Arquivo de 25 de Abril, 2010

” É Cool Estar Na Moda ? “

Ao observármos as ruas dos nossos dias apercebemo-nos cada vez mais como a imagem é um ponto fulcral da nossa personalidade.
Assim, cada vez mais na nossa sociedade, há desquilibrios entre a população para atingir o Look perfeito, ou porque somos bombardeados pelos meios telivisivos todos os dias , ou simplesmente porque ao sairmos de nossas casas vemos cartazes como” Deseja emagrecer , então consulte a clinica dermoestética”.
De facto , os adolescentes do século XXI estão cada vez mais frustrados, o que tem levado ao aumento de doenças como a anorexia e bolimia , para atingirem a silhueta de um ou de uma modelo. Porém o que estes jovens não percebem é que muitas vezes essas personalidades são tão perfeitas quanto elas, simplesmente ficam sem defeitos a apontar devido á utilização da técnica do Photoshop, o que faz com que se consigam corrigir todos os erros de uma pessoa e até modificar alguns pontos , tais como a cor dos olhos ou o penteado, num simples periodo de tempo.
Efectivamente, Também a telivisão leva cada vez mais os nossos consumidores a tornarem -se dependentes da mudança, levando a outra grande doença do séc., o Consumismo, é que em todas as mudanças de estação ouvimos, no nosso televisor expressões como ” Já é primavera no El corte Ingles” e há áté já lojas famosas entre os jovens que se inspiraram em séries como Gossip Girl , e donas de casa desesperadas para a criação das suas colecções tal Como a famosa marca internacional Zara.
Em suma , Se a moda servir para constituir o nosso estilo de forma saudável é algo que faz parte da sociedade comtemporânea em que vivemos , caso contrário, pode ser encarado como um dos maiores problemas da sociedade actual.

Nota: Algumas destas ideias foram retiradas da revista semanal: Domingo.

Miguel Valentim.

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Videoclip-análise como obra digital

Videoclipe ou teledisco é um filme curto em suporte electrónico (analógico ou digital). Durante algum tempo “videoclipe” foi quase sinónimo de vídeo musical, mas com o advento da internet de banda larga e a difusão de ficheiros de vídeo através dela, a palavra tem vindo a regressar ao seu sentido original.

No cinema de vanguarda dos anos 1920 vários cineastas tentavam articular montagem, música e efeitos para criar um novo tipo de narrativa, própria do meio audiovisual e livre dos cânones de até então na literatura e no teatro. O videoclipe começou a ser amplamente utilizado a partir da anos 1960, pela banda The Beatles, pois não podiam ir a todos os lugares para que se apresentassem ao vivo, daí gravavam-nos cantando e então passavam a ser exibidos na televisão. Mais tarde, os vídeos da banda começaram a já tomar forma similar aos de hoje.

Os elementos básicos constituintes do videoclipe são a música, a letra e a imagem que, manipulados, interagem para provocar a produção de sentido. Os aspectos (características) de como estes elementos são construídos incluem a montagem, o ritmo, os efeitos especiais (visuais e sonoros), a iconografia, os grafismos, e os movimentos de câmara, entre outros.

Os vídeos musicais da indústria cultural contemporânea desenvolveram, principalmente a partir dos anos 80 do século XX, com uma estética e uma linguagem próprias, chamadas de Estética Videoclipe. Essa forma é, geralmente, caracterizada por uma montagem fragmentada e acelerada, com planos (imagens) curtos, justapostos e misturados, narrativa não-linear, multiplicidade visual, riqueza de referências culturais e forte carga emocional nas imagens apresentadas.

Neste vídeo dos “The Beatles” se identificarmos os diferentes elementos formais desta obra,  observamos a simplicidade do meio que nos mostram. È das primeiras obras do grupo em que a letra é simples, limitando-se ao titulo desta mesma, é uma letra e uma declaração de amor. Neste vídeo não existe movimentos da câmara devido á época que se encontram, mas á uma alternância de planos entre o plano geral que demonstra todo o panorama; o plano aproximado, em que estes são filmados da cintura para cima e o plano italiano, onde são filmados dos ombros para cima. Existe aqui como em quase todas as obras digitais uma invisibilidade das aplicações informáticas que apesar de serem ainda poucas estas são executadas de maneira a não demonstrar intervenção humana.

Juliana Alves

Reprodução da obra de arte: a aura permanece?

