A singularidade da arte na Era da Reprodutibilidade

Tema de escrita: De que forma a reprodutibilidade técnica altera a natureza e a função social da obra de arte? 

“Obra de arte: pode ser definida como uma criação humana com objetivo simbólico, belo ou de representação de um conceito determinado; uma obra de arte se difere de um objeto comum, pois o objeto comum possui apenas uma função prática e útil na sociedade e, geralmente, é produzido em série por indústrias, enquanto a obra de arte tem como característica ser especial.” (fonte)

A apreciação da arte durante muito tempo ficou restrita a uma pequena parte da sociedade. As obras de arte carregavam em si uma aura de idealização muito forte, eram únicas, especiais e difíceis de alcançar. Tanto o artista, quanto a sua obra eram super valorizados pelo seu caráter exclusivo e incomparável. Enfim, a arte era para poucos.

Mas hoje a situação é diferente. Como explicita Walter Benjamim, no século passado sugiu a reprodutibilidade técnica e com ela a massificação da reprodutibilidade. Agora, todos podem ver as cópias das grandes obras, todos tem acesso à arte. Mas isso é bom? Essa reposta não é fácil, é um assunto muito polêmico. Para alguns essa “supermassificação” da arte faz com que o objeto original  perca a sua aura, perca o seu caráter único e especial. Para outros, isso é a democratização da cultura; pra quê uma arte que apenas atinge um pequeno grupo?, a arte deve ser universal.

Pessoalmente acredito que sim, o objeto original perde um pouco da sua singularidade, mas ele nunca vai deixar uma obra de arte. As cópias, por mais perfeitas que sejam, nunca conseguiram se igualar à original, pois “o aqui e o agora do original encerra a sua autenticidade” (Wlater Benjamim). Ou seja, o contexto da criação do original, as marcas dos efeitos e transformações ocorridos ao longo do tempo são únicos, exclusivos e escapam à possiblidade da reprodutiblidade técnica.

Na era digital, temos também a reprodução digital das artes, que é, acredito, a forma que mais resguarda a aura da obra de arte. O Google Art Project por exemplo reproduz todo o museu na qual a obra de arte está guardada e ainda traz recursos extras que possibilitam uma pesquisa online instantânea sobre aquela determinada obra de arte ou artitsta. Essa ferramenta permite ainda que você analise as obras com um zoom para ver os mínimos detalhes; recursos como este trazem outras questões à mente sobre a reprodutibilidade. Para alguns não há sentimento igual ao de estar presente em frente a uma obra de arte original, mas pensando bem será que analisar a “La Gioconda” em aplicações digitais, como a do Google Art Project, por exemplo, não é melhor do que vê-la em uma sala do Museu do Louvre lotada de turistas na qual você não consegue nem chegar a 5 metros de distância do quadro?

A reprodutibilidade técnica das obras de arte e a sua massificação serão sempre assuntos polêmicos, mas a questão é que nenhuma técnica de reprodução é (ou será) tão avançada e perfeita que consiga captar e copiar uma obra de arte a ponto de substituí-la. As obras de arte e os artistas continuam a ser singulares, especiais e exclusivos.

Larissa Guedes

1 Response to “A singularidade da arte na Era da Reprodutibilidade”


  1. 1 Thaysa Cristina 24/04/2012 às 18:02

    Muito bacana o texto, nunca parei pra pensar nisso… Mas eu particularmente apoio a reprodutibilidade, acho que todos devem ter “acesso” a obras de arte. Muitos (como eu haha) não têm a oportunidade de ir ao Louvre ver as belas relíquias que estão por lá, mas conhece a história e saberá reconhecer a obra de arte quando vê-la a olho nu por causa da reprodutibilidade… Então é isso, quem pode vai lá conhecer a obra original, quem não pode se limita a ver cópias. O importante é conhecer a história do mundo, o conhecimento é o que DEVE ser massificado, e pra mim a reprodutibilidade das obras de arte é essencial pra isso.
    No mais, parabéns pelos textos =D
    Beijos


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