Arquivo de Março, 2009



Dá para acreditar?

Acreditam que ontem estive quatro horas seguidas à frente de um computador? Nunca imaginei que passasse tanto tempo na Internet! Só vendo a minha análise para querer.
No Sábado, dia vinte e um de Março de dois mil e nove, acordei às nove e quarenta e cinco com uma mensagem no telemóvel. Na altura não respondi porque no dia anterior tinha estado no computador até tarde, e só queria dormir!
Só me levantei ao meio dia e vinte e sete para responder à tal mensagem e logo se prolongou uma enorme conversa que durou quase até às treze horas, que foi quando me apercebi que estava a “teclar” com três pessoas ao mesmo tempo! Parece impossível mas, como se não bastasse, conectei-me também à minha televisão, sintonizada na MTV. Fui ouvindo música e quando dei por mim já eram dezasseis e quarenta e três! Ou seja, estive agarrada ao telemóvel e à TV quase quatro horas… Tentei deixar aqueles aparelhos viciantes mas rapidamente me agarrei ao comando na televisão e fui mudando de canal até às dezanove horas (hora que utilizei para me dedicar ao desporto). Ainda assim não fui correr sem o meu mp3 com as minhas músicas de eleição! Dediquei uma hora (apenas uma hora) ao desporto para pouco tempo depois dar lugar ao computador: reproduzi as minhas músicas, liguei a Internet e conectei-me ao MSN para falar com seis pessoas ao mesmo tempo. Já para não falar da televisão que já estava ligada pois jantei colada à mesma para ver aquele jogo de futebol (ao qual não achei lá grande graça, diga-se!) e quando me apercebi, estava a receber as típicas sms’s do tipo: “Os meus pêsames pelo Sporting!”. Fiquei tão irritada que tanto respondia por telemóvel como por MSN, ainda que estivesse a “teclar” com a mesma pessoa pelos dois meios! Dá para acreditar?
Estive na Internet até à uma hora e para dar lugar ao telemóvel. Só o” deixei em paz” às duas e trinta e nove.
Nesse dia recebi cerca de cento e sessenta sms’s e enviei cerca de cento e sessenta! E agora, neste momento, estou aqui de novo no computador para colocar a minha auto-análise no blog.
A verdade é que é cada vez mais comum encontrar pessoas que não conseguem ficar muito tempo sem irem à Internet, sem enviarem mensagens por telemóvel, sem consultar o e-mail pelo PDA…Há também aquelas que não largam o leitor de mp3, e os que vivem comprando as últimas novidades tecnológicas, muitas vezes antes de saber se serão úteis no dia-a-dia.

 

 

Ana Sofia Lopes

Aldeia Global?

Quando ouvimos esta célebre frase – “Uma rede mundial de ordenadores tornará acessível, em alguns minutos, todo o tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro” – nem nos damos conta do impacto que causou há décadas atrás. Dita por Marshall Mcluhan, esta citação parecia saída de um livro de ficção científica. Mcluhan foi chamado de louco, principalmente quando, em 1964, publicou um livro chamado Understanding Media, que, em português ganhou o título de Os meios de comunicação como extensões do homem. Mal imaginaria ele que as suas teorias iriam ser mais desprezadas do que estudadas!
Mcluhan criou o conceito de aldeia global, ou seja, o progresso tecnológico estava a reduzir todo o planeta à mesma situação que ocorre numa aldeia. Rapidamente este conceito foi criticado por muitos que diziam que se tratava mais de um conceito filosófico e utópico do que real. Afirmam que o mundo está longe de viver numa aldeia e muito menos global: o conceito de aproximação das pessoas numa aldeia, em que todos se conhecem e participam na vida e nas decisões comunitárias não se adapta à ideia de sociedade contemporânea. N minha opinião, partindo da ideia que o mundo está, de facto, interconectado, não deixa de ser verdade que, nesta aldeia, muitos são os excluídos (basta lembrar o número de habitantes ligados à
internet em algumas regiões africanas). E não digo isto certamente da boca para fora: um estudo das Nações Unidas de 2005 (Information Economy Report 2005) sobre a exclusão digital revela a importância da Internet como ferramenta para as empresas encontrarem contratos e clientes de uma forma nunca dantes conseguida. Mas apenas 3,1 por cento da população africana tem acesso à Internet e menos de um por cento com ligação por banda larga! Revela ainda que “o fosso na utilização da Internet entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento parece ser vasta. Na União Europeia, cerca de 89 por cento das empresas estão ligadas à Internet. Os dados para os países em desenvolvimento são raros, mas enquanto Trinidad e Tobago, onde 77 por cento das empresas estão ligadas à Internet, e Singapura (76%), têm elevadas taxas de utilização no mundo empresarial, as ligações na Mauritânia (5%) e Tailândia (9%) são bastante mais baixas. O relatório revela que a banda larga está a ter um grande desenvolvimento nos países desenvolvidos e numa mão cheia de nações asiáticas, mas a maioria dos países pobres fica muito atrás.”
Ainda acham que estamos a um mínimo passo de nos tornarmos numa aldeia global?

