Arquivo de 22 de Abril, 2010

A aura da Arte

Qualquer pessoa que tenha visitado um museu com obras de autores de renome como Picasso, por exemplo, sabe bem o que se quer dizer com a aura de uma peça. É realmente estranho e difícil de explicar, mas quando se está perante um original de um grande autor é como se algo crescesse dentro de nos e quase nos custasse respirar.

É evidente que para um leigo, se lhe disserem que está a ver um Dali e na realidade for uma cópia, ele provavelmente dirá que sentiu a aura da peça. Quanto a mim, a aura é mais um sentimento de respeito pelo autor que a apreciação estética aprofundada da obra. Não estou com isto a tirar valor ao original, aliás, quando visito museus espero sentir esse respeito e saio para o exterior a sentir-me enriquecido culturalmente por ver peças das quais, na sua maioria, já conhecia cópias.

Quanto à existência de aura numa reprodução do original, seja ela digital ou física, penso que há consenso na resposta. Não, não creio que exista aura numa cópia, precisamente por não criar o tal respeito que o original desperta em nos.

Recentemente, alguns museus criaram visitas virtuais online às suas galerias. Penso que em altura alguma houve a preocupação da diminuição de visitas aos museus em questão. Numa visita virtual, simplesmente não é possível sentir-se a admiração, o respeito, a aura das obras. Esta falta de preocupação pode ser considerada uma prova da ausência de aura na digitalização da obra de arte. A aura é exclusiva do original.

Emanuel Taborda

Anúncios

Madonna – Sticky e Sweet Tour

“Sticky e Sweet Tour” é a oitava digressão da Madonna. Esta tourné passou por 32 países, e é considerada a maior digressão da história de uma artista a solo, e a segunda maior de todos os tempos.

Durante aproximadamente duas horas a cantora brinda o público com um concerto multimédia onde a tridimensionalidade está presente ao longo de todo o espectáculo.

A presença da imediacia é uma constante, uma vez que o meio se esconde tornando-se assim invisível envolvendo-nos em cada cenário digital que é apresentado. Para além do 3-D, cada pormenor é meticulosamente pensado e cuidado pela cantora, desde os figurinos, às coreografias e à música, tudo é interligado de forma a teatralizar e representar cada situação.

De seguida, mostramos o vídeo que nós editámos especialmente para exemplificar os conceitos que acabámos de referir:

Neste vídeo podemos observar a maneira como a artista usa o 3-D para nos envolver nos vários meios criados ao longo do concerto. Na primeira parte do vídeo, a Natureza é o meio escolhido. A relva, as flores, a água, as árvores e alguns animais estão presentes num vídeo digital enquanto dois bailarinos vão dançando e interagindo com um elemento fictício de uma mulher, uma representação da mãe Natureza.

Na cena em que aparece um ringue de boxe, a ideia que está a existir um combate é teatralizado de uma forma tão real que nos dá a sensação de estarmos a assistir a uma verdadeira luta. Somos assim transportados para o meio não só através de um vídeo digital mas também pela maneira como a coreografia dos bailarinos e os seus figurinos é constituída e realizada. O jogo de xadrez também é um bom exemplo de tridimensionalidade. Para além do efeito 3-D do tabuleiro com as peças a mexerem como se realmente alguém estivesse a jogar, a coreografia dos bailarinos, a música e o próprio vídeo digital estão totalmente em sintonia.

Estes dois exemplos mostram também a presença de interactividade, uma vez que o público não consegue permanecer passivo. No próprio jogo de xadrez as pessoas tem o impulso de querer “agarrar” as peças e começar elas próprias a jogar. Também na sequência que nos dá a ilusão que está a chover no concerto o público tem o estímulo de colocar as mãos no ar para sentir se realmente está a chover.

A parte final do nosso vídeo refere-se à música “Get Stupid” onde o público é bombardeado com imagens sobre a política internacional, a guerra, o consumismo e o meio ambiente. Madonna alia o “lado do bem” a imagens de Gandhi, Oprah e Obama contra o Hitler e o McCain (ou seja, o “lado do mal”). O tema principal da música é um apelo à intervenção social como se pode ver nas palavras que surgem constantemente no ecrã:

A cantora conjuga “Get Stupid” com a música “4 Minutes to Save the World” uma vez que ambas têm o mesmo objectivo: a intervenção social. Por exemplo no excerto, acima transcrito, a artista está precisamente a dizer que o tempo está a esgotar e não há tempo a perder com hesitações pois apenas têm quatro minutos para salvar o mundo.

É também de salientar que a cantora tem vários convidados virtuais como Britney Spears, Timbaland e Justin Timberlake. Os jogos de intersecção são feitos somente com imagens em vídeo com os corpos “reais” dos cantores convidados. A percepção que estes estão realmente presentes é incrível visto que a cantora faz coreografias e canta as músicas em conjunto com os artistas. Outro ponto fulcral no espectáculo de Maddonna é que esta faz alterações musicais de temas, especialmente, para a reprodução ao vivo. Velhas canções como “Into The Groove”, “Like a Prayer” ou “La Isla Bonita” sugerem assim sob novos e oportunos arranjos. É aqui visível o conceito de remediação. Por exemplo, no tema “La Isla Bonita”, um tema de 1987, a cantora escolhe um grupo cigano para a acompanhar tornando mesmo o espectáculo numa festa de acampamento cigano. A canção ganha assim novas versões ao vivo.

