Arte num clique

De que forma o software, isto é, a camada computacional da tecnologia digital condiciona as práticas sociais, culturais e artísticas?

  Longe vão os tempos em que uma fotografia precisava de horas e uma série de processos complicados para ser revelada, e quem diz uma fotografia, fala de filmagens e tantas outras coisas. Ainda me lembro de quando ia a lojas e deixava os rolos fotográficos para depois a uma certa quantia receber as fotografias, que estivessem elas como estivessem, assim o ficariam.
Hoje não é assim. O processo é fácil, rápido e económico. Basta-nos ter uma máquina fotográfica digital, um cartão de memória capaz de armazenar centenas de retratos, que num minuto podemos ver no nosso computador e editar como bem entendemos. Os programas de edição são cada vez mais fáceis de adquirir e manusear, e por isso mesmo hoje em dia podemos criar a nossa própria arte à distância de uns cliques e um tempinho em frente a um computador.
Este é um desenvolvimento que desencadeia todas as condicionantes da camada computacional nas artes e na cultura. O conhecimento destes “engenhos” é cada vez mais vasto e garante acessibilidade a todos. Desta forma, podemos fazer filmes, captar fotografias e editá-las de formas ainda mais artísticas (ou pelo menos, “floreadas”) do que o eram antigamente, nos seus primórdios. Mas não nos fiquemos por aí.
Outro exemplo é a publicidade, a divulgação de eventos ou mesmo a exposição da arte.
Já não se vêm hoje em dia, cartazes manuais espalhados pelas ruas a anunciar um concerto, um teatro ou a estreia de um filme. Não. A tecnologia permite tornar tudo muito mais apelativo, e por meio de efeitos minuciosamente preparados em programas especiais: softwares que facilitam dar às letras, imagens, vídeos e sons, aquilo que as mãos não podem dar.
E ainda há mais. Hoje, através de uma pequena pesquisa no Google, podemos visitar o Louvre ou o MoMA, sem mesmo nos deslocarmos do conforto de nossas casas. A arte está ao alcance de todos, seja para a fazer, para a viver ou para a contemplar.
Acredito que a sociedade está profundamente condicionada aos avanços tecnológicos. Tirar tudo isto ao mundo era como reduzir o conhecimento a zero, coisa que alguns iriam ironicamente avaliar como…voltar “às cavernas”.

Ana Vilarinho


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