 

Ana Sofia Lopes

Mais horas tecnológicas, menos neurónios funcionais!

Ainda ontem adormeci tardíssimo. Porquê? Não dei sequer pelas horas passar enquanto estava agarrado ao computador! Hoje acordei com o despertador da minha invenção tecnológica favorita, ou pelo menos aquela sem a qual me custa mais viver – o telemóvel. Levantei-me e usei logo uma série de electrodomésticos que habitualmente uso… microondas, frigorifico… Abri a janela para aproveitar o facto de estar no campo e respirar o verdadeiro ar, mas logo a seguir pensei que o computador tinha sido feito para trabalhar. Então liguei o computador e ao mesmo tempo a televisão que ficou a fazer-me companhia, como habitualmente faz. A maior parte das vezes nem olho para ela a não ser em horário de noticiários ou outros programas que me agradem. Enfim, ficou umas belas horas ligada. Desliguei apenas quando saí de casa. Para além do telemóvel, imprescindível é também o Ipod. Ainda assim não foi necessário ligá-lo logo. Entrei no carro e optei por ligar o rádio. Parei depois no multibanco e segui o resto do caminho a pé na companhia do Ipod. Parece que procuramos mesmo a solidão… Abdicamos de estar com os amigos ou de qualquer outro programa só porque estamos a navegar na ‘net’, a ver a série favorita ou a fazer qualquer outra coisa que só nos queima os neurónios.

Os avanços tecnológicos trouxeram-nos também aquecedores… ora liguei o meu! Optei no fim de jantar por um jogo de snooker em vez de mais um serão passado em frente ao monitor. Regressei à pouco para junto dele, não vá ele sofrer também de solidão. Acabo de olhar para a memória do telemóvel. Contrariamente ao habitual ele hoje teve um dia calmo. Enviei 48 mensagens e recebi 57. Recebi apenas duas chamadas e nem fiz uma. Consultei e-mails e por acaso fiz uso da câmara que ele tem integrada, não vá ela também estragar-se por falta de uso. Usei ainda durante alguns minutos o seu mp3 porque não tinha o Ipod com bateria.

Neste momento uso várias das ferramentas do Windows e vou continuar a navegar pela noite dentro. Amanhã á noite o computador terá menos uso e manter-se-á assim pelo resto da semana. Pelo contrário, o telemóvel não terá descanso. Durante a semana o computador não é prioridade. Assim defini a partir do momento em que mudei de cidade. Tive consciência de que passava tempo demais na sua frente.

É assustador contar as horas que ‘perco’ a utilizá-los (objectos tecnológicos). Não quis contabilizá-las para depois não multiplicar isso por uma semana, depois por 1 mês, por um ano, por uma década e sei lá por mais quanto tempo. Sei sim que o tempo que passo á sua frente, o dinheiro que gasto no telemóvel, em comprar Ipods, mp3’s e muitas outras coisas dava para viajar até á Índia ou a qualquer outro sitio onde eu gostasse de ir e para além de fazer muito menos mal, permitia-me conhecer culturas e novas experiências. Quem disse que a tecnologia não é perigosa?