Para finalizar, deixamos aqui o trailer official da tourné “Sticky e Sweet” da rainha da Pop para vocês verem mais imagens e pormenores sobre o concerto que apresentámos:

Márcia Oliveira e Mónica Lima

Jornais impressos vs Jornais online

A pesquisa para o nosso trabalho oral começou com a descoberta da obra do Dr. Helder, ” Da implementação à estagnação: os primeiros doze anos do ciberjornalismo em Portugal”.

O Dr. Helder Bastos é jornalista e docente do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, onde lecciona as cadeiras de imprensa e ciberjornalismo. O seu estudo serviu de base para todo o nosso trabalho. A sua publicação sobre a história dos jornais em linha foi uma ajuda fundamental num campo onde a documentação fidedigna não abunda, pelo menos no que toca ao ciberjornalismo português.

O Jornal de Notícias e o Público do dia 12 de Abril foram o nosso objecto de estudo. Analisámos as suas manchetes nas versões em papel e em linha.

Mas de volta à história do ciberjornalismo. O Jornal de Notícias foi o primeiro jornal a colocar a sua edição na internet, nesta altura os jornais abriam os seus sites apenas para neles colocarem a sua versão impressa sem qualquer tipo de alteração. O Público não tardou e no dia 22 de Setembro do mesmo ano abriu também o seu site. Por sua vez, o Expresso foi o primeiro semanário português a ter um site, embora já relativamente mais tarde que os dois anteriores. Foi no dia 28 de Janeiro de 1997 que o Expresso registou o seu site.

O Dr. Helder Bastos simplifica-nos o raciocínio e afirma que a história do ciberjornalismo português está dividido em 3 fases:

  1. A primeira é a chamada fase da Implementação (1995-1998). Esta é uma fase essencialmente experimental. Nesta altura os jornais abrem os seus sites, para neles reproduzirem os conteúdos das suas versões em papel. Foi nesta fase que o Jornal de Notícias e o Público abriram os seus sites, como já referi.
  2. A segunda fase é a da Expansão ou “boom” (1999-2000). Esta fase é marcada pelo aparecimento dos primeiros jornais generalistas exclusivamente online, como o Diário Digital e o Portugal Diário.
  3. A terceira e última fase é a da Depressão seguida de Estagnação (2001-2007). É a fase negra do ciberjornalismo português devido ao encerramento de sites, aos cortes no pessoal e nas despesas.

Concluímos que os jornais em linha durante a manhã têm exactamente os mesmos artigos que as suas versões em papel, mas, ao longo do dia os sites vão actualizando as suas páginas com acontecimentos ocorridos ao longo do dia.

Nos últimos anos, os jornais em papel têm aproximado a sua imagem à dos jornais online. Cada vez mais os jornais dão um maior espaço à imagem, à semelhança do que acontece com os jornais em linha.

Menos de um quarto das suas potencialidades é o que os ciberjornais portugueses de informação geral aproveitam, segundo o Dr. Helder Bastos. A interactividade, a multimedialidade e a instantaneidade, são apenas alguns dos exemplos  dados pelo autor. Claro, que é possível ver exemplos de cada uma destas coisas nos jornais em linha. A interactividade, por exemplo, é visivel no espaço que os jornais online deixam para comentários do leitor. Isto permite uma maior troca de ideias entre o leitor e o jornalista. A multimedialidade, que não é mais que a possibilidade de utilização de diferentes formatos, como o video, áudio, fotografias também está presente nos sites dos jornais através das fotogalerias, por exemplo. A instantaneidade é, na nossa opinião, a maior arma destes jornais. Os jornais em papel não podem jamais competir com os jornais online no que toca à rapidez de publicação. Um terramoto ocorrido hoje às 16h tem destaque quase imediato nas páginas dos jornais online. As versões impressas só podem dar a notícia no dia seguinte. No entanto, o que o Dr. Helder Bastos refere não é a ausência destas características, mas sim, um mau aproveitamento das suas potencialidades.

O estudo do Dr. Helder Bastos é muito claro ao afirmar que os jornalistas portugueses ainda são muito preconceituosos com o online. Muitas vezes, ao serem detentores de um exclusivo os jornalistas preferem aguardar pela edição em papel para publicar o artigo e deixar apenas uma informação no online a remeter para a edição impressa.

Em jeito de conclusão, ” o ciberjornalismo português não conseguiu afirmarse em pleno. Não investiu em meios técnicos suficientes e principalmente em meios humanos. Há uma falta de investimento e um conservadorismo exagerado por parte de jornalistas e empresas que até à data não conseguiram explorar as inúmeras potencialidades da internet.” Helder Bastos

Nós subscrevemos na íntegra!

Ana Filipa Fonte e Sara Reis Araújo


Calendário

Abril 2010
S T Q Q S S D
« Mar   Maio »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

Estatística

  • 878.494 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.229 outros seguidores

Anúncios