“Aura”, onde estás tu?

The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction é um ensaio do filósofo alemão Walter Benjamin sobre a arte no século XX, que analisa a sua existência na era da cópia, da fotografia.

Sempre foi possível reproduzir a obra de arte, mas a sua reprodução técnica é, contudo, um fenómeno novo. O processo histórico revela a aceleração da passagem da reprodução manual para a reprodução mecânica/técnica, e é fundamental reconhecermos a diferença entre estes.

A litografia, no século XIX, permite pela primeira vez às artes gráficas não só entregar-se ao comércio das reproduções em série, mas também produzir obras novas. O  processo de reprodução das imagens foi tão acelerado que passou a poder a acompanhar a fala, com a passagem da fotografia ao cinema e ao cinema sonoro.

A singularidade tem a ver com a História, uma vez que a passagem do tempo e o consequente efeito que tem na obra de arte (a degradação) manifesta-se fisicamente. Para Walter Benjamim: “o aqui e agora do original encerra a sua autenticidade”. A marca da autenticidade está escrita na singularidade do objecto.

A reprodução técnica torna a obra mais independente do original e pode pôr a cópia em situações que não estão ao alcance do próprio original. Há uma ânsia de reprodução, que visa propiciar um domínio maior do objecto, uma necessidade irresistível de possuí-lo, de tão perto quanto possível, na sua cópia, na sua reprodução. As massas querem superar o carácter único de todos os factos através da sua reprodutibilidade. Sendo assim, será que essa reprodutibilidade técnica, com a retoma do sempre idêntico,  pode atingir a aura da obra de arte, contribuindo para a destruição do seu carácter único, autêntico? Na minha opinião sim. Apesar da reprodução poder fazer parte do processo artístico, como é o caso do cinema, não podemos deixar de ter em conta que a autenticidade advém do seu carácter único. Exemplificando: Hoje, a capacidade de reprodutibilidade torna a experiência do concerto ao vivo menos importante, pois a obra é descontextualizada. A reprodutibilidade destrói aquilo que confere autoridade e autenticidade da obra de arte no tempo: a sua aura, perdendo também a sensação da obra de arte como algo mais inacessível e especial, que nos “diga algo”.

Para Walter Benjamin, apesar do cinema exigir o uso de toda a personalidade viva do homem, este priva-se de sua aura. A aura dos intérpretes desaparece com a substituição do público pelo aparelho, ao contrário do teatro, onde a aura de uma personagem liga-se à aura do actor que a representa,  e é sentida pelo público.

Através do conceito de aura, o filósofo Benjamin observa as mais profundas transformações, não apenas da arte, mas do homem e da vida na era da reprodutibilidade técnica.

Daniela Fernandes


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