Arquivo de 17 de Março, 2010

As “e-folhas”

Se em vez de estar a premir tecla por tecla segurasse na minha mão direita uma caneta para com ela desenhar as letras, será que escreveria esta palavra?

Se em vez de pensar olhando para o cursor deste ecrã que me dita os segundos que passam, estivesse a fazê-lo nas linhas da minha folha de papel, seguiriam as minhas palavras este caminho?

Escrevo. Não dá para riscar. Afinal dá. Apago. Volto atrás. Esqueci-medosespaços. Carreguei numa teclaa duas vezes. Preparo-me para recomeçar… encravou. Apesar de usar as duas mãos para “escrever”, isto encravou. Espero. A paciência costuma ajudar nestes casos. Estava certa.

Não preciso de me preocupar em fazer-me entender com a minha caligrafia porque estas letras são milimétrica e geometricamente iguais, precisas, estandardizadas. Dispensam as imperfeições das minhas letras. Corrigem-me quando estou errada. E voltam a insistir se não respondo.

Aqui tenho as folhas que quiser para escrever o que me apetecer. Se não encravar, claro. Assim posso ser mais “amiga do ambiente”. Mas o papel continua a não precisar de electricidade.

Na verdade, o meio condiciona a mensagem. Molda-a, plasma-a ao seu próprio conteúdo, fá-la seguir um caminho que só é possível porque aquele meio e aquela mensagem estão sobrepostos.

Se tivesse usado uma folha de papel, teria sido assim?

Sara Oliveira

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O ser humano, um ser social

O ser humano é um ser altamente social. Uma prova disso é a sua constante necessidade de comunicar. Um dia, inventou a escrita. Noutro dia, inventou o telefone…

As mais antigas experiências conhecidas datam de 30000 a.C., sendo os precursores ou embriões da escrita ilustrações e pinturas em cavernas – pinturas rupestres -, pedras e pequenos objectos.

Escreveu em argila, papiros, tábuas de madeira, seda e papel. Resolveu experimentar escrever numa máquina e essa máquina deu então lugar ao teclado qwerty do computador e alterou completamente o processo da escrita.

A internet, um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados, permitiu o acesso a informações e todo o tipo de transferência de dados. Contém uma ampla variedade de recursos e serviços como o correio electrónico, a comunicação instantânea e a partilha de arquivos.

A partir do telefone, surgiu o telemóvel, que continua a sofrer inúmeras alterações e que, para além do serviço de chamadas, possui o serviço de mensagens escritas, de internet, jogos,…

Agora podemos fazer do nosso telemóvel um computador, comunicar através de redes sociais como o Messenger, o Facebook, o Twitter,… e aceder a conteúdos digitais onde e quando quisermos.

A ideia de que os média são uma extensão do ser humano está aqui presente, assim como o conceito de aldeia global de Marshall McLuhan. A tecnologia permitiu a interligação e a intercomunicação com o mundo.

Sara Godinho

Era da imprensa – “A Galáxia de Gutenberg”

Gutenberg foi o “pai” da tipografia, ou seja, da imprensa. Esta tecnologia tipográfica é fundadora da modernidade e da civilização industrial.

Da Era da escrita, que favorece a distância individual em vez do desenvolvimento, passamos à Era da imprensa,  que acentua o predomínio da visão e promove o desenvolvimento da ciência e do individualismo.

A invenção da tipografia deu origem ao primeiro bem de comércio uniformemente reproduzível, à primeira linha de montagem e à primeira produção em série.

A tipografia marca a divisão entre a tecnologia medieval e a moderna. A escrita é mecanizada e reduz assim o trabalho manual a termos mecânicos.

A cultura manuscrita era orientada para o produtor e não para o consumidor. Esta considerava mais a importância e a utilidade do material produzido do que as suas fontes ou origens. Foi com a tipografia que surgiu a preocupação com autores e títulos de autenticidade.

Assim, é com Gutenberg que a Europa entra na fase tecnológica do progresso.

A tipografia, palavra impressa, transformou o diálogo. Trocas de opiniões e ideias foram “colocadas em papel”, ou seja, em livros.

A portabilidade do livro contribuiu para o novo culto do individualismo. Esta característica criou uma crescente rapidez de leitura, tornada possível com a impressão de letra “à máquina” ao contrário da manuscrita que era muitas vezes difícil de decifrar.

A palavra impressa fez aumentar os níveis de educação e alfabetização e tendeu a criar um tipo uniforme de cidadão.

“A galáxia de Gutenberg dissolveu-se teoricamente em 1905 com a descoberta da curvatura do espaço, mas na prática foi invadida pelo telégrafo duas gerações antes disso”.

Assim, em 1905, acaba o período da cultura tipográfica ou visual. Acontece então a transição da era da imprensa para a era electrónica.

Marta Torres

Sobreviveríamos sem electricidade?!

Nos dias que correm, a tecnologia é provavelmente um dos assuntos mais tratados na  sociedade do século XXI. Isto porque, ela está presente nos nosso dia-dia. Por exemplo, se queremos falar com um amigo utilizamos o telemóvel, ou se queremos ouvir música  utilizamos o ipod, e quando, nos sentimos aborrecidos ligamos a televisão, ou então, vamos para o computador, onde ai podemos realizar todas estas mesmas tarefas e ainda mais. No entanto, isto só é possível pois, o inventor Thomas Edison criou a luz eléctrica. Este registou em 1093 patentes em diversos campos desde a luz eléctrica, ás telecomunicações, som, filmes, baterias, entre outros.

