A arte e a tecnologia digital

A tecnologia digital trouxe grandes mudanças a certas práticas artísticas. Podia indicar algumas não necessariamente positivas, mas hoje irei ser optimista e ver as coisas pelo lado bom. Afinal, gosto de computadores, gosto de arte, e gosto quando as duas coisas se cruzam.

Hoje em dia já não é preciso tirar-se um curso especializado para se poder tirar partido das capacidades dos computadores e do software que estes oferecem. Existem programas de edição de imagem, som e vídeo que dão a qualquer pessoa que invista algum tempo na sua aprendizagem um incrível leque de ferramentas extremamente úteis às práticas artísticas. Programas como o Photoshop, o Audacity, o Adobe Premiere, para dar o exemplo de alguns dos mais famosos, permitem proceder facilmente à edição de fotografias, vídeos ou gravações áudio, sendo bastante acessível, e muitas vezes gratuito, encontrar esse software.

Os benefícios são imensos e bastante fáceis de encontrar. Qualquer pessoa com um computador e uma ligação à internet tem a capacidade de fazer grandes obras artísticas desde que tenha jeito suficiente para a coisa. Não é preciso ir a um estúdio para se gravar uma música com todos os instrumentos desejados, pode-se fazer em casa com programas de gravação e edição áudio. Rolos de filme e de fotografia? Cada vez mais uma coisa do passado. Viva os Photoshop e os Premieres e os Windows Movie Makers e coisas tais.

Penso que há um certo receio que esta acessibilidade tenha o seu lado negativo, ou por medo que estes novos meios de práticas artísticas substituam os antigos ou porque assim qualquer um pode ser um artista, e isso possa tirar valor à criação artística. Quanto à primeira hipótese, acho que uma nova prática artística nunca conseguirá completamente substituir as antigas. Por exemplo, isso não aconteceu com a pintura quando a fotografia chegou. Assim o espero, pelo menos. De qualquer maneira, penso que haverá sempre escultores, pintores, músicos, etc, à “moda antiga”, ao mesmo passo que os escultores, pintores e músicos digitais se vão desenvolvendo. Quanto à segunda, não acho nada mau que cada vez mais pessoas tenham a possibilidade de fazer realizações artísticas.

Há uma outra questão, que é a maneira como se observa uma obra de arte. Há cada vez mais museus e galerias online, tais como sites de partilha de filmes e música. Penso que fica muito difícil comparar a experiência de se ver um espectáculo de música ao vivo e um pelo computador. Mas lá está, não era possível haver o conceito de um espectáculo ao vivo antes de haver maneira de se o difundir sem ser ao vivo. Penso que a própria psicologia humana se assegura de que nenhum dos meios será destruído em função do outro. Achamos muito cómodo que o Youtube exista para vermos todos os concertos que quisermos, quando quisermos, mas a verdade é que a experiência de se ver um concerto ao vivo está noutro nível completamente diferente.

Depois há os programas de texto, como o Word, que tornam a escrita muito mais fácil do que a escrita à mão, ou à máquina de escrever. Uma inovação tecnológica valiosíssima pelas mais variadas razões. E os programas de animação 3D…

Enfim, penso que estes software vieram para ficar. E desde que não substituam completamente as formas de realização artística tradicionais, mas que se complementem umas às outras, penso que não há nenhum mal nisso.

 

Fernando Gil


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