começo com esta notícia com uma intenção muito clara: clarificar a ideia de cyborg. Todos sabemos que um cyborg é uma mistura entre a tecnologia e o ser humano, é, na verdade, um homem máquina. Mas se por um lado este cyborg ainda não é uma vulgaridade na sociedade, essa mesma sociedade é um conjunto de cyborgs sem o saberem.  Paradoxal? Talvez. A verdade é que a tecnologia é, de facto, parte integral do ser humano. Neste momento não haverá uma pessoa que não use tecnologia, não haverá, no fundo, ninguém que não dependa destes tão variados aparelhos que estão ao nosso dispor. Vou dar dois exemplos:

Telemóvel: começo por este objecto por ser uma vítima do vício que este cria. O telemóvel é um dos objectos do qual não abdicamos nem por um segundo. Dormimos com ele, comemos com ele e até há quem não vá à casa de banho se o levar. Não coloco em causa a utilidade desta tecnologia, a verdade é que nos adaptámos tanto ao telemóvel que a sem ele estamos completamente sozinhos, mesmo que rodeados de pessoas. Esta extensão da nossa capacidade comunicativa é cada vez mais um “faz-tudo” que podemos transportar no bolso. Quem sabe se dentro de alguns anos o podemos implantar no nosso corpo? Por certo acabaria com o enorme problema que criamos quando nos esquecemos dele em casa.

Computador: à semelhança do anterior, a presença do computador na sociedade também é inquestionável. Todos os serviços oferecidos à comunidade são feitos, actualmente, por um computador. Esta tecnologia apresenta mais funções que o telemóvel e, por isso torna-se também numa dependência. É praticamente impossível sobreviver ao sistema educativo sem um computador. E com o aparecimento da Internet, este objecto complexo deixou de ser um elemento usado maioritariamente para trabalhar e passou a ser um fonte de divertimento e de comunicação. Com o Facebook e outras redes sociais, o computador é também um elemento activo na criação de uma “solidão virtual”, ou seja, o estar sozinho no meio virtual quando se está no meio de muita gente.

Creio que estes dois exemplos tenham elucidado o meu ponto de vista. Claro que com o aparecimento de novas tecnologias como Ipad e afins, esta “cyborgização” é mais visível. A ideia de cyborg é a metáfora perfeita para identificar uma sociedade que depende das tecnologias para sobreviver porque, apesar de não fazerem parte do corpo, estes objectos estão sempre “ali mesmo à mão”.

Filipa Traqueia

Imagem digital

Hoje em dia em variadas redes sociais, sites, jogos virtuais e até blogs é possível termos uma representação virtual de nós, podemos assim projetarmo-nos de diferentes formas criando uma imagem digital de nós próprios, um avatar. Esta imagem digital poderá ter características próprias que o nosso eu real não tem ou ser bastante semelhante a nós, é uma imagem que criamos de nós próprios que poderá não ser muito semelhante á real, isto poderá levar a que possamos explorar diferentes facetas da nossa personalidade em diferentes plataformas, ou criarmos virtualmente uma imagem num mundo que desejássemos ser real, o que poderá dar a nós e a outros uma melhor noção de quem somos. Podemos também esconder algo que não gostemos em nós ou projetar tudo que gostamos mas não exploramos ou mostramos facilmente no dia-a-dia, o que permite construir outra imagem da nossa pessoa em relação com o meio digital e com as outras pessoas que também exploram esse meio que ficam a conhecer mais coisas sobre nós que não conheceriam no mundo real, muitas vezes nestas representações podemos ter um nome á nossa escolha, logo até pode acontecer o facto de comunicarmos com alguém que conhecemos na vida real sem saber que se trata dessa pessoa no mundo real. O que poderá ser problemático é se acontecer o facto de nos apegarmos tanto a essa realidade virtual que ficamos como que viciados e damos menos importância ás relações sociais e ao contacto com as pessoas no mundo real. É interessante termos essa forma de escape, uma forma de deixarmos a realidade por momentos e encontrarmo-nos num mundo totalmente novo e diferente que dá lugar á exploração de novas situações num mundo que nos dá a liberdade para tal, porém nunca será o mesmo que a experiencia no mundo real. Para demonstrar melhor esta ideia de imagem digital com a possível representação de um mundo futurista apresento este vídeo:

Comunicação, uma história de transformação

Tema de Escrita: Como podemos exemplificar a “remediação” como principal característica técnica e formal dos meios digitais?

Desde sempre existiu comunicação, mas esta tem vindo a alterar-se constantemente. Não só com a invenção da escrita como a imprensa, o telefone, o rádio, o computador, todos estes meios de comunicação foram inventados porque o Homem sentiu necessidade de algo mais. Sempre se quis comunicar e prova disso são as pinturas rupestres. Mas é interessante perceber como é feita a transformação dos dispositivos. Se pensarmos bem, foi inventada a escrita, que deu origem à imprensa porque o objetivo era chegar a um maior número de pessoas e com maior rapidez (note-se que na era medieval os livros eram copiados um a um pelos monges copistas). Sendo que a carta demorava sempre bastante tempo para chegar, surgiram os sinais, como o código morse e posteriormente o telefone, que nos permitia em segundos falar para o outro lado do mundo. Mesmo assim, o Homem sentia-se incompleto, pois não tinha a possibilidade de alargar a sua cultura se não se tratasse de um constante viajante. O rádio é assim descoberto e a música passa a ser mais acessível para todos. O mesmo acontecendo com o computador e os restantes dispositivos que hoje vemos em qualquer casa.

Para compreender os novos média está implícita a compreensão dos  processos de remediação que caracterizam as formas e  práticas culturais, defendidos por Bolter e Grusin.

A remediação é decomposta por Bolter em três aspectos: primeiro, como mediação de mediação, isto é, como parte do processo através do qual os média se reproduzem e se substituem uns aos outros; segundo, como inseparabilidade entre   mediação e realidade, que faz da mediação e dos seus artefactos uma parte essencial da cultura humana como realidade mediada; terceiro, como processo de re-forma da mediação da realidade, ou seja, como meio de transcender as formas e meios de mediação anteriores.

inhttp://www.ci.uc.pt/diglit/DigLitWebCdeConceitos.html#remediação

Se actualmente disser-mos a uma criança que na infância dos nossos pais não havia televisão, quanto mais computador, é dificil perceberem, pois pensam que o dispositivo esteve sempre ali. É então fácil de entender que esta transformação se deveu a necessidades do Homem e na invenção de novas máquinas foram se acrescentando novas funcionalidades, mas no fundo a ideia inicial continua presente em todos os dispositivos, pois o fundamental é comunicar.

Cláudia Sousa

NetSpeak: R U IN? ;)

Tema de Escrita:O que é o Netspeak? Como se relaciona com outros usos de língua?

Qual a influência do netspeak na nossa sociedade? Frequentemente encontramos pequenos recados abreviados, mas por vezes essas usuais abreviaturas podem tornar-se constantes e gerar problemas. Vejamos este pequeno vídeo que nos procura explicar o impacto actual do Netspeak:

Embora cómico, este vídeo levanta uma importante questão: será o Netspeak o nosso futuro? Em pequenas notas, recados ou avisos, não será muito problemática a abreviatura. No entanto, cada vez mais os professores se queixam de encontrar um texto cheio de abreviaturas e com esta adaptação tão precoce à tecnologia e consequente linguagem associada, de certeza que há jovens que já não conseguem distinguir uma linguagem de outra, pois provavelmente não aprenderam a escrever corretamente antes de aderir ao sistema de conversação da internet. O facto de se ter acesso ao computador e ao telemóvel em idades precoces pode dar início a um problema linguístico, nomeadamente na forma escrita, pois os jovens já não sabem comunicar de forma correta.

Tendo em conta a opinião de David Crystal, concordo que a linguagem pode ter-se tornado mais rica, no sentido em que há uma linguagem maior diversidade, derivada da quantidade de linguagens inerentes a estas novas “oportunidades de conversação” porque a linguagem usada nos blogs é diferente da usada nos emails, nos chatrooms, etc. No entanto, tal como diz David Crystal, a linguagem em si não mudou, nem a níveis gramaticais ou em vocabulário. Há apenas uma maior introdução de pontuação, associada à invenção dos emoticons [emoticon, palavra derivada da junção dos seguintes termos em inglês: emotion (emoção) + icon (ícone), sendo também conhecida como smile]. A língua em si manteve-se. No entanto, não deixa de ser preocupante a má linguagem escrita de grande parte dos jovens, não só em Portugal, como em todo o mundo. Na minha opinião pessoal, penso que é importante a transformação da linguagem, mas que é fundamental não deixar desaparecer a “língua mãe”.

Cláudia Sousa

Emoção Virtual

Em que medida os dispositivos são extensões psíquicas e emocionais do sujeito?

Nos dias que correm, neste mundo repleto de inovações tecnológicas que são renovadas quase todos os dias, após a invenção do computador, da Internet, do telemóvel e de vários outros dispositivos, é-nos possível comunicar e aceder a tudo o que imaginamos e nao imaginamos facilmente num mundo de interacção e de pesquisa constante. Dispositivos como o Twitter, o Facebook e os diversos blogs e chats de partiha de informações pessoais e emocionais possibilitam de facto recepcionar emoções e potenciar ou transmitir o nosso estado de espírito ou disposição sentimental. Estes meios e outros são instrumentos que veiculam, são canais que facilitam a transmissão do nosso ser para um mundo cibernáutico. Desta maneira, os dispositivos electrónicos deixam de ser apenas instrumentos de ajuda e de trabalho ou lazer para se tornarem extensões da mente de um indivíduo. Passam a ser ligações emocionais para o remetente que está do outro lado da linha que pode receber o sentimento nao no seu estado mais puro mas num estado de perfeita compreensão. Mas existe outro lado que pode nao ser tão viável em toda esta afirmação que os dispositivos electrónicos transmitem emoções são parte de nós emocionalmente, existe o lado perigoso em que podemos adulterar a percepção que os outros têm de nós através dessa realidade virtual que é escrever o que queremos sobre nós num blog ou numa rede social, por outro lado, transmitir demasiada verdade ou demasiada informação pode levar a uma exposição complicada e não segura do nosso ser interior, que nestas situações é aberto a todos.

Concluindo, é de facto verdade que é cada vez mais clara a nossa dependência relativamente aos dispositivos e que estes começam a tornar-se uma extensão de nós próprios, um meio de transmissão de emoções e de informação relativa ao nosso intelecto e ser mais profundo.

António Martins

O caso da droga invisível

Somos seres dependentes… dependentes da tecnologia para viver. Talvez isso possa ser explicado pelas facilidades que esta permite à vida das pessoas. Temos o exemplo do editor de texto que pode ajudar quem tem dificuldade em escrever correctamente sem o auxílio da máquina… mas até que ponto isso será benéfico se essa mesma pessoa ficar dependente da máquina em vez de procurar ultrapassar as suas dificuldades, concentrando-se na escrita manual?

A velocidade da tecnologia está a alterar o nosso relógio biológico. As pessoas querem fazer tudo à velocidade do computador, o que gera nervosismo e ansiedade quando se apercebem que tal não é possível. Queremos fazer tudo mais depressa e esquecemo-nos de que não somos máquinas! Tornamo-nos impacientes e não conseguimos lidar com a pressão que a tecnologia exerce sobre nós, correndo o risco de gerar problemas de auto-estima.

Quando ocorre uma falha numa dessas tecnologias, por exemplo, quando um individuo está a fazer um trabalho num computador, falta a luz e o trabalho não ficou guardado. Fica irritado, revoltado, entra em crise, questiona o porquê disso ter acontecido “porquê eu? Mas o que é que eu fiz de mal? Que porcaria! Agora vou ter que começar de novo! Mas porque é que eu não guardei o trabalho antes?”… parece que o mundo acabou…

Eu mesma já me encontrei numa situação bem desagradável. Preparei uma apresentação em PowerPoint para uma disciplina, na qual defendia uma tese… um trabalho que levou dias a preparar… quando chega o dia da apresentação o computador da escola não estava a funcionar e fui obrigada a apresentar o trabalho sem poder visualizar o que tinha preparado. Senti-me frustrada, revoltada… nem queria acreditar! Aquele trabalho era a minha segurança, o meu documento de apoio!

Esta dependência das tecnologias está a tornar-se um fenómeno cada vez mais presente. Uma pesquisa  realizada pela Universidade de Maryland, nos EUA, constatou que a dependência de telemóveis, computadores e tudo que esteja relacionado com a tecnologia pode ser considerada semelhante ao vício das drogas.  O estudo avaliou 1000 alunos (de dez países) com idades compreendidas entre os 17 e os 23 anos, que ficaram durante 24 horas sem telemóveis, redes sociais, internet e TV. Segundo a pesquisa, 79% dos estudantes avaliados apresentaram desde desconforto até confusão e isolamento. Outro sintoma relatado foi o de comichão, uma sensação  parecida com a de dependentes de drogas que lutam contra o vício. Alguns estudantes relataram, ainda, stress simplesmente por não poderem tocar no telemóvel.  Pela primeira vez, o vício na rede foi comparado com o abuso de outras coisas, como drogas e álcool.

O imediatismo da internet, a eficiência do iPhone e o anonimato das interações em chat tornaram-se ferramentas poderosas para a comunicação e até mesmo para os relacionamentos.

Vídeo que aborda a ideia defendida neste texto: http://www.youtube.com/watch?v=ezvq4d72PA4

Surge então a questão: “Até que ponto a nossa vida online não se sobrepõe à nossa vida offline?”

Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.  (Simone de Beauvoir)

Daniela Fernandes

O sujeito-tecnologia

Tema de escrita: Em que medida os dispositivos são extensões psíquicas e emocionais do sujeito?

Sherry Turkle é uma estudiosa do efeito das tecnologias no ser humano. Escreveu livros como: The Second Self: Computers and the Human Spirit (1984), Life on the Screen: Identity in the age of the Internet (1995), Alone Together: Why we expect more from technology and less from each other (2011).

Sherry Turkle analisa a relação do mundo digital e das pessoas, concluindo que devido aos dispositivos móveis (por exemplo, o telemóvel, munido de Internet) , estamos permanentemente conectados ao mundo que nos rodeia (e não só), portanto estes mesmos dispositivos tornam-se em extensões do ser humano, fazendo parte dele. Começa a ser considerada parte do nosso corpo.

Sendo uma extensão, o computador (aqui, é o objecto amplificado como dispositivo), é na realidade, mais do que isso, tornando-se o espelho da pessoa para o mundo. Podemos ser o que quisermos atrás de um computador, até mesmo não sermos nós próprios. É um mundo fantasioso que geramos e que se gera. Muitas vezes, a identidade que as pessoas fazem passar nas redes sociais, não é igual à da realidade.

O computador tem, portanto, dois papéis a desempenhar relativamente ao seu possuidor: o the second self e o a tethered self.

Na verdade, sem a presença do computador, o ser humano perde uma parte de si, podendo só se sentir completo quando o tem de volta. Há uma relação de dependência.

Vimos os computadores saírem de gigantescas salas com ar condicionado para cubículos, passarem para as secretárias e, agora, para o nosso colo e para o nosso bolso. Mas ainda não chegámos ao fim. – Nicholas Negroponte.