Filipe Metelo

Dependência tecnológica

dsc02044     A maior parte de nós não tem consciência da sua dependência face à tecnologia. Eu própria não tinha noção que a maior parte da minha vida se regia por dispositivos digitais até nos ser proposta uma auto-análise. No meu dia-a-dia, as acções de enviar uma mensagem ou de verificar se existe novo correio no e-mail são tão naturais que passam quase despercebidas. No entanto, quando tomei atenção a todos os passos que dou durante um dia (aliás, durante uma semana toda), apercebi-me que, de facto, a tecnologia é um vício. Todos os dias sou acordada por um despertador digital, envio cerca de cem mensagens escritas (e recebo um número semelhante), faço dois ou três telefonemas, passo em média três horas ao computador (embora haja dias em que estes cento e oitenta minutos se transformam em tardes inteiras), vejo cerca de uma/duas horas de televisão (a maior parte das vezes não estou a assistir aos programas mas encaro a televisão como uma companhia), utilizo o microondas e a máquina fotográfica digital… E não posso esquecer as facilidades do multibanco, do mp3/rádio/telemóvel, ou mesmo da máquina fotográfica incorporada no telemóvel que à falta da “verdadeira” serve para registar os momentos dignos de figurar nos blogues, hi5’s e afins…

     Se multiplicarmos tudo isto por 365 dias, o resultado é absolutamente assustador. Pior ainda quando me lembro da quantidade de telemóveis que já comprei (e por vezes troco não porque o antigo se estragou, mas porque o novo é melhor), dos computadores que já tive, das várias consolas que já não utilizo, da quantidade de vezes que fui ao cinema durante um ano ou que passei uma tarde em frente ao televisor… Até as aulas são, muitas vezes, dadas com o recurso às novas tecnologias.

     Apesar de todas as vantagens que estas tecnologias nos trazem, tudo o que é em demasia não pode trazer apenas benefícios. Onde estão as tardes passadas a ler um livro, ou a conviver ao ar livre? As crianças/jovens de hoje em dia não sabem escrever porque nunca leram (é muito mais fácil ficarmos sentados à frente da televisão e ouvir as notícias/documentários). Até os nossos pais, que com a nossa idade não sabiam o que era um telemóvel, já se renderam aos seus encantos mesmo que seja só para saberem o que fazemos a qualquer hora do dia.

     Temo o dia em que formos privados de meios tecnológicos. O que fazer para (sobre)viver?

Ana Teresa Santos

Friedrich A. Kittler, Art and technology (2005)

Análise digital da cultura digital [«Cultural Analytics»], segundo Lev Manovich (2008)

Representação numérica, modularidade, automação, variabilidade e transcodificação

the_language_of_new_media20011

In section “Media and Computation” I show that new media represents a convergence of two separate historical trajectories: computing and media technologies. Both begin in the 1830’s with Babbage’s Analytical Engine and Daguerre’s daguerreotype. Eventually, in the middle of the twentieth century, a modern digital computer is developed to perform calculations on numerical data more efficiently; it takes over from numerous mechanical tabulators and calculators already widely employed by companies and governments since the turn of the century. In parallel, we witness the rise of modern media technologies which allow the storage of images, image sequences, sounds and text using different material forms: a photographic plate, a film stock, a gramophone record, etc. The synthesis of these two histories? The translation of all existing media into numerical data accessible for computers. The result is new media: graphics, moving images, sounds, shapes, spaces and text which become computable, i.e. simply another set of computer data. In “Principles of New Media” I look at the key consequences of this new status of media. Rather than focusing on familiar categories such as interactivity or hypermedia, I suggest a different list. This list reduces all principles of new media to five: numerical representation, modularity, automation, variability and cultural transcoding. In the last section, “What New Media is Not,” I address other principles which are often attributed to new media. I show that these principles can already be found at work in older cultural forms and media technologies such as cinema, and therefore they are by themselves are not sufficient to distinguish new media from the old.

Lev Manovich, The Language of New Media, Cambridge, Mass: MIT Press, 2001, p. 20.

Novos média e práticas políticas, segundo Jay David Bolter (2009)

Remediação, imediação e hipermediação

remediation2000

The two logics of remediation have a long history, for their interplay defines a genealogy that dates back at least to the Renaissance and the invention of linear perspective. We do not claim that immediacy, hypermediacy and remediation are universal aesthetic truths; rather, we regard them as practices of specific groups in specific times. Although the logic of immediacy has manifested itself from the Renaissance to the present day, each manifestation in each age may be significantly different, and immediacy may mean one thing to theorists, another to practicing artists or designers, and a third to viewers. The diversity is even greater for hypermediacy, which seems always to offer a number of different reactions to the contemporary logic of immediacy. Remediation always operates under the current cultural assumptions about immediacy and hypermediacy.

