Arquivo de 3 de Maio, 2011

Ligado ao mundo, mas só.

Vivemos na era da informação digital. O que não nos falta por aí, em qualquer canto das nossas casas, são computadores portáteis, telemóveis ou “smartphone’s”, “tablet’s” ou até mesmo os velhinhos computadores de secretária, que nos permitem estar constantemente ligados ao mundo, ou melhor, à Internet.

Porquê esta distinção? Porque na verdade, e acho que todos temos essa noção, é bem diferente dizer que estamos “ligados ao mundo” do que dizer que “estamos ligados à internet”. Embora muita gente não esteja convencida ou consciente desta diferença o facto é que ela existe.

Primeiro que tudo, logo a ideia de “ligação ao mundo” é só por si uma ideia um tanto ou quanto inconcebível e controversa. Se de facto eu me ligasse ao mundo, a cada vez que faço log in no meu servidor de internet, não conseguiria fazer nada em tempo útil, ou não conseguiria chegar a nada do que quisesse fazer realmente. Pois a informação seria tão abundante e aleatória que para poder chegar aos e-mails acerca da universidade, por exemplo, teria primeiro que ver as notícias e e-mails de uma rapariga chinesa que perdeu o gatinho porque deixou a janela da sala aberta sem querer, ou ficar a saber que o José Alberto deixou no Twitter uma mensagem a dizer “olho para os apontamentos e dá-me logo dor de barriga@ já volto#”, por exemplo.

Mas João, a internet não funciona assim, eu acedo só ao que quero nos sites que quero. Exactamente. É por isso que a internet está cheia de filtros. São de interesse, relevância, data, etc. E assim, quando entramos nela, através de um “browser”, temos que aceder aos sites que queremos e nos interessam, e aí procuramos informação. Assim sendo, não estamos ligados ao mundo. Estamos ligados a quem queremos. Se quisermos. Ou será que também não é bem isso?

Continuando com a ideia de ligação ao mundo. A ideia de ligado ao mundo também pode variar de pessoa para pessoa. Imaginemos que para mim não passaria do facto de poder comunicar com alguém do outro lado do mundo ou encontrar, num motor de pesquisa ou rede social, alguém nesse outro lado. Nesse caso bastaria ir ao Google ou entrar no Facebook para que isso acontecesse. Estou ligado a quem quero e quando quero e sei ou recebo notícias desses mesmos, estejam eles na Rússia ou no Paraguai. E já estou efectivamente ligado ao mundo? Na verdade não. E Eli Pariser, no vídeo que deixo em baixo, explica bem porquê. Além de eu próprio já estar, à priori, a escolher a informação a que quero aceder, os filtros utilizados pelos motores de busca ou pelas redes sociais restringem ainda mais o meu circulo de contacto, e eu fico ainda mais isolado da informação e do mundo.

Por isso, além de, normalmente, já estarmos fechados em casa e em frente a um ecrã para poder comunicar pela internet, a própria internet está, digamos, programada para me isolar ainda mais, dizendo-me que o Egipto tem pirâmides mas escondendo-me que era uma ditadura até há bem pouco tempo. Efectivamente, quando saímos de casa e vamos ao pão estamos mais ligados ao mundo que quando fazemos log in.

João Miguel C. Pereirinha

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