Arquivo da categoria 'Tipografia Digital'

O caso da droga invisível

Somos seres dependentes… dependentes da tecnologia para viver. Talvez isso possa ser explicado pelas facilidades que esta permite à vida das pessoas. Temos o exemplo do editor de texto que pode ajudar quem tem dificuldade em escrever correctamente sem o auxílio da máquina… mas até que ponto isso será benéfico se essa mesma pessoa ficar dependente da máquina em vez de procurar ultrapassar as suas dificuldades, concentrando-se na escrita manual?

A velocidade da tecnologia está a alterar o nosso relógio biológico. As pessoas querem fazer tudo à velocidade do computador, o que gera nervosismo e ansiedade quando se apercebem que tal não é possível. Queremos fazer tudo mais depressa e esquecemo-nos de que não somos máquinas! Tornamo-nos impacientes e não conseguimos lidar com a pressão que a tecnologia exerce sobre nós, correndo o risco de gerar problemas de auto-estima.

Quando ocorre uma falha numa dessas tecnologias, por exemplo, quando um individuo está a fazer um trabalho num computador, falta a luz e o trabalho não ficou guardado. Fica irritado, revoltado, entra em crise, questiona o porquê disso ter acontecido “porquê eu? Mas o que é que eu fiz de mal? Que porcaria! Agora vou ter que começar de novo! Mas porque é que eu não guardei o trabalho antes?”… parece que o mundo acabou…

Eu mesma já me encontrei numa situação bem desagradável. Preparei uma apresentação em PowerPoint para uma disciplina, na qual defendia uma tese… um trabalho que levou dias a preparar… quando chega o dia da apresentação o computador da escola não estava a funcionar e fui obrigada a apresentar o trabalho sem poder visualizar o que tinha preparado. Senti-me frustrada, revoltada… nem queria acreditar! Aquele trabalho era a minha segurança, o meu documento de apoio!

Esta dependência das tecnologias está a tornar-se um fenómeno cada vez mais presente. Uma pesquisa  realizada pela Universidade de Maryland, nos EUA, constatou que a dependência de telemóveis, computadores e tudo que esteja relacionado com a tecnologia pode ser considerada semelhante ao vício das drogas.  O estudo avaliou 1000 alunos (de dez países) com idades compreendidas entre os 17 e os 23 anos, que ficaram durante 24 horas sem telemóveis, redes sociais, internet e TV. Segundo a pesquisa, 79% dos estudantes avaliados apresentaram desde desconforto até confusão e isolamento. Outro sintoma relatado foi o de comichão, uma sensação  parecida com a de dependentes de drogas que lutam contra o vício. Alguns estudantes relataram, ainda, stress simplesmente por não poderem tocar no telemóvel.  Pela primeira vez, o vício na rede foi comparado com o abuso de outras coisas, como drogas e álcool.

O imediatismo da internet, a eficiência do iPhone e o anonimato das interações em chat tornaram-se ferramentas poderosas para a comunicação e até mesmo para os relacionamentos.

Vídeo que aborda a ideia defendida neste texto: http://www.youtube.com/watch?v=ezvq4d72PA4

Surge então a questão: “Até que ponto a nossa vida online não se sobrepõe à nossa vida offline?”

Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.  (Simone de Beauvoir)

Daniela Fernandes

É Netspeak, é? A tá. %-)

Lembra-se que precisa ler o script, mas precisa que uma pessoa o envie. Pega o seu telemóvel para resolver a situação, mas tendo pouco crédito para fazer uma ligação manda uma mensagem via SMS.

_ Oi, blz? Vc ta em ksa? Qria v se pde manda o script d hj.

5 minutos depois…

_blz? to em ksa sim. Vou entrar no MSN.

3 segundos depois…

_ok! Bjo! Valew!

Ambos se conectaram a rede MSN e começaram a teclar instantaneamente:

-oi

-oi

-um momento que vou procurar.

-ok.

30 segundos depois…

-pronto já enviei é só vc salvar.

-valeu, já salvei.

-amanha tem que chegar mais cedo.

-blz, 15 minutos né?

-sim.

-entao te amanha. Bjo e obrigada.

