Arquivo de 29 de Maio, 2011

Year Zero

À partida “Year Zero” poderia ser apenas entendido com o sexto álbum da conhecida banda de rock industrial Nine Inch Nails, no entanto, parece que esse álbum é algo um pouco mais complexo.

Por trás do lançamento deste trabalho estão uma série de recursos a novos média, que fizeram deste Year Zero não apenas um álbum, mas uma obra de arte digital (do mesmo nome). Trent Reznor, fundador de NIN, em parceria com a empresa 42 Entertainment criaram aquele que acabaria por ser um dos trabalhos de marketing mais interessantes de sempre.

Year Zero funciona como uma extensão do álbum e não o oposto. Consiste num jogo de realidade alternativa que remete para o ano de 2022 (o “Ano 0“), ano em que a América renasceu de uma série de ataques terroristas por parte de fundamentalistas islâmicos e, posteriormente o governo passou a ter e exercer total controlo sobre o país, convertendo-o numa teocracia fundamentalista cristã. Esse controlo era efectuado através de personagens, organizações (Codocore, Bureau of Morality, Angry Sniper, First Evangelical Church of Plano e por fim Judson Ogram Correctional Facility) e de um sedativo leve colocado na água da torneira.

Vários websites (do futuro) corporativos, governamentais e subversivos criados por um grupo de cientistas, clandestinamente, contra o governo foram trazidos ao ano 2007 para alertar o povo deste terrível futuro. Apesar do lançamento do álbum ter acontecido a 16 de Abril de 2007, o jogo começou a circular a 12 de Fevereiro desse mesmo ano.

Respectivamente aos novos média, e sendo aqui que se centra o meu interesse neste projecto, todo o jogo funciona à base de websites, dispositivos USB, e-mails, vídeos e MP3’s, entre outros. Cada uma destas e outras mídias levava a a uma série de pistas necessárias para se prosseguir no jogo. Para além disto a conclusão ou não conclusão do jogo dependia totalmente da participação activa dos fãs da banda.

Como fã, embora um pouco mais recente que este projecto, delirei com Year Zero. Justifico-me com a surpreendente incógnita por detrás de todo este enredo. Todos os dispositivos mídia e pistas eram deixadas ocasionalmente durante concertos, em locais aleatórios, e eram também encontradas nas próprias músicas (onde por vezes era necessário descodificar e atentar a espectogramas), e até mesmo em material de merchandising.

Para quem conhece, não é novidade que Reznor é nada mais, nada menos que um génio, e não me refiro apenas à sua faceta musical. No que toca a entretenimento e novos média, está mais que provado que o mérito é também seu.

Este jogo aplaudido pela crítica foi um marco na história da música, jogos e marketing. Os fãs não desiludiram e a participação no jogo foi mais que muita. Actualmente já não é possível participar no jogo mas é sempre possível dar uma olhadela no site oficial e tentar entender um bocadinho mais sobre este universo Reznoriano.

E lembrem-se:

Art is Resistance! (arte é resistência)

http://www.42entertainment.com/yearzero/

Logo Art is Resistance

Joana C. S. Cordeiro

How to stumble for dummies

Eu não conhecia o StumbleUpon até o João Ferreira e o Diogo Marques terem apresentado este site na aula. Com a curiosidade espicaçada, assim que cheguei a casa criei logo uma conta. Depois de uns minutos a tentar perceber como é que o site funcionava, preparei-me para começar a “stumblar”. O meu objectivo era dar uma vista de olhos rápida e a seguir ir fazer outras coisas. Três horas e 97 favoritos depois, cheguei à conclusão que a expressão “vista de olhos” não existe no mundo do StumbleUpon mas que “só mais cinco minutinhos”, sim.

Tal como o StumbleUpon existem dezenas de outros sites completamente viciantes. Oferecendo uma forma de navegação bastante simples e conteúdos variadíssimos, conseguem reter a nossa atenção durante horas. Quem nunca perdeu tempo a navegar através do Tumblr, do  Flickr ou do weheartit? Para além disso, estes sites são alimentados pelos utilizadores, o que faz com que estejam repletos de ligações para outras páginas pessoais. Um blog leva a outro e por aí fora. O engraçado é que mais de metade das coisas que lá encontramos são puro lixo mas temos sempre a compulsão de ver mais um bocadinho porque nunca se sabe quando encontramos algo que nos agrade. É fácil perdermos conta do tempo que passamos diariamente a esquadrinhar a Internet sem rumo definido. E para alguém que domina tão bem a arte de procrastinar como eu, por vezes este hábito pode tornar-se grave. Quando os cinco minutos se transformam em horas necessárias para fazermos outras coisas é altura de parar. Pode parecer dramático falar nestes termos de meros sites que só visitamos porque queremos mas a verdade é que a Internet é aditiva. E torna-se difícil saber quando já chega.

De modo a tentar contrariar esta tendência, decidi começar a ter horários para navegar neste tipo de sites. Por cada hora de trabalho, tenho direito a meia hora de lazer. Serve não só para descansar e conseguir organizar as ideias entre tarefas mas também como incentivo. Por agora, posso dizer, orgulhosamente, que tenho seguido a minha decisão à risca. Por sorte, o texto chegou ao fim. Acho que vou “stumblar” mais um bocadinho.

 

Maria Leonor de Castro Nunes

 

A tecnologia na educação

Neste vídeo podemos ver a preocupação dos professores com a tecnologia como instrumento de ensino. Mostra as polémicas relevantes mas também mostra que a internet pode ser uma boa ferramenta para a aprendizagem dos alunos nas escolas.

A escola é uma instituição mais tradicional que inovadora. A cultura escolar tem resistido bravamente às mudanças. Os modelos de ensino focados no professor continuam predominando, apesar dos avanços teóricos em busca de mudanças do foco do ensino para o de aprendizagem. Tudo isto nos mostra que não será fácil mudar esta cultura escolar tradicional, que as inovações serão mais lentas, que muitas instituições reproduzirão no virtual o modelo centralizador no conteúdo e no professor do ensino presencial.

Com os processos convencionais de ensino e com a actual dispersão da atenção da vida urbana, fica muito difícil a autonomia, a organização pessoal, indispensáveis para os processos de aprendizagem à distância. O aluno desorganizado poderá deixar passar o tempo adequado para cada actividade, discussão, produção e poderá sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalhará sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que criará tensão ou indiferença. Alunos assim, aos poucos, poderão deixar de participar, de produzir e muitos terão dificuldade, à distância, de retomar a motivação, o entusiasmo pelo curso. No presencial, uma conversa dos colegas mais próximos ou do professor poderá ajudar a que queiram voltar a participar do curso. À distância será possível, mas não fácil.

Os alunos estão prontos para a multimídia, os professores, em geral, não. Os professores sentem cada vez mais claro o descompasso no domínio das tecnologias e, em geral, tentam segurar o máximo que podem, fazendo pequenas concessões, sem mudar o essencial. Creio que muitos professores têm medo de revelar sua dificuldade diante do aluno. Por isso e pelo hábito mantêm uma estrutura repressiva, controladora, repetidora. Os professores percebem que precisam mudar, mas não sabem bem como fazê-lo e não estão preparados para experimentar com segurança. Muitas instituições também exigem mudanças dos professores sem dar-lhes condições para que eles as efectuem. Frequentemente algumas organizações introduzem computadores, conectam as escolas com a Internet e esperam que só isso melhore os problemas do ensino. Os administradores se frustram ao ver que tanto esforço e dinheiro empatados não se traduzem em mudanças significativas nas aulas e nas atitudes do corpo docente.

José Manuel Moran, ‘A integração das tecnologias na educação’, in http://www.eca.usp.br/prof/moran/integracao.htm

Luiza Fernandes.

A revolução anunciada

Nenhum meio de comunicação foi tão poderoso e causou tantas e tão profundas modificações na sociedade quanto a escrita. Todos proporcionaram, de modo mais ou menos contundente modificações na sociedade e na visão de mundo das pessoas. Fundamentalmente, todos contribuíram para a redução do espaço, ou seja, para a rapidez e eficiência da comunicação entre as pessoas em localidades diferentes. Segundo McLuhan, os meios de comunicação atuam como extensões das capacidades naturais dos seres humanos. A televisão mostra aquilo que não podemos ver fisicamente, mas através dela, como uma extensão de nossos olhos. O rádio trouxe as notícias das quais não tínhamos conhecimento, como uma extensão dos nossos ouvidos. O telefone nos permitiu levar a voz a uma distância infinitamente maior do que jamais se havia pensado. E assim sucessivamente, cada meio representou uma extensão de uma capacidade natural dos seres humanos. A Internet, no entanto, através da Comunicação Mediada por Computador, proporcionou a extensão de várias capacidades naturais. Não apenas podemos ver as coisas que nossos olhos naturalmente não vêem. Podemos interagir com elas, tocá-las em sua realidade virtual, construir nossos próprios raciocínios não linear em cima da informação, ouvir aquilo que desejamos, conversar com quem não conhecemos. Fundamentalmente, podemos interagir com o que quisermos.