We can not hope to explore the genealogy of remediation in detail. What concerns us is remediation in our current media in North America, and here we can analyze specific images, texts, and uses. The historical resonances (to Renaissance painting, nineteenth-century photography, and twentieth-century film, and so on) will be offered to help explain the contemporary situation. At the same time, the practices of contemporary media constitute a lens through which we can view the history of remediation. What we wish to highlight from the past is what resonates with the twin preoccupations of contemporary media: the transparent presentation of the real and the enjoyment of the opacity of media themselves.

[…]

Again, we call the representation of one medium in another “remediation,” and we will argue that remediation is a defining characteristic of the new digital media. What might seem at first to be an esoteric practice is so widespread that we can identify a spectrum of different ways in digital media remediate their predecessors, a spectrum depending upon the degree of perceived competition or rivalry between the new media and the old.

Jay David Bolter & Richard Grusin, Remediation: Understanding New Media, Cambridge, Mass, MIT Press, 1999; 2ª ed. 2000, pp. 21, 45.

Uma questão de interesses

A propósito do género “notícia televisiva”…

Hoje em dia há uma grande dicotomia entre o interesse público e o interesse do público. Sabendo que os assuntos do interesse do público são os que maior atenção captam, os meios de comunicação social dão relevo a histórias sensacionalistas, tragédias e escândalos ligados, preferencialmente, à vida de figuras públicas.

O vídeo do abandono de Santana Lopes à entrevista na SicNotícias, que uma colega aqui nos mostra, exemplifica bem esta realidade. A chegada de José Mourinho ao aeroporto da Portela é uma “notícia” que podia perfeitamente ter sido difundida em diferido (se é que alguém acha isso necessário). Não havia era necessidade de interromper o Santana que (é válido) se sentiu ofendido. Quer dizer, qualquer pessoa que estivesse interessada na entrevista se deve ter sentido. Qual é o tão grandioso interesse na chegada de um treinador de futebol? É mais importante o futebol que o estado da política em Portugal? Se a entrevista fosse a um político estrangeiro por conversação telefónica, por exemplo, o senhor havia de achar uma graça ser interrompido desta forma. Que imagem isto dá do nosso país?

Lembro-me de os telejornais durarem 30 minutos, já com as notícias desportivas integradas. Hoje, à excepção do Jornal 2 que, nesta altura, deve ser o único que se mantém íntegro na escolha e difusão das notícias, os telejornais chegam a atingir a hora e meia! ¾ das notícias que difundem são de cariz nacional, pregam-nos com “palha” até à exaustão. O mesmo não acontece em países mais evoluídos, onde os telejornais são bem mais curtos e dão bastante mais relevância a notícias internacionais. Será que os portugueses querem mesmo ficar fechados no pequeno mundo do “Jornal Nacional”? É deprimente saber que este formato lidera as audiências e o único ponto que me dá alguma esperança é pensar que pior é impossível e que por isso talvez um dia tenhamos um verdadeiro serviço de interesse público no horário nobre das nossas televisões.

Inês Monteiro

Tecnologia, tecnologia e mais tecnologia

Em seguimento do que nos foi proposto na passada aula de Introdução aos Novos Média, ontem registei todas as minhas interacções com meios tecnológicos e o resultado foi este: ouvi cerca de uma hora de rádio, recebi trinta mensagens e enviei vinte e nove, efectuei cinco chamadas de voz e recebi três, não vi televisão, não naveguei na Internet, nem sequer liguei o computador. Assim, e contrariamente ao que esperava, o meu dia tecnológico foi relativamente tranquilo. Apesar de tudo isto, hoje “já dei uso ao telemóvel”, já liguei a televisão “só para ver o que estava a dar”, já ouvi música (que tenho guardada no computador), já naveguei por “meia dúzia” de sites… Tudo isto feito em pouco mais de uma hora depois de acordar!

É inegável (e assustador), e apesar de nem todos os dias serem uma procura desenfreada de tecnologia, que existe muito pouca gente (restringindo aqui o grupo àqueles que têm acesso ao mundo tecnológico) que passa um único dia sem usufruir das pequenas maravilhas que este nos oferece, seja para ouvir música no mp3, seja para ver e falar com os amigos, seja por motivos profissionais. Mesmo que não tenhamos noção do quanto a nossa vida está dependente da tecnologia, a verdade é que isso é cada vez mais evidente, cada vez mais preocupante.

