Arquivo de 22 de Março, 2010

O clássico ao contrário

A Alice do imaginário de milhões de pessoas já não é mais o que era. A paleta de cores inverteu-se. A sombra e o esfumado estão agora na base dos cenários do País das Maravilhas do século XXI, de Tim Burton. O “Wonderland” de 1882, do escritor Lewis Carroll, é agora um “Underland” de 2009 transposto para o grande ecrã em três dimensões.

A subversão de Tim Burton, em Alice no País das Maravilhas, é gritante. No fundo, um clássico ao contrário: inverte paradigmas, subtrai convenções e re-modela uma realidade “parcialmente nova”.

Recuando dois séculos,  encontramos a curiosa afirmação do escritor escocês, Thomas Carlyle: “o velho já passou, mas, infelizmente, um novo não surgiu em seu lugar”. Tal asserção pode encaixar-se no conceito de remediação que desenvolveram os autores Bolter e Grusin.

Essa remediação, entendida como a “lógica formal através da qual os novos media transformam as formas de media anteriores” (Bolter e Grusin, 1999), é comprovada com tecnologia 3D, o garante dessa transformação.

É também através desta “remediada” tecnologia que o conceito de imediação dos mesmos autores está muito presente. A realidade 3D elimina, ainda que por apenas 1h48min, a linha que separa o real do não-real.

Contudo, o facto de co-existirem seres humanos e fantásticos numa mesma tela poderá acentuar de alguma forma a hipermediação, desenvolvida também pelos mesmos autores. Neste caso são as formas que denunciam o próprio meio, ou seja, é através do gato Cheshire ou do Coelho Branco que nos apercebemos que não passa de uma tela.

A transformação da lagarta em borboleta no final do filme e o clássico “nada se perde, tudo se transforma”, de Lavoisier, é recuperado. É no fundo a essência desta nova versão de Burton e acaba por sê-lo também na teoria dos norte-americanos Bolter e Grusin.    


Sara Oliveira

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O 3D não pode continuar a viver no Reino da Fantasia

O exercício de hoje não difere muito dos tempos em que as três dimensões do cinema se produziam apenas através de uma distorção de imagens anáglifas, em duas cores – o azul (ou verde) e vermelho¹. A técnica reside, hoje, na polarização da imagem, isto é, na projecção de duas imagens de duas perspectivas diferentes, que concebem no cérebro a ideia de tridimensionalidade².

A mesma prática que preside, de resto, a todos os filmes 3D que desde 2009 têm povoado as salas de cinema. E a mesma prática presente em “Alice no País das Maravilhas”, o mais recente filme de Tim Burton, que muito alarido causou em torno da tecnologia avançada empregue em todo o processo de rodagem e edição, o 3D. O último reduto de Hollywood, como muitos afirmaram.

E a verdade é que se toda a nova tecnologia conseguiu demonstrar efeitos impressionantes do ponto de vista da imediacia transparente, como desenvolvida Bolter e Grusin, em que nos sentimos parte de toda a acção e nos deixamos envolver em toda o plano ou cenário (questão dialéctica levantada pelo 3D), em filmes como “Beowulf” ou “Avatar”, resulta numa tremenda falha em “Alice no País das Maravilhas”.

Não obstante a utilização de portentosos óculos adaptados às exigências do 3D, o que já por si encerra uma enorme carga de hipermedicia (em que nos é imposta a presença do meio), talvez por defeito do filme ou da própria sala, a presença da tecnologia 3D torna-se demasiado presente nas inúmeras ocasiões em que a técnica é levada ao extremo, causando distorções aberrantes da própria imagem.

Hipermediacia presente ainda na abusiva técnica de mistura de elementos gráficos, gerados na edição em computador, com elementos filmados, o que se traduz numa anómala miscelânea plástica.

Na semana em que foi lançada a primeira televisão 3D em Portugal, e em que a tridimensionalidade é cada vez mais patente como o redentor do cinema comercial, interessa perceber que existe ainda um grande caminho a percorrer até à justa afirmação desta nova tecnologia.

