Cyberbullying, “Uma Linguagem dos Novos Media”?

“O bullying é um dos temas que, ultimamente, mais têm sido debatidos pelos meios de comunicação social. Muitos são os casos explícitos de bullying, que, na sua maioria, são ignorados e apelidados de “coisas de criança”. O bullying distingue-se por ser um tipo de violência intencional, de carácter físico, verbal e/ou psicológico sobre um ou mais indivíduos, exercido continuamente durante um período de tempo ilimitado. Este problema torna-se possível a partir do momento em que alguns estudantes têm maior poder do que outros e várias vezes as consequências da sujeição a este fenómeno são extremas, como é o caso do suicídio.”

No decorrer dos últimos tempos e com a emergência das novas tecnologias, o bullying adquiriu novos contornos e deu origem a um outro fenómeno: o cyberbullying. O cyberbullying é o bullying praticado com recurso às novas tecnologias, sejam elas o telemóvel ou a Internet. Fenómeno moderno ou consequência da evolução, o cyberbullying é ainda uma realidade pouco conhecida mas com efeitos de algum modo preocupantes.

O cyberbullying, conceito que se crê ter sido utilizado pela primeira vez por Bill Belsey, professor em Cochrane, Alberta (Shariff, 2007), assume-se como uma variante do tradicional bullying. O bullying, como já foi referido anteriormente, é um tipo de violência que se caracteriza por ser intencional, contínua e de carácter físico, verbal e /ou psicológico sobre um ou mais indivíduos. Por sua vez, o cyberbullying vem sendo definido pelo recurso às tecnologias da comunicação e informação para denegrir, humilhar e/ou difamar uma ou mais pessoas.

Na Internet, as calúnias circulam através de redes sociais, emails, vídeos, blog’s, fotolog’s, entre outros, com uma velocidade maior do que teriam fora do mundo virtual. Os insultos podem assumir a forma de perseguições, ofensas, rumores, boatos maldosos e até imagens falsas sobre a vítima. Além de discriminar as pessoas, os autores são incapazes de se identificar.

Infelizmente os meios tecnológicos que, a priori, deveriam melhorar e facilitar a vida das pessoas, estão a ser utilizados para menosprezar e insultar outras pessoas. Não existe um tipo de pessoa específica para ser motivo de gozo e humilhação, sendo que a invasão do e-mail ou a exposição de uma foto já é o bastante. Em relação a colegas de escola e professores, as difamações são intencionadas e visam mexer com o psicológico da pessoa, deixando-a abatida e desmoralizada perante os demais.

Há uma mudança no mundo da socialização juvenil sendo o cyberbulling um dos sintomas mais gritantes. O Facebook, por exemplo, começa já a ter um papel essencial neste fenómeno. Como diz o psiquiatra Daniel Sampaio, “a internet mudou completamente a maneira como o adolescente se relaciona com os amigos”. Eu diria mesmo que está a mudar os padrões de socialização em geral da sociedade.

Frequentemente a adopção de determinadas práticas, facilitadas nos últimos anos pela universalização dos recursos tecnológicos, mesmo que sem consciência absoluta dos riscos inerentes, desencadeia processos invasivos nas vidas de muitas crianças e jovens sem que familiares, professores ou outros adultos que lhe são próximos, se apercebam.

A ideia de que a utilização massiva e generalizada das tecnologias de comunicação veio transformar profundamente as sociedades e as vidas de quem as integra, ou seja, a vida de cada um de nós é válido para a forma como aprendemos, trabalhamos, comunicamos, brincamos, interagimos, nos relacionamos com os outros e com nós próprios, já que sem sair de casa podemos trabalhar, fazer compras, divertir-nos sozinhos ou com os outros, fazer novos amigos, complementar/desenvolver o nosso processo formativo, ler, visitar museus, entre outras actividades. Por tudo isto, temos que conhecer estes meios tecnológicos e aprender a integrá-los com responsabilidade e segurança no nosso quotidiano. Acima de tudo é preciso que tenhamos sempre presente e passemos a ideia de que as tecnologias são recursos que devem ser facilitadores das nossas vidas e não “armas” para usar ou libertar as frustrações de cada um.

Márcia Oliveira

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