Arquivo de 5 de Março, 2009

Inovação no Anúncio do Fonógrafo de Edison

U.S. Department of the Interior, National Park Service, Edison National Historic Site

Thomas Edison em seu laboratório em 1888, após um dia duro de trabalho no fonógrafo.

Abaixo segue a transcrição do anúncio: Edison Phonograph

I am the Edison phonograph, created by the great wizard of the New World to delight those who would have melody or be amused. I can sing you tender songs of love. I can give you merry tales and joyous laughter. I can transport you to the realms of music. I can cause you to join in the rhythmic dance. I can lull the babe to sweet repose, or waken in the aged heart soft memories of youthful days.No matter what may be your mood, I am always ready to entertain you. When your day’s work is done, I can bring the theater or the opera to your home. I can give you grand opera, comic opera or vaudeville. I can give you sacred or popular music, dance, orchestra or instrumental music. I can render solos, duets, trios, quartets. I can aid in entertaining your guests. When your wife is worried after the cares of the day, and the children are boisterous, I can rest the one and quiet the other. I never get tired and you will never tire of me, for I will always have something new to offer.
I give pleasure to all, young and old. I will go wherever you want me, in the parlor, in the sickroom, on the porch, in the camp or to your summer home. If you sing or talk to me, I will retain your songs or words, and repeat them to you at your pleasure. I can enable you to always hear the voices of your loved ones, even though they are far away. I talk in every language. I can help you to learn other languages. I am made with the highest degree of mechanical skill. My voice is the clearest, smoothest and most natural of any talking machine. The name of my famous master is on my body, and tells you that I am a genuine Edison phonograph.

The more you become acquainted with me, the better you will like me. Ask the dealer.”

Ao analisarmos o anúncio do Fonógrafo de Edison, eis que surge uma inovação na elaboração do mesmo. Ao usar a velha fórmula de mostrar a utilidade do produto( o que não deixa de ser essencial), ele utiliza, afim de impressionar, a personificação do produto ao fazer um discurso em primeira pessoa, fazendo com que a pessoa se sinta “especial” , já que este artifício proporciona credibilidade ao discurso ouvido. Além disso a utilidade do produto em si está ligada, não tanto pelas características do mesmo, mas também pelos adjetivos do público-alvo: “…criado pelo grande feiticeiro do Novo Mundo para encantar aqueles que podem vir a ter melodia ou serem divertidos.”

Junto a uma linguagem personificada ele utiliza da emoção para sensibilizar os ouvintes, ao indicar em seu discurso as emoções que a música desperta e a importância da música e dos sons em nossas vidas. Como ele faz isso? No momento em que ele se diz amenizador dos barulhos das crianças dentro de casa , de um dia cansativo na vida da dona-de-casa, assim como na vida do trabalhador. Apresenta-se também como um meio de entretenimento aos convidados e parentes da família.

São citadas outras características também: os tipos de música que ele proporciona, em que situações do dia-a-dia ele proporciona entretenimento, em que lugares se pode levá-lo (indicando portabilidade) e que por ser um produto inovador você nunca irá cansar dele e sempre aprenderá novas coisas( ex: novas línguas).

A grande sacada deste anúncio é vender o produto no meio em que ele está inserido, nada melhor que vender um fonógrafo através da sua utilização para a realização de um anúncio sonoro. Certamente este anúncio, para época foi inovador e criativo e continua a ser fonte de inspiração e reflexão para a nossa sociedade.

Obs: Gostaria de agradecer o professor Manuel Portela que me forneceu a transcrição do anúncio e pedir desculpas pela edição mal feita deste post, já que não entendo muito de blogs. Mas prometo que me esforçarei! =]

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O vídeo que pode ser visto acima está integrado no documentário Zeitgeist de Peter Joseph (2007). Nele, podemos ver a representação do actor Peter Finch no filme Network de 1976. Nesta cena são expostas algumas técnicas mediáticas utilizadas para provocar no público uma sensação de choque, chamando a atenção para o teatro que é a televisão.