1

Proposta de técnica anáglifa para “Alice no País das Maravilhas”

2

Frame polarizado de “Alice no País das Maravilhas”

João Miranda

Cyberbulling.

Ao longo da sua existência, todo e cada ser humano é confrontado, eventualmente, com situações desconfortantes, actos premeditados e repetidos de violência física ou psicológica, praticados para o intimidar ou agredir. Para denominar esta prática utilizamos o anglicanismo “Bulling”.
Esta vicissitude ocorre, sobretudo, nas camadas mais jovens da sociedade, tendenciosamente agravada pela descrença em valores morais simples, como, por exemplo, o respeito e a franqueza. Porém, esta sobrecarga amoral é resultado, também, do descontrolo tecnológico que se vive nos dias de hoje. É raro o indivíduo ocidental que não possui telemóvel ou que não acessa à Internet frequentemente. Hoje, praticamente toda a juventude tem uma conta numa das inúmeras redes sociais que lhes possibilitam conhecer outro sem número de pessoas novas e saber tudo relativamente às pessoas conhecidas. Partilham informações pessoais, que vão desde a música ou filme favorito, ao e-mail e, até mesmo, a morada ou o número de telemóvel. Evidentemente colocam-se numa situação de risco, dado o crescente número de indivíduos com perturbações do foro psicológico, de cariz, muitas vezes, sexual. Este facto preocupante, contudo não tão considerável, é constantemente posto de parte, quando, na maioria dos casos de dito Cyberbulling, os principais agentes são pessoas do grupo de amigos virtuais de determinado indivíduo. Estas podem, através da fraca segurança relativa às passwords de determinados espaços virtuais comuns, alterar toda uma conta, de modo a humilhar e degradar o sujeito em questão. Podem, inclusive, utilizar informações pessoais para perseguir, acossar e molestar a um nível público. É, efectivamente um acto de crueldade virtual que tende a ganhar proporções alarmantes, embora seja evidente a preocupação geral do cidadão actual. A nível nacional e lusófono, podemos apelar ao site http://www.miudossegurosna.net/, fundado por Tito Soares,

“um projecto que ajuda Famílias, Escolas e Comunidades a promover a utilização responsável e segura das novas tecnologias de informação e comunicação por crianças e jovens.”

Neste site encontramos editoriais que consciencializam o leitor de toda a problemática que a utilização incorrecta da Internet pode levantar, sobretudo a nível das camadas mais jovens.
Em suma, esta é uma temática pouco presente no quotidiano, sobretudo a nível nacional, tendendo, porém, a ser encarada de frente por cidadãos preocupados com o bem-estar da sociedade futura.

Ana Rafaela Calheiros

A “descoberta” do 3D

 Recentemente chegou até nós aquilo a que se chamou não só o filme do momento, mas também o filme da década.

Avatar, de James Cameron surgiu para nos direccionar a um outro mundo. Um mundo em que a relação tela/espectador é mais próxima. Segundo a teoria de Bolten, cria-se uma maior imediação, isto é, uma maior transparência do meio. No entanto, basta o decorrer de alguns minutos para que o espectador perca o entusiasmo inicial produzido pelo efeito do 3D, e depois de nos habituarmos ao relevo da tela, apenas se torna importante o seguimento que a história irá levar.

No filme de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas,quantos de nós, depois do impacto inicial, não pensamos se seria melhor o filme sem o efeito do 3D para desta forma ser mais fácil a percepção de todos os detalhes e animações que é possível ao espectador visualizar.

Francis Ford Coppola foi questionado por João Lopes no Estoril Filme Festival  sobre o que achava do fenómeno 3D ao que este respondeu:

” Acho que é uma brincadeira. No essencial, o 3-D não mudou desde os anos 50, continua a ser com óculos. Não passa de uma tentativa patética dos estúdios para combater a pirataria, os downloads e outras formas de entertainment como o desporto. Alguém acredita que o 3-D pode melhorar uma má história?

Este é outro ponto que se evidencia com a questão do 3D. Já sendo nos dias de hoje e na nossa sociedade impossível ir várias vezes ao cinema por mês, como será daqui para a frente em que todas as películas serão em 3D e, por isso mais caras visto que, é necessário a aquisição de óculos próprios e que estes pelo menos na maior parte dos cinemas não são renováveis.