Imaginam a vossa vida sem telemóvel, Internet ou televisão? Imaginam uma semana sem enviar um único sms? A verdade é que todos estes meios, usados, obviamente, em medidas diferentes por cada pessoa, já fazem parte do que somos, do que fazemos diariamente e, mesmo que haja dias “tranquilos”, a tecnologia está (e estará) sempre a marcar posição.

Sandra Cardoso

Comentário ao Post “Novas Tecnologias: Qualidade de vida ou pobreza desenfreada?”.

Achei que devia elaborar um comentário a este post, visto que partilho da mesma opinião em vários aspectos. Logo para começar, achei o título digno de uma boa reflexão.

É verdade que as Novas Tecnologias têm sido muito benéficas para o Homem.Pegando no exemplo da Internet, podemos verificar a facilidade que temos na obtenção e transmissão de todo o tipo de informação,desde documentos a vídeo, fotografia, música, etc. Qualquer tema que seja do nosso interesse, pode ser pesquisado em poucos minutos, recorrendo apenas a alguns cliques. Hoje em dia, além de ser “mais rápido enviar um e-mail do que uma carta por correio”, a informação que estamos a transmitir chega ao seu destinatário muito mais rapidamente. Isto são algumas das vantagens que as novas tecnologias nos trazem. Contudo, estas não são perfeitas, podem criar milhares de postos de trabalho, mas suprimem outros tantos. Além disso, acredito que as novas tecnologias são também responsáveis por “endividamentos familiares”, “descalabros financeiros”, “dependências sistemáticas…”.

Uma ideia que gostava de salientar, está no penúltimo parágrafo onde diz ” Porém, ninguém tem de prescindir das novas tecnologias, até porque sem elas o mundo estagnava, devem, sim, é utilizá-la com conta e medida, com coerência e consciência.”

Para concluir, penso que nalguns casos as novas tecnologias vieram facilitar-nos a vida de várias formas, ou até mesmo salvar-nos se pensarmos no caso do desenvolvimento tecnológico na medicina, mas por outro lado, acho que devemos saber colocá-las de lado em certas situações. Sei que eu não trocaria uma conversa com um amigo num café, por uma conversa virtual,por exemplo, no Messenger.

Jonathan Estêvão

Já não funcionas sem Internet?!

Actualmente, a dependência da Internet está mais presente nos nossos dias do que aquilo que possamos imaginar, principalmente nos jovens que passam horas a fio ligados ao pequeno ecrã. Esta dependência manifesta-se como uma inabilidade do indivíduo em controlar o uso e o envolvimento crescente com a Internet que, por sua vez, pode conduzir a uma progressiva perda do controle.

Com efeitos sociais significativamente negativos, os jovens que despendem um número de horas excessivas na Internet, normalmente, procuram-na como um meio de alíviar o stress, a tensão e a depressão, que são característicos desta fase, e apresentam uma perda de sono que surge como consequência do efeito psicológico causado. Além disto, os dependentes deste meio, usam-no como uma ferramenta social e de comunicação pois têm uma experiência maior de prazer e satisfação quando estão on-line.

Esta procura excessiva pela Internet, pode ser encarada como uma busca de auto-estima que, até então, era inexistente; uma superação de timidez; uma baixa confiança em si próprio, entre outros factores.

Alguns estudos, apresentam critérios de dependência da Internet, como por exemplo, a preocupação sistemática com a Internet, a necessidade de aumentar o numero de horas conectado para obter o mesmo nível de satisfação, mente aos outros respectivamente às horas passadas conectado em frente ao computador, apresenta sintomas de irritabilidade e depressão, entre tantas outras causas.

Para uma melhor ilucidação desta ideia de dependência, escolhi um video do anuncio publicitário “optimus kanguru”, exposto em cima, onde os jovens só têm vida enquanto conectados mas, se a Internet for desligada, caiem no chão, como mortos, e só se voltam a estabelecer se forem conectados novamente. Parece que já ninguém funciona sem Internet!

Andreia Conde

Tecnológic’ó dependente?!

Em prol do que nos foi proposto numa das aulas de Introdução aos Novos Média, no passado dia 15 de Março, anotei todos os meus actos que implicavam o uso da tecnologia. Ao fim do dia, quando revi tudo o que tinha anotado, ja nem sabia como definir o efeito causado. Por um lado, se me sentia satisfeita por estar tão a par das novas tecnologias, ou, se por outro, sentia pavor por só agora me ter apercebido que estava tão dependente delas.

