Reproduzir ou não reproduzir?

(…) “Mas o espantoso desenvolvimento dos meios ao nosso dispor, no que refere à sua capacidade de adaptação e precisão, coloca-nos num futuro próximo perante transformações profundas da antiga industria do belo”(…) Paul Valéry

As transformações na estrutura do capitalismo, depressa se impuseram aos domínios culturais, a industrialização e a criação de novos meio de reprodução técnica veio dar resposta à crescente necessidade comercial do mercado e a arte passa a números, já não interessa o conteúdo obra de arte, mas interessa antes quanto vai vender. A arte consumida pelas massas, adquire grande reprodutibilidade técnica para chegar a todos os potenciais consumidores… a Internet conseguiu abalar esta compra desenfreada, (não tão desenfreada porque estamos a perder poder de compra).

O artista assemelha-se ao proletariado que trabalha e vê o seu trabalho explorado e mal remunerado, enquanto que produtores e editoras ganham fortunas com a reprodutibilidade de um original construído aqui e agora, sobre o qual o artista deixa de ter poder, esse aqui e agora é muito efémero e deixa de o ser a partir da conclusão da obra, que uma vez concluída, já não é o artista que trabalha sobre ela, mas sim o tempo que a vai transformar na sua passagem.

As novas tecnologias vieram agravar esta situação de perda e transformação do original, ao a mesmo tempo que garantem a divulgação da obra de arte. Podemos pensar na reprodutibilidade de um obra, em que o original é de difícil acesso, ou até já nem existe, a reprodutibilidade tem a vantagem de nos colocar em contacto com a imagem da obra, que de outra forma não seria possivel. Mas quando a reprodução vive no mesmo espaço temporal do original, essa função altera-se e a reprodução passa a rivalizar com o original.

“Sempre os Homens puderam copiar o que os outros tinham feito. Essa imitação foi também praticada por alunos que queriam exercitar-se nas artes, pelos mestres para divulgação das suas obras, enfim, por terceiros movidos pela ganância do lucro.” Walter Benjamin.

Durante a antiguidade clássica a moldagem e cunhagem eram os meios de reprodução técnica possíveis, bronzes, terra-cotas e moedas eram produzidos em massa, mais tarde a xilogravura veio permitir a reprodução de imagens, e a imprensa a reprodução de textos, esta nova técnica transformou o acto de escrever, alterando aquilo se escreve e como se escreve, de modo a captar a atenção dos leitores. Poucos anos depois da invenção da litografia, que aproximou a reprodução de imagens à reprodutibilidade técnica da imprensa, é inventada a fotografia, que vem representar uma revolução na reprodução de imagens, e  fazer alvoroço juntos dos artistas, e daqueles que se interessam por arte ou vivem da arte. A fotografia veio rivalizar directamente com a pintura realista, que pretendia obter um resultado o mais fiel possível da realidade, a fotografia apresentou-se de um modo tão rápido e eficaz, contra o qual o Realismo não foi capaz de combater. Dado isto, assistimos ao nascimento de novas estéticas pictóricas, que vieram alterar de forma decisiva a imagem que é criada no quadro, e a maneira como olhamos para esse mesmo quadro. Já não faz sentido retratar a realidade tal como a vemos, uma vez que a fotografia o faz na perfeição. Os pintores viram-se obrigados a encontrar outras formas de inspiração que não o retrato da  Natureza ou do Homem, o inconsciente e sonho ganham lugar nas artes… como se representa o sonho? Digamos que aqueles que querem continuar a trabalhar com as mão, sentir a obra a ser criada entre dedos, dar forma à estrutura, criar com as próprias mãos voltaram-se para o impressionismo, expressionismo, surrealismo e pintam algo que já não é a realidade mas algo que habita o mundo dos sonhos. Este processo lento perde, para a rapidez do clik da maquina, e zás em segundos temos uma reprodução fiel da realidade…que pode ser reproduzida num numero quase infinito de vezes, o olho comanda agora, ele é muito mais rápido que a mão. Mas a máquina não é capaz de dar forma ao sonho, porque este não tem uma imagem visível, mas nós somos, porque temos capacidade de imaginação e reprodução, enquanto que a maquina não imagina limita-se a reproduzir.

A autenticidade não é imitável, uma vez que esta não é reproduzível. Existem aspectos positivos e negativos relativamente à reprodução técnica. Negativo, quando aliada a ideias capitalistas, que não respeitam o artista, e exploram o seu trabalho e positivo, quando pode por exemplo ajudar a preservar um original frágil que está guardado e o publico apenas pode vislumbrar a imagem através da copia. Para não falar naquilo que a reprodutibilidade veio a contribuir como ferramenta de trabalho para músicos, actores, pintores enfim todos os artistas interessados em criar.

Não menos importante que isto tudo, é o que representa esta reprodutibilidade no cinema, que se revelou a arma mais poderosa de todas para transmitir uma mensagem e chegar as massas, daí que seja importante que o artista não se esqueça, e não se divorcie da sua função social como educador das massas, que não deixe tudo nas mão dos políticos e homens de negócios, que apenas apreciam o dinheiro que a arte lhes pode dar, assim como são perigosos os artistas que o querem ser pela fama e pelo dinheiro e não assumem a sua função essencial junto da sociedade Um sistema democrático e passivo deve acarinhar o seus artista deixa-los produzir, patrocina-los, mas o artista deve exerce a sua função de criador e educador e não entrar no niilismo que infelizmente nasceu da guerra e da representação de um sofrimento que não possibilitava aos artista criar algo constitutivo e feliz, uma vez que viviam na destruição, se bem que eu ache que quando tudo está mal não devemos desistir e tentar sempre até às ultimas forças. “A esperança é a ultima a morrer”

Dar sentido à Arte e à Vida porque ambas tem muito sentido, a guerra é que não tem sentido nenhum.

Cristina Lopes


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