Arquivo de 12 de Abril, 2010

A “Sociedade Computacional”

Actualmente, no mundo em que vivemos, o computador exerce uma função primordial no desenvolvimento da sociedade. A grande maioria das pessoas, que possui um computador, gere e organiza a sua vida em função desta tecnologia.

Os códigos computacionais, segundo Manovich, transformam os códigos da cultura e dos média. A computorização da cultura modifica a forma das nossas práticas sociais, uma vez que muda a nossa representação.

Por exemplo, cada vez mais mantemos contactos sociais através do computador. No quotidiano temos um conjunto de redes sociais no qual participamos e, quando o computador também “entra” na prática social transcodifica-a e modifica-a. Tal acontece, pois nas nossas práticas culturais a presença do software é cada vez maior.

De igual maneira, a forma que os média assumem, por exemplo num noticiário televisivo, é condicionada pela camada de software na qual estão dependentes.

Através da transcodificação passamos de um código para o outro. Hoje em dia podemos modificar o formato do que quisermos, seja de uma imagem, de uma música ou mesmo de um vídeo. Vejamos este vídeo que mostra a forma como se pode modificar o formato de um video ou de um áudio:

Desde as redes sociais até aos mais variados programas que convertem os códigos anteriores em novos formatos, o computador oferece a capacidade do utilizador usufruir de diversas funcionalidades.

Antigamente seria impensável imaginar que um computador pudesse modificar de forma tão significativa as práticas sociais. Ninguém, ou praticamente ninguém, consegue viver sem a presença desta tecnologia devido à sua multifuncionalidade ao impacto que a mesma provocou na sociedade.

Mónica Lima

Anúncios

Facebook

Para mostrar a influência da tecnologia e consequentemente dos novos media na sociedade decidi falar um pouco sobre o Facebook. Mas, antes de mais quero chamar a atenção para o facto da percepção da primeira frase ser fácil para a grande maioria das pessoas já mostra por si a influência da Web na nossa linguagem. Sendo a linguagem a base da nossa comunicação, o que influencia a nossa linguagem influencia-nos a nos.

Falando agora do Facebook, começo por dizer que criei uma conta pessoal à muito pouco tempo. Já à muito que me falavam do sítio, mas nunca tinha tido o interesse por sites do género. A verdade é que recentemente reparei que já não estava a par das conversas à mesa de jantar de minha casa e por isso senti-me obrigado a criar a minha conta pessoal. Desde que a criei tenho ido pelo menos uma vez por dia à conta.

A temática da aldeia global nunca foi tão real como agora. Amigos com quem não tinha contacto há anos fazem de novo parte activa da minha vida e nem sequer os vejo a não ser por meio de fotos. É evidente que uma aldeia tão real que nos entra em casa tão naturalmente nos muda os hábitos e as relações.

Emanuel Taborda

A entrada do videoclip na cultura musical

As raízes do videoclip vêm dos anos 20 quando os primeiros cineastas tentavam sincronizar música e imagem de modo a criar uma narrativa. Nos anos 60 apareceu como um novo conceito na cultura musical.
Inicialmente os videoclips continham simplesmente os artistas a tocar e a cantar, para que pudessem ser vistos a actuar por todos os fãs. Os Beatles foram uma das primeiras bandas a explorar o videoclip.

Pouco tempo depois os videoclips começaram a ganhar novos contornos, ficaram mais ricos e passaram a conter novas mensagens. Nos anos 70 e principalmente nos 80 tornaram-se uma moda que ainda hoje se mantém.
O aparecimento do videoclip provocou profundas alterações na cultura musical das massas. O público focava-se agora na sincronização das imagens, e nas histórias que estas, aliadas à música, eram capazes de contar.
As estrelas da rádio tornaram-se estrelas de televisão. Este fenómeno levou a que a banda britânica “The Buggles” lança-se em 1980 o single “Video Killed The Radio Star”.

Em 1984 os Queen também fizeram uma abordagem a este tema com o single “Radio Ga Ga”. A mensagem seria que a rádio estava a tornar-se obsoleta ou que estava a ser invadida por artistas com sucesso televisivo mas com pouca qualidade musical.

A entrada do videoclip na cultura musical foi, de certo ponto de vista, positiva. A representação, realização, montagem, etc, trouxeram para a música um pouco da arte cinematográfica.
No entanto, muitas pessoas (incluindo eu) acham que o vídeo tem provocado uma crescente degradação da música, nomeadamente aquela que é ouvida pelas massas. Surgem cada vez mais artistas cujo sucesso não passam pela música que fazem, e sim pela sua imagem ou pelos videoclips inovadores e originais que são capazes de criar. São feitos grandes investimentos nos vídeos, muitas vezes em detrimento da composição musical, que ao fim ao cabo devia ser o foco principal dos cantores e músicos.