O contacto com as tecnologias iniciou-se logo pela manhã. Assim que acordei, a primeira coisa que fiz foi ligar a televisão e nem sequer me sentei confortávelmente no meu sofá a apreciar o que estava a passar naquele instante, o que seria o mais lógico, mas não. Liguei-a apenas por ligar, o que me deixa deveras intrigada. Parte-se do pressuposto que quando se liga a televisão seja para assistir a algum programa específico… As mensagens nos telemóveis começaram pouco tempo depois. Foram 127 mensagens enviadas e 135 mensagens recebidas, números que até então me passavam completamente ao lado. Também a internet marcou presença neste dia, na medida em que, estive 6horas, embora não seguidas, em frente do pequeno ecrã a navegar por mundos desconhecidos e outros conhecidos até bem de mais. E agora que releio todos os meus apontamentos, salta-me à vista as horas das 17.15 onde tinha, precisamente, a televisão e a internet ligadas e, paralelamente, trocava SMS em dois telemóveis e tudo isto ao mesmo tempo. E ainda não ficou por aqui. Antes de ir dormir, ainda liguei o MP4 só porque gosto de adormecer a ouvir música, sem nunca antes ter pensado que ele iria ficar ligado toda a noite e maior parte do tempo a “tocar para o boneco”. Será que com esta parafernália de recursos tecnologicos, alguma vez consigo descançar o meu cérebro o suficiente?

A verdade é que, antes de fazer esta proposta, não tinha a mínima noção do quão as tecnologias estavam presentes na minha rotina quotidiana e quase com toda a certeza, que me escaparam algumas. Mas se estes resultados já me assustaram, é melhor não pensar em mais nada. Só sei é que isto é um ciclo vicioso que se vai repetindo dia após dia…

 

Andreia Conde

Tecnologia: brinquedo para uns, salvação para outros!

 

Os limites de uma pessoa com deficiência dependem dos limites tecnológicos do seu país.” (Marco Antonio Queiroz – deficiente visual)

A tecnologia persegue-nos hoje como a nossa própria sombra mas nem sempre está ao auxílio daqueles que mais precisam dela. É o caso dos deficientes motores, visuais, etc… que procuram nas tecnologias uma forma de ultrapassar barreiras que a vida lhes incutiu. Elas desempenham HOJE mais que nunca uma forma de inserção do indivíduo mais incapacitado na sociedade e fazem com que ele tenha uma vida normal sem que tenha sempre em mente que algum problema lhe afecta os sentidos mais básicos, impedindo-o de realizar uma vida comum. A primordial cadeira de rodas é hoje substituída pelos mais diversos artefactos e mesmo estas são cada vez mais ‘modernas’, com novos equipamentos e mais facilmente utilizáveis. Contudo, como sempre acontece, quanto maior o grau de sofisticação, maior o preço a pagar por um bem que é tão essencial para aqueles que dela precisam como para nós é um simples par de botas. Nem todos podem pagar para escrever um simples texto em Word, deslocar-se sem ajuda de outra pessoa ou mesmo ler um simples anúncio na rua. Nem todas as aldeias, vilas, cidades e mesmo países têm capacidade para acolher deficientes motores, visuais ou qualquer que seja o seu tipo de deficiência. A sociedade ainda não está estruturada de forma a interagir livremente com aqueles que, por diversos motivos, se tornaram diferentes e que batalham para que essa diferença seja menos acentuada recorrendo ao que de mais novo existe no mercado.

A tecnologia de ponta dá conta de soluções I-Touch. Existem telas que lêem sites para cegos, comandos de voz que permitem a um tetraplégico produzir textos em Word, computadores de mão que, sincronizados com os telemóveis por bluetooth permitem, não só fazer chamadas, mas comandar qualquer coisa em casa que tenha um controlo remoto, entre outras.

Muito mais que proporcionar uma inclusão digital, estas tecnologias assumem um papel fulcral de inserção social. A sociedade contemporânea ultrapassa então uma barreira insignificante para uns, mas tão importante para outros, como sempre, com recurso as tecnologias. A vida resume-se à tecnologia.

Filipe Metelo

 

(Re)Criação da Aldeia Global

We shape our tools and afterwards our tools shape us.”

