Arquivo de 24 de Março, 2010

A máquina como extensão da mente

There is no way I want to stay a mere human.

– Kevin Warwick

Os mais desenvolvidos sistemas electrónicos da actualidade não chegam ainda a processar 20 mil instruções por segundo; o cérebro humano ronda as 100 milhões. Enquanto algumas pessoas vêem este facto como surpreendente e prova da superioridade humana, outras vêem-no como um desperdício de potencial.

Kevin Warwick é um dos mais famosos cientistas da actualidade, com um vasto trabalho que engloba áreas como a matemática, a robótica, e a inteligência artificial. No entanto, a sua reputação fora da comunidade científica deve-se principalmente à sua tentativa de unificar o homem e a máquina.

Em 1998, no seu Project Cyborg 1.0, começou por implantar um chip no seu braço, transmitindo-lhe sinais para averiguar a tolerância do corpo humano a estímulos electrónicos externos. Com o sucesso da experiência, o próximo passo foi implantar outro chip no seu sistema nervoso. Com ele, Warwick conseguiu fazer um braço robótico mover-se da mesma forma que o seu próprio braço, de forma automática. Mais tarde, ligou o seu chip à internet para controlar outro braço robótico a milhares de quilómetros de distância. Mais ainda, conseguiu “sentir” sempre que alguém tocava nesse braço. Em 2004, implantou um chip no sistema nervoso da sua esposa, criando assim a primeira comunicação totalmente electrónica entre 2 seres humanos, ainda que primitiva. Um dos seus objectivos a longo prazo é criar um sistema que permita a comunicação telepática.

Ainda que para algumas pessoas a ideia de implantar chips seja mera ficção científica, Kevin Warwick , que actualmente se encontra a produzir chips que ajudem doentes com Parkinson, refere várias aplicações que poderão melhorar a nossa vida: percepção extra-sensorial (desde infravermelhos a ondas sonoras), comunicação à distância sem a utilização de aparelhos electrónicos externos, downloads de informação directamente para o nosso cérebro, ou o controlo de membros robóticos por parte de paraplégicos.

Chega até a dizer que a implantação destes chips não é uma utilidade, mas sim uma necessidade. Cientistas como Bill Gates ou Hans Moravec acreditam que nos próximos 30-40 anos comecem a surgir máquinas com uma inteligência igual à nossa, e que essa máquinas comecem a construir outras superiores a elas mesmas. Warwick receia que estas máquinas concluam que a raça humana se tornou inútil e decidam eliminar-nos. A solução, para ele, é unirmo-nos a elas.

Daniel Sampaio

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Renderman

Renderman Interface Specification foi o nome utilizado para o programa dos estúdios da Pixar, na resposta à evolução tecnológica digital na animação.
Com a divisão da Lucasfilms, a Graphics Group que em 1986 acabaria comprada por Steve Jobs (co-fundador da Apple Inc), por 10 milhões de Dólares, ter-lhe-á mudado o nome para Pixar que tem origem espanhola e significará ”fazer pixels”. Cria a Pixar image computer e o CAPS, software que permite uma fácil coloração a computador da tradicional animação. Contudo o seu sucesso foi escasso e em 1991, após demissões em massa, assina um contrato com a Disney de 26 milhões de dólares em troca de 3 longas metragens animadas. O sucesso de Toy Story – Os Rivais (1995) foi tal que ambas as companhias assinaram um outro contrato de 10 anos ou 5 filmes onde ambas dividem custos e lucros de produção. Mas após diversos desentendimentos tanto pessoais como profissionais entre Jobs e Michael Eisner (Disney), estes, ditariam que Cars (2006) seria o último trabalho de união das duas companhias. Porém em Janeiro de 2006 um novo acordo é estabelecido tendo a Disney comprado a Pixar por 7,4 bilhões de dólares, tornando Jobs o maior accionista da Disney.
Tal como o nome indica, ” renderização do homem” é a tentativa de representação objectiva do real mas em animação 3-D, criando aquele efeito de profundidade que até a data não era possível. Renderman foi de tal modo inovador que permite aos seus utilizadores uma noção de quantidade, movimento, profundidade, brilho, entre outros, directamente através da imagem real de uma câmera, com opções de controlo literalmente instantâneas.
Um exelente exemplo disso é a facilidade na renderização de pêlo e cabelo. O primeiro caso foi o de Sulley em Monstros e Companhia onde o peludo monstro contava com 2.320.413 pêlos animados que com o uso de Renderman DSO (Dynamically Shared Object) distribui o cabelo por toda a personagem que lê a informação prestada pelo simulador e lhe atribúi uma espécie de ”pele”, que é chamada de ”builder” que é nada mais nada menos que toda a informação sobre cada um dos pêlos na qual se inclui cor, tamanho, movimento e outras caracteristicas unicas.
O sucesso do programa é tal que nos últimos anos a Pixar encarregou-se da remasterização de vários clássicos do cinema tais como O Abismo (1989) ou Exterminador Implacável II (1991)…

A influencia da era electrónica na Música

Visto que quando estudamos arte a primeira coisa a ter em conta é o contexto social em que ela surgiu, podemos arriscar dizer que é o meio abrangente que a cria. Com o boom tecnológico, novas formas de arte surgiram, não só pelos novos meios, mas também devido a novas formas de comunicação.