Joyce Lopes

A imortalização do momento

Numa sociedade em que o lema do quotidiano é a busca pela próxima nova invenção digital, a novidade começa, aos poucos, a esgotar-se e a procura pela inovação tende, cada vez mais, a aliar-se à tecnologia, impulsionando esta para níveis nunca antes vistos. No entanto, nem sempre foi assim. Há cerca de dois séculos, a realidade era bem diferente.

Quando a fotografia surgiu, a reacção das pessoas foi certamente de espanto, surpresa e de algum receio. Seria outra forma de arte, desta feita sem tintas, nem pintor? Sem horas intermináveis, numa posição imóvel e tudo graças a este novo mecanismo fotográfico.
Prendiam para sempre a imagem e quiçá o espírito, imortalizado agora a preto e branco, a imagem captada em apenas alguns momentos. Grandioso ou uma obra do belzebu? Evolução ou magia branca ou negra?

Estas foram algumas das uma das questões que surgiram com Joseph Niépce, em 1826, com os seus primeiros registos fotográficos de sempre.

Com o passar das décadas a evolução foi-se dando em vários sectores e, simultaneamente, começou-se a instaurar o conceito de banalização. A fotografia não foi excepção.

A importância anteriormente conferida a este mecanismo, que eternizava os momentos e permitia deixar uma marca no mundo, tem vindo a diminuir, com a tendência para ser substítuida pelo formato de vídeo.

Sara Queirós

Composição Musical – Parte 2.0

No meu último texto, Composição Musical na Era Digital, pretendi mostrar como utilizar um programa informático (neste caso, o Ableton) para criar uma música sem recorrer a instrumentos musicais. No entanto, não é apenas a música electrónica que recorre à tecnologia dos computadores.

Reparei que dois colegas meus escreveram um pouco sobre essa relação música/tecnologia. O Emanuel expôs as diferenças entre amplificadores valvulados e amplificadores solid state, ou a transístores, e a Ana Catarina reflectiu sobre a crescente utilização da Internet como meio de divulgação de música. Como pudemos ler sobre o material utilizado para gravar uma música, e sobre a forma de a divulgar, pensei em escrever sobre um processo intermédio: a utilização de software para editar uma gravação.

Se ouvirmos gravações mais antigas de artistas como Miles Davis ou The Who sentimos, por vezes, que falta alguma coisa, e isso deve-se às grandes modificações que atingiram o processo de gravação de instrumentos nas últimas décadas, estando nós agora habituados aos métodos modernos. A própria gama dinâmica do som foi alterada, e há uma tendência a gravar os instrumentos com um volume cada vez maior (no mundo do rock, os Porcupine Tree são uma raríssima excepção a este fenómeno, e a quebra de volume entre os álbuns dessa banda e os de outras por vezes surpreende). Estas alterações já foram alvo de grandes discussões, e esta não é a altura mais indicada para mergulhar nelas.

É cada vez mais raro encontrarmos álbuns que reproduzam o som dos instrumentos de forma totalmente fiel ao que foi gravado. Em vários DVDs de concertos de bandas de rock, as guitarras que ouvimos são gravações de estúdio acrescentadas à mistura ao vivo, processo desenvolvido para tornar o som da guitarra eléctrica mais perceptível. Nas músicas com uma estrutura do género melodia-refrão-melodia, é frequente os músicos gravarem apenas uma vez a melodia, que é “copiada e colada” sempre que reaparece na música. Isto não prova de modo algum a inépcia dos músicos: é apenas um exemplo de como a tecnologia ajuda a combater os custos elevados do aluguer de estúdios de música.

Evidentemente, programas como o Pro Tools são também utilizados para corrigir algumas falhas dos músicos. Se, numa faixa de 5 minutos, o vocalista apenas se engana numa nota, na maior parte das vezes é possível corrigir isso rapidamente no computador, em vez de se efectuar uma nova gravação; se o guitarrista toca mal um acorde, em certas ocasiões até se pode “copiar” o som do acorde de outro momento da música e substituir o erro pelo som da cópia.

Em 2008, surge mais uma inovação. O programa Melodyne consegue aceder a mais do que um simples som: consegue chegar às notas que formam esse som. Se esta é explicação é um pouco confusa, vejamos o seguinte vídeo:

Não estamos a efectuar uma alteração a um som criado a computador. É já possível modificarmos um som tocado por um músico de uma forma tão precisa que mesmo os melómanos mais atentos não seriam capazes de notar a diferença. Resta-nos esperar que as enormes potencialidades das novas tecnologias não signifiquem, também, o fim do virtuosismo.

Daniel Sampaio


Calendário

Abril 2010
S T Q Q S S D
« Mar   Maio »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

Estatística

  • 889.692 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.230 outros seguidores

Anúncios