Arquivo de 8 de Março, 2009

A (des)personalização da escrita

Agilmente, os nossos filhos, aprendem a mexer num teclado de computador para fazerem videojogos mesmo antes de entrarem na escola ou aprenderem como se segura numa caneta para escreverem o seu próprio nome. O computador adquire nas suas vidas um papel fundamental, não só para a aprendizagem como também para o lazer e a sociabilização.

Ainda relativamente à escrita, seria impensável para estes jovens que a caligrafia pudesse significar um cunho pessoal, que pudesse imprimir uma marca. Nos seus computadores, aprendem que, se querem ser originais e diferentes, basta alterarem o tipo de letra e dessa forma personalizarem a sua escrita. A combinação dos caracteres deixa de ser feita de maneira inconsciente: é matemática e mecanicamente que se colocam os dedos no teclado do computador e se reproduz num espaço virtual o que se quer imprimir depois. O computador adquire o papel de plataforma mediadora, ganha vida através dos dedos e transforma-se numa espécie de extensão do dedo humano.

A velhinha máquina de escrever, antepassada do computador, foi a primeira que permitiu que isto acontecesse. Também ela era como que uma extensão do Homem. Permitiu a banalização dos símbolos e a (muito mais) fácil compreensão dos mesmos. Mas quem é que imaginava que a evolução iria retirar do vocabulário quotidiano, em tão pouco tempo, a palavra “dactilografar”? A impressão que a máquina de escrever fazia em papel, logo simultaneamente, tinha a desvantagem de não se poder errar. E os homens erram! É isso que o processador de texto no computador veio trazer de novo e de moderno relativamente à máquina de escrever: podemos errar e alterar quantas vezes quisermos!

A máquina de escrever foi precursora de uma “revolução” na escrita e, os avanços nessa matéria, não têm fim à vista!

 

Ricardo Boléo

Anúncios

Publicidade – Uma Ilusão

Todos os dias nos deparamos com publicidade que nos alicia a obter algo que nos fazem acreditar como sendo essencial, até mesmo indispensável.

Será mesmo assim? Ou será tudo uma ilusão tal como um truque de magia?

Bem não é muito difícil de perceber que a verdade é que nem tudo o que nos indicam ser essencial, o é de facto. E, quando adquirimos um iPod, um iPhone, etc. quer queiramos admitir quer não estamos a fazer uma compra supérflua, pois provavelmente não teremos uma vida assim tão mais facilitada como nos fazem acreditar nas publicidades que tanto aparecem nas nossas televisões, ou que nos surgem como que por milagre quando estamos a fazer alguma pesquisa pela internet, ou que saltam à vista naquela revista que toda a gente lê. Mas a verdade é que conseguíamos viver normalmente antes de adquirirmos os objectos inovadores que se fabricam a toda a hora!

Assim, somos bombardeados por manobras publicitárias que nos criam ilusões que invadem as nossas cabeças e por vezes nem nos damos conta desse facto, dizendo a nós mesmos o quão importante para nós determinada compra foi, o quanto ela significa para o nosso dia-a-dia, e acreditamos mesmo na impossibilidade de vida mais facilitada sem esse item, quando a realidade é que a dispensamos e substituímos assim que surge uma nova criação do ser humano que é ainda mais inovadora! E isso por vezes acontece mais cedo do que estávamos à espera.

Desejamos cada vez mais e os criadores apenas alimentam este nosso desejo! Não somos apenas vítimas do mundo tecnológico, pois nós temos o poder de escolha e podemos dizer não… mas com um mundo moderno caracterizado por futilidades e aparências é-nos cada vez mais difícil fazer essa escolha e assim deixamo-nos levar pelas maravilhas da tecnologia, permitindo que esta assuma o controlo das nossas vidas!

O carácter flexível do consumo

As novas necessidades surgiram no contexto da produção em massa, não só utilizada para responder às necessidades do mercado como para moldar uma nova mentalidade de consumo. Os bens de consumo servem essencialmente para satisfazer as necessidades ou desejos de um indivíduo. A verdade é que definir os bens de primeira, segunda ou terceira necessidade, tem sido cada vez mais complicado visto que as essas próprias necessidades não são comuns a cada pessoa, grupo ou cultura. Os termos “bens necessários” e “bens supérfluos” tornam-se bastante subjectivos pois variam consoante o grupo socioeconómico  e até com os contextos históricos! Vejamos: há umas décadas atrás a televisão era considerada um bem puramente supérfluo; no entanto, actualmente, vemos que faz parte das necessidades básicas da maioria das pessoas.

Eu diria até que o consumo tem um carácter bastante flexível – ora os bens raros são apenas acessíveis aos grupos económicos previligiados, ora deixam de ser raros e passam a ser comuns à maioria das pessoas. Tomemos como exemplo o telemóvel: se bem me recordo, era praticamente inacessível há vários anos atrás; actualmente arrisco-me a dizer que é um dos instrumentos mais acessíveis e diferenciados para todas as classes sociais, sendo assim identificado como equipamento básico para a vida quotidiana.

O que transforma um objecto novo numa necessidade (aparentemente) imprescindível? Na minha opinião, existe uma palavra que responde exactamente a esta questão: banalização. É a partir deste termo que um determinado objecto, ao estar ao alcance de todos, perde o seu valor, surgindo novos bens que passam a ser eleitos “raros”, “quase inacessíveis” e “apenas para classes previligiadas”. Mas o que é raro hoje pode ser bastante comum e aparentemente necessário amanhã.
Cabe a cada um de nós variar os nossos próprios bens de consumo de acordo com as nossas necessidades.

Ana Sofia Lopes


Calendário

Março 2009
S T Q Q S S D
« Fev   Abr »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Estatística

  • 888.631 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.230 outros seguidores

Anúncios