As transformações na escrita e no comportamento

Hoje em dia somos membros activos de uma sociedade ligada pela internet. Uma sociedade ligada de tal ordem que nos entrelaça uns na vida dos outros, até nas coisas mais simples.

Com a internet, o papel da língua altera-se e ganha importância, uma vez que é através desta que expressamos o que sabemos, o que sentimos e como vemos o mundo e os outros. Dispomos de vários meios e formas de comunicação contudo, é ainda o discurso escrito o mais utilizado.

Actualmente, o discurso escrito aproxima-se cada vez mais da oralidade e implica algo mais do que somente a palavra em si. Recorremos a imagens, símbolos, siglas, smiles, emoticons, e tudo o que nos possibilite uma escrita mais fácil, rápida e compreensível. Deste modo, surgem novas expressões, novas palavras, e todo um novo código de entendimento. Este código não somente reflecte, mas determina a estrutura das relações sociais, determina comportamentos, modos de ver e pensar.

Este código de entendimento implica uma melhor e constante, aptidão e rapidez na forma como comunicamos. Porém, pode também levar a dificuldades na comunicação entre camadas mais e menos jovens.

Esta nova escrita impõem-se cada vez mais no mundo virtual, nas salas de chat, nos jogos em linha, nos blogues, nas mensagens instantâneas, nas redes sociais e até nas próprias SMS.

David Crystal fala-nos sobre esta questão da linguagem, esclarecendo-nos quais as características do discurso oral e do escrito e explicando-nos como o Netspeak quebra com as máximas conversacionais.

O uso da internet alterou não só a linguagem mas também o comportamento.

No que lhe diz respeito, observamos alterações negativas, tais como:  uma maior perda de tempo em frente ao computador; maior irritabilidade; transposição do mundo virtual para o real; uma maior procura nas salas de chat e maior adesão nas redes sociais; uma interacção maioritariamente virtual e, por consequência, superficial; uma menor segurança; maior predisposição para enganar e ser enganado; aumento da dependência; maior exposição da vida pessoal, e por consequência, uma privacidade limitada; Aumento de relações fictícias; Incapacidade ou capacidade reduzida de criar laços no mundo real, entre muitos outros.

Por outro lado, há também alterações positivas: um maior estímulo à procura de informação; maior  difusão de ideias, a auto promoção e independência (no sentido laboral, por exemplo); possibilita um feedback mas evidente; maior diversidade e criatividade na forma como nos expressamos; facilidade de interacção com todo o tipo de pessoas, e a qualquer distância; maior difusão de certas línguas e expressões; partilha de interesses; permite aos mais acanhados uma socialização mais fácil;  permite às pessoas  que passem a conhecer-se e a relacionar-se pelos aspectos que têm em comum.

Estas transformações devem-se à alteração e evolução da forma como utilizamos os novos media.Os efeitos desta utilização, que pode ser boa ou má, reflectem-se não só na sociedade mas em nós mesmos. Cabe-nos a nós ter uma atitude crítica e consciente sobre os efeitos, que permitimos ou não, que os Novos Media tenham em nós.

Carmen Gouveia

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