Arquivo de 23 de Março, 2010

3D: O que mudou?

A tecnologia 3D tem como objectivo tornar o visionamento de um filme mais “real”dando-nos a sensação de que estamos mais próximos dos personagens ou mesmo que estamos “dentro” do filme.

É precisamente o que a versão a 3D do filme do último filme de Tim Burton, “Alice in Wonderland” pretende, sendo seguida de uma série de filmes estão para estrear.

Na minha opinião e também a partir da discussão que tivemos na aula, parece-me que se criam demasiadas expectativas quanto aos efeitos 3D só para depois muitos de nós ficarmos desiludidos.

De que forma é que tudo isto se relaciona com a teoria de Bolter e Grusin? O que mudou agora com a introdução do 3D no cinema e mais recentemente na televisão?

Segundo esta teoria de 2000, “Remediation: Understanding New Media”, na hipermediação a mediação opera segundo a lógica de opacidade, isto é, o meio mostra-se e torna a sua presença visível (neste caso os óculos usados para ver o filme a 3D).

A imediação opera segundo a lógica da transparência, isto é, o meio tenta esconder-se e torna-se invisível. Então no caso dos efeitos a 3 dimensões o meio é o que é “projectado” na nossa direcção, dando-nos assim essa sensação de realidade de que falei.

Anteriormente, na hipermediação o meio seria, por exemplo, a “multiplicidade de perspectivas (telas), marcas de pinceladas na tela, ou, mais tarde, representações múltiplicas dentro das janelas abertas no ecrã e os vários elementos das aplicações.”

Quando à imediação seria a “perspectiva linear (a tela como janela que cria a ilusão de continuidade entre espaço representado e espaço real)” ou a invisibilidade das aplicações informáticas.

Pessoalmente, não dou importância aos efeitos a três dimensões ou à realidade que isso me traz mas sim ao filme em si e à sua história.

Marta Torres

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Alice no País das Maravilhas “Evoluída”

A história da Alice no País das Maravilhas é bem conhecida por todos nós, uma vez que é a obra mais conhecida de Lewis Carroll, designadamente “Alice’s Adventures in Wonderland” (abreviado para “Alice in Wonderland”). Em 1951 a obra recebeu a adatpação para uma longa-metragem de animação produzida pela Disney.

Uma nova versão do filme foi adaptado por Tim Burton em 2009 com a única excepção de que o filme é exibido a 3 Dimensões. Isto porque a história é basicamente a mesma: “uma rapariga chamada Alice que cai em uma toca do coelho Branco e vai parar num lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas” como os irmãos gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, o Gato Risonho, a Lagarta, o Chapeleiro Louco e a Rainha de Copas. Tim Burton apenas faz de Alice uma rapariga mais velha que enfrentando um pedido de casamento foge e persegue o Coelho Branco acabando por cair novamente na toca.

A única diferença está no modo como o filme nos é apresentado. Tim Burton, como outros realizadores, apostou na imagem a 3 D misturando a “imagem real com a animação foto-realista” com o objectivo de criar ao espectador a ilusão de profundidade.

A evolução que foi sendo feita na fisionomia das personagens do filme também foi modificada: no filme a 3 D as personagens são apresentadas de uma maneira muito mais “louca” e extravagante dando a impressão de um mundo alucinado.

Evolução da personagem Alice desde livro até ao Filme a 3 D

Evolução do Chapeleiro Louco

Evolução da Rainha de Copas

O filme, em si, não me provocou o tão “efeito de profundidade” desejado. Confesso que já vi filmes a 3 dimensões melhores do que este (como foi o caso do ”Avatar”).

Talvez por me ter habituado a ver o filme clássico”Alice o país das maravilhas” da Disney, no filme de Tim Burton não consegui “entrar” no mundo da fantasia e da ilusão apesar do conceito de imediação estar presente no mesmo. Ou Seja, no filme não temos noção do meio e, por isso, somos “projectados” para dentro do espaço da tela . Porém, e nem mesmo com o recurso aos óculos especiais, consegui “entrar” para o “país maravilha”. Visualmente temos a noção de estarmos nesse local e não conseguimos afastar a realidade da ilusão, e assim esperava que o mesmo acontecesse comigo, mas o excesso de imagens a 3 dimensões fez com que, em vários momentos, tivesse vontade de tirar os óculos e ver o filme com “imagem normal” (2 D).

Mas, assim que tiramos os óculos percebemo-nos logo do meio, uma vez que não conseguimos ver o “imaginário” e perdemos o acesso à imagem. Quando isso acontece estamos perante o efeito de hipermediação (pegando no exemplo de uma janela, o efeito de hipermediação é ver a própria janela e o efeito de imediação é ver o que está para lá da janela).

Espero que o próximo filme de Tim Burton traga um pouco mais de “realidade” e de originalidade.

Mónica Lima

Lewis Carrol a 3 dimensões por Tim Burton

Ao contrário do que muitos pensam, a tecnologia 3 dimensões é uma realidade com cerca de 50 anos (o primeiro filme em 3 dimensões foi visto num cinema americano em 1952). Desde então, e como seria de esperar, foi-se aprimorando esta tecnologia em termos de som, formato de exibição da imagem, reformulação dos oculos de vizualização (na altura com uma lente vermelha e outra azul, as quais se veio a descobrir causavam náuseas e dor de cabeça devido ao esforço visual que era feito).

