Arquivo de Abril, 2010



Reprodução da obra de arte: a aura permanece?

A arte tem como o objectivo “estimular as instâncias de consciência em um ou mais espectadores, dando um significado único e diferente para cada obra de arte”. Estas são realmente muito valorizadas e cada um de nós sente emoções diferentes ao olhar para uma determinada obra.

Walter Benjamin utiliza o termo “aura” para designar o carácter essencialmente transcendente, fugidio, inesgotável e distante da obra de arte (…) Trata-se de uma distância intransponível do objecto artístico, que nos remete para a ideia de Beleza. Esta, segundo Benjamin, está relacionada com a ideia de invólucro que encobre a obra de arte e mantém a essência da beleza inacessível: “a beleza da obra de arte reside em sua essência misteriosa; Belo é o objecto que permanece misterioso por conta de seu invólucro. A aura equivale a este véu ou invólucro que exprime o Belo preservando a inacessibilidade da própria essência da Beleza”.

Isto é, a “aura” caracteriza-se “pela distância e reverência que cada obra de arte, na medida em que é única, impõe ao observador. Primeiro (nas sociedades tradicionais ou pré-modernas) pelo modo como vinha associada ao ritual ou à experiência religiosa; depois (com o advento da sociedade moderna burguesa) pelo seu valor de distinção social, contribuindo para colocar num plano à parte aqueles que podem aceder à obra «autêntica».”

As obras de arte têm uma aura específica e são valiosas porque são únicas e não desvalorizam. Em todas as formas de arte há uma dimensão ritual e a obra de arte permite que esta circule fora do contexto em que foi produzida. Mas Walter Benjamin defende que a reprodutibilidade da arte proporciona a perda da aura (ou seja, da marca, da história, do seu tempo).

A partir do momento que uma obra é reproduzida deixa de ter aura, a sua marca “perdeu-se”. Apesar de pudermos ver as pinturas, as esculturas, os manuscritos, as fotografias, as músicas como uma fiel cópia do original (em todo o seu conteúdo) não conseguimos ver a sua aura, pois a sua autenticidade e a sua marca histórica foi destruída na reprodução técnica dessa mesma obra.

Manuscrito Isaac Newton

“A unicidade da obra de arte é idêntica à sua inserção no contexto da tradição. Sem dúvida, essa tradição é algo de muito vivo, de extraordinariamente variável. Uma antiga estátua de Vénus, por exemplo, estava inscrita numa certa tradição entre os gregos, que faziam dela um objeto de culto, e numa outra tradição na Idade Média, quando os doutores da Igreja viam nela um ídolo Malfazejo. O que era comum às duas tradições, contudo, era a unicidade da obra ou, em outras palavras, sua aura.” Ou seja, era a autenticidade e a unicidade da obra que a eternizava dentro de uma história devido às propriedades físicas que a caracterizavam num determinado tempo e às circunstâncias do momento em que foi criada.

Portanto a reprodução da arte permite a massificação da arte e a desvinculação do contexto específico da obra e a sua contextualização noutros contextos (perda da aura). Por exemplo, o manuscrito de Fernando Pessoa digitalizado para a Web Biblioteca Nacional perdeu a sua aura pois reprodução proporcionou que a obra saísse do seu contexto de produção. Só o manuscrito original tem a tal presença da “aura” uma vez que a obra digital é única no seu contexto histórico.

Mónica Lima

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Aura perdida? Sim, não… Talvez?

“Obra de arte pode ser definida como uma criação humana com um objectivo simbólico, belo ou de representação de um conceito determinado.” Hoje em dia existem diversos exemplos de obras de arte, desde as esculturas, as pinturas, os poemas, a arquitectura, os filmes, a música, os artefactos decorativos, etc.

Mas, infelizmente, a “autenticidade” e “autoridade”, duas das grandes características das obras de arte tem vindo a perder-se diante das novas técnicas de produção e reprodução. Ao perder aquilo que o filósofo Walter Benjamin chama de “aura”, a arte deixa assim para trás o aspecto elitista e tradicional, deixando de ser privilégio de apenas alguns para atingir as grandes massas.

