Arquivo de 4 de Março, 2010

Michael Wesch, “The Machine is Us/ing Us” (2007)

O vídeo “The Machine is Us/ing us” de Michael Wesch é, todo ele, uma representação da informação electrónica, ou seja, cria o ambiente da informação ligada “hipertextualmente”. Utilizando uma combinação de imagens bastante dinâmica, o vídeo examina as mudanças que a tecnologia online traz à interacção humana, servindo como excelente sumário da World Wide Web e suas implicações sociais, económicas e jurídicas.

O vídeo é uma análise de um ponto de vista antropológico. A informação vai impregnando todos os espaços sociais e isso traz grandes consequências a esse nível. Devemos pensar e ter em conta o que nos motiva a querer as tão sonhadas mudanças que a Internet nos traz. Dizer que não somos manipulados e que não somos fruto desse sistema, é um erro. Na realidade um erro que cometemos, pois muitos dos nossos conceitos são gerados dessa premissa. Sim, nós somos manipuláveis, porém temos escolhas.

Agora, surge um novo tempo. O tempo de mudanças verdadeiras. Mais do que forjar; perverter; manobrar, devemos “orientar” e assim dar um novo rumo a esse tão cobrado processo de mudança e dizer claramente que os media não nos manipulam. Analisar, questionar e principalmente criticar são os alicerces que nos sustentarão. E somente através do conhecimento de causa, é que construiremos um novo sentido para a informação. Já Michael Wesch refere no vídeo que, entre repensar aspectos como os direitos autorais, a identidade, a ética, a estética, a retórica, a privacidade, o amor e a família, é importante reflectirmos sobre nós próprios.

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O Sujeito, a Censura e a Paz

A influência dos média no sujeito foi um tema abordado de forma bastante superficial nestas primeiras aulas, mas penso que pode ser mais aprofundado. Os exemplos de violação do código deontológico do jornalismo nos últimos anos e o (re)surgimento da censura tanto em regimes totalitários como em supostas democracias tem sido tema de debate constante nos vários meios de comunicação, e é um exercício curioso olhar em retrospectiva para os últimos anos.

Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha encontrava-se destroçada e ferida no seu orgulho. Aliando a sua capacidade de retórica com a necessidade natural do Homem de encontrar relações de causa e efeito, de encontrar culpados nos maus momentos, Hitler consegue ser eleito Chanceler numas eleições perfeitamente democráticas, em 1933. Os acontecimentos subsequentes que levariam ao desenvolvimento do nazismo não estão aqui em causa. O que pretendo frisar é a consequência de uma visão unilateral de um acontecimento, principalmente quando um bom orador apenas tem de controlar mentes desnorteadas.

Pouco mais de cinco décadas depois assistimos à Guerra do Golfo. Apesar da sua magnitude não poder ser comparável aos horrores do holocausto, a sua mediatização foi bastante superior. Para isto contribuíram não só a maior liberdade de expressão dessa época, mas também a visão da guerra como fenómeno gerador de audiências. Deste modo, o Kuwait foi literalmente invadido por repórteres de todos os cantos do mundo, que permitiram que qualquer pessoa, na sua sala de estar, pudesse “entrar” também na guerra, à medida que os acontecimentos se desenrolavam no ecrã à sua frente. No entanto, existia ainda bastante controlo sobre a informação que provinha da região. O desenvolvimento da Internet viria a alterar isso.

Se avançarmos mais uma década, entramos já numa época vivenciada por todos nós. O 11 de Setembro será um momento inesquecível para a nossa geração, devido a todas as suas repercussões, entre elas a modificação do papel dos média. Com o acesso à Internet não precisamos de nos limitar a assistir à queda das Torres Gémeas, já vista e revista inúmeras vezes. Podemos, também, escutar os discursos de Bin Laden e dos seus apoiantes. O “Mundo Ocidental” não está fechado sobre ele mesmo, e os pontos de vista opostos aos nossos (assumindo que existe ainda uma identidade ocidental) são noticiados com frequência.