Perde-se a noção do convívio físico, para que seja substituído pelo convívio virtual. Por vezes, sentimo-nos melhor e mais à vontade se falarmos com alguém através do Facebook ou de mensagens no telemóvel, do que se for pessoalmente. Ou chegamos ao ponto de estar rodeados por pessoas desconhecidas, mas com quem poderíamos estabelecer uma relação, e optamos por enviar uma mensagem a um amigo, evitando, portanto o contacto físico. Ou pura e simplesmente estarmos “connosco”, sem a necessidade de estar sempre em contacto com alguém, ainda que este esteja longe.

Somos solitários e a Internet traz a falsa sensação de amizade. – Sherry Turkle.

Não aprendemos a estar sozinhos, preferimos enviar mensagens ou e-mails, a conversar pessoalmente. A verdade é que as redes sociais acentuam a distância entre as pessoas.

A palavra comunidade banaliza-se, na medida em que, supostamente, estaremos mais perto uns dos outros, morando num pequeno mundo, que a internet permite que se aproxime; e amizade também, já que qualquer um pode tornar-se nosso “amigo”, sem que haja uma amizade real, na verdadeira acepção da palavra.

Para ilustrar o meu texto, chamo a atenção para este vídeo, onde podemos ver Sherry Turkle em primeira mão (ironicamente, através de um computador): http://www.ted.com/talks/lang/pt/sherry_turkle_alone_together.html

Beatriz Barroca.

A (Re)produção da arte

De que forma a reprodutibilidade técnica altera a natureza e a função social da obra de arte?

Walter Benjamin foi um crítico literário, filósofo, sociólogo, tradutor e ensaísta alemão. Escreveu A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica em 1936. Aqui analisa a potencialidade artística (essencialmente a nível político) a partir da reprodutibilidade técnica. Fala-se da “aura”, ou seja, a veracidade da obra. A fotografia começa, de certa forma, a “destruir” essa aura.

Mas é através da dita reprodutibilidade, que é possível democratizar as obras e, assim, a arte.

Para o autor, as coisas vistas pelos olhos são diferentes das vistas através de um aparelho (por exemplo, a câmara).

Há dois tipos de reprodução:

  1. Reprodução manual
  2. Reprodução mecânica/técnica

Há uma aceleração na passagem da reprodução manual (por exemplo, xilogravura) para a reprodução mecânica/técnica (por exemplo, fotografia ou cinema). A reprodução mecânica/técnica é imediata, ao contrário da manual, que leva tempo a ser produzida.

Apesar de as reproduções serem, na maioria dos casos, exemplos perfeitos de cópias dos originais, faltam-lhes o aqui e agora do original. O simples facto de ser A obra de arte. A história formou-se sobre o original, a passagem do tempo incidiu sobre o original…

O aqui e agora do original encerra a sua autenticidade. – Benjamin.

Com o fenómeno da reprodutibilidade facilitada, verifica-se a perda da aura dos objectos artísticos, esvai-se o sentido da tradição e da história que a obra original encerra e assistimos à sua massificação.

Na minha opinião, a reprodutibilidade é uma “espada de dois gumes”, com as suas vantagens e desvantagens.

É certo que a natureza da obra de arte original é afectada, pois perde o estatuto de singularidade, de ser “a única”, mas ao mesmo tempo penso que isso não é de todo negativo, pois permite que a maioria das pessoas possa ter acesso à obra, mesmo que seja “apenas” uma reprodução. Temos uma cultura de massas? Sim, o que faz com que não haja grande diversidade do meio cultural e que sejamos, de certa forma, obrigados a que todos gostem das mesmas coisas. Mas isso vai ao encontro do que disse anteriormente, pois dá a possibilidade a que todos (ou quase todos) possam ter um maior contacto com a cultura, não estando esta cingida a uma “elite”.

Penso que este vídeo se adequa à temática aqui apresentada:

Beatriz Barroca.

Construindo Diálogos, Introduzindo Pensamentos…

Como podemos entender a afirmação de McLuhan de que o meio é a mensagem? Esta pergunta suscita-nos a pensar vários conceitos:  o que é o meio, o que é a mensagem, se eles podem ser vistos separadamente e como lhe damos com eles.

Buscando delinear um pensamento de entendimento sobre o assunto, digamos que o   meio é a forma, o dispositivo que será utilizado para transmitir a mensagem. O meio é a criação, é a invenção, é a ferramenta tecnológica que será apoderada e utilizada de ns formas pelos seres humanos. E é nesta interação do humano com o dispositivo que chegaremos ao entendimento de que o meio é também a mensagem, quer dizer, de que o uso que faremos neste meio já é em si uma mensagem nas relações humanas. Sim, um pouco complexo.

Para clarear o pensamento a respeito pensemos na introdução dos telemóveis nas nossas vidas. Antes da existência de telemoveis vivíamos com a ideia de um contato digamos mais demorado, lento. Um recado que seria deixado para chegar ao conhecimento da pessoa posteriormente ou a espera do encontro físico para estabelecer a comunicação. Com o advento do telemóvel fomos adaptando-nos, acostumando e tornando-nos muitos casos dependentes da comunicação imediata que ele proporciona. Assim, a forma de comunicação estabelecida pelo telemóvel, já insere em si um conjunto de mensagens, pois o telemóvel já traz suas configurações e funções características que vão afetar diretamente a forma de comunicação.