“Por princípio, foi sempre possível reproduzir obras de arte. Os homens sempre puderam copiar o que os outros tinham feito. Essa imitação foi também praticada por alunos que queriam exercitar-se nas artes, pelos mestres para a divulgação das suas obras, enfim, por terceiros movidos pela ganância do lucro. Já a reprodução das obras de arte por meios técnicos é algo novo, que se tem imposto de forma intermitente, por impulsos descontínuos, mas com crescente intensidade.”

A aura é algo singular e ímpar. A reprodução técnica, para Benjamin, destrói assim a aura da obra de arte, a sua unicidade, a sua historicidade: “Mesmo na reprodução mais perfeita, um elemento está ausente: o aqui e agora da obra de arte, a sua existência única, no lugar em que ela se encontra. É nessa existência única, e somente nela, que se desdobra a história da obra. Essa história compreende não apenas as transformações que ela sofreu, com a passagem do tempo, a sua estrutura física, como as relações de propriedade em que ela ingressou. Os vestígios das primeiras só podem ser investigados por análises químicas ou físicas, irrealizáveis na reprodução; os vestígios da segunda são o objecto de uma tradição, cuja reconstituição precisa partir do lugar em que se achava o original. O aqui e agora do original constitui o conteúdo da sua autenticidade, e nela se enraíza uma tradição que identifica esse objecto, até aos nossos dias, como sendo aquele objecto, sempre igual e idêntico a si mesmo. A esfera da autenticidade como um todo, escapa à reprodutibilidade técnica, e naturalmente não apenas à técnica. Mas enquanto o autêntico preserva toda sua autoridade com relação à reprodução manual, em geral considerada uma falsificação, o mesmo não ocorre no que diz respeito à reprodução técnica”.

Mas, a verdade é que a reprodução técnica, por mais que deixe intacto o conteúdo, desvaloriza a aura da obra de arte original. A perda da aura não é apenas consequência das novas formas artísticas e dos processos técnicos envolvidos na sua produção e recepção, é resultado também de um contexto económico e cultural mais abrangente. Os processos históricos alteram e são alterados pelas mudanças no modo de percepção humana. Na aura estão incluídas as várias associações que a obra adquiriu com o tempo, testemunhos de uma existência histórica. Por isso, a perda da aura é consequência de factores intimamente ligadas aos movimentos de massas. “O primeiro factor diz respeito à superação do carácter único dos objectos, através de sua reprodução. O segundo factor diz respeito à superação da distância necessária para desfrutar da aura do objecto, diz respeito a essa necessidade, cada vez maior, das massas modernas, de possuir o objecto o mais próximo possível, de fazer as coisas “ficarem mais próximas”, através da sua reprodutibilidade.”

O homem contemporâneo, para Benjamim, está simplesmente “ligado” ao que o rodeia, não sendo assim possível que alcance a “correcta distância” necessária para alcançar a aura. Com a realidade cada vez mais próxima, as imagens desta tornam-se cada vez mais acessíveis, e por isso, banais. A aura, para ele, parece ser incompatível com os sonhos de consumo imediato do capitalismo.

“A autenticidade de uma coisa é a essência de tudo o que ela comporta de transmissível desde a sua origem, da duração material à sua qualidade de testemunho histórico.” A cumplicidade entre arte e consumo, a extirpação dos objectos em relação à tradição, a massificação, a sincronia substituindo a diacronia e o valor de exposição a efectuar-se na vez do valor de culto são assim alguns dos fenómenos que se articulam com o tema da decadência da aura.

Para mim, existe realmente a perda da aura quando uma obra de arte é reproduzida. Mas, acredito também, que quando existe uma réplica perfeita ou quase perfeita do original existe, (quiçá), uma nova aura que se forma, ou seja, continua a existir uma relação simbólica com o objecto. Embora não mais “atrelada” à tal ideia de autenticidade de um exemplar único, é certo, mas persiste uma aura em função de um certo valor de culto. Como por exemplo, o Espólio de Fernando Pessoa. Quando o professor deu este exemplo na aula para nós pensarmos, eu fui visitar o sitio da internet da Biblioteca Nacional e estive a ver a diversa herança artística que este poeta nos deixou. Claro que não senti o que sentiria certamente se estivesse a ver todas as suas obras ao vivo mas, a verdade é que também não me senti indiferente, senti realmente o tal valor de culto, respeito pelo autor e pelas suas práticas históricas e culturais. Claro que concordo que o valor de exposição, ou seja, “submeter as obras à exposição indiscriminada desvaloriza o seu o caráter sagrado” mas, não acredito que o valor de culto tenha desaparecido. Acredito que continue presente, tem é a sua função distorcida.