Quanto à pergunta retórica que Coppola faz, necessito de referir novamente o filme Avatar considerado por muitos o melhor da década e o filme mais rentável de sempre. Ora, Avatar é Pocahontas + The New World sem nunca chegar a níveis de emoção de qualquer um destes. Passando a citar o próprio João Lopes:

“Assim, o filme mais rentável de sempre continua a ser E Tudo o Vento Levou (1939), já que as suas receitas, cerca de 200 milhões, correspondem a um valor próximo dos 1500 milhões, quase o triplo daquilo que Avatar conseguiu até agora. Na lista de receitas corrigidas pela inflação, Avatar surge não em primeiro, mas no 30º lugar. No Top 10, o único filme dos últimos 25 anos é Titanic (6º lugar). Por exemplo, Branca de Neve e os Sete Anões (1937) ocupa o 10º lugar com 800 milhões de receitas.”

Para terminar, deixo o vídeo em baixo para apenas salientar que mesmo sem a tecnologia do 3D um filme não deixa de ser tão bom ou melhor.

Ana Catarina Monteiro

A Alice de Tim Burton

 O filme é um dos mais esperados do ano. Timothy William Burton já nos habituou ao seu estilo e a grandes surpresas. A Alice no país das Maravilhas estreou este mês com o símbolo de qualidade da Walt Disney e de Tim Burton.

A primeira coisa a vir-me ao pensamento quando me lembro deste filme é a composição das personagens. As suas roupas, a maquilhagem, os discursos. Tudo tão pormenorizado que me deixava colada ao ecrã. Depois de Charlie e a Fábrica de Chocolate, entre muitos outros, Tim Burton, regresa agora em grande com a Alice no país das Maravilhas. 

O filme ficou um pouco aquém das minhas expectativas, que confesso, eram bastante elevadas. Não posso dizer que fiquei totalmente desiludida porque acho que isso não seria possível com um filme de Tim Burton. Foi bom rever todas as personagens que fizeram parte do meu imaginário infantil: o chapeleiro louco, o coelho branco, a rainha vermelha, entre tantos outros.

No entanto, não é possível falar deste filme sem referir o conceito de 3 dimensões. ” Imagens 3D, são imagens de duas dimensões elaboradas de forma a proporcionarem a ilusão de terem três dimensões” Os óculos que utilizamos para ver uma obra deste género, são fundamentais para que a criação da terceira dimensão seja possível. No seguimento das definições dadas em aula de: imediação e hipermediação, consegui encontrá-las no filme. A imediação é tudo aquilo que nos provoca uma sensação de realidade. É tudo o que nos quer transportar daquele mundo fantástico de ilusão e dar-nos a noção de que aquilo que estamos a ver é real.   

Os filmes em 3D são cada vez mais frequentes. Estão aos poucos a ocupar um lugar de destaque, ao mesmo tempo que nos mostram que a fantasia pode estar em contacto com a realidade.

Ana Filipa Fonte

E-política

Os sistemas político e mediático têm um trajecto comum moldado por interesses discordantes. De facto, os políticos encontram nos média uma forma eficaz de chegar aos cidadãos. Por sua vez, os média procuram apenas tirar proveito de acontecimentos políticos que interessam para o aumento das suas audiências (o que, por vezes, contraria os interesses dos políticos).

Definidos os objectivos de ambas as partes, pode dizer-se que cada uma delas pretende beneficiar com esta relação, mas fazendo-o de modo a limitar sempre a acção do outro. Assim, a pretensão do sistema político é fazer chegar uma certa mensagem ao público, arranjando maneiras de diminuir e até anular a interferência jornalística no seu conteúdo. Do mesmo modo, os média têm de fazer com que essa mensagem passe  por uma série de processos de selecção e codificação que, normalmente, retiram ao comunicado original grande parte da sua carga persuasiva. Há, portanto, uma negociação de interesses que leva a uma dependência mútua e que, por sua vez, conduz a um conflito entre os dois lados.