A 3ª dimensão é uma ilusão da mente, sendo apenas possivel através de um fenómeno natural de seu nome estereoscopia (simulação de 2 imagens que são projetadas nos olhos em pontos de observação diferentes, o cérebro funde as duas imagens obtendo informações quanto à profundidade, distância, posição e tamanho dos objetos, dando a sensação de visão de 3 dimensões). Nas filmagens a 3 dimensões são captadas 2 imagens ao mesmo tempo, a correção de enquadramento é feita por softwares específicos, em tempo real, que reduzem as oscilações na imagem, deixando a composição mais realista. Por norma, é usada uma câmara estereoscópica que faz a simulação do olho humano sendo, ainda assim, necessário fazer o controlo do zoom, foco, abertura, enquadramento (que deve ser exatamente o mesmo) e o ângulo relativo entre as duas lentes da câmara.

O 3D, por enquanto, é a arma mais eficaz para combater a pirataria, porém já existem marcas a pensar em televisões de efeito 3D sem utilização dos óculos. E, como é isso possível? O segredo encontra-se em ecrãns de cristal líquido. Ou seja, na televisão a 3D são criadas 2 imagens em simultâneo, que vistas através de uma lente no próprio cristal líquido, fazem com que o cérebro perceba apenas uma única imagem, criando a ilusão da terceira dimensão.

Alice in Wonderland (ou  Alice no País das Maravilhas) conhecido também como Tim Burton’s Alice in Wonderland, é o novo filme de Tim Burton a 3 dimensões. Antes deste, já muitos filmes a 3 dimensões sairam no cinema porém nenhum com tanta propaganda como este ou “Avatar”, o primeiro por ser um filme de Tim Burton e ser uma história infantil trazida para o Mundo Real e das Novas Tecnologias e o segundo pela enorme propaganda, pelo dinheiro gasto e pelas novidades que ele acarretava no mundo da 3ª dimensão.

Apesar  dos êxitos de bilheteira  de “Avatar”, “Alice in Wonderland” encontra-se à 3 semanas como o filme mais lucrativo de bilheteira, excluíndo nos Estados Unidos, e só esta semana se estreará em França e em salas de cinema da China.  Todo este histerismo em torno do filme espanta-me pois foi um filme que não me agradou de todo, Tim Burton quis  “transportar” o livro de Lewis Carrol para o cinema das novas tecnologias e, ao fazê-lo deixa para trás a originalidade e alma do texto  do autor, não fazendo avanços nenhuns nesta  tecnologia das 3 dimensões.  Também o filme não faz nenhum  avanço com as personagens, a queda no buraco do coelho não trouxe nada de novo à vida de Alice, ela saíu como entrou. E, ao contrario do que é dito, este é um filme em que não se vê a “marca” de Tim Burton.

Ana Rita Freitas

O Courrier da Microsoft e a “tribalização” da tecnologia

Se o aparecimento da Era da Escrita, e subsequentemente a Era da Imprensa, veio aniquilar os elementos que caracterizavam a era anterior – a tribal – através dos novos meios que encerrava, e que introduziram a perda da interactividade multissensorial, em prol de uma percepção unidireccional, o surgimento da Era Electrónica veio colocar essa evolução em causa, até mesmo, se assim o podemos entender, recuperar diversos elementos da Era Tribal.

Conseguimos depreender que com a entrada na Era Electrónica e com a adopção de meios que podemos caracterizar, segundo a tipologia de McLuhan, de “frios” (isto é, que exigem uma maior participação do utilizador, como a televisão ou o telefone), os meios “quentes” acabaram relegados para um segundo plano. Ou seja, hoje privilegiamos os meios que nos exigem uma maior interacção e envolvimento no seu funcionamento – abandonamos o cinema para a televisão, deixamos o jornal ou os livros pelo computador.

O ritmo de exigência de participação nos meios tem evoluído a um ritmo brusco, que conduz as próprias empresas de produção a encontrar sempre novas formas de ultrapassar esta mesma vontade.

Na senda desta premissa, encontramos o Courrier o apregoado ‘tablet’ da Microsoft, já anunciado na Gizomodo e Engadget. Com uma forma de livro e ‘user friendly’, o novo concorrente do iPad garante a possibilidade de conseguir executar quase tudo – agenda pessoal, e-book, gps, entre outras inúmeras funções.

No entanto, não deixar de ser clara a dependência do utilizador que o dispositivo exige. Ainda que sob a alçada de uma discreta pen ou do ‘touchscreen’, que transparece a utilização do meio, a interacção está sempre presente.

Porém duas questões intervêm relativamente à evolução que este dispositivo apresenta. Caminhamos para uma sociedade cada vez mais “quente”? Ou a necessidade de gerar dispositivos cada vez mais autónomos resultará numa nova inversão de tendências e, resultado disso, no surgimento de uma nova era tecnológica definida novamente pelo domínio dos meios “frios”?

João Miranda


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