Arquivo de 14 de Março, 2012

Imagem: arte e história

Tema de escrita: O que significou ver a imagem em movimento pela primeira vez? O que acontece quando se regista a imagem?

Nos dias de hoje, estamos habituados a ver e ouvir em primeira mão tudo o que de novo acontece no mundo através de instrumentos de media como a televisão ou o computador, quando ligado à internet. Essa capacidade de representação do real é muito comum e o indíviduo social neste momento não consegue viver sem essa comodidade. Essa habituação está tão enraizada na população, sobretudo a mais jovem, que muitas vezes nem pensamos no avanço tremendo que a captação de imagem em movimento constituiu.

 

Na altura, em finais do século XIX, uma das épocas mais importantes ao nível do cinema e da rádio, as primeiras figuras em movimento foram recebidas numa mistura de curiosidade, espanto e também desaprovação, algumas pessoas pensavam que essa inovação era “bruxaria” e portanto reprovavam essa forma de arte ou de documentação do real. Com o aparecimento de formas mais modernas de captar as imagens, o interesse da população por esta nova invenção cresceu quando se começaram a fazer filmes de curta duração não só sobre o quotidiano mas também com enredo e histórias interessantes, tanto cómicas como trágicas. Ver a imagem em movimento pela primeira vez representou uma revolução explosiva no seio da comunidade artística, rapidamente se multiplicaram os realizadores e se instituiu a noção do actor ou actriz de cinema.

 

Actualmente, os primeiros filmes são provas históricas extremamente importantes para compreender a vida quotidiana da altura. Essas imagens são captadas e ficam gravadas para a posteridade, deixam uma marca positiva ou negativa nas pessoas que a visualizam e constituem ferramentas para a compreensão do real e do movimento como forma de arte.

 

Em modo de conclusão, as captação das primeiras imagens em movimento foi fulcral para a compreensão da sociedade e para o avanço da criatividade artística, tudo o que temos a oportunidade de ver e saber através de imagens, deve-se a esse avanço tremendo na história dos media que revolucionou por completo a forma como víamos e vemos o mundo que nos rodeia.

António Martins

 

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A Revolução da Fotografia

Desde os tempos da  Antiga Grécia, à câmara escura do século X, às pesquisas e trabalhos com químicos de Johann Henrich Schulze e Carl Wilhelm Scheele no século XVIII que o Homem tentou reproduzir da forma mais precisa e objectiva possível a realidade.  Tal acabaria por se concretizar no início do século XIX com o francês Joseph-Nicéphore Niépce naquilo que seria o culminar de todos os dados reunidos até a altura, a primeira fotografia do mundo, tirada mais precisamente no verão de 1826, da janela da sua casa. À medida que o século avançava, mais pessoas acabariam por aderir ao fenómeno e através da alteração dos químicos usados, conseguiriam o seu próprio processo ( casos como o do também francês  Louis-Jacques Mandé Daguerre ,que trabalhara com Niépce, e formulara o seu popular daguerreótipo, ou do inglês William Henry Fox Talbot, inventor do calótipo). Mas qual foi o impacto desta invenção tão revolucionária?

A fotografia, que deve o seu nome ao inventor franco-brasileiro Hércules Florence, representou na altura da sua concepção uma inovação em diversos níveis tanto pela sua superior qualidade de definição em relação à pintura (que não conseguia competir com o maior realismo que a fotografia oferecia), tanto pelos seus custos (tirar uma fotografia era e é um processo relativamente barato e a grande procura de retratos na altura acabaria por fomentar a popularização do produto que ia e vai sendo constantemente aperfeiçoado).  Julgo que será por estas mesmas razões que a fotografia conseguiu atingir um estatuto tão importante dentro da nossa sociedade e que para esse fim terá contribuído ainda mais, aquela que creio ser a principal função desta invenção, a de congelar um momento preciso para uma análise posterior (quer seja para partilhar e relembrar momentos passados vividos com a família e amigos ou para documentar importantes acontecimentos do mundo, as razões para fotografar são ilimitadas)  o que apesar de ser algo simples não deixa de ser importante.