-bjão!:-)

8 minutos depois da primeira mensagem via SMS já tinha resolvido a situação.

O que queremos tratar com a situação acima não diz respeito à narrativa em si, mas a forma de comunicação estabelecida entre as pessoas.

Na necessidade de um contato o SMS “serviço de mensagens curtas” foi utilizado, e podemos observar como a escrita foi afetada por este meio. As palavras foram suprimidas, abreviadas. A pergunta foi direta e sucinta. Esta é uma característica deste meio, que o próprio nome já explica – serviço de MENSAGENS CURTAS. E ainda algum tempo demorou em obter-se uma resposta, 5 minutos que foi o tempo da pessoa ver a mensagem (mas poderia ter sido imediato se a pessoa estivesse com o telemóvel em mãos ou mesmo no bolso naquele momento, mas não fora o caso) e alguns segundos para digitar e enviar.  Quando o meio de contato foi modificado e agora estamos falando do MSN este tempo de conversação diminuiu muito, ou quase não existiu uma vez que a conexão a internet estava em muito boas condições naquele momento e a configuração do meio permitiu.

No MSN tivemos um dialogo simplificado, mas ele poderia ter sido extenso tanto em tempo quanto em espaços (os caracteres) para digitar o texto ou a fala. E é neste ponto que queremos chegar – o texto e a fala – pois podemos obsevar que elementos da fala oral apareceram na escrita. É o caso do [né], [to]. E ainda do smiley  :- ) que substitui a expressão facial de sorriso da pessoa, já que não era possível visualizar pelo simples fato de não estarem presentes fisicamente ou seja um em frente ao outro. Foi na instantaneidade da comunicação, onde não há tempo para pensar e elaborar em demasia, que a espontaneidade da comunicação se deu, afetando o discurso e a utilização de palavras.

Estas questões temporais, que diz respeito a esta comunicação imediata que acaba incorporando elementos, representações, da dita fala oral nos textos escritos define o que David Crystal chamou de Netspeake quer dizer esta forma de comunicação que tem características que pertencem aos dois lados, tanto da fala, da oralidade, como da escrita.

Vânia Silvério ;-)

Mão Autonóma

A máquina de escrever foi engolida pelos dispositivos digitais.

Penso que a escrita digital veio tirar significado à escrita, no seu conceito original. Nós nos tornámos independentes da máquina de escrever, no momento em que este instrumento foi substituído pelos processadores de texto, o teclado, que terá grande impacto nos modelos da escrita convencional.

Ao assistir o vídeo “Hands and Writings”, de Sarah J. Arroyo, apercebi-me de certas condições e consequências, onde a escrita digital nos afecta. Uma das vantagens desta substituição se deve ao facto do computador/teclado ser mais eficiente, e mais rápido, onde temos as portas para a comunicação e o conhecimento abertas. Mas é difícil sentirmos a necessidade de escrever uma carta a alguém, ou a uma entidade à mão, tal situação é rara acontecer, por ser muito mais práctico o computador. A questão aqui colocada é ao escrever no teclado, e não à mão, se se nos modifica como indivíduos, como seres criadores, e neste aspecto concordo com a afirmação de Kittler “ Para mecanizar a escrita, a nossa cultura teve de redefinir os seus valores ”, pois ao transpor a escrita para um suporte digital, tivemos de criar um novo universo de linguagem, de conceitos, em que temos ao nosso dispor um mundo de comunicação a explorar.

Um dos problemas que este novo mundo criou foi a banalização de certas palavras, de certos conceitos, como por exemplo a amizade, em termos virtuais, pois as intenções modificaram-se. Torna-se o discurso mais informal, mais descuidado, e talvez mais repetitivo. Há um certo distanciamento da pessoa e da intenção do seu discurso. A comunicação devia, supostamente, ser uma extensão do ser, como Nietzsche afirma “ As nossas ferramentas de escrita, não só trabalham no nosso pensamento, mas também é algo como eu”.

