A Internet, uma ferramenta que leva a repensar a sociedade e o homem?

Hoje em dia a mediação digital tornou-se omnipresente nas nossas vidas. Podemos saber o tempo que está na Austrália ou no Japão, tal como podemos saber num instante os acontecimentos desses mesmos países ou outros. Se um cientista descobre algo de novo, somos imediatamente informados. Já não é preciso dias, semanas nem meses para vir a conhecer essa informação. E mais ainda, temos livre acesso à informação logo que temos à nossa disposição um computador e ligação à Internet.

O tempo em que uma pessoa interagia apenas com uma comunidade restrita acabou. Hoje em dia podemos interagir com pessoas que estão do outro lado da esfera terrestre à distância de alguns clicks. Começamos a descobrir que, embora haja diferenças culturais e ideais diferentes em cada cultura, os medos, as nossas preocupações e os nossos pensamentos não são assim tão diferentes daquela pessoa que está do outro lado do Atlântico. Um projeto que nos demonstra isso é o projeto 7 billion others posto a nossa disposição gratuitamente e realizado por varias pessoas, como por exemplo o fotógrafo francês, Yann Arthus-Bertrand que vou voltar a referir mais além.

É verdade que, nos dias de hoje muita gente não tem ainda consciência disso e com tanta informação colocada em rede, e ainda por cima amplificada pelos outros média como por exemplo a televisão, a probabilidade de ficarmos aborrecidos é muito maior. Isso também tem as suas raízes no facto da informação em si ser desmoralizadora. Desmotiva-nos até ao ponto de nos levar a um estado de apatia porque acabamos por aceitar a confusão que a gente vê como sendo normal. Estou a referir-me ao facto de sermos submergidos de informações como guerra, miséria, fome, catástrofes, violência, crimes, competitividade, e confusão.

Quando vejo as notícias e depois pessoas a reagirem com tanta apatia em relação a isso, leva-me a perguntar-me … Onde fomos parar? Será que algo nos escapou? Ou será que não estamos a entender o fundo do problema?

O mundo gira e continua a girar e a gente envolve-se nesse ambiente, a gente cresce nesse ambiente e acabamos por pensar que o “ambiente” em que vivemos, é normal. Que por exemplo a guerra é algo normal, e isso, mesmo que eu tente não se encaixa na minha cabeça. Estamos num ciclo vicioso, no qual nascemos, crescemos, trabalhamos para juntar algum dinheiro para (sobre)viver e morremos. Temos muito pouco tempo para reflectir, temos de ir trabalhar, chegando a casa ao fim do dia temos de tratar do lar etc. Todos já conhecemos de cor essa canção.

Voltando aos novos média, eu acho que a Web 2.0 veio num momento importante e hoje ajuda-nos a reflectir sobre o problema. Ajuda-nos a repensarmos sobre o nosso quotidiano, a reflectir sobre nos próprios e veio desmantelar as fronteiras estabelecidas. O facto é que nunca antes o acesso à informação foi tão grande e com uma rapidez nunca antes atingida.

Os novos média e a Web 2.0 mudaram e continuam a mudar as nossas vidas. Já não é preciso estar ligado a uma instituição para ter acesso ao conhecimento. Temos à nossa disposição centenas de enciclopédias livres. A mais conhecia de todas a Wikipédia. A partilha de materiais, como documentos, vídeos, música etc. trouxe aspetos bastante positivos para a sociedade embora muitas pessoas ainda não tem consciência disso. Só temos de encontrar maneira de utilizar os meios postos a nossa disposição de forma correta em fazermos a parte das coisas. Não vou negar que há muita informação na Internet que é falsa e enganadora, mas a culpa disso não são os novos média mas quem está por detrás, … eu, tu, nós. Sim nós, somos nós os criadores, portanto falta-nos tomar consciência disso. Estamos a assistir e a fazer parte duma transformação da sociedade. O que me leva a pensar isso?

É simples, basta olhar para os inúmeros projetos colaborativos criados entre pessoas que sem os novos média e a Web 2.0 não seriam predestinadas a encontrarem-se. A rapidez de comunicação e os avanços tecnológicos tornam projetos muito mais fáceis de se realizarem.

HOME um filme de aspeto documental que fala do meio ambiente e do aquecimento global, posto gratuitamente na Internet, realizado por Yann Arthus-Bertrand quem já referi anteriormente, é um exemplo bom para explicar o fenómeno.

A série de filmes Zeitgeist ou o projeto The Story of Stuff que nos apresentam o sistema estabelecido no qual vivemos também, fora os que não cito e aqueles que ainda me faltam descobrir. Mas não fico por aqui, para mim a cereja no topo do bolo é o TROM documentary – The Reality Of Me, um documentário que tem aproximadamente a duração de 13 horas e que está dividido em vários temas, foi disponibilizado gratuitamente na Internet no início deste ano de 2012.

Oiço falar de crise económica, mas acho que se trata duma crise social, uma crise da consciência. Jiddu Krishnamurti (que também aparece em dois documentários que citei) afirmava que a verdadeira revolução é a revolução psicológica. Será?

A Web 2.0 faz-nos refletir sobre o que somos, o que nos rodeia, o que queremos e o que realmente é importante, porque colocou a população mundial ‘online’ e mudou a nossa noção de espaço e de tempo.

Trata-se duma tomada de consciência para uma eventual mudança de mentes que nos possa levar a criar uma sociedade nova que mostrará a verdadeira criatividade e o potencial das pessoas, ou seja, do ser humano em si.

Eu sei que há pessoas que irão talvez dizer que eu vivo numa utopia e que talvez sonho demais, mas a mudança está a acontecer neste exato momento e depende de cada um de nós. O John Lennon cantava “You may say I’m a dreamer, but I’m not the only one.” e com esta citação convido-vos a descobrir as hiperligações que fui deixando ao longo do texto, tal como verem o seguinte vídeo que tem como título: “Waking Up”.

Vanessa Gomes

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