Márcia Oliveira

YouTube – 5 anos de Entretenimento e Informação

Nada melhor que falar do site Youtube, do que quando este comemora 5 anos após o seu primeiro vídeo publicado. Ontem sexta-feira, dia 23 de Abril, este comemorou por assim dizer 5 anos de existência.

Primeiro vídeo publicado no Youtube

Teve o seu início em 2005, numa garagem em San Mateo, nos EUA, quando três antigos trabalhadores do Pay Pal (Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim) criaram este site.

A meu ver, o Youtube é uma fonte inexplicável de multifuncionalidade.

Quantos de nós já utilizámos o Youtube como meio de consulta, ou até mesmo de entretenimento? Quantos de nós já vimos documentários quer para cultura geral ou até mesmo como meio de pesquisa? Quantos de nós já utilizámos o referido site para momentos de nostalgia e busca de um vídeo clip, ou simplesmente para ouvir alguma música que não ouvíamos há anos?

O Youtube é assim, e posso classificar para mim como a “minha” biblioteca audiovisual.

Neste momento uma pessoa que se ligue ao YouTube pode passar 1700 anos a ver vídeos (e esta contagem está sempre a aumentar), e nestes últimos cinco anos, o YouTube também se tornou indescritívelmente um dos grandes protagonistas da divulgação de conteúdos áudio visuais.

No momento é classificado como um arquivo multimédia gigante, com 100 milhões de vídeos vistos todos os dias.

Mas o seu êxito não parte apenas das mentes brilhantes que o criaram, mas também pelo negócio milionário de 2006, quando o Google comprou o site por 1,65 mil milhões de dólares (cerca de 1,13 mil milhões de euros) e pelos novos modelos publicitários que têm vindo a surgir, assim como pela legião de fãs que conseguiu em todo o mundo.

O vídeo em baixo conta a história destes nosso companheiro.

Ana Rita Freitas

É o fim do mercado da edição em papel?

Uma boa forma de (re)pensar o presente e o futuro, a forma e o conteúdo do mundo em que vivemos.  Até porque, neste momento, todas as dúvidas estão em cima da mesa, quer estejamos preparados ou não para (cor)responder aos desafios da nova era digital.

Ora espreitem o vídeo…

Sara Oliveira

Blogosfera

Todas as semanas tenho escrito textos para serem publicados neste blogue. Então, surgiu-me esta ideia de escrever algumas linhas sobre os blogues: o que são, qual o objectivo e como transformam a vida das pessoas (autores e leitores).

Os blogues começaram como diários online e hoje já são considerados fontes de informação e entretenimento. Nos blogues podemos publicar os chamados “posts” (artigos) que combinam texto, áudio, imagem e vídeo, ou seja, um conjunto de várias formas de comunicação. A linguagem utilizada nos blogues é uma linguagem acessível e simples que foge do formalismo da linguagem utilizada pelos meios de comunicação social. O leitor tem a possibilidade de comentar os “posts” existindo, assim, uma grande proximidade e interacção entre autores e leitores. Em Dezembro de 2007, o motor de busca de blogues Technorati registou a existência de mais de 112 milhões de blogues.

No meu ponto de vista, os blogues são instrumentos de comunicação utilizados por pessoas comuns que sentem a necessidade de exprimir ideias, divulgar eventos, dar opinião, partilhar sentimentos, ou seja, concretizar uma infinidade de razões para comunicar.

A jovem jornalista Ana Garcia Martins, 28 anos, criou há seis anos o blogue de enorme sucesso “ A pipoca mais doce” (http://apipocamaisdoce.blogspot.com/). Inicialmente, o blogue era um espaço anónimo onde a pipoca escrevia sobre o seu dia-a-dia, as suas aventuras e desventuras, partilhando com os internautas as suas emoções, sentido de humor e opiniões. A sua crescente popularidade na Blogosfera levou a que fosse eleita a Mulher mais invejada de Portugal num concurso promovido pela RedQ by DeltaQ, na internet. O sucesso do livro que publicou, já depois de ter ganho o concurso, também é prova do enorme reconhecimento do blogue da jornalista. “A pipoca mais doce” é um dos blogues mais visitados com um grande número de internautas fidelizados.

