A (Re)produção da arte

De que forma a reprodutibilidade técnica altera a natureza e a função social da obra de arte?

Walter Benjamin foi um crítico literário, filósofo, sociólogo, tradutor e ensaísta alemão. Escreveu A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica em 1936. Aqui analisa a potencialidade artística (essencialmente a nível político) a partir da reprodutibilidade técnica. Fala-se da “aura”, ou seja, a veracidade da obra. A fotografia começa, de certa forma, a “destruir” essa aura.

Mas é através da dita reprodutibilidade, que é possível democratizar as obras e, assim, a arte.

Para o autor, as coisas vistas pelos olhos são diferentes das vistas através de um aparelho (por exemplo, a câmara).

Há dois tipos de reprodução:

  1. Reprodução manual
  2. Reprodução mecânica/técnica

Há uma aceleração na passagem da reprodução manual (por exemplo, xilogravura) para a reprodução mecânica/técnica (por exemplo, fotografia ou cinema). A reprodução mecânica/técnica é imediata, ao contrário da manual, que leva tempo a ser produzida.

Apesar de as reproduções serem, na maioria dos casos, exemplos perfeitos de cópias dos originais, faltam-lhes o aqui e agora do original. O simples facto de ser A obra de arte. A história formou-se sobre o original, a passagem do tempo incidiu sobre o original…

O aqui e agora do original encerra a sua autenticidade. – Benjamin.

Com o fenómeno da reprodutibilidade facilitada, verifica-se a perda da aura dos objectos artísticos, esvai-se o sentido da tradição e da história que a obra original encerra e assistimos à sua massificação.

Na minha opinião, a reprodutibilidade é uma “espada de dois gumes”, com as suas vantagens e desvantagens.

É certo que a natureza da obra de arte original é afectada, pois perde o estatuto de singularidade, de ser “a única”, mas ao mesmo tempo penso que isso não é de todo negativo, pois permite que a maioria das pessoas possa ter acesso à obra, mesmo que seja “apenas” uma reprodução. Temos uma cultura de massas? Sim, o que faz com que não haja grande diversidade do meio cultural e que sejamos, de certa forma, obrigados a que todos gostem das mesmas coisas. Mas isso vai ao encontro do que disse anteriormente, pois dá a possibilidade a que todos (ou quase todos) possam ter um maior contacto com a cultura, não estando esta cingida a uma “elite”.

Penso que este vídeo se adequa à temática aqui apresentada:

Beatriz Barroca.


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