Miguel Menano

Mão Autonóma

A máquina de escrever foi engolida pelos dispositivos digitais.

Penso que a escrita digital veio tirar significado à escrita, no seu conceito original. Nós nos tornámos independentes da máquina de escrever, no momento em que este instrumento foi substituído pelos processadores de texto, o teclado, que terá grande impacto nos modelos da escrita convencional.

Ao assistir o vídeo “Hands and Writings”, de Sarah J. Arroyo, apercebi-me de certas condições e consequências, onde a escrita digital nos afecta. Uma das vantagens desta substituição se deve ao facto do computador/teclado ser mais eficiente, e mais rápido, onde temos as portas para a comunicação e o conhecimento abertas. Mas é difícil sentirmos a necessidade de escrever uma carta a alguém, ou a uma entidade à mão, tal situação é rara acontecer, por ser muito mais práctico o computador. A questão aqui colocada é ao escrever no teclado, e não à mão, se se nos modifica como indivíduos, como seres criadores, e neste aspecto concordo com a afirmação de Kittler “ Para mecanizar a escrita, a nossa cultura teve de redefinir os seus valores ”, pois ao transpor a escrita para um suporte digital, tivemos de criar um novo universo de linguagem, de conceitos, em que temos ao nosso dispor um mundo de comunicação a explorar.

Um dos problemas que este novo mundo criou foi a banalização de certas palavras, de certos conceitos, como por exemplo a amizade, em termos virtuais, pois as intenções modificaram-se. Torna-se o discurso mais informal, mais descuidado, e talvez mais repetitivo. Há um certo distanciamento da pessoa e da intenção do seu discurso. A comunicação devia, supostamente, ser uma extensão do ser, como Nietzsche afirma “ As nossas ferramentas de escrita, não só trabalham no nosso pensamento, mas também é algo como eu”.

Outra questão levantada no vídeo, é o sentido da escrita no ‘teclado’, evocar comunidades de conhecimento, em que nada está protegido, todos podem ler, e onde permanece a necessidade de partilhar conhecimento, mas também a necessidade de partilhar experiências, estados de espírito, principalmente em redes sociais, que te fazem sentir num ambiente de comunidade. Reichelt diz “Ambiente Intimo: sensação de conexão que nós temos, ao participar nas ferramentas sociais online”. Até mesmo o conceito de intimidade tem de ser redefinido.

Sendo assim, concordo inteiramente quando Kittler diz “Armazenamentos tecnológicos para escrita, imagem, e som, só poderiam ser desenvolvidos, após o colapso deste sistema ”, pois, embora a tecnologia seja produtiva, útil, funcional, práctica, a acumulação das tecnologias para a escrita, a imagem, o som, só poderiam evoluir independentes do sistema.

Sofia Maia

Realidade em movimento.

Vivemos na era da tecnologia, crescemos habituados a ouvir rádio, a tirar fotografias e a ver filmes. É-me difícil imaginar um mundo sem todas estas coisas, principalmente sem o cinema, que sempre fez e sempre fará, espero, parte da minha vida, por longos anos, contudo, este mundo sem a tecnologia existiu, e não foi num passado assim tão longínquo, como imaginamos muitas vezes.

Para falar de Cinema, e da sua evolução, temos que começar pelo princípio da sua história. Tudo começou com a ilusão de óptica, ou seja, com a reprodução de uma série de imagens ( fotografias), fazendo-nos acreditar que de facto existe  movimento. A partir deste momento a história do Cinema começou a evoluir começando a aparecer os primeiros filmes, que não envolviam esta representação sequencial de imagens e começou-se a ouvir falar de realizadores, como os irmãos Lumiére, e David Wack Griffith, Edwin S. Porter e por aí fora, até aos dias de hoje.

Desde o início desta descoberta, do Cinema, que o Mundo mudou. Pela primeira vez as pessoas estavam a ver algo num ecrã que se movia, estavam a ver o seu dia-a-dia, filmado e projectado, por algo que, para muitos, era de outro mundo, daí o choque, que deve ter sido imenso para essas pessoas, mas o que elas não imaginaram, na altura é que, muitos desses filmes, que foram salvos, guardados, seriam objecto de estudo, o que para eles era entretenimento, para nós, para além disso, é algo que faz parte da História, algo que deve ser preservado.

Fazendo agora uma breve reflexão, para terminar, o Cinema, neste caso as filmagens, trouxera um conjunto de coisas positivas para o nosso dia-a-dia, nomeadamente,  prazer de rever as pessoas que mais gostamos, mas que, por alguma razão não estão presentes, o prazer de nos entreter. O poder das filmagens é imenso, é graças a elas que conseguimos ter uma percepção mais abrangente do que passa no Mundo, que conseguimos, também comunicar e nos conseguir, acima de tudo, com o Cinema, abstrair de todos os nossos problemas por alguns minutos ou horas.

Carina Fernandes

O telefone e algumas consequencias

A invenção e desenvolvimento do telefone e das linhas e operadoras telefónicas deu às pessoas a possibilidade de comunicar á distância em tempo real, algo que o já existente telégrafo não permitia, pois as mensagens chegariam mais tarde ao receptor e não no momento em que foram enviadas pelo emissor. A comunicação há distância através de chamada de telefónica, algo que hoje em dia se tornou banal e cada vez mais menos usual, visto que hoje em dia temos tecnologia acessível que nos permite mandar sms ou fazer vídeo-chamadas, sem sequer precisarmos levar qualquer aparelho ao ouvido, foi na época uma área que sofreu uma revolução enorme com tal invento. Com o avanço desta tecnologia de comunicação sentiu-se a necessidade de ter pessoas a trabalhar nas operadoras telefónicas para controlar as linhas. Este trabalho era feito geralmente por mulheres, o que deu emprego a muitas delas numa profissão considerada respeitável, e tal como se encarregavam das chamadas telefónicas muitas das mulheres desta época também eram dactilógrafas. Assim como a máquina de escrever o telefone foi uma invenção que acabou por dar emprego a muitas mulheres posteriormente á data da sua criação. Até hoje em dia temos como recordação desta época o facto de aparecer nos nossos telemóveis uma voz feminina a falar quando alguém não atende uma chamada.

 É interessante ver que na altura foram lançadas questões pertinentes até nos dias de hoje, tal como a diminuição do contacto humano e da vida e interacção social ser feita apenas por via tecnologia e não ao vivo com verdadeiro contacto humano, com o avanço tecnológico actual reconhece-se que a possibilidade de não ser preciso estar com uma pessoa para poder comunicar com ela pode ter consequências negativas e positivas. Assim podem-se desenvolver casos de pessoas que não desenvolvem grandes aptidões sociais e não conseguem falar tão bem com outras sem ser com algum objecto tecnológico.

 

Raphael Mesquita

Memórias de Registro e manipulação temporal

Tema de escrita: o que significou registrar a voz humana pela primeira vez? O que acontece quando se grava o som?

A história da vida humana foi acumulada ao longo de centenas de anos através de memórias de registro que nos permitiram ascender e a conhecer uma realidade existente em um tempo em que não estivemos presentes. Os diferentes tipos de registros encontrados pelo homem como forma de perpetuar um momento seja pela via oral, registros escritos, pinturas ou mais tarde, com o advento das Novas Medias (a fotografia como captação da imagem no presente, o cinema como captação e reprodução do movimento pela manipulação da imagem sequenciada, ou as técnicas de gravação e reprodução sonora como uma extensão do falar e ouvir),permitiram o registro aprimorado do tempo e sua manipulação.

Desde a invenção do Fonoautografo em 1857 pelo francês Leon Scott, o registro sonoro torna-se possível. Mas é somente em 1887, com Tomas Édison que é criado (ou desenvolvido) o Fonógrafo, que diferentemente da invenção de Scott ,que apenas registrava e guardava em um espaço físico o som captado no ambiente, permitia também a reprodução desse mesmo som.

O registro sonoro passa então a proporcionar a manipulação do tempo e do espaço no que diz respeito ao som. Ouvir um som pela primeira vez não foi apenas a audição de um registro sonoro, mas a oportunidade de exploração e manipulação das propriedades do som, seja ele musical, textual ou de qualquer espécie.