A arte tem como o objectivo “estimular as instâncias de consciência em um ou mais espectadores, dando um significado único e diferente para cada obra de arte”. Estas são realmente muito valorizadas e cada um de nós sente emoções diferentes ao olhar para uma determinada obra.

Walter Benjamin utiliza o termo “aura” para designar o carácter essencialmente transcendente, fugidio, inesgotável e distante da obra de arte (…) Trata-se de uma distância intransponível do objecto artístico, que nos remete para a ideia de Beleza. Esta, segundo Benjamin, está relacionada com a ideia de invólucro que encobre a obra de arte e mantém a essência da beleza inacessível: “a beleza da obra de arte reside em sua essência misteriosa; Belo é o objecto que permanece misterioso por conta de seu invólucro. A aura equivale a este véu ou invólucro que exprime o Belo preservando a inacessibilidade da própria essência da Beleza”.

Isto é, a “aura” caracteriza-se “pela distância e reverência que cada obra de arte, na medida em que é única, impõe ao observador. Primeiro (nas sociedades tradicionais ou pré-modernas) pelo modo como vinha associada ao ritual ou à experiência religiosa; depois (com o advento da sociedade moderna burguesa) pelo seu valor de distinção social, contribuindo para colocar num plano à parte aqueles que podem aceder à obra «autêntica».”

As obras de arte têm uma aura específica e são valiosas porque são únicas e não desvalorizam. Em todas as formas de arte há uma dimensão ritual e a obra de arte permite que esta circule fora do contexto em que foi produzida. Mas Walter Benjamin defende que a reprodutibilidade da arte proporciona a perda da aura (ou seja, da marca, da história, do seu tempo).

A partir do momento que uma obra é reproduzida deixa de ter aura, a sua marca “perdeu-se”. Apesar de pudermos ver as pinturas, as esculturas, os manuscritos, as fotografias, as músicas como uma fiel cópia do original (em todo o seu conteúdo) não conseguimos ver a sua aura, pois a sua autenticidade e a sua marca histórica foi destruída na reprodução técnica dessa mesma obra.

Manuscrito Isaac Newton

“A unicidade da obra de arte é idêntica à sua inserção no contexto da tradição. Sem dúvida, essa tradição é algo de muito vivo, de extraordinariamente variável. Uma antiga estátua de Vénus, por exemplo, estava inscrita numa certa tradição entre os gregos, que faziam dela um objeto de culto, e numa outra tradição na Idade Média, quando os doutores da Igreja viam nela um ídolo Malfazejo. O que era comum às duas tradições, contudo, era a unicidade da obra ou, em outras palavras, sua aura.” Ou seja, era a autenticidade e a unicidade da obra que a eternizava dentro de uma história devido às propriedades físicas que a caracterizavam num determinado tempo e às circunstâncias do momento em que foi criada.

Portanto a reprodução da arte permite a massificação da arte e a desvinculação do contexto específico da obra e a sua contextualização noutros contextos (perda da aura). Por exemplo, o manuscrito de Fernando Pessoa digitalizado para a Web Biblioteca Nacional perdeu a sua aura pois reprodução proporcionou que a obra saísse do seu contexto de produção. Só o manuscrito original tem a tal presença da “aura” uma vez que a obra digital é única no seu contexto histórico.

Mónica Lima

Aura perdida? Sim, não… Talvez?

“Obra de arte pode ser definida como uma criação humana com um objectivo simbólico, belo ou de representação de um conceito determinado.” Hoje em dia existem diversos exemplos de obras de arte, desde as esculturas, as pinturas, os poemas, a arquitectura, os filmes, a música, os artefactos decorativos, etc.

Mas, infelizmente, a “autenticidade” e “autoridade”, duas das grandes características das obras de arte tem vindo a perder-se diante das novas técnicas de produção e reprodução. Ao perder aquilo que o filósofo Walter Benjamin chama de “aura”, a arte deixa assim para trás o aspecto elitista e tradicional, deixando de ser privilégio de apenas alguns para atingir as grandes massas.

“Por princípio, foi sempre possível reproduzir obras de arte. Os homens sempre puderam copiar o que os outros tinham feito. Essa imitação foi também praticada por alunos que queriam exercitar-se nas artes, pelos mestres para a divulgação das suas obras, enfim, por terceiros movidos pela ganância do lucro. Já a reprodução das obras de arte por meios técnicos é algo novo, que se tem imposto de forma intermitente, por impulsos descontínuos, mas com crescente intensidade.”