Especificamente na música, a era electrónica veio mudar radicalmente toda a sua concepção. O primeiro instrumento electrónico a ser criado foi o theremin. Duas antenas que captam a capacidade das mãos do instrumentista, como se fossem condensadores, são as responsáveis pela variação das frequências e do volume obtidos. Este instrumento, inventado nos anos 20, é a base de toda a tecnologia que vai mudar para sempre o rumo da música.

Provavelmente, o instrumento mais popular do nosso século é a guitarra eléctrica. Como o próprio nome indica, o instrumento está dependente da electricidade para funcionar. Quando surgiu, não foi criada para soar como estamos acostumados a ouvir. O objectivo era só aumentar o volume do instrumento, mas com mais avanços tecnológicos, foram criados novos meios para alterar a forma da onda da frequência produzida, o que deu origem a novos sons. Estes novos sons deram origem a novas músicas o que por sua vez originou novos estilos.

Se estivermos atentos, podemos ver uma evolução cronológica paralela entre a tecnologia e a música. Os anos 80 da música foram dos mais marcados pelas descobertas electrónicas. Talvez se explique o exagero de efeitos pela contemporaneidade das descobertas.

No nosso século, os avanços tecnológicos são notáveis de dia para dia. Como é óbvio, a música vai mais uma vez aproveitar tudo o que a tecnologia lhe pode dar como se vê no vídeo seguinte.

                                                                                                                   

                                                                                                                 Emanuel Taborda

Evolução, jornal electrónico

Um jornal de papel, mas sem papel. Um jornal electrónico, mas com o formato habitual do jornal impresso e que se pode levar para todo o lado.

Uma empresa britânica, em colaboração com a universidade de Cambridge, criou um e-jornal, que consiste num ecrã portátil, do tamanho de uma folha A4, leve, fino e em constante actualização.
Utiliza a mesma tecnologia que o Sony eReader e o Kindle da Amazon.com e pode ser continuamente actualizado via wireless, armazenar e mostrar centenas de páginas de jornal, livros e documentos.

Os jornais analisaram a tecnologia de perto durante anos. O formato ideal, uma tela flexível que poderia ser enrolada ou dobrada como qualquer outro jornal, ainda está a anos de distância, diz a E Ink. Mas os já previstos monitores a cores com imagens que se movimentam e banners interactivos e que podem ser clicados deverão existir em poucos anos, garante a empresa. «Em 2010, nós vamos produzir uma versão do monitor que poderá oferecer as cores do jornal», adiantou um responsável da E Ink.

O dispositivo electrónico permite reduzir os preços de produção do jornal. Além disso, os editores podem saber quem está a ler os artigos e quais artigos estão a ser lidos. Os anunciantes podem ainda saber qual é o seu público e direccionar seus produtos para os consumidores. A grande questão é saber quanto as pessoas irão pagar pelo aparelho e pelo serviço de assinatura.

Neste artigo, está presente a “remediação” de David Bolter e Richard Grusin. Esta remediação é um processo através do qual as novas tecnologias tentam melhorar ou voltar a mediar (re + mediar) as invenções anteriores. Remediar é transpor a informação para outro meio… neste caso, do papel para o dispositivo electrónico verifica-se uma transformação, transformação esta que passa a conter características do novo meio.

Em “Understanding Media”, Marshall McLuhan observou que o conteúdo de qualquer meio é sempre outro meio. O conteúdo da escrita é a fala, assim como a palavra escrita é o conteúdo da impressão e a impressão o conteúdo do telégrafo. Tal como os seus exemplos sugerem, McLuhan não estava a pensar numa nova proposta, mas num tipo mais complexo de “empréstimo” no qual um meio é incorporado ou representado noutro meio.

O meio original é re-apresentado em forma digital, sem aparente ironia ou crítica. A versão electrónica possibilita o acesso ao meio original e torna-se “invisível” para que o leitor estabeleça a mesma relação com o conteúdo como quando recorria a esse mesmo meio (conceito de “imediação”). Contudo, para além de textos, gráficos e fotografias, contém ainda recursos de vídeo. As melhorias são evidentes (“hipermediação”), mas o meio original não pode ser eliminado, pois os outros meios dependem dele para a evolução.

Sara Godinho

A Web “é” o Meio e a Mensagem

Quem não conhece a célebre frase de Marshall McLuhan: O Meio é a Mensagem?