Outra questão levantada no vídeo, é o sentido da escrita no ‘teclado’, evocar comunidades de conhecimento, em que nada está protegido, todos podem ler, e onde permanece a necessidade de partilhar conhecimento, mas também a necessidade de partilhar experiências, estados de espírito, principalmente em redes sociais, que te fazem sentir num ambiente de comunidade. Reichelt diz “Ambiente Intimo: sensação de conexão que nós temos, ao participar nas ferramentas sociais online”. Até mesmo o conceito de intimidade tem de ser redefinido.

Sendo assim, concordo inteiramente quando Kittler diz “Armazenamentos tecnológicos para escrita, imagem, e som, só poderiam ser desenvolvidos, após o colapso deste sistema ”, pois, embora a tecnologia seja produtiva, útil, funcional, práctica, a acumulação das tecnologias para a escrita, a imagem, o som, só poderiam evoluir independentes do sistema.

Sofia Maia

:)

Hoje em dia, os indivíduos têm sérias dificuldades em expressar os seus sentimentos por escrito. Tal facto, deve-se sobretudo aos apoios cibernéticos que nos vêm a ser dados pelas salas de conversação digital. Estes surgem para melhor demonstração de intenções de certo sujeito, utilizando o menor número de caracteres possíveis, poupando espaço e tempo. Inicialmente, uma expressão de alegria básica, um  smile, foi facilmente interpretado, até, porque tais sítios de conversação funcionavam com código HTML e o : ) era transformado numa carinha sorridente, no formato png., como esta :) . Porém, com os avanços tecnológicos, assistiu-se a uma transformação do sorrisinho numa vasta gama de expressões faciais, cada uma codificada num sem número de combinações possíveis.
Assim, para comunicarmos nos dias que correm, quer seja via internet ou via sms, recorremos constantemente ao uso destes sinais de pontuação descontextualizados, ignorando a importância de outros que outrora demonstravam exactamente a mesma intencionalidade, evitando a vertente gráfica complexa, que, por exemplo, um mero ponto de exclamação não oferece.
Deste modo, a mania dos smiles foi crescendo. Inventaram-se novas expressões faciais numa perfeita simbiose de letras, números e sinalética gramatical! A estas juntaram-se onomatopeias e siglas de expressões inglesas! LOL e OMG marcharam lado a lado com xD e *.*, invadindo páginas na internet, caixas de entrada de telemóveis e, inclusivamente, textos elaborados com papel e caneta! Focando uma situação que me foi próxima: uma docente do meu agregado familiar chegou ao cúmulo de corrigir testes de avaliação onde o aluno recorria ao uso de carinhas tristes ou sorridentes para exprimir o seu entusiasmo nas respostas dadas! E quando a situação não se podia tornar mais ridícula, foi notada a sua ignorância na utilização de virgulas e pontos finais na construção da sua prova, que, para espanto de qualquer entusiasta das letras, era de português de 11º ano! Caso para dizer: “LOL xD”
Em suma, torna-se urgente uma intervenção abrupta na vida desta geração de jovens! Ainda que a utilização de abreviaturas comece a ser controlada, a vaga de expressão emocional gráfica deve ser retraída! O que seria da nossa bela língua e cultura literária se Luís de Camões adoptasse também este estilo? “Aquela : ( e : ) madrugada” ou “<3 é fogo que arde x.x”

Magnética Magazine

     A Magnética Magazine é a primeira revista portuguesa totalmente digital. Inicialmente “transmitida” ao público em formato PDF (via Podcast, através de RSS), a revista evoluiu para uma representação em Flash permitindo uma maior interactividade com o leitor.

     O primeiro número foi lançado em Dezembro de 2008, celebrando em grande o final do ano com a “invenção” de uma nova forma de leitura para o público português. O ano de lançamento coincide com os 120 anos de nascimento de Fernando Pessoa, o centenário do mais antigo realizador de cinema português no activo (Manoel de Oliveira) e os dez anos da entrega do Nobel da Literatura a um português (José Saramago), razões para os criadores da Magnética revelarem expectativas elevadas acerca deste projecto inovador.

     Com um design cuidado e apelativo e uma equipa de grandes profissionais e colaboradores (incluindo, por exemplo, o conhecido músico David Fonseca), esta revista interessa-se sobretudo por cultura e arte, incluindo artigos acerca de música, cinema, arquitectura, moda, literatura, dança, teatro, design e fotografia, atraindo (daí o nome) um público vasto e diferenciado.