A concluir, não haverá dúvidas que a blogosfera é uma comunidade de comunicação que tende a expandir-se e a afirmar-se. Os próprios autores dos blogues, os chamados “blogueiros”, divulgam nas suas páginas a existência de outros blogues, garantindo assim a massificação dos acessos. Estamos perante mais um fenómeno social permitido e facilitado pelas tecnologias.

Sara Reis Araújo

Biblioteca digital

 A Biblioteca digital é uma biblioteca constituída por documentos  primários, que são digitalizados quer sob a forma material (Disquetes, CD-Rom,DVD), quer em linha através da internet, permitindo o acesso à distância.

Na última década do século XX, o mundo da informação digital sofreu grandes transformações, tendo surgido inúmeros projectos que confluíram no que hoje denominamos de bibliotecas digitais. A prática de nos dirigimos a uma biblioteca começa agora a ser menos frequente. Isto porque, as bibliotecas começaram por utilizar a tecnologia dos computadores para  melhorar os seus serviços básicos como a catalogação e organização do acervo á sua guarda. Com a proliferação do acesso em linha, estas instituições passaram a poder ter base de dados organizadas, dinamizando assim a informação disponível. Ou seja, o desenvolvimento das bibliotecas digitais está intimamente relacionado com a evolução da tecnologia e do modo de tratamento e transmissão de dados.

Tal como acontece com as bibliotecas tradicionais, os utilizadores das bibliotecas digitais dividem-se em três grandes grupos: investigadores, estudantes/professores e de leitura pública. As necessidades dos utilizadores neste contexto são preenchidas, essencialmente, através da utilização da Internet, acedendo ao sitio ou a página da biblioteca que apresenta informação  sobre a própria biblioteca (serviços e colecções), podendo também consultar o catalogo bibliográfico em linha. Desta forma, as consultas, as informações e a própria leitura passa a ser toda realizada em casa, no trabalho ou num meio social. A leitura de um livro pela internet é agora cada vez mais comum, pelo facilitismo que nos proporciona. Via internet basta procurarmos na base de dados pelo livro que gostaríamos de ler, e com a escolha feita, temos uma barra de opções onde podemos mudar de página, ou aumentar o livro para uma melhor leitura.

O surgimento da biblioteca digital pode ser considerado como uma evolução natural da tradicional, em virtude do aumento do fluxo informacional que dificulta a actualização e a recuperação da informação. Este fenómeno esta em constantes estudos e evoluções.

                                                                                                                                                                                           Juliana Alves

A aura da Arte

Qualquer pessoa que tenha visitado um museu com obras de autores de renome como Picasso, por exemplo, sabe bem o que se quer dizer com a aura de uma peça. É realmente estranho e difícil de explicar, mas quando se está perante um original de um grande autor é como se algo crescesse dentro de nos e quase nos custasse respirar.

É evidente que para um leigo, se lhe disserem que está a ver um Dali e na realidade for uma cópia, ele provavelmente dirá que sentiu a aura da peça. Quanto a mim, a aura é mais um sentimento de respeito pelo autor que a apreciação estética aprofundada da obra. Não estou com isto a tirar valor ao original, aliás, quando visito museus espero sentir esse respeito e saio para o exterior a sentir-me enriquecido culturalmente por ver peças das quais, na sua maioria, já conhecia cópias.

Quanto à existência de aura numa reprodução do original, seja ela digital ou física, penso que há consenso na resposta. Não, não creio que exista aura numa cópia, precisamente por não criar o tal respeito que o original desperta em nos.

Recentemente, alguns museus criaram visitas virtuais online às suas galerias. Penso que em altura alguma houve a preocupação da diminuição de visitas aos museus em questão. Numa visita virtual, simplesmente não é possível sentir-se a admiração, o respeito, a aura das obras. Esta falta de preocupação pode ser considerada uma prova da ausência de aura na digitalização da obra de arte. A aura é exclusiva do original.

Emanuel Taborda


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