Meio, mensagem e receptor

Marshall McLuhan introduz, na sociedade contemporânea, várias metáforas, como por exemplo “o meio é a mensagem”, ao ponto de, essas mesmas metáforas, se terem tornado parte da nossa linguagem do dia a dia.

E isto porquê?

Podemos entender a afirmação “The medium is the message” da seguinte maneira: todo o próprio meio em si já tem um conteúdo, um conteúdo que tem a ver com a própria natureza do meio, por exemplo a televisão tem a imagem como conteúdo da sua própria natureza, o rádio o som e assim consecutivamente. O conteúdo de cada meio pode ou não influenciar a mensagem desse mesmo meio, pode influenciar muito ou pouco, no caso da televisão e do rádio, ambas passam notícias e têm como objectivo passar a mensagem ao receptor, mas vão ser recebidas pelo espectador de maneiras bastante diferentes pois cada desses meios tem um conteúdo diferente e apesar da mensagem ser a mesma, o conteúdo neste caso interfere na recepção da notícia, óbvio que podemos pegar naquilo que temos como conteúdo em casa meio e dar mais ênfase a tal, às imagens que se passam no decorrer da notícia – no caso da televisão – e no caso da rádio as palavras e a escolha acertada delas, mas mesmo assim, sem dúvida que a mensagem é sempre recebida de maneira diferente.

Podemos chegar à conclusão que o meio em si nunca é neutro, tem sempre uma mensagem para passar, um conteúdo próprio e uma recepção da mensagem sempre diferente devido ao conteúdo.

Já Jay David Bolter e Richard Grusin em “Understanding the New Media” falam-nos de um novo conceito – a remediação.

E afinal o que é isto da remediação?

A remediação não passa de uma simples transformação entre os novos média, ou numa definição mais complexa é a “lógica formal através da qual os novos média reformam as formas dos média anteriores”.

Alguns exemplos de remediações bastante comuns e simples: a pintura para fotografia, o teatro e o romance para cinema, o telefone para tele-conferência, a imprensa para texto electrónico etc, tudo isto são evoluções da maneira como a mensagem é passada de um meio para outro meio, por exemplo, retratar uma paisagem pintando ou, mais tarde, fotografando é sempre diferente, ambas retratam o real, mas uma com mais exactidão e realismo que a outra óbvio.

Resumidamente, existe uma enorme evolução e persistência em tentar fazer ver à sociedade as coisas como elas realmente são aos olhos dessa mesma. As mensagens que os meios nos passam, são cada vez mais perto daquilo que realmente vemos, afinal não se trata só de uma enorme bola de informação, conhecimento e corrupção, trata-se, acima de tudo, de uma enorme bola cheia de realismo.

Soraia Lima


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