Para o bem ou para o mal, a tecnologia sempre teve um papel essencial na evolução das mentalidades e da sociedade. Mas não nos podemos esquecer que sobretudo nas últimas décadas, no que diz respeito aos meios de comunicação de massas, a importância da tecnologia no mundo ocidental alterou-se, passando de algo que nos permitia ter controlo sobre o nosso meio, para uma forma de controlar a mentalidade e os comportamentos da população, transmitindo-nos uma ilusão de realidade assim como de liberdade de escolha. Numa sociedade mecanizada em que o consumo é visto como a resolução de todos os problemas e caminho para a felicidade, começou a ser construída a ideia de tecnologia enquanto objecto de desejo, estilo de vida. Por detrás deste culto do consumismo esteve, entre outros, Edward Bernays que se apoderou das teorias de Freud sobre o ser humano guiado por forças irracionais das quais não tem consciência, para desenvolver técnicas psicológicas de publicidade adoptadas pelas elites políticas e financeiras de modo a controlar a vontade e os desejos da população. Passaram a ser incorporadas “necessidades” a uma velocidade vertiginosa, através da máquina e a favor da máquina, um ciclo vicioso que aliena as pessoas, manipulando-as, fazendo-as acreditar que a realidade é transmissível através da televisão, do cinema e, neste momento, da internet com a sua síntese de todos estes meios. A ilusão de realidade é suficientemente forte para nos fazer esquecer a existência de um mundo para além da “máquina” e daquilo que ela consegue transmitir, viciando-nos em entretenimento vazio e tornando-nos num “rebanho” fácil de controlar.

Pode assim dizer-se que, tal como refere Peter Finch neste vídeo, hoje em dia a tecnologia e as suas possibilidades são utilizadas como uma espécie de substituto da religião, sendo os meios de comunicação e entretenimento de massas comparáveis a uma bíblia, onde as pessoas buscam exemplos e conhecimentos. O consumo de novidades passou a ser uma espécie de salvação divina, uma resposta a todos os problemas.

 

Claudia Marques

Web 2.0

A tecnologia digital está a transformar a nossa sociedade e este pode bem ser o facto cultural mais importante das últimas décadas. É difícil encontrar algo que a internet não tenha influenciado e alterado de alguma maneira. As mudanças foram grandes e drásticas, muitas vezes sem nos dar tempo de as assimilar e controlar. Será que ainda vamos a tempo de o fazer?

Também não podemos deixar de pensar no que o uso da Web está a fazer de nós. São muitas as questões. Quem controla quem? Como fica a questão da privacidade? Qualquer um pode saber por que sites navegamos, por que coisas nos interessamos, quais são as nossas opiniões. Na China e noutros países mais conservadores aceder a certos conteúdos online é proibido. Fica a sensação de que só vimos o que nos deixam ver, o que querem que vejamos.

É o eterno duelo, o Homem contra a Máquina. Poder-se-á dizer sermos nós esta máquina uma vez que ela se ajusta às nossas necessidades e a dinamizamos à medida que as nossas exigências crescem. Mas a verdade é que consumimos cada vez mais e mais este estilo de vida. Passamos horas do dia a navegar em sites, a fazer downloads, a ver vídeos no Youtube, a actualizar o MySpace, a conversar online com o amigo com que não nos cruzamos há um tempo e mora mesmo ali ao lado. Sobra-nos tempo para o quê?

Hoje procura-se informação para um trabalho em sites, por vezes pouco fiáveis, trocam-se opiniões com pessoas que não conhecemos em blogues. É verdade que o contacto, a procura e a informação tornam-se assim mais fáceis e acessíveis, mas e a interacção natural? A partilha de conhecimentos não pode ser mais produtiva ou intensa online do que num espaço físico por contacto real. Um bom livro há-de sempre ensinar-nos melhor do que um site. Queremos que a máquina faça tudo por nós de modo a termos as tarefas facilitadas. Num futuro próximo o que sobrará para o humano fazer? No que se transformará esta tão criticada estrutura da Web 2.0, e o que acrescentará a já muito discutida Web 3.0?

Inês Monteiro


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