Tentando amadurecer este pensamento, pensemos na educação. Vivendo em um mundo altamente globalizado e tecnológico  a não inserção da cultura eletrônica no ensino traz de fato uma falta de avanço ao pensar a educação. É preciso pensar a escola levando em consideração as transformações da sociedade, pois elas estão intrinsecamente ligadas.  De acordo com Olga Pombo, a escola:

“tem que levar a sério a revolução mediática em curso, não pode continuar a manifestar perante ela a indiferença                                        gelada e soberana  ou a reverência respeitosa e subserviente com que, com raras excepções, tem tentado iludir os desafios que têm vindo a ser colocados”.(POMBO, 1994, p.9)

É preciso questionar o papel do medias e compreendê-los como extensões do homem e assim inseri-los no campo de fundamental importância de desenvolvimento humano que é a escola, a educação. E desta forma, para concluir a introdução deste jorro de pensamentos  a respeito do entendimento de que O meio é a mensagem proposto por McLuhan, ficamos com as palavras de Jully Rodrigues colocando que ao falar que:

“(…) O meio é a Mensagem, o autor explica que a mensagem de qualquer meio ou veículo é a mudança de padrão que este meio provoca na sociedade, uma vez que é o meio que rege a forma e a dimensão dos atos e associações humanas”. (RODRIGUES, 2008)

Vânia Silvério

As mudanças depois do Mundo Computacional!

A camada computacional permite-nos aceder ao mundo social, cultural e artístico à distância de um click. Ou seja, podemos ter acesso a estes meios em qualquer lado, a qualquer hora, basta ter acesso a um dispositivo ligado à Internet.

Um principio base do meio digital/ novos média é a “representação numérica” (algoritmos). Todos os objectos que os constituem são processados por dígitos matemáticos. Denomina-se este facto como “transcodificação”, sendo esta a dita “linguagem computacional”. Interagem desta forma todos os objectos digitais, que muitas vezes tem uma linguagem de codificação de programas diferentes. Quando isto acontece recorre-se à “modularidade”, processo que altera todos os elementos de ficheiros digitais sem os danificar. Com isto torna-se possível abrir uma imagem em vários programas de edição, por exemplo. Também é possível passar um elemento analógico para digital, através da “manipulação por algoritmos”.

Surge assim a “transcodificação cultural”, isto é, há uma transformação social, cultural e artística em códigos computacionais por parte da “transcodificação”. Assim os referidos são transformados/ adaptados aos novos média e aos meios digitais tecnológicos. Consequentemente, isto leva a mudanças nas práticas quotidianos sociais, culturais e artísticas que não existiam antes de vivermos num “mundo computacional”.

A nível social e cultural é marcado pela individualização/ solidão, na medida em que cada pessoa se refugia no seu “mundo digital”, tornando-se mais ausente e menos comunicativo socialmente. Muitas das pessoas já não convivem socialmente, só virtualmente através de chat e plataformas digitais comunicativas, tais como skype, msn, etc. Trabalhar em casa é casa vez mais comum, também como ter reuniões de trabalho por conferencias digitais. O mesmo acontece com o consumismo de bens do quotidiano e não só, visto que muitas pessoas hoje em dia já não se deslocam a superfícies comerciais para fazer as suas compras, fazem-nas on line.

Toda a arte em geral também foi obrigada a mudar os seus hábitos. Nos nossos dias é raro o artista que não tenha um site on line, que divulgue as suas obras e um serie de informação disponível sobre o seu trabalho. E é este o meio mais utilizado para promover a arte/cultura actualmente. Tanto é que o Google desenvolveu um plataforma interessantíssima ”Google Art Project“, onde qualquer um pode ter acesso as obras dos museus mais conceituados a nível mundial. É como se fizéssemos uma vista guiada, mas de forma virtual.

Em suma, vê-se que de facto existem mudanças significativas dos hábitos quotidianos, e que o meio digital veio modificar as vivências de toda a humanidade. É sem dúvida uma mudança que facilita o dia à dia de qualquer individuo, mas mesmo assim deve existir um meio termo, ou seja, não abusar deste “serviçal”, pois a vida é muito mais para além deste massivo “mundo digital”.

 

Francisca Luís

Carta ou Email? Tecnologia, Ecologia e Sentimento

Tema de Escrita: O que significou deixar de escrever à mão? O que acontece quando se escreve com um teclado?

Hoje em dia a tecnologia está presente em cada bocadinho das nossas vidas. O telemóvel desperta-nos, o rádio toca durante o banho, a televisão atualiza-nos durante o pequeno-almoço, o computador ajuda-nos no trabalho e a máquina fotográfica capta cada momento que queiramos recordar. Sem tecnologia seria impensável viver. Ninguém quer imaginar viver sem luz, sem televisão, computador… eu própria me sinto como que afastada do mundo por não ter televisão durante a semana. Pondo-me no lugar de alguém, do século XIX, penso que viveria frustrada. Desde que acordo até que me deito, a música está sempre nos meus ouvidos ou o computador na minha frente. Acho que seria incapaz de viver sem tecnologia.

No entanto, há certas coisas que gostaria que não tivessem mudado. Intriga-me verdadeiramente o facto de atualmente preferirem escrever um email a uma carta. É certo que o aparecimento da Internet trouxe grandes avanços no trabalho de escritório e empresas. Há muito maior rapidez na comunicação e para negociar, em lugar de esperar uma semana por uma resposta, há que esperar apenas um segundo para a mensagem ser entregue. Há também a questão ecológica de poupança de papel, apesar de recentes estudos afirmarem que é mais poluidor enviar um email a escrever uma carta.