O impacto que esse registro\reprodução causou em seus primeiros ouvintes, foi provavelmente semelhante a passagem descrita nas “Palavras degeladas”, onde o escritor francês François Rabelais conta, no Quarto Livro, nos capítulos LV e LVI, as aventuras de Pantagruel ( um herói de inspiração medieval, filho de um gigante, o Gargântua, que parte em diferentes aventuras acompanhado de seu amigo Panurge).Pantagruel e seus amigos estão em um barco em meio a uma atmosfera gélida quando ele desperta a atenção de todos para a PRESENÇA de sons:

“Camaradas, não ouvis nada? Me semelha que ouço algumas

gentes falantes no ar, e não vejo, todavia, ninguém ali.”

Nessa passagem da obra , tanto Pantagruel como seus amigos, tem um contato direto com os sons da batalha ocorrida naquele mesmo local no começo do inverno, onde se congelaram todos os sons da guerra, os ruídos e fragores do combate que com o término dos tempos frios degelavam-se e tornavam-se audíveis.

 “O que formidavelmente nos espantou, e não sem razão, a ninguém vendo

e, no entanto, ouvindo vozes e sons muito diversos de homens, de

fêmeas, de infantes, de cavalos”

Com o registro sonoro de certa maneira, pode-se garantir a presença do corpo produtor do som, a medida que reproduz-se a frequência sonora tal como fora produzida (ou de forma próxima), principalmente hoje em dia em que as tecnologias de captação( ou como na historia de Rabelais, o congelamento dos sons), e reprodução (o processo de degelo)foram bastante aprimoradas.

É bem provável que seja esse o sentimento despertado naqueles que presenciaram o primeiro registro sonoro :“Espanto”.Isso por terem a oportunidade de entrar em contato com sons de diversas naturezas em tempos e lugres distintos ao qual foram produzidos, e sem necessariamente terem um contato direto a fonte produtora que se faz presente por sua reprodução.

Amanda Gomes

Tradução das citações por Antônio Lázaro de Almeida Prado (http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=1473

A importância de gravar a voz humana

Tema de escrita: o que significou registar a voz humana pela primeira vez? O que acontece quando se grava o som?

É cada vez mais frequente o surgimento de novas tecnologias e de seu aperfeiçoamento. Quando penso: “não tem como melhorar este aparelho. O que poderiam inventar para incrementá-lo?”, logo é criado algo que me faz repensar e ficar admirada. Mas acredito que nada que surgir será mais surpreendente do que os primeiros meios de gravação da voz.

Através dos fonógrafos e seguintes meios de registro sonoro, se tornou possível guardar uma das mais valiosas “armas” que temos: a fala; seja para fins comerciais, no caso dos anúncios feitos, a princípio, com o uso do fonógrafo, ou até mesmo para ter registrada a voz de alguém querido. Poder ouvir novamente o que foi dito, repetir o que se disse, espalhar informações  por vários lugares ao mesmo tempo, entre outras possibilidades, definitivamente ajudou o homem a se relacionar e a se comunicar melhor.

Gravar a voz humana também foi um dos grandes passos para que muitas das tecnologias atuais fossem desenvolvidas. Talvez os primeiros meios de gravação não recebam o devido valor, porque já estamos acostumados com outros tipos mais avançados de aparelhos e acabamos sem pensar em como chegamos até aqui. O primeiro registro de voz pode parecer incompreensível hoje e ser esnobado, mas temos que pensar no impacto que ele causou na época de sua gravação.

A nossa voz é algo com que estamos em contato a todo momento, mas a que raramente damos atenção – fora o caso de pessoas que trabalham com música, que cantam. Ouvimos os amigos falando e até nos ouvimos, só que de maneiras diferentes. Tanto é que quando fazemos alguma gravação da própria voz e depois a escutamos, nos perguntamos: “minha voz é assim?” Há uma estranheza em relação àquilo que usamos sempre. Se hoje, com todas as ferramentas que temos a nosso dispor, ainda nos admiramos com a voz humana, imagino, então, quando esse som começou a ser gravado.

Bruna Fernandes


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