Porém, os cidadãos não ficam alheios à contenda entre política e jornalismo, o que os faz colocar ambos em causa ou valorizar apenas um deles. Deste modo, a confiança entre as três partes é desfeita e todas elas buscam uma solução para tal. Assim, políticos e média procuram novas formas de se justificar, enquanto que os cidadãos buscam alternativas de acesso à informação. Muitos deles deixam de confiar na imprensa e passam a seguir formatos sem a mediação jornalística, como por exemplo os talk shows, os debates televisivos (ambos dão a oportunidade de colocar perguntas directamente aos candidatos) e a internet (como alternativa aos meios tradicionais). Este último, por vezes, está livre de qualquer controlo jornalístico, o que faz com que os políticos aproveitem, tirando partido disso.

De facto, os políticos começaram por ver no blogue uma manobra eleitoral bastante favorável. Criaram diários de campanha por toda a blogosfera ao perceberem que esta permitia um contacto directo com o eleitorado que arrecadaria muitos mais votos.

Contudo, devido à evolução das aplicações online, a campanha política modificou também os seus meios de comunicação. Hoje em dia os políticos utilizam quase todas as aplicações existentes, onde estão também incluídas as redes sociais. O exemplo mais mediático disto aconteceu nas últimas eleições presidenciais norte-americanas com Barack Obama. O actual presidente criou espaços em diversas redes sociais, tendo mais de 7 milhões de seguidores no Facebook, aderiu ao Twitter e criou um canal no YouTube onde colocava regularmente vídeos que apelavam directamente ao voto e que informavam sobre as suas propostas políticas.

Do mesmo modo, os partidos políticos portugueses aderem de forma cada vez mais activa a estes novos dispositivos. Mas não são só os partidos que o fazem. No início de 2009, “com o objectivo de disponibilizar informação actualizada sobre as actividades do Presidente da República a cada vez maior número de utilizadores das novas ferramentas de partilha na Internet, a Presidência de Portugal” anunciou a sua presença “com canais no YouTube e Sapo Vídeos, na rede social Twitter e na comunidade Flickr” (http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=23706).

Concluindo, todos estes dispositivos fazem parte do dia a dia de milhões de cidadãos em todo o mundo e, logicamente, são uma forma de o eleitorado interagir mais fácil e regularmente com os políticos. Mas será que estas aplicações informáticas substituirão a maneira tradicional de contactar com o eleitorado ou apenas a complementarão?

http://www.presidencia.pt/?idc=22&idi=23705

http://www.facebook.com/#!/pages/Francisco-Louca/150887489198?ref=ts

Mónica Coelho

Redes sociais

Hi5, twitter, facebook, myspace. Nos dias de hoje quem é que não está inscrito numa rede social? Um em cada três portugueses está presente.

Nas redes sociais as pessoas comunicam, partilham, divulgam pensamentos, momentos, episódios das suas vidas. É um mundo onde todos se encontram e “convivem”. Trocam-se comentários, mensagens, fotografias, vídeos, músicas, entre outras coisas. Nas redes sociais podemos marcar uma atitude, tomar posições sobre assuntos relevantes e mostrar o nosso ponto de vista ao resto do mundo.

As páginas pessoais são uma espécie de bilhetes de identidade mais pormenorizados e mais abrangentes. Mostram a nossa maneira de ser, as nossas emoções, o nosso dia-a-dia. Pode dizer-se que são como diários de vivências e experiências que se partilham.

Na minha opinião, as redes sociais são divertidas e vantajosas se as soubermos utilizar para os melhores fins. Contudo, faz-me uma certa confusão quem utiliza estes suportes para procurar amizades e até mesmo relacionamentos mais sérios. Mas estas são as vantagens e desvantagens das novas tecnologias, da globalização. Os meios de comunicação são tão diversos e tão acessíveis que há que haver bom senso e inteligência na sua utilização. Podem ser utilizados para causas nobres como por exemplo encontrar dadores para situações extremas ou recolher donativos e apoios para vítimas de catástrofe.

Sara Reis Araújo


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