Esta expressão e, passo a citar a professora Olga Pombo , “trata-se de uma formulação excessiva pela qual o autor pretende sublinhar que o meio, geralmente pensado como simples canal de passagem do conteúdo comunicativo, mero veículo de transmissão da mensagem, é um elemento determinante da comunicação. Enquanto suporte material da comunicação, o meio tende a ser definido como transparente, inócuo, incapaz de determinar positivamente os conteúdos comunicativos que veicula. A sua única incidência no processo comunicativo seria negativa, causa possível de ruído ou obstrução na veiculação da mensagem. Pelo contrário, McLuhan chama a atenção para o facto de uma mensagem proferida oralmente ou por escrito, transmitida pela rádio ou pela televisão, pôr em jogo, em cada caso, diferentes estruturas.” McLuhan defendia que um determinado meio iria ser o conteúdo de um novo meio, ou seja, o meio como o seu próprio conteúdo. Por exemplo, o conteúdo do telégrafo é a imprensa, da imprensa é a escrita, da escrita é a fala e da fala o telefone.

Na sua teoria, McLuhan considera também que as tecnologias de comunicação modificam o modo como os seres humanos pensam, ou seja, os media determinam a forma e a natureza humana.

Os pensamentos deste autor deixaram-me curiosa e realmente ao pensar em todas as questões que ele levanta basta olharmos um pouco para a nossa sociedade e para a realidade em que vivemos e dar-lhe razão.

A Web é, por excelência, o meio multimédia. A sua capacidade para integrar textos, fotos, vídeos, sons ou infografias é uma das razões que justificam o enorme sucesso deste meio junto dos utilizadores.

Alguns trabalhos de investigação em meios tradicionais demonstram que os índices de compreensão e recordação na imprensa são mais altos do que em notícias de rádio e televisão. Investigadores posteriores no campo da informação online indicaram que a redundância de conteúdos aumenta os índices de compreensão e de recordação. Como tal, sem dúvida, que as quatro vantagens que João Canavilhas, especialista em ciberjornalismo, identifica nas publicações Web fazem a diferença. “Imediaticidade, distribuição global, baixo custo e natureza arquivista. Destacando-se outras características como a hipertextualidade, a interactividade e a multimedialidade.”

A hipertextualidade (possibilidade de ligar blocos/nós de informação com links) oferece a sensação de controlo, algo que tem reflexos na satisfação e na percepção da credibilidade de um site; a multimedialidade (capacidade dos referidos blocos de informação incluírem conteúdos de várias naturezas, como vídeo ou áudio) tem influências nos índices de compreensão e satisfação dos usuários. Já a interactividade (possibilidade de interagir com o conteúdo) associada à hipertextualidade, parece influenciar a recepção de notícias, ao melhorar a recordação de conteúdos.

McLhuan faz também referência à hipertextualidade pois introduz uma nova variável – a leitura linear. “Mas o sucesso desta escrita depende da capacidade de resolução de um conflito entre os mundos analógico e digital: o contraste entre a linearidade do alfabeto, cujo formato A-Z impôs uma lógica de leitura linear, e a natureza digital dos computadores que organizam e recuperam dados em diferentes partes do disco de forma não linear.”

“Over the past few years I’ve had an uncomfortable sense that someone, or something, has been tinkering with my brain, remapping the neural circuitry, reprogramming the memory. My mind isn’t going – so far as I can tell – but it’s changing. I’m not thinking the way I used to think. I can feel it most strongly when I’m reading. Immersing myself in a book or a lengthy article used to be easy. My mind would get caught up in the narrative or the turns of the argument, and I’d spend hours strolling through long stretches of prose. That’s rarely the case anymore. Now my concentration often starts to drift after two or three pages. I get fidgety, lose the thread, begin looking for something else to do. I feel as if I’m always dragging my wayward brain back to the text. The deep reading that used to come naturally has become a struggle. I think I know what’s going on. For more than a decade now, I’ve been spending a lot of time online…’

É assim que inicia o artigo “Is Google Making Us Stupid?” de Nicholas Carr. A influência da Internet nos nossos dias não termina nos monitores dos nossos computadores, as mentes das pessoas tornam-se sintonizadas como se fosse uma “colcha de retalhos” dos média (a tal ideia que McLhuan referia que “os média como extensões do ser humano”).

Relembro mais uma vez a famosa citação de Marshall McLhuan, O Meio é a Mensagem. Sem dúvida que, com todas as novas tecnologias existentes, hoje, podemos entender com bastante clareza esta afirmação do autor. A Web, com as suas características técnicas condiciona e, cada vez mais, a forma das práticas culturais, da organização social e dos padrões de pensamento tornando-nos assim “habitantes” da tal aldeia global a que McLhuan também se refere.

Os média envolvem-nos a todos, é certo, mas, a internet tem-se tornado especial pois cria uma “rede” onde pessoas de qualquer parte do mundo, em questão de segundos, podem comunicar como se vivessem numa aldeia. McLhuan afirma que a internet, mais do que qualquer outro média, tráz-nos a sua visão para a materialização. Este meio de comunicação providencia uma visão multisensorial e fornece vários meios às pessoas para transmitirem as suas mensagens ao resto do planeta. O tempo e o espaço perdem assim o seu significado e o processo de globalização é cada vez mais evidente visto que, em um clique, podemos dar a volta ao mundo.

Márcia Oliveira


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