Breve expedição pela busca da Imortalidade.

Desde o início dos tempos o Homem desejou a imortalidade.
Nas Antigas civilizações Greco-latinas foram erguidas estátuas grandiosas, anatomicamente perfeitas, dos grandes imperadores, legisladores e artistas desse tempo. Hoje são-nos familiares as longas barbas de Sócrates ou o adunco nariz de César Augusto. Porém tais representações requeriam uma técnica enorme da parte do escultor, que, por mais competente que fosse, não tinha o poder de retratar, sem falha alguma, a realidade anatómica que tinha diante si.
Nos séculos que se seguiram, na era das Trevas, deu-se particular importância à pintura. Mas, mais uma vez, a fidelidade dos artistas à realidade era relativa, pois, neste período, Deus, como centro de todas as coisas, toldava a visão do pintor face aos modelos que devia seguir. Deste modo surgem-nos representações humanas sem qualquer noção de volumetria ou perspectiva, todas idênticas, quase que elaboradas em massa!
É, talvez, no Renascimento que tal facto sofre uma acentuada transformação, uma vez que os artistas renascentistas tiveram a preocupação de evocar os cânones clássicos. Contudo, colocava-se novamente a questão da fidelidade, que, desta vez, com o destaque da pintura e com as novas técnicas adquiridas, podia ser ultrapassável. Porém, o sopro vital, o sentimento, do indivíduo retratado era impossível de representar plenamente. É exemplo La Gioconda, obra do maior artista da humanidade, Leonardo daVinci, que ainda hoje nos sorri enigmaticamente, transmitindo um certo mistério mas não a sua real natureza. Estudos científicos julgam mesmo ser um auto-retrato dissimulado do próprio daVinci, o que leva à descrença total quanto à real representação presente nos retratos pós e renascentistas. Em suma, nenhuma das consagradas vertentes artísticas conseguia manter imortais os ávidos perseguidores deste conceito. É certo que o seu nome e as suas principais características físicas ficavam marcadas nas telas e nas grandiosas pedras de mármore, mas o seu sentimento, a sua forma de estar, eram quase sempre esquecidas ou misturadas com os próprios sentimentos do autor da obra!
Face a esta luta contra a efemeridade da essência Humana, surgiram métodos que permitiam registar, de uma forma praticamente Real, este desejo; as chamadas escritas mecânicas. Assim a fonografia (“escrita do som”), a fotografia (“escrita da luz”) e a cinematografia (“escrita da imagem em movimento”) possibilitaram aos indivíduos reproduzir as suas acções, a sua voz e o seu aspecto, de forma a preservar durante um indeterminado período a sua verdadeira essência.
Evidentemente que este foi um passo marcante na história da humanidade, levando-a a alcançar uma nova confiança para enfrentar a efemeridade da vida e os mistérios da morte. Deste modo, a segurança do Homem cresceu, dando-lhe oportunidade de explorar os limites do seu conhecimento e, inclusivamente, do seu medo, pois, com estas técnicas, os seus feitos, a sua personalidade e a sua vitalidade permanecerão “Vivas” e bem “Reais” no Mundo.

Rafaela Calheiros

Anúncios

Calendário

Março 2010
S T Q Q S S D
« Fev   Abr »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Estatística

  • 878.494 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.229 outros seguidores

Anúncios

%d bloggers like this: