Opostos que repelem atracção!

Remediation: Understanding New Media (1999), os novos média digitais Segundo Jay David Bolter e Richard Grusin. Uma ‘trilogia’ de termos “assombra” a genealogia dos média: remediação, imediacia, hipermediacia.

O mundo está em constante evolução, tamanha evolução faz com que seja indispensável a renovação de conceitos, tecnologias e meios. Do meu ponto de vista, a remediação é o resultado de um processo construtivo e progressivo que faz com que cada vez mais, o meio evolua e/ou a tecnologia seja alterada. Os meios digitais podem ser definidos como re-meios porque fazem a remediação de outros meios, têm a possibilidade de conviver no meio da materialidade digital porque há a possibilidade de serem transformados num código. Código esse que está omisso.

A imediacia é isso mesmo, funciona sobre a lógica da transparência, é um meio que se tenta esconder. A imagem que os nossos olhos captam sugere uma janela pela qual olhamos. Os elementos da interface são metáforas, porque quando fazemos algum pedido ao “computador” a sugestão visual não é o que realmente acontece. Quando ocorre um erro é que o meio se revela.

Hipermediacia consiste na opacidade do meio, o meio enquanto superfície que expõe a materialidade própria. É em escassos momentos que nos apercebemos desta opacidade, por exemplo quando estamos a ver um vídeo no youtube e este “crasha” aí sim temos o meio no seu estado puro, aí é que o meio se revela.

A relação entre imediacia e hipermediacia é um pouco subjetiva, arriscava-me a dizer que por vezes a única relação entre os conceitos é de oposição. Quando observamos um quadro temos plena noção daquilo que o compõe, a tela, a perspectiva, a luz, as sombras, a tinta, as pinceladas, no entanto tudo o que vemos é o conjunto em si, vemos a imagem criada por todos os elementos que referi anteriormente. A ilusão é tão grande que há certos momentos em que nos esquecemos daquilo por que cada pintura é composta.

No caso do cinema, afirmamos acesamente que temos plena noção de que o cinema é ficção, que sabemos que nada real, que tudo é alterado por programas, mas na verdade não é bem assim. Não é percetível a olho nu, pelos menos a qualquer um, saber se uma certa cena de um filme foi gravada ou não em estúdio verde. As modificações, os códigos utilizados.

A relação entre imediacia e hipermediacia é uma relação de oposição. Não é possível, para mim, conceber a ideia de ter ao mesmo tempo os dois conceitos lado a lado. Se por um lado a imediacia é a ilusão sempre presente no meio e eu não tenho essa noção, estou iludida e o conceito de hipermediacia é inexistente. Se por outro a hipermediacia é a opacidade do meio e não consigo ter a noção do objeto na sua íntegra, o conjunto é questionado não há ilusão, logo o conceito de imediacia é nulo.

Inês Lopes


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