     A revista engloba uma versão em inglês, com o objectivo de se difundir num espaço internacional e tem recebido um grande apoio da parte dos “e-readers”. Para os amantes das revistas impressas, a Magnética funciona exactamente como uma revista normal (incluindo até as usuais publicidades), tendo a particularidade de ser lida através de um ecrã e de dar a possibilidade de associar os seus artigos a vídeos, a outros artigos relacionados ou “sites”. Como não existem custos de impressão, a revista ganha a possibilidade de artigos mais pormenorizados e extensivos para os mais curiosos, tendo como objectivo uma revista, nas palavras da Directora Editorial Ana Catarina Pereira, “não consumível em cinco minutos do primeiro dia de cada mês”.

 

Magnética Magazine, 001
Magnética Magazine, 001
Magnética Magazine, 002
Magnética Magazine, 002
Magnética Magazine, 003

Magnética Magazine, 003

 

Magnética Magazine, 004

Magnética Magazine, 004

 

Magnética Magazine, 005

Magnética Magazine, 005

Até hoje existem cinco números. A revista é, portanto, mensal, virtual e totalmente gratuita. O único pedido é que respeitemos as árvores: “Gostamos do verde das árvores. Por favor, não nos imprima.”.

Ana Teresa Santos

Tipografia em Portugal

Na continuidade do que foi dito na aula de 20/02 sobre Tipografia, escrevo-vos hoje sobre três personalidades dedicadas a este tema em Portugal:
Um dos mais activos e importantes typeface designers (desenhadores de fontes digitais) do nosso país é: Dino dos Santos. Nascido em 1971 no Porto, licenciou-se em Design e Comunicação na ESAD de Matosinhos em 1994 e desde logo começou em trabalhar no ramo tipográfico. Iniciou a sua actividade docente em 1996 na ESAD – onde ainda hoje lecciona. O seu typeface design tem sido várias vezes premiado e reconhecido internacionalmente. O “Creative Review Design Award” foi atribuido à sua família de fontes «Andrade» – um tributo ao calígrafo português Manuel de Andrade (1670-1735). A sua tipografia “Nerva” foi alvo de menções honrosas pelo Typographi.com tendo sido incluida nas “Notable releases of 2005″, e a tipografia «Esta» foi considerada a «Best Serif Font» de 2005 pelo sitio www.myfonts.com.
Dino dos Santos apresenta as suas fontes (para cima de 30!) na DSType Foundry desde 1994, online em www.dstype.com/

Mário Feliciano é outro typeface designer português de sucesso. Nascido em 1961, começou a trabalhar como designer gráfico para o magazine “Surf Portugal” em 1993, e desenvolveu desde então uma série de fontes, sendo que algumas delas são bem conhecidas dos nossos olhos: as fontes dos jornais Diário de Notícias, O Jogo e Expresso, bem como a fonte exclusiva e o logo do Banco Espírito Santo, Mário Feliciano, que se tem concentrado no desenho de fontes para jornais e revistas, é delegado local da organização internacional ATYPI http://www.atypi.org
O seu atelier «Feliciano Type Foundry» mostra todas as suas criações .

Paulo Heitlinger, embora também produza e venda fontes digitais, é mais conhecido pelas suas publicações sobre Tipografia. É autor do livro “Tipografia, Origens, formas e uso das letras” e do website tipografos.net, onde publica com regularidade os «Cadernos de Tipografia de Design» e oferece dados actualizados sobre muitos assuntos relacionados com tipografia e comunicação. O site tipografos.net apresenta mais de diversos conteúdos, apresentando a História da Tipografia, designers contemporâneos, um Glossário e secções sobre jornais e revistas.

Para terem uma ideia sobre o trabalho desenvolvido por Paulo Heitlinger e sobre a questão da tipografia em geral , recomendo vivamente que consultem o seguinte link: http://tipo-projectotipografico.pt.to/

Saudações académicas,

André Rui Graça

Boca & Ryan Uhrich, Typographics (2007)


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