A idade da tecnologia

Anos e anos de desenvolvimento passaram sobre o ser humano e as formas de comunicação… uma evolução, recontada, baseada em mensagens, objectos, fragmentos, testemunhos, cartas, muitas cartas…livros, muitos livros, manuscritos, gravuras…tudo isto “remediado” em chips, bytes e luz artificial.

As formas de comunicação, alteraram-se radicalmente, vivemos numa ” aldeia global” em que comunicamos com conhecidos e desconhecidos, comunicamos sem duvida, mas será que é possivel conhecer um ser humano exclusivamente através da comunicação tecnológica? Eu arrisco-me a responder não! O teor das mensagens são sobretudo mentais e visuais, uma extensão do nosso sistema nervoso,  visual e auditivo, mas que com a invenção do 3D e 4D,estamos mais próximos da extensão do sentido do tacto e do olfacto.

O código da linguagem é transmitido através da escrita, mas agora com uma nova particularidade, esta escrita, já não é simplesmente impressa no papel, este código vai activar um outro código numérico que me vai possibilitar a transmissão da mensagem propriamente dita num formato digital.  Um novo “artista teclista” em que o seu gesto principal e único talvez, seja o de pressionar teclas.

Ao lado do perfeccionismo de certos escultores, do virtuosismo de alguns músicos, ou da capacidade expressiva dos pintores, temos a ascensão dos imponentes e criativos artistas informáticos, peritos no pressionar das teclas e activação de códigos, que trabalham quase todas as artes…

Pintar um quadro da forma primitiva dá muito trabalho, suja o espaço, não me possibilita eliminar o erro com a mesma facilidade de um meio electrónico, visualizamos autenticas obras de arte todas elas concebidas exclusivamente através de meios informáticos.

Tudo evoluiu muito.. as mensagens já não circulam a cavalo, carro, mota, avião, não levam horas, dias meses, …anos a chegar ao destino, agora as mensagens vão montadas em “cavalos raios de luz” e viajam a uma velocidade estonteante capaz de dar a volta ao mundo em segundos!!! Confortavelmente sentados em cadeiras accionam-se  bombas que vão rebentar do outro lado do planeta 😦 !

O meio é sem duvida uma parte importante da mensagem, aquilo que digo e como o digo é influenciado pelo meio que escolho para transmitir… mas a essência, o sentido, o significado da mensagem, vai depender essencialmente do emissor, na minha opinião o meio é o mecanismo, e não a mensagem, porque a mesma mensagem pode ser transmitida por diferentes meios, mantendo-se a essência da mensagem, embora se alterem meios.Podemos ocultar ou tornar o meio visível mas isso parece-me mais um jogo de marketing que procura despertar determinadas sensações no receptor sobretudo sensações de empatia dado que o objectivo é vender .

A nova geração que agora nasce, vai crescer numa era em que a tecnologia já se encontra bem enraizada na sociedade, desde muito cedo que sabem como funciona um telemóvel, ou como se escreve num computador, mas talvez ainda não sejam capazes de escrever o nome  numa folha de papel! Sabem todas as teclas que accionam as actividades de um jogo de computador, mas não sabem jogar à “cabra cega”, ao “esconde” ou qualquer um dos jogos físicos que preencheram os intervalos escolares da nossa infância, e que nos permitiram conhecer melhor a nossa essência e a dos outros, porque não estávamos escondidos por trás de uma máquina, limitando-nos a ser nós próprios e a comunicar. É como se quando comunico através de uma máquina não sou eu quem exclusivamente comunica, a mensagem não é exclusivamente minha, é minha e da máquina… há um outro eu que se gera dentro de mim por não estar directamente exposto, mas sim protegido por um meio que me oculta… e que afecta a mensagem. Estes intervalos de convívio são agora  ocupados a enviar mensagens ao “amigo” que conheceram ontem na Internet, com quem já partilharam o numero de telemóvel…  Para alem de um perigo pelo facto de se tratar de uma criança que facilmente se pode deixar enganar e iludir, representa a extinção das relações humanas reais propriamente ditas e passamos a falar de relações humanas virtuais que se podem revelar uma mentira ou desilusão, quando passarem da virtualidade à realidade.

A tecnologia apresenta-se como uma espécie de extensão dos sentidos que, se falta ao ser humano parece que lhes falta um órgão vital. Será que um dia o humano já não vai saber como se desenham as letras? Apenas como se pressionam as teclas de um computador?

Cristina Lopes

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