Autores como LOGAN (1999) definiram a Comunicação Mediada por Computador como uma nova e importantíssima linguagem. Para LOGAN, todo o desenvolvimento da humanidade deu-se sobre as tentativas de organização da complexidade e do caos da realidade que circundava os primeiros seres humanos. Assim, como tentativas de organizar todo o seu raciocínio e a sua compreensão do mundo, surgiram a fala, a escrita, a matemática, a ciência, a informática e por fim, a sexta linguagem, a Internet. Cada linguagem surgia quando a anterior não era mais suficiente para explicar os fenómenos. LOGAN utiliza-se de uma perspectiva física e matemática (da teoria do caos) e humana (teoria da linguagem e as ideias de MCLUHAN) para definir a evolução da linguagem.

Além disso, a Internet apresenta uma convergência de médias. No computador já é possível assistir televisão, ouvir rádio ou ler jornal… Enfim, todas os médias tradicionais com o “mais” da interactividade. Logo, enquanto usuários da Rede, cada indivíduo é um emissor massivo em potencial. Pode difundir mensagens e ideias através de e-mail, chats ou mesmo em listas de discussão e websites. Pode difundir sua música através da gravação da mesma em um formato que seja manipulável através da Internet. Pode gravar um vídeo em uma câmara digital e divulgá-lo. Enfim, as possibilidades são inúmeras. Cada indivíduo é um emissor e um receptor simultaneamente na Rede.

Raquel da Cunha Recuero, ‘A Internet e a Nova Revolução na Comunicação Mundial’ (2000), in http://www.pontomidia.com.br/raquel/revolucao.htm

Luiza Fernandes.

A evolução da comunicação

A primeira grande revolução na comunicação aconteceu quando o homem desenvolveu a linguagem, como tentativa de comunicar-se com seus semelhantes e sucesso na luta pela sobrevivência. A linguagem permitiu que a humanidade conseguisse transmitir o conhecimento adquirido, aperfeiçoando a forma de apreender o mundo pelas primeiras comunidades. Alguns séculos mais tarde, a linguagem teve seus sons codificados em símbolos, e posteriormente em alfabetos. Com a criação desta nova convenção, teve início a civilização como a conhecemos hoje. A escrita permitiu que o conhecimento ultrapassasse a barreira do tempo e que a mensagem pudesse existir independente de um emissor, podendo ser recebida a qualquer momento por alguém que soubesse decifrar o código. Permitiu também a organização linear do pensamento, base da inteligência e cultura dos séculos seguintes. Com a escrita desenvolveu-se também a ciência, criando várias raízes de conhecimento científico e desenvolvendo a civilização. Com a ciência, o espaço pôde ser reconfigurado, medido, transformado. A distância passou a ser algo concreta, passível de ser medido. A escrita também esteve intimamente ligada com a transmissão e desenvolvimento da cultura dos povos. E a cultura com o desenvolvimento também da sociedade e da vida social. O impacto da escrita na vida do homem foi tão forte que até hoje os historiadores determinam o fim da Pré-história e o início da História, ou seja, da civilização e do desenvolvimento pela provável data da invenção da escrita.

Tamanha reviravolta está sendo revivida neste final de século. Com o surgimento de um novo meio de comunicação, o mais completo já concebido pela tecnologia humana: a Internet. O primeiro meio a conjugar duas características dos meios anteriores: a interactividade e a “massividade”. O primeiro meio a ser, ao mesmo tempo, com o alcance da televisão, mas com a possibilidade de que todos sejam, ao mesmo tempo, emissores e receptores da mensagem. É a aldeia global de McLuhan concretizada muito além do que ele havia previsto. Uma aldeia repletas de vias duplas de comunicação, onde todos podem construir, dizer, escrever, falar e serem ouvidos, vistos, lidos. Com o surgimento deste novo meio, diversos paradigmas começam a ser modificados e nossa sociedade depara-se com uma nova revolução, tanto ou mais importante do que a invenção da escrita. O paradigma do pensamento linear está sendo superado por um novo paradigma: o pensamento hipertextual, que organiza-se sob a forma de associações complexas, considerado muito mais apto e completo para descrever e explicar os fenómenos do que o linear. Ao mesmo tempo, o advento do ciberespaço, um espaço novo, não concreto, mas igualmente real sugere uma reconfiguração dos espaços já conhecidos, das relações entre as pessoas e da própria estrutura de poder. Como meio de comunicação, a Rede, como também é conhecida, veio a preencher o coração da Sociedade da Informação, imaginada e criticada por pensadores como CASTELLS (1999). A informação passa a constituir a matéria-prima de nossa sociedade, fonte não apenas de capital, mas também de poder. E um espaço inteiramente constituído de informação, como a Internet, passa a ter um papel central nessa nova sociedade, tanto em termos de circulação de capital, como em termos de reconfiguração do espaço e das relações sociais. Este espaço, denominado por muitos como ciberespaço, ou espaço virtual é o cerne da revolução desta virada de século. O ciberespaço é um não-lugar. Não concreto, não físico, mas real.

Raquel da Cunha Recuero, ‘A Internet e a Nova Revolução na Comunicação Mundial’ (2000), in http://www.pontomidia.com.br/raquel/revolucao.htm

Luiza Fernandes.

Transcodificando a Cultura.

De acordo com Lev Manovich na sua obra: The Language of new media, a transcodificação cultural é a transformação dos códigos de cultura e dos médias por efeito dos códigos computacionais.  E  nesta transformação, a cultura humana sujeita a cultura dos médias modificando os aspectos sócio-culturais, económicos, políticos e comportamentais.

Para compreender a totalidade de uma transcodificação cultural é necessário compreender outros elementos que vão permitir a sua concretização. Esses elementos são:  A representação numérica que é a representação de objetos digitais que permitem utilização  de meios que automatizam através  de unidades ou elementos quantitativos onde esses objetos  são correspondidos pelos algoritmos, ou seja, programáveis; A modularidade que reutiliza a representação numérica para a composição do meio ( pixeis, polígono, caracteres, scripts, imagem, som, etc); A automação que são susceptíveis processos automáticos que permite manipular, acessar e criar novos elementos mediáticos que é o resultado somatório da representação numérica mais a modularidade, onde é exemplificada desde níveis baixos de automação ( word, powerpoint, excel…) até níveis altos ( inteligência artificial)  e a Variabilidade que permite gerar um número infinito de versões dos médias. Estes elementos ocorrem por hierarquia, cujo os prinicipais expoentes para que eles se consolidem é a representação numérica e  a modularidade, e que, o seu relacionamento vai possibilitar a ocorrência da transcodificação cultural.

A utilização dos médias para a necessidades e os desejos humanos interfere na suas ações. Se o individuo cria mecanismos para sua sobrevivência perante o sistema ele fica, não generalizando,dependentes desses elementos; como a utilização da internet para pesquisas, a comunicação entre indivíduos através das redes sociais, a comercialização e a publicidades em sites, a importância dos  médias para auxiliar pacientes nos hospitais, programas  e dispositivos que permitem a segurança pública, a utilização da robótica para indústria, a tecnologia a favor do militarismo e a realização dos médias na cultura e lazer. Mas, esses meios tecnológicos só vão se agregar na ações da sociedade a partir do momento que ela tenha capital para adquiri-los. Ainda em nosso planeta nem todas as pessoas tem acesso a leitura muito menos ao computador, isto prova o antagonismo social desequilibra as condições de vidas de muitas pessoas, pois indivíduos que não possuem recursos para investir em sua capacitação e os instrumentos mediáticos vão ficar em uma situação difícil, permitindo que outras nações que possuem uma economia tecnológica forte se sobre saia as outras inferiores. E a partir dessa utilização dos médias desde blogs à satélites possibilita uma transcodificação cultural que atinja ao globo nos seguintes aspectos:  a escrita, o audio-visuais, o científico, o militar,  na política-económica e na ramos publicitários, consolidando uma massificação de informações para o homem.

Portanto, a transcodificação cultural se concretiza através dos princípios da representação numérica, modularidade, automação e variabilidade que são meios que modificam a sua cultura, e que aliada a outros interesses da sociedade permitindo a transformação do homem com o seu meio.

  “A camada computacional recombina-se com a camada da cultura e dos médias, modificando a lógica cultural dos médias´´ Lev Manovich.

Bruno Fernandes Oliveira.


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