Arquivo de 26 de Abril, 2010

A “aura” de uma obra de arte

A aura de uma obra de arte não está presente nas suas cópias e reproduções.

A reprodução que nos é fornecida pela tecnologia trouxe-nos muitas possibilidades. Agora podemos ter um conhecimento mais abrangente, ver obras de arte que se encontram no outro lado do mundo sem nos deslocarmos e até mesmo aumentar os aspectos que nos captam mais a atenção nessas obras. Conseguimos apreciá-las, mas falta qualquer coisa!…

Walter Benjamin definiu essa “coisa” que falta. Chamou-lhe “aura”. Para ele, o original de uma obra de arte é dotado de um hic et nunc, um “aqui e agora” que garante a sua autenticidade. O facto de ter sido produzido apenas um exemplar, num momento e lugar específico, numa dada circunstância e por um autor que nos é especial, acaba por fazer com que atribuamos ao objecto uma aura. É essa aura que dá à obra de arte o seu carácter único.

Eu adoro Gaudi, por exemplo. Sei quais são as obras conhecidas dele, mas para sentir o verdadeiro poder destas tenho de ir a Espanha. Pude conhecer o seu trabalho graças às reproduções; estas deram-me as informações necessárias à minha identificação com o autor e vontade para ir a Barcelona sentir a aura das suas obras.

Sara Godinho

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A reprodutibilidade técnica da obra de arte

A obra de arte sempre foi reprodutível. O Homem sempre imitou o Homem. No entanto, a reprodução técnica que constituí algo totalmente novo tomou um papel de força na História da Humanidade.

Os Gregos conheciam apenas dois processos de reprodução técnica sendo eles, a fundição e a cunhagem. As moedas e os bronzes eram as únicos obejctos que se podiam produzir em massa. Mais tarde, as artes gráficas passaram a ser reproduzidas pela xilogravura e depois, com a chegada da impressão também a escrita se tornou um fenómeno de reprodução em massa. Porém, o avanço decisivo e que possibilitou às artes gráficas a sua venda no mercado foi a chegada da litografia no século XIX. Desta forma, para além de haver produtos em massa havia também produtos com novas formas e todos os dias. Serviu também para ilustrar o quotidiano.

Poucas décadas depois, eis que chega a tecnologia da fotografia que ultrapassa em todos os sentidos a litografia. Muito mais rápido do que desenhar e com a ausência de mãos habilidosas e talentosas, a fotografia acelera de uma forma extraordinária o processo de reprodução de imagens. Com esta nova técnica, o valor de culto que até agora tinha uma vertente unicamente espiritual e mágica é afastado pelo valor de exposição. Apenas os retratos de entes queridos continuam a abranger um culto de recordação que não pode ser sobreposto por ninguém.

O cinema foi outra das formas que acelerou o processo de reprodutibilidade com a reprodução técnica do som a ter um papel bastante importante. O facto do cinema se querer enquadrar no conceito de “arte” causou uma modificação nos efeitos e no objecto da reprodução técnica que passou a ser a totalidade das obras de arte provenientes de épocas anteriores.

Paul Valéry caracterizou este fenómeno de aceleração dizendo o seguinte:

“Tal como a água, o gás e a energia eléctrica, vindos de longe através de um gesto quase imperceptível, chegam a nossas casas para nos servir, assim também teremos ao nosso dispor imagens ou sucessões de sons que surgem por um pequeno gesto, quase um sinal, para depois, do mesmo modo, nos abandonarem.”

O facto é que não nos abandonou mas sim, faz parte de um bocadinho da vida de cada pessoa. A reprodutibilidade técnica emancipou-se assim pela primeira vez na história do mundo.

Ana Catarina Monteiro


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