Marshall McLuhan

 Concebido pelo sociólogo e professor na escola de comunicações da Universidade de Toronto – Herbert Marshall McLuhan – o conceito de Aldeia Global corresponde a uma nova visão do mundo exequível através do desenvolvimento das tecnologias modernas de informação e de comunicação. Segundo McLuhan, as separações geográficas eram anuladas através da informação electronicamente transmitida. Deste modo, as barreiras entre os centros de decisão, produção e distribuição (à escala mundial) eram inexistentes. Está assim, a aldeia global, claramente relacionada com o conceito de globalização. Os meios electrónicos de comunicação à distância permitiam, além de aumentar os domínios de organização social, suprimir, em grande medida, a sua fragmentação geográfica. Assim, permitiu que qualquer acontecimento tenha reflexos noutro local espacialmente longínquo.

 O que significa isto afinal?

A distância deixa de ser impeditivo para inúmeras coisas. A sociedade altera-se, o modo de agir adapta-se a esta nova distância fictícia. Assim a sociedade muda devido a algo que ela criou. A aldeia global, criada pelos homens altera a sua própria conduta. Será isto bom? Mau? Não está em causa, mas a reflexão crítica sobre este assunto é inevitável.

É certo, isso sim, que os homens criam as ferramentas e estas recriam os homens.

Mariana Domingues

Sensacionalismo

           A partir da sua comercialização, a televisão monopolizou a atenção de uma parte esmagadora das populações ocidentais, de modo que quase não existe casa sem uma (no mínimo). Uma das principais funções deste aparelho é a de informar a população, através dos telejornais, daquilo que se passa no mundo, telejornais esses que têm o dever de estar de acordo com os princípios jornalísticos, sendo que um dos mais importantes é a objectividade, conceito discutível, mas que de qualquer modo funciona como uma meta a tentar atingir.

Nos meios de comunicação de massas, especialmente na televisão, que se presta a uma espectacularização da realidade, esses princípios do jornalismo são infringidos de formas cada vez mais escandalosas, fazendo com que se desenvolva uma confusão entre a função de um telejornal (informar) e a função de um programa de entretenimento. Com o intuito de atrair o maior número possível de espectadores, os canais de televisão utilizam métodos sensacionalistas que nada têm a ver com a função informativa, começando pelas próprias notícias, outro conceito discutível mas que com certeza não passa pelo peeling da Lili Caneças. Outras vezes, quando surge uma notícia que choque/indigne as massas (por exemplo, 11 de Setembro, Casa Pia e Maddie), exploram-na ao ponto da saturação. Por muito que a grande maioria da população queira entretenimento, há casos em que isso só contribui para a estupidificação e alienação em massa.

Na minha opinião, um telejornal deveria limitar-se a apresentar factos das notícias (realmente) significativas a nível nacional e internacional, sem tentar influenciar os sentimentos e a opinião das pessoas.

 

Claudia Marques

Os Média: consequências.

[Definição wikipédia]: Media é um vocábulo latino que em português significa meios, tendo sido importado para a nossa língua, via inglês (em que é pronunciada mídia, com a acepção de meios de comunicação. Podemos distinguir os tipos de media consoante a sua origem em media capturados (vídeo, áudio, fotografia) e media sintetizados (texto, gráfico, animação). É um termo utilizado em comunicação e pode apresentar vários significados:

Enquanto meio de comunicação pela imagem, tal como a fotografia e o cinema, é um dos objectos por excelência da antropologia visual.

 

Quem inventou a comunicação é uma questão inútil, na medida que seria impensável avançar com uma resposta concreta. Contudo, é uma questão pertinente no âmbito da interpretação do papel da comunicação na vida quotidiana: indispensável. Ou seja, a comunicação não foi algo que surgiu por um vislumbre de um pensador, ou uma ideia trabalhada de alguém; mas sim por necessidade. E é nesta necessidade que evoluímos os média à medida que evoluímos as nossas sociedades.