Este percurso é apenas um dos vários que se poderiam seguir para atingir o mesmo ponto de reflexão: este desenvolvimento dos média permitirá o surgimento de uma verdadeira aldeia global, com uma real proximidade às várias ideologias no nosso planeta, ou forçará o advento de uma nova e restrita censura, como forma de manter a coesão de cada cultura e civilização? Será que irá facilitar a relação com os outros povos, levando inclusive ao desenvolvimento de uns Estados Unidos da Europa, ou será que a exposição das nossas idiossincrasias criará demasiada discórdia para se poder falar de uniões? Em suma, será a censura necessária para a manutenção da paz? Será a liberdade de expressão prejudicial ao nosso bem-estar?

Daniel Sampaio

EU, ROBOT – O Homem e a Máquina

O filme “Eu, Robot” é um trailer de ficção científica inspirado num conto de Isaac Asimov e realizado por Alex Proyas. A acção passa-se no ano de 2035 em Chicago. Nesta época futura, os robots assumiram um papel quase imprescindível na vida dos humanos. É comum as pessoas possuírem um robot a trabalhar como empregado doméstico, ajudante ou assistente pessoal. A sua proliferação tem sido de tal ordem que estão quase a atingir 1/6 da população.

Mas nesse novo mundo repleto de máquinas dotadas de inteligência artificial é preciso evitar que o seu comportamento saia do nosso controlo. Para isso, todos os robots foram programados segundo três leis essências:

1º      Um robot não pode ferir ou permitir que um ser humano sofra algum mal.

2º      Um robot deve sempre obedecer às ordens humanas, excepto quando estas contrariam a primeira lei.

3º      Um robot deve proteger a sua própria espécie, desde que tal não entre em conflito com a primeira e a segunda lei.

Em 2035 a convivência com os robots decorre de forma perfeitamente normal, até que a determinada altura estes começam a assumir um comportamento estranho e que aparentemente contraria as três leis fundamentais. Desencadeia-se então uma guerra entre robots e humanos, onde as máquinas ganham vantagem pelo facto de serem mais resistentes e de não sentirem dor.

O detective Del Spooner (papel interpretado por Will Smith), descobre que o responsável pela desordem instalada é VIKI (Virtual Interactive Kniten Inteligence), um computador dotado de uma inteligência artificial elevadíssima que se encarrega da monitorização dos robots e de uma boa parte das infra-estruturas de Chicago.

Apesar de estar programado segundo as três leis robóticas, a inteligência virtual de VIKI evoluiu de forma a interpretá-las de outra maneira. A máquina entende que o carácter auto-destrutivo dos seres humanos exige que os robots tenham que controlá-los para protegê-los. A inteligência de VIKI calculou que o número de humanos sacrificados durante a ascensão das máquinas seria inferior ao dos que morrem e morreram nas guerras que nós criamos. Com os humanos dominados seria possível evitar a sua destruição, a do planeta e a das espécies que nele habitam.

Del Spooner acaba por conseguir injectar nano robots no cérebro de VIKI destruindo-o. A ordem é restabelecida e os robots são desactivados e armazenados.

Este filme permite-nos tirar importantes conclusões sobre a relação do Homem com a máquina. Em primeiro lugar as pessoas têm vindo a ser gradualmente substituídas pelos avanços tecnológicos, nos empregos e nas tarefas do dia-a-dia. Os processos industriais por exemplo são cada vez mais mecanizados e a importância do operador e cada vez menor.

Em segundo lugar a nossa dependência das tecnologias tem vindo a crescer de tal forma que já não conseguimos imaginar as nossas vidas sem elas. É comum ouvirmos ou dizermos no dia-a-dia “não posso estar sem o meu telemóvel” ou “ não consigo trabalhar sem o meu computador”.

Por último é importante perceber que as máquinas “mandam” ou estão perto de “mandar” em nós; não de uma forma directa, como tentam fazer no filme, mas indirectamente pelo facto de se estarem a tornar imprescindíveis para a nossa espécie. Estamos a ficar escravos das novas tecnologia e devemos reflectir sobre isso, até que ponto já não vivemos numa “ditadura das máquinas”?

Joyce Lopes


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