Reprodutibilidade técnica, aura e massificação da arte

Quando, em 1935, Walter Benjamin, identificou os efeitos da reprodutibilidade técnica na fotografia e no cinema, estava muito longe de pensar nos efeitos que ela teria na actualidade com a profusão dos novos média a nível planetário.

Desde a xilografia, passando pela litografia, em que as artes gráficas tiveram a possibilidade de ilustrar o dia-a-dia a par e passo, foi com a fotografia que a mão se libertou pela primeira vez, “no processo de reprodução de imagens, de importantes tarefas artísticas que a partir de então passaram a caber exclusivamente aos olhos que vêem através da objectiva”. A fotografia veio possibilitar o cinema sonoro.

Foi através desta evolução que a obra de arte se foi massificando e, consequentemente, perdendo a sua aura e a sua autenticidade. O mesmo acontece à aura de um manuscrito quando é digitalizado. Perde o seu cunho pessoal e personalidade da pessoa que o escreve com a sua própria mão. Perde a sua originalidade e autenticidade. Mas a massificação dessa mesma obra de arte não é necessariamente negativa, pois através dela, com as novas tecnologias, podemos ter acesso a ela mesmo em nossa casa. Esta realidade só se tornou possível devido à reprodutibilidade técnica e consequente massificação das obras de arte.

Apesar da obra de arte, “perder” a sua aura que lhe confere o aqui e agora, não se pode concluir que devido à reprodutibilidade ela a perca na totalidade, pois apesar da sua massificação ela contém sempre marcas dessa mesma aura e autenticidade, uma vez que essas marcas estão inscritas na sua própria história.

Walter Benjamin diz que “o aqui e agora do original encerra a sua autenticiade”, mas a reprodução técnica é mais independente do original do que a própria reprodução manual. E uma vez que a autenticidade não é reproduzível, levou à penetração em força de certos peocessos de reprodução técnica e este foi o pretexto para a diferenciação e classificação de autenticidade.

Em jeito de conclusão, diria que toda a obra, apesar de sujeita a reprodução, nunca perde na totalidade a sua aura, pois ela é contém sempre elementos intrínsecos que a identificam. Metaforicamente falando, diria que é como os genes que os pais (originais) passam aos filhos (cópias). Apesar dos filhos não serem uma cópia fiel de nós próprios, incorporam nos seus genes traços intrínsecos que nós lhes transmitimos.

O mesmo se passa com a obra de arte em relação à reprodução técnica.

E há alguma “obra de arte” mais original que o próprio homem?

Pedro Oliveira


Calendário

Abril 2012
M T W T F S S
« Mar   Maio »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Estatística

  • 527,102 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.226 outros seguidores


%d bloggers like this: