A aura de uma obra de arte.

O que é uma aura?

Uma aura, em certas religiões e práticas espirituais, é uma espécie de campo que envolve um ser vivo ou objecto. Diz-se ter várias camadas, e uma cor que muda consoante o estado de espírito daquilo que envolve, apesar de ser invisível.

Seja lá como for, exista ou não existir, põe-se a questão da aura de um objecto artístico desaparecer ao ser reproduzido e massificado. Ou melhor, essas reproduções não têm a aura do original. Ou não têm aura. Ou sei lá. O que sei é que podemos levantar uma questão: Isto de um objecto ter aura ou não é um pretexto para se vender o original nos leilões por valores astronómicos ou de facto há qualquer coisa que se perde com a reprodução de uma obra?

Eu penso que pode ser um pretexto, mas também acho que, de facto, há algo que o original tem que a cópia não tem. Não sei se lhe chamaria aura (demasiado místico, talvez). Chamo-lhe antes “essência”, ou autenticidade, ou unicidade, ou algo do género. Por exemplo, numa pintura original podemos ver as pinceladas feitas pelo artista, as diferentes camadas de tinta, umas com mais relevo que outras, as cores originais, o tamanho, etc. Estamos diante não só da obra, como de grande parte do processo pelo qual a obra foi feita. É mais que arte, é História, ainda que o ser humano não tenha capacidade para detectar todas essas variações e nuances e coisas tais. Mas independentemente disso, reconhecemos que o original tem algo que distingue das cópias. Tem lá a mão do artista. Tem a sua história. O original é único, ainda que por vezes não saibamos bem porquê. Ainda que com o passar dos anos a tinta caia, ou leve uma nova camada de tinta como manutenção, continua a ser o original. Continua a ser “aquele”. Pelo menos no meu ponto de vista.

Enfim, a cópia não tem a aura do original? Depende da maneira como vemos as coisas, como interpretamos essa aura. Penso que é uma questão de História. O original tem o suor e sangue do artista (literalmente ou não…), a cópia não. É claro que, por este ponto de vista, não podemos atribuir o mesmo conceito de aura a todas as obras de arte. Por exemplo, um álbum de música, que é pensado especificamente para ser massificado. Não existe original. É claro que há quem atribua grande valor à edição limitada do LP que saiu no ano X e nunca foi posto a tocar, ou coisa assim, mas mesmo assim, não é nem de perto nem de longe o original. O “original”, neste caso, é o momento em que os músicos se juntaram para tocar, mas mesmo assim, muitas músicas foram primeiro editadas no computador antes, e o álbum não seria a mesma coisa se não fosse assim, por isso não há um original. Mas não significa que não vejamos na obra, ou no CD, ou no vinil, uma aura. Podemos ver o nosso exemplar como parte do grande conjunto das coisas, parte da história do artista que a editou.

Assim, o que se perde com uma reprodução em relação ao original? Depende da importância que damos a certas coisas.

Fernando Gil


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