A “obsoletização” da tecnologia, o paradoxo da PSP

Cada vez mais constante, a actualização da tecnologia produz-se a um ritmo alucinante. Uma lógica perfeitamente implantada na consciência colectiva que nos incute a ideia de que o telemóvel que compramos hoje estará já obsoleto daqui a uma semana, como vimos em aula, com o exemplo do Ipod Touch. Uma premissa que, se espelha o carácter evolucionista dos tempos que vivemos, deixa transparecer também uma lógica mais perversa.

Sei que já abordaram a temática dos dispositivos de videojogos neste blogue, no entanto não posso deixar de voltar a falar no caso da empresa Sony e das suas consolas pelo modelo paradigmático que representa da questão que levanto. Tomemos como exemplo a PlayStation Portable (ou PSP): apenas cinco anos separam o lançamento da sua primeira versão da actualização mais recente (a PSP Go), no entanto pelo menos quatro versões intercalam esse período.

O lançamento da primeira versão da consola (PSP-1000) deu-se sob grande pompa e circunstância. A Sony garantia então o seu primeiro grande suporte multimédia portátil. Mais do que uma simples consola, o novo dispositivo permitiria ver vídeos, consultar fotografias e, graças ao sistema wi-fi, navegar na internet.

Anúncio da PSP-1000


Foram precisos apenas dois anos para que a Sony anunciasse o lançamento da sucessora, a PSP Slim & Lite (PSP-2000), e as grandes inovações que esta preconizava: uma porta de saída de vídeo, um novo controlo do wi-fi e um corpo mais fino e leve. Rapidamente, o modelo antecessor é tido como ultrapassado e a sucessora ocupa o lugar de destaque nas prateleiras das grandes superfícies, com um preço de lançamento.

Anúncio da PSP-2000


Menos de um ano depois, surge um novo modelo, a PSP-3000. As grandes mudanças da nova versão? Um microfone embutido, um novo design do menu e novas cores no screensaver. Pequenas alterações que não deixaram, contudo, de ser motivo para que fosse apresentada como uma nova série. Nova série que voltou a ocupar o espaço de novidade nas prateleiras e, novamente, com um preço de lançamento.

Anúncio da PSP-3000


Finalmente, em 2009, é apresentada a última versão da consola, a PSP Go. Novas actualizações (desta vez realmente palpáveis) como um novo corpo, novas portas de saída, um sistema de bluetooth, memória interna e um ecrã mais pequeno, e novo lançamento a preço de novidade.

Anúncio da PSP Go


As sucessivas saídas de novos modelos foram sempre acompanhados pelo lançamento de packs promocionais, novos periféricos e novas potencialidades que lhe souberam sempre garantir um toque de novidade e constante actualização.

Obviamente, que esta não é uma lógica restrita à marca PSP (vejam-se as constantes actualizações da PS2 ou da PS3), e muito menos restrita à Sony. É uma linha seguida por todas as grandes empresas de novas tecnologias e novos média. Contudo, não deixa de suscitar uma série de questões.

Obedece esta lógica a um imperativo da evolução tecnológica, ou a uma mera estratégia comercial?

Que perspectivas de futuro se colocam a este raciocínio? Continuaremos a seguir este modelo? Ou viverá o futuro da disponibilização de dispositivos de actualização próprios?

E tendo como base a premissa de Michael Welsh Wesch, até que ponto a nossa dependência da máquina nos conduz à subordinação cega a esta lógica que nos é imposta?

Questões que urgem ser respondidas, pelo futuro que os novos média representam para o progresso e evolução social.

João Miranda

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