A aura é algo singular e ímpar. A reprodução técnica, para Benjamin, destrói assim a aura da obra de arte, a sua unicidade, a sua historicidade: “Mesmo na reprodução mais perfeita, um elemento está ausente: o aqui e agora da obra de arte, a sua existência única, no lugar em que ela se encontra. É nessa existência única, e somente nela, que se desdobra a história da obra. Essa história compreende não apenas as transformações que ela sofreu, com a passagem do tempo, a sua estrutura física, como as relações de propriedade em que ela ingressou. Os vestígios das primeiras só podem ser investigados por análises químicas ou físicas, irrealizáveis na reprodução; os vestígios da segunda são o objecto de uma tradição, cuja reconstituição precisa partir do lugar em que se achava o original. O aqui e agora do original constitui o conteúdo da sua autenticidade, e nela se enraíza uma tradição que identifica esse objecto, até aos nossos dias, como sendo aquele objecto, sempre igual e idêntico a si mesmo. A esfera da autenticidade como um todo, escapa à reprodutibilidade técnica, e naturalmente não apenas à técnica. Mas enquanto o autêntico preserva toda sua autoridade com relação à reprodução manual, em geral considerada uma falsificação, o mesmo não ocorre no que diz respeito à reprodução técnica”.

Mas, a verdade é que a reprodução técnica, por mais que deixe intacto o conteúdo, desvaloriza a aura da obra de arte original. A perda da aura não é apenas consequência das novas formas artísticas e dos processos técnicos envolvidos na sua produção e recepção, é resultado também de um contexto económico e cultural mais abrangente. Os processos históricos alteram e são alterados pelas mudanças no modo de percepção humana. Na aura estão incluídas as várias associações que a obra adquiriu com o tempo, testemunhos de uma existência histórica. Por isso, a perda da aura é consequência de factores intimamente ligadas aos movimentos de massas. “O primeiro factor diz respeito à superação do carácter único dos objectos, através de sua reprodução. O segundo factor diz respeito à superação da distância necessária para desfrutar da aura do objecto, diz respeito a essa necessidade, cada vez maior, das massas modernas, de possuir o objecto o mais próximo possível, de fazer as coisas “ficarem mais próximas”, através da sua reprodutibilidade.”

O homem contemporâneo, para Benjamim, está simplesmente “ligado” ao que o rodeia, não sendo assim possível que alcance a “correcta distância” necessária para alcançar a aura. Com a realidade cada vez mais próxima, as imagens desta tornam-se cada vez mais acessíveis, e por isso, banais. A aura, para ele, parece ser incompatível com os sonhos de consumo imediato do capitalismo.

“A autenticidade de uma coisa é a essência de tudo o que ela comporta de transmissível desde a sua origem, da duração material à sua qualidade de testemunho histórico.” A cumplicidade entre arte e consumo, a extirpação dos objectos em relação à tradição, a massificação, a sincronia substituindo a diacronia e o valor de exposição a efectuar-se na vez do valor de culto são assim alguns dos fenómenos que se articulam com o tema da decadência da aura.

Para mim, existe realmente a perda da aura quando uma obra de arte é reproduzida. Mas, acredito também, que quando existe uma réplica perfeita ou quase perfeita do original existe, (quiçá), uma nova aura que se forma, ou seja, continua a existir uma relação simbólica com o objecto. Embora não mais “atrelada” à tal ideia de autenticidade de um exemplar único, é certo, mas persiste uma aura em função de um certo valor de culto. Como por exemplo, o Espólio de Fernando Pessoa. Quando o professor deu este exemplo na aula para nós pensarmos, eu fui visitar o sitio da internet da Biblioteca Nacional e estive a ver a diversa herança artística que este poeta nos deixou. Claro que não senti o que sentiria certamente se estivesse a ver todas as suas obras ao vivo mas, a verdade é que também não me senti indiferente, senti realmente o tal valor de culto, respeito pelo autor e pelas suas práticas históricas e culturais. Claro que concordo que o valor de exposição, ou seja, “submeter as obras à exposição indiscriminada desvaloriza o seu o caráter sagrado” mas, não acredito que o valor de culto tenha desaparecido. Acredito que continue presente, tem é a sua função distorcida.

Márcia Oliveira


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