Arquivo de 8 de Março, 2010

Novos Media – Novas Sociedades

Será o mundo uma “aldeia global”? A humanidade pode ser reunida numa nova comunidade? Não. Cada sociedade tem a sua própria identidade, a sua cultura, a sua língua, a sua religião, a sua essência pessoal, a sua identidade. A existência de interacção pessoal é fundamental para a criação de comunidades. A transformação e alteração social implica um conceito de autonomia racional.
Do meu ponto de vista, as denominadas “redes sociais”, não facilitam o conhecimento de outras identidades, porém, facilitam a fragmentação da cada comunidade, contribuindo para um menor compromisso físico, moral e social. A rotura da forma de sociabilidade compromete o futuro das próximas gerações, provocando intensos problemas. Questões como a mentira, o engano, o anonimato, impõem sérios obstáculos à constituição de locais de acção comum, áreas de concordância, espaços de liberdade para a construção de cada sujeito, em função de cada identidade.
Em conclusão, as novas interacções sociais permitem construir novas identidades. Neste sentido, a construção de novas sociedades é cada vez mais uma expressão usada para definir as formas de agrupamento humano. Contudo, o “mundo” terá um longo caminho a percorrer, para funcionar como uma “aldeia global”. Para aspirar a ser uma aldeia interligada integralmente, o Homem vai ter limites que dificilmente são ultrapassáveis num só clique, barreiras inicialmente construídas com a essência humana e infinitamente genuínas.
“Quando comunicamos pelo telefone, rádio, televisão ou computador, onde estamos fisicamente presentes já não determina onde e quem somos socialmente’’ (Joshua Meyrowitz)

Milton Batista

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“Ouça quando não puder ler, leia quando não puder ouvir.”

Esta semana decidi partilhar duas notícias postadas no IOL Diário e comentar essas mesmas.

A primeira de que vos falo, http://diario.iol.pt/tecnologia/porto-editora-telemoveis-tvi24-mobite-obras-tecnologia/1144369-4069.html, é uma proposta da Porto Editora que vem disponibilizar resumos e análises de obras literárias nos telemóveis dos estudantes. Desta forma, a editora tem como objectivo permitir o fácil acesso a conteúdos relativamente importantes para o percurso literário de um estudante do ensino secundário, pensando assim no conforto e no estilo de vida das mais diversas pessoas. A empresa lançou assim a colecção de Resumos Mobile em que obras como “Felizmente há luar!”, “Memorial do Convento”, “Os Lusíadas”, a “Mensagem”, “Frei Luís de Sousa” e “Os Maias” podem ser facilmente acessadas. Cada resumo é constituído por uma versão em texto e a respectiva locução que corresponde a mais de duas horas de áudio e está disponível em iPhone e telemóveis com sistema operativo Symbian S60 como é o caso do Nokia N73, N78 e N95 e é também compatível com o iPod touch e o iPad.

Isto é algo que nos vem trazer uma nova sociedade, uma sociedade que descarta os livros em mão e que estes mesmos passam a ser uma utopia, algo que nós mais tarde diremos “Eu ainda sou do tempo em que se compravam, alugavam livros.” Por outro lado, torna-se mais fácil o acesso a matérias visto que pode ser facilmente compartilhado com amigos e conhecidos e pode até suscitar um maior interesse por parte de pessoas que dizem que os livros não são para eles. Cá na minha opinião, a primeira visão contínua  a ser mais relevante e são precisos realmente verdadeiros momentos de reflexão.

A segunda noticia que partilho é o facto de ter chegado a Portugal recentemente uma tecnologia de ponta que permite ver um vídeo ao virar a página de um jornal, http://diario.iol.pt/tecnologia/pixel-tecnologia-video-jornal-imagens-tvi24/1138209-4069.html. Já em funcionamento nos EUA desde Setembro com uma grande aceitação, esta mesma tecnologia vai ser introduzida pela Pixel. Consiste num ecrã de dois milímetros de espessura que pode ser facilmente incorporado no meio de uma folha de jornal e que funciona por via de ligação USB permitindo visualizar cerca de 120 minutos de vídeo. Esta tecnologia vem juntar a comunicação impressa com a  imagem e pode vir a trazer um novo impulso à imprensa escrita.