Além do aspecto da poluição, no email há também uma falta de sentimento. Por mais palavras que se escrevam num email, o sentimento de quem o escreve não é a mesma coisa para quem lê. Ver as “tremuras” da caneta não é o mesmo que ter um “smile” no final de uma frase. Embora o email seja prático para muitas coisas, não é ele que nos diz que existe uma verdadeira amizade. Lembro-me da minha mãe falar dos seus pen-friends. Ter um amigo distante com quem falamos por carta é muito mais interessante do que receber um email corrente de um “amigo” como que a lembrar que ainda está vivo. É certo que é muito bom falar com um amigo no facebook mas é muito mais especial receber uma carta ou um postal no aniversário.

Segundo o “Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora”:

Email: sistema de transmissão de mensagens escritas de um computador para outro computador via Internet ou outras redes de computadores; correio eletrónico

Carta: escrito que se dirige a alguém; epístola; missiva

Acho que verdadeiramente o importante é deixar uma marca no papel, e não digitar numa máquina aquilo que queremos dizer. Por isso a minha proposta para refletir aqui fica:

Cláudia Sousa

Mão Autonóma

A máquina de escrever foi engolida pelos dispositivos digitais.

Penso que a escrita digital veio tirar significado à escrita, no seu conceito original. Nós nos tornámos independentes da máquina de escrever, no momento em que este instrumento foi substituído pelos processadores de texto, o teclado, que terá grande impacto nos modelos da escrita convencional.

Ao assistir o vídeo “Hands and Writings”, de Sarah J. Arroyo, apercebi-me de certas condições e consequências, onde a escrita digital nos afecta. Uma das vantagens desta substituição se deve ao facto do computador/teclado ser mais eficiente, e mais rápido, onde temos as portas para a comunicação e o conhecimento abertas. Mas é difícil sentirmos a necessidade de escrever uma carta a alguém, ou a uma entidade à mão, tal situação é rara acontecer, por ser muito mais práctico o computador. A questão aqui colocada é ao escrever no teclado, e não à mão, se se nos modifica como indivíduos, como seres criadores, e neste aspecto concordo com a afirmação de Kittler “ Para mecanizar a escrita, a nossa cultura teve de redefinir os seus valores ”, pois ao transpor a escrita para um suporte digital, tivemos de criar um novo universo de linguagem, de conceitos, em que temos ao nosso dispor um mundo de comunicação a explorar.

Um dos problemas que este novo mundo criou foi a banalização de certas palavras, de certos conceitos, como por exemplo a amizade, em termos virtuais, pois as intenções modificaram-se. Torna-se o discurso mais informal, mais descuidado, e talvez mais repetitivo. Há um certo distanciamento da pessoa e da intenção do seu discurso. A comunicação devia, supostamente, ser uma extensão do ser, como Nietzsche afirma “ As nossas ferramentas de escrita, não só trabalham no nosso pensamento, mas também é algo como eu”.

Outra questão levantada no vídeo, é o sentido da escrita no ‘teclado’, evocar comunidades de conhecimento, em que nada está protegido, todos podem ler, e onde permanece a necessidade de partilhar conhecimento, mas também a necessidade de partilhar experiências, estados de espírito, principalmente em redes sociais, que te fazem sentir num ambiente de comunidade. Reichelt diz “Ambiente Intimo: sensação de conexão que nós temos, ao participar nas ferramentas sociais online”. Até mesmo o conceito de intimidade tem de ser redefinido.

Sendo assim, concordo inteiramente quando Kittler diz “Armazenamentos tecnológicos para escrita, imagem, e som, só poderiam ser desenvolvidos, após o colapso deste sistema ”, pois, embora a tecnologia seja produtiva, útil, funcional, práctica, a acumulação das tecnologias para a escrita, a imagem, o som, só poderiam evoluir independentes do sistema.

Sofia Maia

Mutações tecnológicas

Num passado não muito longínquo, o pensamento revolucionário do Homem em relação ao mundo, poderia ser traduzido por um simples conceito: a Industrialização. Nos dias de hoje, esse conceito está para lá de industrializado. O olhar sobre um futuro prospero e apaziguante das massas, recai agora sobre o novo mundo da Tecnologia. Estamos portanto, na era da revolução Tecnológica.

A introdução dos dispositivos de média num pequeno ecossistema humano, quando comparado com um imenso complexo de vida, que nos ultrapassa em larga escala quanto ao conhecimento total do universo, veio a criar toda uma nova perspectiva de interacção com o meio que nos é possível alcançar enquanto sociedade.

Se recuarmos apenas duas décadas atrás podemos verificar o enorme salto dado no desenvolvimento destes novos meios. Desde uma total transformação no acesso à informação, nos processos de comunicação, no super desenvolvimento de gadgets,  que hoje nos acompanham por todo o lado, seja no bolso, na pasta, ou até residentes num monstruoso cartaz na nossa rua, dando-nos os bons dias cada vez que saímos de casa. Para não falar da sua propagação comercial que reside em praticamente todo o lado.