A evolução dos média tem-se verificado consoante a evolução das sociedades. As necessidades de interacção à distância proporcionaram – e agora sim – a invenção de novos meios de comunicação. Então, a necessidade de comunicar agiu em conformidade com a vontade de exprimir pensamentos pessoais, na Antiguidade; hoje, a criação de novos meios de comunicação não vem de encontro à razão da criação destes, mas à possibilidade de cingir ao maior número possível de pessoas. Neste momento a questão passa a ser: como se usam? “Compulsivamente” poderá ser a resposta para grande parte dos utentes dos novos média, “por necessidade” para outra grande parte. Falar de exagero na utilização dos novos média parece ser admissível, hoje em dia. A que se deve este abuso? Deve-se, talvez, à simplicidade e à brevidade da concretização da transmissão da mensagem. “À distância de um clique” é uma expressão de marketing que ouvimos com regularidade e que relata exactamente essa facilidade. Que consequências sociais poderá provocar esse excesso de utilização dos novos média? A falta de “humanização” na comunicação, talvez. Hoje podemos expressar sentimentos por palavras sem mostrarmos a cara, por exemplo. Comunicamos sem assistirmos a pequenos indícios observáveis nas outras pessoas que denunciam sentimentos, estados de espírito, reacções… por muito desenvolvido que seja o meio de comunicação que estejamos a usar, este não vai conseguir reproduzir uma conversa tida cara a cara.

 

Quente e Frio

Segundo a teoria desenvolvida por Marshall McLuhan, existem meios de comunicação “frios” e outros “quentes”.

Estas designações surgem no contexto das quatro “eras” tecnológicas que o escritor menciona : Era tribal, caracterizada pela multisensorialidade e envolvimento proximo; Era da escrita, que favorece a visão e a lógica do pensamento; Era da Imprensa, que corrobora todos os elementos da Era anterior permitindo a propagação e consequênte facilidade de acesso à comunicação escrita; e finalmente a Era Electrónica, em que nos encontramos hoje e que até certo ponto “retribaliza” a sociedade mundial.

Com o aparecimento da escrita alfabética, elemento essêncial ao entendimento entre povos que permitiu fazer perdurar a oralidade, deixou de ser possível uma interação franca e activa entre o receptor e o emissor . Isto é, não existe capacidade de diálogo com o papel (e ai deixa de existir interactividade e envolvimento humano), para além de que, apenas é utilizado um dos sentidos. Em vez de haver um contacto multisensorial, que é consequentemente multipercéptivo, circunscrevo a minha recepção sensorial à visão. Portanto, pode dizer-se que, a escrita alfabética e todos os meios que nos fornecem uma informação suficiente e concreta, que nos permita através de um dos sentidos tirar uma conclusão bastante precisa – pois a informação é canalizada em “alta definição” – são meios de comunicação “quentes”. Exemplos de meios quentes são a fotografia e o rádio. Uma das consequências destes meios “quentes” é o progressivo isolamento do Homem, uma vez que deixa de poder participar e interagir como dantes.

Porém, com o despertar da Era Electrónica, surgem meios de comunicação que estimulam vários sentidos simultâneamente, o que permite um retorno parcial à multisensorialidade da Era Tribal. Convenhamos que, um programa televisivo é muito mais proximo da “realidade”, interactivo e estimulante sensorialmente, que um programa de rádio. A TV não só comunica visualmente mas também auditivamente, sendo que nenhum dos dois sentidos é particularmente estimulado.Portanto a informação é de “baixa definição”. Com a invenção das “webcams”, podemos ter uma interação muito mais proxima e “tribal” com a pessoa do lado de lá do ecrã, do que se apenas a tivessemos a ouvir ou ler. A oralidade passa, por motivos antropológicos e práticos a ser preferida, e a Humanidade volta de novo a estar unida e a interagir activamente. Desta vez, graças à tecnologia.

Logicamente que, as sociedades em desenvolvimento são principalmente sociedades (necessáriamente) “frias” e a nossa sociedade “civilizada” e desenvolvida tecnológicamente, tem vindo a ser “quente” .

Finalizando, é necessário que se entenda que de uma forma ou de outra, desde o início da Era Tecnológica o Homem procura um meio de comunicação o mais completo e multisensorial possível, criando inclusivamente novas facilidades de interação e comunicação, de forma a que, por via da técnologia possa ter a dimensão de participação sensorial da Era Tribal.

Saudações Académicas,

André Rui Graça

Coloquem em perspectiva

Louis CK fica frustrado com as pessoas que não acreditam que vida é mesmo muito mais cómoda agora que temos acesso á internet enquanto estamos “sentados numa cadeira no céu”… ás vezes.

-j.mart


Calendário

Março 2009
S T Q Q S S D
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Estatística

  • 937.767 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.230 outros seguidores