A “descoberta” do 3D

 Recentemente chegou até nós aquilo a que se chamou não só o filme do momento, mas também o filme da década.

Avatar, de James Cameron surgiu para nos direccionar a um outro mundo. Um mundo em que a relação tela/espectador é mais próxima. Segundo a teoria de Bolten, cria-se uma maior imediação, isto é, uma maior transparência do meio. No entanto, basta o decorrer de alguns minutos para que o espectador perca o entusiasmo inicial produzido pelo efeito do 3D, e depois de nos habituarmos ao relevo da tela, apenas se torna importante o seguimento que a história irá levar.

No filme de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas,quantos de nós, depois do impacto inicial, não pensamos se seria melhor o filme sem o efeito do 3D para desta forma ser mais fácil a percepção de todos os detalhes e animações que é possível ao espectador visualizar.

Francis Ford Coppola foi questionado por João Lopes no Estoril Filme Festival  sobre o que achava do fenómeno 3D ao que este respondeu:

” Acho que é uma brincadeira. No essencial, o 3-D não mudou desde os anos 50, continua a ser com óculos. Não passa de uma tentativa patética dos estúdios para combater a pirataria, os downloads e outras formas de entertainment como o desporto. Alguém acredita que o 3-D pode melhorar uma má história?

Este é outro ponto que se evidencia com a questão do 3D. Já sendo nos dias de hoje e na nossa sociedade impossível ir várias vezes ao cinema por mês, como será daqui para a frente em que todas as películas serão em 3D e, por isso mais caras visto que, é necessário a aquisição de óculos próprios e que estes pelo menos na maior parte dos cinemas não são renováveis.

Quanto à pergunta retórica que Coppola faz, necessito de referir novamente o filme Avatar considerado por muitos o melhor da década e o filme mais rentável de sempre. Ora, Avatar é Pocahontas + The New World sem nunca chegar a níveis de emoção de qualquer um destes. Passando a citar o próprio João Lopes:

“Assim, o filme mais rentável de sempre continua a ser E Tudo o Vento Levou (1939), já que as suas receitas, cerca de 200 milhões, correspondem a um valor próximo dos 1500 milhões, quase o triplo daquilo que Avatar conseguiu até agora. Na lista de receitas corrigidas pela inflação, Avatar surge não em primeiro, mas no 30º lugar. No Top 10, o único filme dos últimos 25 anos é Titanic (6º lugar). Por exemplo, Branca de Neve e os Sete Anões (1937) ocupa o 10º lugar com 800 milhões de receitas.”

Para terminar, deixo o vídeo em baixo para apenas salientar que mesmo sem a tecnologia do 3D um filme não deixa de ser tão bom ou melhor.

Ana Catarina Monteiro

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