Arquivo de 8 de Abril, 2010

O advento do jornalismo automático

Há já algum tempo que havia sido concretizado o vaticínio futurista de Pessoa, do nascimento de maquinaria capaz de produzir arte, nos robôs pintores de Leonel Moura ou no NEvAR de Penousal Machado. O que falamos aqui é de uma dimensão diferente. Uma dimensão que ultrapassa os limites da produção abstracta de formas sem sentido, para a capacidade de criar uma linguagem inteligível e informação.

O exercício passa simplesmente pela programação de algoritmos de forma a imitar a estrutura de textos jornalísticos. Isto é, gerar programas capazes de recolher, interpretar, transformar e produzir artigos ou peças jornalísticas.

E se ainda num estado muito experimental, dois projectos americanos já deram provas das cartas que o computador consegue dar, autonomamente, no jornalismo.

O primeiro exemplo, o StatsMonkey, programa resultado de uma parceria entre a Escola de Jornalismo de Medill e da Northwestern University, funciona como um protótipo de vanguarda do jornalismo automático para o desporto. Recolhendo dados como o resultado de um jogo, os momentos mais importantes, estratégias de jogo e jogadores importantes, o StatsMonkey consegue produzir um texto, escolher um título e ainda seleccionar a foto com o jogador mais importante da partida, como o demonstra este texto,

Michigan State silences Notre Dame, 3-0

SOUTH BEND, Ind. — Tony Bucciferro put the Michigan State Spartans on his back Sunday and spurred them to a 3-0 win over the Notre Dame Fighting Irish (7-11) at Frank Eck Stadium.

Bucciferro kept the Fighting Irish off the board during his nine innings of work for Michigan State (12-4). He struck out five and allowed one walk and three hits.

Senior Matt Grosso was not able to take advantage of a big opportunity for the Irish in the ninth inning.

After freshman Frank Desico walked, Ryne Intlekofer doubled and Ryan Connolly was hit by a pitch, the Fighting Irish were trailing by three when Grosso came to the plate against Bucciferro with one out and the bases loaded, but he flew out.

Brandon Eckerle was perfect at the plate for the Spartans. He went 4-4 at the dish. Eckerle singled in the first, third, fifth and ninth innings and walked in the seventh inning.

Michigan State scored in two innings to claim the victory. The Spartans scored one run in the first and two runs in the third. In the first, senior Eric Maust gave up one run on a double by Jeff Holm. In the third, Maust gave up one run on a single by Holm. Later that inning, a run came in when Bo Felt reached on a fielding error by third baseman Adam Norton.

Maust took the loss for Notre Dame. He went six innings, gave up one walk, struck out three, and allowed three runs. Michigan State’s next game is on Friday, March 26 at Oakland.¹


O próximo passo do laboratório passa por adaptar o sistema para a produção de notícias locais e de economia.

Também desenvolvido na Northwestern University, o projecto News at Seven consiste em pequenos trechos informativos à laia de um telejornal. Os apresentadores são puros zeros e uns e toda a informação provém da actualidade recolhida pelo sistema que a subdivide, edita e organiza. O sistema é ainda capaz de recolher diversas opiniões e organizá-las segundo o princípio do contraditório. O programa apresenta, ainda assim, algumas falhas, como as vozes automatizadas que dificilmente se fazem entender.

Será este mais um virar de página em “1984”?

¹Texto retirado do artigo “In the US, algoritms are already reporting the news”, disponível em http://www.guardian.co.uk/media/pda/2010/mar/30/digital-media-algorithms-reporting-journalism

João Miranda

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Alice

Enquanto fan de Tim Burton, é possível que a minha opinião sobre o “Alice no país das maravilhas” seja um pouco duvidosa. Tenho ouvido muitas pessoas falarem de descontentamento em relação ao filme. Quanto a mim, o único reparo é que o título deveria ser qualquer coisa como “A Alice depois da Alice” visto que realmente não é da história de Alice que se trata, mas sim de um estudo do crescimento da personagem original.

Quanto à história, é sem dúvida comercial. A verdade é que não estava a espera de outra coisa. No caso deste filme, e um pouco à imagem dos últimos filmes que tenho ido ver ao cinema, a razão que me leva a ir vê-los a uma sala da Lusomundo é sem dúvida o factor hipermediático. Tenho que admitir, que tal como a grande maioria da população, 99% do cinema que vejo é em casa, principalmente por razões monetárias. Neste momento o que me leva a ir ver uma película na grande tela são os efeitos especiais e no caso da “Alice”, tal como no “Avatar” e na “Viagem ao centro da Terra” especificamente o efeito 3D.

O facto de eu ter a perfeita noção de que o que me leva a pagar quase 7Eur para ver um filme é ele ser projectado em 3D, torna ainda mais hipermediático o media em questão. É evidente que o uso dos óculos faz com que a presença do media seja notada, se bem que sou da opinião de que daqui a alguns anos seja tão natural que nem nos apercebamos da sua presença. Talvez nessa altura o cinema 2D seja o hipermediático, tal como se virmos agora um filme dos irmãos lumière vamos reparar mais no media do que na história. Isto acontece porque nos apercebemos agora de como era primitiva a tecnologia do início do século, tal como pode acontecer daqui a cem anos relativamente à tecnologia actual.

                                                                                                                                           Emanuel Taborda


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