O telefone passou a ser livre de um condicionamento móvel, o computador aliado à internet passou a ser o meu lápis, o meu caderno, o meu livro, jornal, biblioteca, leitor de música, entre outros. A música passa a ser digital, fazem-se downloads de letras e palavras, os palcos e as películas de cinema a ficheiros audiovisuais, e até os próprios indivíduos têm a oportunidade de experiênciar uma Second Life através de um Like.

Foi por isso necessária, a meu ver, toda uma reflexão dos nossos hábitos e costumes, uma aceitação e  introdução de novos conceitos, de novas ideias, ambições, e uma reformulação dos valores, métodos de aprendizagem e de trabalho, bem como da interacção com as populações com que estabelecemos contacto e a sustentabilidade do nosso planeta.

Habitamos num novo mundo composto por uma rápida acessibilidade de conhecimento do possível, seja este mais ou menos bem fundado, através de hiperligações intercontinentais, interculturais e interpessoais.

Como utilizadora e consumista destes novos meios de intercomunicação, penso que estas são ferramentas essenciais para o Homo sapiens sapiens do século vinte e um, uma vez que estes já se encontram enraizados na nossa cultura. Deveremos sim, fazer um bom uso dos vários suportes tecnológicos, mediante as nossas necessidades, não esquecendo que é este novo mundo virtual que nos confere a verdadeira essência de experienciar a vida enquanto sociedade, seres humanos, e fundamentalmente enquanto pessoas.

 

Inês Arromba

A Internet no ensino

Hoje em dia os média digitais estão muito presentes nos processos de aprendizagem.

A consulta de informação que antes era feita pela pesquisa em livros e outros tipos de documento em papel ou fotografias não era algo a que todas as pessoas tivessem acesso e demoraria muito mais tempo a encontrar o que procuravam de forma a que pudessem ter disponível esse material para estudo. Com o avançar de tecnologias e nomeadamente com o fácil acesso á Internet a pesquisa tornou-se muito mais acessível e completa. Hoje em dia é possível investigar e obter informações sobre um determinado tema apenas escrevendo uma palavra em qualquer motor de busca, e através de ligações em qualquer site podemos ter acesso a mais informações sobre temas relacionados, algo que não seria possível se pesquisássemos numa biblioteca por exemplo. Qualquer livro que víssemos não nos daria muitas indicações sobre outros possíveis livros que pudessem nos dar algumas noções específicas sobre determinado assunto relacionado com o que procuramos.

Mas a Internet não se limita apenas a permitir a possível pesquisa de tópicos relacionados através de hiper-ligações, permite que tenhamos fácil e rápido acesso a outros tipos de documentos como vídeos e imagens, o que nos faz ter outro tipo de experiencias perante o objecto de estudo e apreender mais informações captando a nossa atenção não só através de texto, mas de algo que poderá ser mais interessante, interactivo e motivante. Isto veio a revolucionar o sistema de ensino, na medida em que hoje em dia, geralmente, em qualquer sala de aula usa-se computadores e projectores onde poderão ser mostradas apresentações em Powerpoint, vídeos, imagens, fotografias, etc., o que pode ser bastante educativo, visto que assim os professores podem ilustrar a matéria leccionada e captar a atenção dos alunos, tornando a aula numa experiencia muito mais didáctica do que ter apenas o professor a falar a aula toda. Porém, penso que traria muito mais vantagens se o uso da internet e do computador fosse para trazer algo mais do que a simples repetição ou ilustração daquilo que o professor diz, infelizmente isto nem sempre acontece…Assim, pode-se concluir que o uso da Internet no ensino pode trazer muitas vantagens quando bem utilizada, o que será essencial nesta época em que vivemos rodeados de mediação digital.

 

Raphael Diego de Mesquita

Deus Ex Machina

Banksy, Barely Legal, de 2007

Os grandes quadros da pintura clássica chamavam-se “máquinas” porque eram, antes de mais, máquinas do tempo, concentrando-o e congelando-o. Toda a máquina é, aliás, uma máquina do tempo porque ilustra, abstractizando o movimento e controlando-o para a consciência. Hoje a máquina prolonga esse conceito, existe como uma consequência sem causa, produz resultados não expondo os meios. Ver em live streaming um espectáculo que se realiza a milhares de quilómetros de distância, significa que não há movimento entre o lugar do espectáculo e de onde nos encontramos a vê-lo. A electrónica produz, deste modo, o colapso da mediação (o tempo desaba para dentro do movimento num espaço de tempo que nos é incompreensível).

Pelo que podemos dizer que a máquina, a par com a conectividade e com a mobilidade, permitiu a democratização total: à imagem, ao som, às letras, ao sonho, aos outros mundos (possíveis ou não). Há uma exposição cada vez maior a uma comunidade virtual, temos amigos imateriais e falamos com amigos materiais noutras latitudes. Aproximamo-nos de uns, distanciamo-nos de outros; comunicamos e manifestamo-nos através de caracteres inexpressivos, redesenhando os sentimentos, as relações humanas, escondemo-nos atrás de avatars, damos a densidade às palavras que não temos coragem de dar na rotina dos nossos dias. As páginas pessoais na internet, os blogs, despoletaram uma crise de exibicionismo de grande dimensão: queremos sair do anonimato sem termos de dar a cara. De repente, somos todos sensíveis e gostamos todos dos clichés da literatura, recebemos, na maior parte das vezes, sem dar nada em troca, somos actores e actrizes, ditamos tendências, somos filósofos de bancada. You’re not deep, you’re not an intellectual, you’re not an artist, you’re not a critic, you’re not a poet, you just have internet access. – nas palavras de um anónimo, quanta ironia. A caixa de Pandora agora é outra. Assumimos o papel de emissores mesmo quando não o deveríamos assumir, criando uma necessidade de reescrever a ética e a moral, a nossa capacidade de avaliação. Aqui, dentro da máquina, somos outros, estamos amplificados: we are no longer human, we are a weapon.