Ora, isto revela a revolução que está implicita aos novos média. 

Provavelmente já ouvimos falar disto em mundos fictícios nunca pensando que poderia vir a tornar-se real. No entanto, cada vez mais nos deparámos com este fenómeno, o facto das novas tecnologias, das coisas impensáveis chegarem até nós cada vez mais depressa e com mais acessibilidade.

Concluindo, há ainda muito em que pensar, nomeadamente no que diz respeito aos valores éticos que serão daqui para a frente empregados à nossa sociedade.

Ana Catarina Monteiro

O impacto ao ver a primeira fotografia…

Ao analisar esta questão deparo-me a viajar mentalmente  para localizar-me num tempo passado  e sentir o que outrora fora sentido.  Estando já situado no meu fantasioso século XIX e imaginando-me a visualizar a primeira fotografia surge  um enorme desejo de exploração do real, de captação do pormenor. Consciencializo-me: o exercício de memória constante e cansativo já não será necessário e finalmente a ideia da persistência das “imagens mentais” que figuram no meu cérebro avançam para o caminho do “delete cerebral”  para serem  passadas para um  novo formato localizadas espacialmente  à  distância de um simples esticar de mão.

Tudo pode tornar-se uma recordação fidedigna, e finalmente tenho a liberdade de poder observar o quotidiano que me rodeia em todas as formas, ângulos, perspectivas porque já não preciso de contabilizar  o espaço na minha memória para que toda a informação figurativa assimilada se encaixe.  O mais importante é o facto de sentir que posso tornar essa informação visível  e que naturalmente surja um diálogo ou uma explicação verbal acerca dela . Até ao momento, tal manifestação é possível por exemplo através da pintura, porém a criação do real depende de uma interpretação  e criação artística que de certa forma condiciona essa mesma representação da realidade.

Ricardo Pereira

E-Mesa, o futuro do jantar fora!

Na última aula aprendemos como uma boa publicidade deixa um qualquer objecto inanimado, num outro objecto cheio de vida, aplicações, e um leque gigante de vantagens que só podemos ter ao adquirir tal objecto.

No post desta semana, o publicitário vou ser eu, mas deixo ao cargo do objecto “falar” por ele.

Sabem aqueles momentos em que lemos um artigo e se pudéssemos apanhávamos um avião no dia seguinte só para ir comprovar a notícia? Pois é, foi na revista Stuff deste mês que me deparei com o restaurante Inamo, em Londres. E pelo que eles dizem, este restaurante lê mentes!

E é verdade, ao entrarmos no restaurante Inamo, somos imediatamente “lidos” por vários biossensores que detectam logo as nossas preferências, relativamente ao lugar onde nos queremos sentar e ao nível de fome com que estamos. Após esta breve leitura, a tecnologia da nossa E-mesa acende-se.

Já sentados, somos presenteados com o menu virtual. Este projecta-nos imagens da comida no próprio prato. “Basta apontar para o queremos e – beep! – o registo fica feito.” Para além da comida e da bebida que desejamos, é ainda possível escolher o ambiente da mesa, isto é, podemos escolher uma imagem de fundo para criar ambiente.

Enquanto esperamos pela refeição, podemos “mexer” na mesa como se de um computador touch se tratasse. Navegar na net, jogar vídeo games ou até observar o chef através de webcams. No final da refeição, até o táxi podemos chamar pela mesa.

Neste restaurante típico empregado foi substituído pela tecnologia E-mesa, e passas apenas para ajudar em alguma dúvida de manejamento da mesa e para levarem o prato à mesa. De facto, as únicas vezes que iremos ver os empregados é na altura de deixar a comida e na altura de pagar.

“Localizado no Soho Londrino, o restaurante Inamo oferece comida oriental que mistura o melhor dos pratos japoneses, chineses e tailandeses além de um bar com bebidas das mais clássicas até as mais originais.”

