Loudness War

Loudness War é o nome dado á tendência da industria discográfica em produzir e masterizar os CD dos seus artistas progressivamente mais “altos”. Esta tendência advêm do desejo das editoras em criar um som cada vez mais pujante e impactaste, comprometendo a relação dinâmica entre baixo-alto na gravação.

O efeito obtêm-se com o recurso a compressores, ferramentas em programas de edição áudio que  reduzem automaticamente a dinâmica do sinal entre peak e RMS, aumentando posteriormente o nível geral do sinal áudio até ao máximo permitido pelo suporte CD. Apesar da amplitude máxima do CD áudio ser fixa (0dB full scale, sendo a mínima -96dBFS) a percepção de loudness relaciona-se não com a altura pico da gravação (peak level), mas com a amplitude RMS (root mean square, ou média quadrática) ou “programa” da gravação, ou seja, o que está abaixo ou entre os picos de sinal. Quanto menos for a relação entre peak e RMS maior é o potencial de loudness duma gravação.  Este fenómeno é particularmente explorado no campo do broadcasting (TV e rádio), em que as editoras procuram que a gravação seja ouvida a um nível constante em sítios ruidosos, como é o caso de um carro ou um local de trabalho.

Existem boas e más razões para fazer ou não este tipo de masterização. Se é hoje em dia impossível pensar num CD comercial sem o mínimo de compressão de sinal, nos dias que correm verifica-se um abuso inexorável desta técnica, arruinando não só a fidelidade da dinâmica da música original (especialmente em edições remaster, de material gravado pré década de 90), mas criando distorção sonora pela compressão extrema dos picos do sinal, um fenómeno chamado de clipping, em que “os picos (vértice) se transformam em planícies (linhas rectas) “. O resultado é um sinal com distorção audível, que os consumidores mais orientados para a qualidade do produto reprovam. Por outro lado, a maior parte das pessoas está disposto a sacrificar isto para não ter que ajustar constantemente o volume da sua aparelhagem durante a experiencia de escuta. É apenas mais um episódio na guerra eterna entre o que se considera prático e o melhor. Mais recentemente, têm-se observado masterização múltipla, em que existem versões diferentes de CDs destinados a rádios e CDs destinados aos consumidores.  Muitos produtores, como Steve Albini, optam por não usar esta técnica, e consideram mesmo o problema numero 1 com a forma como os CDs são feitos e a razão porque perdem em discussões de qualidade com formatos seus antecessores, como o vinil, altura em que a tendência para comprimir era muito menos acentuada e radical.

A música clássica é dos poucos géneros musicais que opta impreterivelmente pela posição de não usar compressão, pela importância dada á fidelidade dinâmica entre o processo de gravação e a transcrição para CD. Existe uma normativa informal estabelecida pela EBU (Europpean Broadcasters Union) de haver um mínimo de 18dB de dinâmica entre baixo-alto, mas que é frequentemente violada pelos produtores dos álbuns, chegando a haver relatos de CDs com apenas 2dB de dinâmica.

Aqui ficam alguns dos pontos que considero mais importantes para a discussão sobre a validade da sobre-compressão:

Bom:

  • experiencia de escuta mais uniforme em termos de amplitude de sinal (desnecessidade de ajustes de volume)
  • aproveitamento da relação sinal-ruido do equipamento áudio (útil em equipamento de baixa gama)
  • melhoramento da experiencia de escuta em ambientes ruidosos
  • som MTV (mais apelativo ás novas gerações)

Mau:

  • perda de muita da expressividade da musica, muitas vezes as transições radicais de dinâmica são feitas por motivos estéticos e artísticos.
  • imperfeições sonoras graves e explicitamente audíveis (clipping, distorção, pumping)
  • sobrecarga de amplificadores de baixa qualidade, como os presentes em aparelhagens de consumidor (leitura de um sinal mais potente do que o equipamento está preparado para amplificar)
  • conspurcação do som original de CDs clássicos em edições remaster, causando estranheza em consumidores que ouviram versões anteriores desse material.

Este GIF representa diferentes versões da musica “Something” dos Beatles, que foi remasterizada quatro vezes desde 1983 (primeira edição digital), mostrando as diferenças nas waveform das diferentes versões.

Este vídeo explica o melhor possível em dois minutos os problemas que esta tendência introduz na qualidade da musica que ouvimos hoje.

-j.mart

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