A luz  eléctrica acompanha-nos agora em tudo. A humanidade habituou-se de tal forma ao seu uso, que seria impensável vivermos sem ela nos dias que decorrem. Esta já faz parte da vida e quotidiano humano. Em casa, na escola, no trabalho, ou mesmo quando vamos na rua, pois, usufruímos de pequenos objectos electrónicos, como o muito falado telemóvel. Se ficassemos sem luz, isso seria a mesma coisa que ficarmos sem vida própria. Porque todos os dispositivos que utilizamos seriam inúteis. Ao falarmos da tecnologia surge-nos imediatamente uma série de qualidades, que nos ajudam no trabalhar e lazer, mas também, surgem defeitos, apontando a dependência como um dos factores mais prejudiciais. O facto é, que não poderíamos continuar na idade da pedra. Pois com certeza, o mundo não seria tão grande como ele é hoje.

Outra questão importante referir, é o fenomeno da Globalização, pois sem este, não teriamos conhecimento da maior parte das coisas existentes no mundo. E isso quereria dizer, que a tecnologia estava pouco desenvolv ida. Aqui possu dizer que toda a publicidade, marcas, disdpositivos  e produtos, dependem da globalização para se dispersar. Mas, a globalização, como fenómeno que é, para chegar ate nós  necessita da tecnologia . . .

 

                                                                                                                                                                                                 Juliana Alves

A evolução dos meios comunicativos segundo McLuhan

Na evolução dos meios comunicativos usados pelos Homens ao longo da história, Marshall McLuhan distingue três grandes períodos, culturas ou galáxias. São elas a cultura oral ou acústica, própria das sociedades não-alfabetizadas, cujo meio de comunicação por excelência é a palavra oral (dita e escutada), a cultura tipográfica ou visual (Galáxia de Gutenberg) que caracteriza as sociedades alfabetizadas e que, pelo previlégio atribuído à escrita e consequentemente à leitura, traduz-se na valorização do sentido da vista e por último a cultura electrónica, de que se podem já hoje pressentir alguns sinais e que é determinada pela velocidade instantânea que se caracteriza pelos meios eléctricos de comunicação e pela integração sensorial
para que estes meios apelam.

A cada uma destas configurações ou galáxias corresponde um modo próprio de o homem pensar o mundo e de nele se situar.

Assim, fundado na palavra oral, na capacidade de modulações infinitas e na proximidade aos factos de consciência, sentimentos e paixões, o homem de cultura oral está próximo de si e das coisas, preparado para discriminar as subtis variações dos seus afectos e para ter acesso a uma rica, densa e multiforme experiência do mundo. Pelo contrário, a palavra escrita ao previlegiar um sentido único, que é a vista, reduz a capacidade expressiva e comunicativa da experiência subjectiva do mundo, da sua densidade e pluridimensionalidade. Composta por elementos móveis, a escrita determina uma consciência linear, um método de segmentação homogénea, um processo de fragmentação das tarefas cognitivas, um modo de vida repetitivo e uniformizante entre indivíduos singulares.

Por outro lado, pela sua riqueza sinestésica e sugestiva, a palavra oral suscita a criatividade de quem fala e de quem ouve, estimula a imaginação, deixa o ouvinte livre para imaginar a seu modo as realidades e acontecimentos de que ela fala, ao passo que a escrita favorece a adopção de um ponto de vista único, desenvolve a uniformidade de quem escreve e de quem lê, suscita a ordenação lógica do discurso permitindo a construção de saberes racionais.

Mas a palavra falada é também uma palavra escutada e, enquanto tal, a cultura oral/acústica supôe um outro tipo de proximidade, a proximidade dos homens entre si, isto é, a constituição de fortes relações grupais. É certo que, limitada no espaço pela audibilidade da voz, a palavra oral só percorre distâncias curtas, é limitada no tempo pela efemeridade e fugacidade da sua elocução, só permanece em memórias colectivas. Mas, por isso mesmo, os ouvintes tendem a manter-se próximos, ligados entre si por nexos familiares e de estreita convivencialidade, relações tribais ou laços de cidadania (o caso da cidade Grega, limite da democracia) e pela necessidade de manter viva uma memória colectiva.

Já no que diz respeito à escrita, sobretudo quando a sua reprodutibilidade é sustentada pela imprensa, a sua permanência no espaço e no tempo torna possível a constituição de colectividades nacionais alargadas, sociedades dispersas por extensões geográficas consideráveis, permite a constituição regulada de memórias externas, registos, inventários, arquivos de toda a espécie mediante os quais se garante a eficácia judicativa da lei, se criam condições para a extensão da cultura, para a formação de um público laico, para a democratização da instrução, para a construção e vulgarização do saber.

Quanto aos meios de comunicação eléctrica, a sua instantaneidade, a velocidade com que a difusão das mensagens é feita, o carácter massivo da sua recepção (difusão), não só permite a partilha de experiências distantes e exóticas, como promove um novo tipo de aproximação social, agora em larga escala. Como McLuhan escreve no prólogo da sua obra “The Gutenberg Galaxy”, “A era electrónica, que sucede à era tipográfica e mecânica dos quinhentos últimos anos, coloca-nos face a novas formas e a novas estruturas de interdependência humana”.

Por outro lado, o facto de os meios electrónicos de comunicação, em especial os audio-visuais, se dirigirem de forma directa e envolvente à sensibilidade múltipla do espectador, tem como efeito, um apelo à integração sensorial, desencadeia uma apreensão pluridimensional e polimórfica e permite restaurar a riqueza expressiva da comunicação oral. Não é pois de estranhar que McLuhan possa defender que as novas formas de interdependência que a tecnologia electrónica arrasta consigo estejam, afinal, a recriar o mundo à imagem de uma “aldeia global” atravessada, e mesmo constituída, por redes altamente complexas de velozes e vibrantes meios de comunicação.

Olga Pombo, ‘O Meio é a Mensagem‘ (s/data), pp. 3-6.

Ana Catarina Monteiro


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