Esta ideia é bastante original e muito na moda. Mas a um nivel mais humano, como ficarão os empregados, que aliás passam a desempregados se os restaurantes começarem a optar por esta tecnologia?

Em sua defesa os criadores da E-mesa dizem que esta tecnologia aumenta a eficiência e reduz o custo de empregar garçons, e que por ser uma interface fácil de utilizar dará independência aos clientes que ficarão mais satisfeitos e felizes.

Se é assim tal e qual, não sei. Mas a verdade é que fiquei com a boca a deitar a água e com um desejo imenso de ir experimentar não só a tecnologia, mas também a comida que dizem ser, realmente boa.

Deixo-vos aqui um link para perceberem melhor como funciona esta tecnologia:

 

João Monteiro

Farmville

Num mundo completamente digitalizado, ouvimos falar cada vez mais das “novas redes sociais” e das suas aplicações. Poucas são as pessoas que não estão ligadas a alguma rede social, como por exemplo, o facebook, que ao que parece é a rede com maior número de utilizadores. O facebook é um espaço virtual onde podemos passar o tempo, conhecer pessoas, conversar com amigos e jogar alguns jogos. E é aí que tudo começa, o jogo sobre o qual mais se ouve falar é uma das aplicações do facebook : o Farmville.

Raras são as pessoas que conheço que têm facebook e não têm farmville, atrevo-me a dizer que é uma “doença.” Este jogo simula uma quinta onde os jogadores têm de plantar, colher e cuidar dos seus terrenos. Eu pessoalmente não tenho farmville e não percebo a febre que o envolve mas já me aconteceu, abrir alegremente a página de um facebook e ler “Olha manda-me batatas” e eu nunca sei bem o que responder. Após alguns momentos de reflexão percebi que o facebook, para além de satisfazer  e realizar aparentemente o desejo que algumas pessoas têm de ter uma quinta com animais e afins pode ser também um meio de comunicação entre os utilizadores da rede, uma forma de união solidária entre os “fazendeiros”.

Concluindo, é engraçado como hoje em dia  as novas “aquisições” dos novos média se tornam tão populares e viciantes entre o ser humano. Já eu ouvi em algumas conversas ” tenho de ir colher as batatas” e a pessoa que está a ouvir acabar por responder algo como : “Ah sim, também tenho de lá ir ver”.

Algumas pessoas levam a questão “Farmville” como se fosse algo bastante real e importante  mesmo que não passe de um jogo de computador. É razão para pensar “Obrigada novos media, graças a voces posso ter a quinta que sempre sonhei!”

Ana Raquel Martins

http://www.youtube.com/watch?v=bpPEXNtz_TY

Pintura e Fotografia

O Homem sempre tentou reproduzir e fixar aquilo que percepciona. A pintura, como forma de representação da realidade surgiu ainda na pré-história com as imagens rupestres, e acompanhou-nos durante toda a nossa evolução. Há já alguns séculos que é reconhecida como uma das mais sublimes formas artísticas.
No século XIX surgiu a fotografia, que veio impressionar a sociedade pela sua representação extremamente realista das coisas. Durante a segunda metade do século XIX pintura e fotografia opuseram-se; a pintura continuava a ser encarada como arte enquanto que a fotografia não obteve logo esse estatuto, por ser um processo mecânico que captava imagens através de fenómenos físico-químicos. Os fotógrafos eram vistos com técnicos e não como artistas. A pintura por sua vez rompia a barreira da representação ao recorrer à sensibilidade e ao intelecto do pintor.
A fotografia colaborava com a ciência e os seus registos realistas respondiam as novas necessidade sociais. Era inicialmente muito cara e inacessível às classes mais baixas mas este obstáculo estava a ser superado graças às evoluções do processo fotográfico.
Uma classe de pintores, os miniaturistas, especialista em pintar retratos de pequenas dimensões (para que pudessem ser enviados por carta por exemplo), começou a ver a sua actividade reduzida. Alguns, valendo-se da sua enorme destreza técnica, especializaram-se em pintar pormenores minuciosos nas fotografias.
A fotografia era mais rápida, mais realista e permitia a multiplicação de uma única imagem, contudo, não fez com que a pintura perdesse o seu estatuto. A criatividade que os artistas exibiam nos quadros continuava a ser valorizada.
A determinada altura pintura e fotografia começaram a colaborar entre si e a evoluírem uma com a outra.
As técnicas pictóricas passaram a ser mais fluidas, livres e espontâneas uma vez que as reproduções mais fidedignas podiam ser obtidas com a fotografia. Os pintores recolhiam fotografias das paisagens e dos modelos para poderem depois pintá-los no conforto dos seus ateliês. A pintura passou a fazer uma exploração mais plástica dos enquadramentos e assumiu um olhar mais casual em relação aos objectos.
Os cenários dos ateliês fotográficos eram por sua vez frequentemente pintados por artistas da época. Enquanto arte, a fotografia apropriou-se de muitas das temáticas da pintura e foi buscar inspiração a alguns dos quadros mais famosos da história. Seguem-se alguns exemplo:

Pintura: Jean Steen, sec. XVII. Foto: Lois Camille d'Oliver, 1856.


Pintura: Courbet, sec. XIX. Foto: Villeneuve, sec. XIX.


Desenho: Courbet, 1850. Foto: August Belloc, 1855.


Pintura: Vermeer, 1665. Foto: Eduardo Sena, 2003.

Helena Almeida é uma artista contemporânea portuguesa cujo trabalho assenta essencialmente em auto-retratos a preto e branco, com intervenções pictóricas. O seus trabalho representa muito bem o modo como fotografia e pintura podem coexistir e estabelecer um simbiose entre si. Seguem-se algumas exemplos do trabalho da artista:

Joyce Lopes

Máquina-Homem

Hoje em dia, deparamo-nos  com uma sociedade em que o individualismo está morto. Poucas são as pessoas que têm ideias próprias e todos se sentem acomodados. Quando saímos à rua são raras as diferenças que conseguimos notar de pessoa para pessoa, visto que, apesar das raras excepções, a grande maioria das pessoas segue modas e conceitos, cada grupo “tem a sua maneira de agir.” São vários os factores que ajudaram as coisas a chegar a este ponto e, na minha opinião, os média são um deles. A evolução e a tecnologia trouxeram consigo coisas impensáveis até à época mas, por outro lado, trouxeram também coisas bastante negativas. Vejamos o computador, o nosso “melhor amigo”, já que nos ajuda no dia-a-dia no trabalho, nos estudos e nos permite conversa a longa distância com aqueles de quem mais gostamos. Por outro lado, o computador e a Internet geraram graves problemas como a pedofilia, o tráfico, a exposição excessiva de mulheres ou homens em redes sociais (onde muitas vezes mostram o seu corpo), entre outros. Podemos comunicar com pessoas que não conhecemos de lado nenhum e essas pessoas podem ficar a saber a nossa vida toda através de um clique no rato ou no teclado. A grande questão é que, a meu ver, o computador e a internet são essenciais para o ser humano (já não imagino este mundo sem eles) mas se forem utilizados devidamente. Devemos ser nós a gerir o que podemos ou não fazer com a sua utilização, mas também devemos ser ensinados pela “máquina”, aprender o que ela tem para nos ensinar e utilizar isso no nosso quotidiano. Por exemplo, quantas vezes não damos erros ortográficos ou escrevemos com abreviações, de forma incorrecta? Imensas vezes! Mas, se formos escrever no computador, ele não deixa que isso aconteça, ensina-nos a escrever correctamente, dá-nos uma lição sobre o que não deve ser feito, não nos deixa escrever com “X’s” e afins só porque está na moda. São várias as conclusões que se podem tirar desta temática, mas penso que o mais importante é que tanto a máquina  como os média ensinam o ser humano e  vice-versa.

Ana Raquel Martins


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