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Adicción y creación

Abres los ojos al mismo tiempo en el que abres el WhatsApp, buscando aquél mensaje que te dará la fuerza para comenzar -o soportar- otro día más. Revisas el e-mail antes de dejar la cama. Desayunas con todo el poder de la globalización en la palma de tu mano. Ahí, desde tu teléfono estadounidense, con tecnología japonesa y fabricado en China. Periódicos de todo el mundo, titulares y desgracias en todos los idiomas. Nuestros dealers son las compañías de telecomunicaciones. “Dame 10 mb/s, por favor… necesito, 10 mb/s más… intravenoso, brother”. Somos unos decadentes, románticos y utópicos media-junkies. Adictos a la inmediatez y al infinito; somos comida para la máquina.

Ahora recuerdas con nostalgia la época en la que no eras un dependiente, un adicto, y no llevabas cables en lugar de venas. Cuando todavía muchas cosas se mantenían como opciones, como asuntos de voluntad. Cuando de tu cuerpo no salían apéndices inalámbricos y no tenías que andar desdoblando tu personalidad hacia otra realidad. Sientes que comenzaste a emanar y recibir ondas electromagnéticas. Te sientes ahogado en información.

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Blogging

O blog (ou web log) não é um fenómeno novo. No entanto, apesar da sua longevidade, a verdade é que só nos últimos anos é que se popularizou. Terá surgido no início dos anos 90, sob a forma de listas de links e reviews sobre os mesmos. O blog como o conhecemos foi criado em 1996 por Justin Hall, quando começou a escrever sobre a sua vida e a publicar os textos online. O termo web log terá surgido em 1997, criado por Jorn Barger. Nos finais dos anos 90 o número de utilizadores começou a crescer mas o verdadeiro boom deu-se a partir de 2005.

Os primeiros blogs eram páginas bastante rudimentares, consistindo em páginas Web normais que eram depois modificadas manualmente pelos seus utilizadores. Só mais tarde começaram a surgir as plataformas específicas para bloggers. Hoje em dia há dezenas de sites que nos possibilitam a criação de um blog em minutos, com várias funcionalidades para além de texto.

Nos dias de hoje qualquer pessoa é, para além de trabalhador, estudante, desempregado, reformado…, blogger. Os blogs tornaram-se ferramentas importantíssimas para a promoção de empresas, organizações variadas ou mesmo para a divulgação artística e cultural. Para além disto, parecem ter vindo a substituir os antigos diários onde púnhamos em papel as nossas vivências diárias. Aliás, os blogs mais famosos são os pessoais, onde indivíduos comuns expõem as suas experiências e opiniões. A fazer jus à diversidade de utilizadores, existem blogs pessoais para todos os gostos. Até há casos em que bloggers se tornam autores de bestsellers.

A evolução foi enorme. Longe vão os tempos em que se faziam listas em sites elementares. Agora, os blogs podem ser verdadeiras obras-primas em termos de design e, por vezes, em termos de escrita. O blogging já não é um mero passatempo; é uma forma de vida.

Maria Leonor de Castro Nunes

Falta de privacidade

A Internet é uma comunidade, é feita por nós. Em todas as comunidades tudo é um bocadinho público e muita coisa se sabe. No mundo virtual a indiscrição é aumentada mil vezes e a informação é muita e de fácil acesso.

A falta de privacidade tornou-se um sério problema com a chegada da Internet. A Web tornou todo o seu conteúdo público, quer os utilizadores queiram, quer não. Hoje em dia é possível encontramos qualquer pessoa através de uma breve pesquisa no Google. Quase toda a gente tem perfil numa rede social (quando não têm em muitas!), um blog ou contas em variadíssimos sites. Já para não falar nas várias aplicações para telemóveis que nos permitem saber onde os nossos contactos se encontram em qualquer momento. É claro que nós facilitamos. O mundo virtual já se tornou tão familiar que nos sentimos seguros a partilhar bastante informação pessoal online. Só através do facebook, por exemplo, é possível sabermos onde uma pessoa esteve e com quem, onde vai estar e muito mais. Acabamos por nos expor voluntariamente sem pensar nas consequências.

Afinal, quanta informação é demasiada informação? Será normal metade das nossas vidas estarem expostas para todos verem? E quais as repercussões na nossa vida real? É muito difícil responder a estas perguntas porque se por um lado as comunidades online de que fazemos parte não passam de uma extensão da nossa vida, por outro o acesso à informação é muito mais alargado. É preciso saber seleccionar a informação que disponibilizamos e ser, talvez, um bocadinho mais desconfiados.

Maria Leonor de Castro Nunes

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