A coexistência e o fomento reciproco entre os médias

 Tema de escrita:”Como podemos entender e exemplificar a afirmação de Bolter e Grusin de que a remediação é a principal caracteristica técnica e formal dos meios digitais?”

Vivemos em uma sociedade que se reafirma todos os dias. Tudo o que produzimos se baseia em conceitos já estabelecidos e se relaciona com produções pré-existentes. Não existe, portanto, uma pureza criativa já que vivemos em uma sociedade de base criacional sedimentada. Aquilo que nos parece novo é na verdade a derivação de algo pensado anteriormente ou a transformação de algo já existente.

Somos dotados de pensamento evolucionista à medida que criamos a necessidade de aprimoramento e transformação daquilo que já existe, e que nos bastará por certo período, mas logo a necessidade de ascensão a um novo patamar cria em nós o desejo de nos auto ultrapassar, e condiciona o pensamento evolucionista humano. A ideia de progresso sempre acompanhou a existência humana, nos mais diversos setores. A teoria de que o predecessor é sempre inferior ao que virá. Esse pensamento faz o homem aprimorar suas técnicas e procurar novos meios (muitas vezes inconsequentes) em busca do prêmio que não lhe bastará por muito tempo, e logo necessitará de retoques e transformações.

O interessante disso tudo é que, de fato, não existe uma substituição efetiva de praticas ou objetos. O que acontece na verdade é uma reconfiguração que se adeque as novas necessidades existentes (ou forjadas sob a falsa inevitabilidade de incorporação do que é feito).

O mundo funciona como uma grande oficina, e o que nela se produz não são nada mais do que um “concerto” do que há um tempo fora “corrigido” nela mesma.Os médias são a expressão mais clara de todo o sistema dessa oficina.Quando na década de 20 surge a TV (aqui entendida não como o aparelho, mas como um sistema eletrônico de reprodução de imagem e som),ela não substituía a rádio que vigorava até então como a “Senhora da comunicação em massa”, mas traz em si a ideia de aperfeiçoamento da técnica radiofônica (no que diz respeito aos seus efeitos) a medida em que não apenas ouvia-se mas também via-se através dela, e passou a incorporar uma linguagem já adotada pela rádio, que por sua vez já havia incorporado o organizado discurso verbal dos jornais impressos, além de estar (assim como a radio)ligada diretamente a uma função comercial e propagandística. O meio aprimora-se, mas a intenção permanece.

Não assistimos, portanto, a uma substituição, mas sim a uma coexistência de fomento recíproco. O método mais simples de vermos a reconfiguração dos meios é o impacto/transformação proporcionado pelo computador/internet. Com ele houve a convergência das médias existentes até então em um canal informático, mas nutrindo-se ambos os lados. A internet “aprendeu” com os velhos medias e reconfigurou os antigos. A oficina apenas adapta e remedia toda a característica técnica (no que diz respeito á sua execução e prática quanto veículo informacional),e formal (no que diz respeito a veiculação da informação e da mensagem, que é reconfigurada segundo cada meio, a medida em que ele influência e atua sobre essa transmissão).


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